Top 10 – Vitórias Menos Distribuídas (Parte 2/2)

21 10 2012

(continuação da Parte 1)

5 – Nova Zelândia

12 Vitórias. 2 Vencedores. Média: 6

Lewis Black, humorista americano, afirmou uma vez num dos seus stand-ups na Broadway: “Eu fui à Nova Zelândia este ano e, bem, sei que muitas pessoas querem visitá-la, mas deixem-me dizer-vos que são 22 horas de avião. Por isso se tiverem a oportunidade, não vão.”

O pequeno país da Oceânia, a par da Austrália, o único país desenvolvido do hemisfério Sul do planeta, é um dos meus favoritos no mundo. Não é difícil de gostar. Baixo desemprego, muita segurança, democracia e integração dos antigos povos (o hino chega a ser cantada tanto em inglês como maori), e um sotaque estranhíssimo.

Ah, e também responsável por uma das mais famosas parcerias entre os seus dois vencedores de GP: Denny Hulme (campeão mundial em 1967) e Bruce McLaren. Ou mais famosamente “The Bruce and Denny Show”.

“The Bruce and Denny Show” diz respeito à senda vitoriosa da McLaren na Can-Am, quando Denny e Bruce venceram dois títulos cada pela McLaren, que o segundo entretanto fundara.

Também na F1, e depois de ter vencido o 1º GP de um neo-zelandês em 1959 nos EUA pela Cooper e de ser vice-campeão mundial, McLaren conseguiu ainda a proeza de igualar Jack Brabham e vencer com uma equipa com o mesmo nome do piloto a sua vitória na Bélgica 1968, além de ver o compatriota Hulme vencer algumas antes da sua trágica morte num teste em 1970.

Na altura a recuperar de uma queimadura na mão na qualificação para as 500 milhas de Indianápolis, Hulme aguentara a dor, mas ao saber da morte do amigo não conseguiu aguentar as lágrimas. Recompondo-se o neo-zelandês procurou manter a equipa unida e contribuiu com mais vitórias que engrandeceram o mito McLaren, que perdura até hoje, graças aos feitos de pilotos como Lauda, Hunt, Senna, Prost, Fittipaldi, para além de Bruce e Denny.

A 4 de Outubro de 1992, Hulme faleceu nas famosas Mil Milhas de Barthurst, na pista, mas de uma maneira menos estrondosa: a meio da corrida o carro de Hulme parou na berma, e quando os comissários lá chegaram encontraram o piloto morto de um ataque cardíaco fulminante.

Desde estes dois grandes do desporto que a Nova Zelândia não conquista uma vitória na F1, caindo as esperanças no campeão da GP3 deste ano, Mitch Evans para fazer ouvir o “God Defend New Zealand” num pódio da categoria.

4 – Colômbia

7 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 7

Segundo piloto da história a representar a Colômbia no Mundial de F1, Juan-Pablo Montoya alterou significativamente o sucesso deste país.

Tendo como cartão de visita um título da CART em 1999 e uma vitória nas 500 milhas de Indianápolis em 2000, Montoya chegou à Formula 1 na Williams para acompanhar Ralf Schumacher com expetativas elevadas em relação à sua possível performance. Até porque o homem que substituiu, Jenson Button, tinha feito um trabalho bastante bom no ano anterior.

A temporada de estreia em 2001 foi marcada por abandonos múltiplos (11 em 17 corridas), mas quando terminou fê-lo de maneira magistral com 4 pódios e um deles foi a sua primeira vitória no GP de Itália. Mais vitórias (6 para ser preciso) vieram, assim como uma transferência para a McLaren, e um relacionamento pouco amistoso com Schumi Junior.

Acabou por não conseguir ser bem-sucedido, em grande parte pelo seu estilo extrovertido que não combinou muito bem com duas das mais sérias equipas da F1. Está agora na NASCAR, sem dúvida nenhuma mais feliz, onde o seu físico é a norma e não a exceção.

3 – Canadá

17 Vitórias. 2 Vencedores. Média: 8,5

Tal como o país que se encontra classificado imediatamente antes dele, o Canadá é um daqueles países que se encontra no topo dos indíces de felicidade, desenvolvimento e de sistemas sociais eficazes. Mais notável que isso é passar despercebido quando se tem como vizinho os EUA.

Mas existe outra estatística do agrado dos canadianos, como se comprova por este Top 10: com apenas 2 pilotos conseguiram 17 vitórias. Melhor ainda, esses dois são pai e filho. No Canadá só ganha Villeneuve.

Gilles foi o responsável pela primeira vitória do país da Maple Leaf na categoria, e sejamos honestos não ale a pena fazer grandes introduções. Desde pilotar helicópteros perto de janelas de hotel, de fazer as auto-estradas italianas a velocidades generosas e de dar tudo por tudo nas suas disputas por posição (como René Arnoux descobriu às suas custas).

Mas o local da sua primeira vitória sem dúvida foi especial. A vitória no circuito de Montreal em 1978, perante o seu público, num circuito que viria mais tarde a ter o seu nome. Gilles venceu com 13 segundos de vantagem sobre o companheiro de equipa do ano seguinte Jody Scheckter num Wolf.

Já o filho, Jacques (que por sua vez partilhava o nome do tio que competiu em 3 corridas de F1) conseguiu algo que o pai não conseguira, até pelo curto espaço de tempo que competiu, o título mundial em 1997. O canadiano já chegara à F1 sob grandes expetativas, até por vir de um ano em que venceu a Champ Car e as 500 milhas de Indianápolis.

E não decepcionou, pelo menos nas primeiras temporadas, dando muito trabalho ao companheiro de equipa Damon Hill, e conseguindo terminar o ano como vice-campeão, vencendo a sua primeira corrida de 11 em Nurburgring. No ano seguinte conseguiu vencer o campeonato contra Schumacher.

2 – África do Sul

10 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 10

O único país africano a ter dado um campeão mundial à categoria é também um dos líderes deste Top 10. Apesar das várias sanções aplicadas ao regime Apartheid a Fórmula 1 nunca fechou as portas à prova do país, contudo em 1985 a pressão fez-se sentir mais do que nunca, com os governos do Brasil, Suécia, Finlândia e França a tentarem pressionar os seus pilotos e equipas a boicotarem a prova. Jean-Marie Ballestre acabou por forçar a sua vontade e todos correram. Mas não houve F1 nos anos seguintes…

No entanto o país deu uma contribuição para a F1: um campeão mundial. Jody Scheckter estreou-se na categoria máxima do automobilismo em 1972, Watkins Glen, passando mesmo pela terceira posição antes de um despiste o enviar para o nono lugar. No ano seguinte quase venceu o GP de França antes de chocar com o campeão em título, Emerson Fittipaldi (“Este maluco é uma ameaça para si próprio e para os outros e não tem lugar na F1” terá o brasileiro dito…)

Acabou por obter o seu primeiro triunfo no GP da Suécia em 1974, e pilotou um dos F1 mais famosos de sempre o Tyrrell P34. Viria a vencer o título de 1979 na primeira temporada com a Ferrari, contra as expectativas de muitos. Infelizmente a sua defesa do título foi igualmente histórica: foi a pior de sempre, com apenas dois pontos marcados, e chegando mesmo a falhar a qualificação para o GP do Canadá. Abandonou no final de 1980.

1 – Espanha

30 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 30

Um claro líder neste Top 10. Poderia ser outro exemplo. Antes de Fernando Alonso se estrear ao volante de um Minardi no GP da Austrália de 2001, o melhor resultado de um espanhol na F1 era um único pódio de Alfonso de Portago no GP do Reino Unido de 1956. 11 anos depois o país está a apenas 3 vitórias de igualar os EUA de Phill Hill, Mario Andretti e Dan Gurney. E o responsável único por isso é Fernando Alonso.

O espanhol que cresceu numa família humilde de Oviedo, que guiou com o dinheiro do pai enquanto o permitiu, e mais tarde com a ajuda de Adrian Campos. Depois da vitória no Euro Open espanhol de 1999 sobre o português Manuel Gião, Alonso conseguiu o seu primeiro teste de F1 pela Minardi em que famosamente ficou na frente por 1,5s (depois de lhe ser dito para ir devagar). A equipa pediu satisfações perante um surpreso Alonso que respondeu: “mas eu estava a ir devagar…”.

A estreia na equipa italiana em 2001 não trouxe grandes surpresas, mas Flavio Briatore foi buscá-lo para a Renault. O espanhol estreou-se para os franceses em 2003, fazendo 4 pódios, um deles em Espanha, e outro a ser a sua primeira vitória na Hungria. O resto já se sabe, 29 vitórias e 2 títulos mundiais depois.

PS: Dedico este post ao Sebastian Vettel, porque demorei tanto tempo a fazê-lo, que estava com medo que entretanto o Maldonado vencesse outra corrida ou algo do género. Assim com ele a ganhar sempre, poupa-se-me o trabalho. Obrigado.





Como perder um título em 10 passos

14 10 2012

“Penso que em termos de vencer [o título], acho que acabou para nós”.

O desabafo de Lewis Hamilton no final do GP da Coreia traduz uma afirmação que já andava a pensar, mas que ainda não tinha completamente aceite. Se olharem para a barra lateral são capazes de reparar que a equipa fundada por Bruce McLaren é a minha favorita, para além de ter sido a equipa de Hakkinen e Raikkonen. Por isso mesmo, apesar de não ser o maior fã de Hamilton, ainda torci um pouco, mas agora não restam dúvidas de que não existe uma hipótese realista de isso acontecer.

E para mim, mais do que um título de Vettel, Alonso ou Raikkonen, 2012 será o ano do título perdido pela McLaren. Aliás, até no campeonato de construtores perdeu o segundo lugar para a Ferrari, que graças à subida de forma de Felipe Massa já ganhou 2 lugares desde a pausa de Verão. A equipa de Woking não vence mesmo o troféu desde 1998 com Hakkinen e Coulthard.

Isto quando começou o ano com o melhor carro do grid, e com o super-motivado Jenson Button a vencer na Austrália. Depois de 2007, mais uma derrota num campeonato em que tinha tudo para vencer.

Mas atenção, porque não é qualquer um que consegue transformar um campeonato tão certo numa derrota, não senhor! A Red Bull pode levar a fama de performances incríveis e de fins-de-semana vitoriosos, e a Ferrari pode ter conseguido transformar a carroça conhecida como o F2012 num potencial carro de campeão do mundo, mas nós conseguimos um feito muito mais trabalhoso, creio eu. Recordemos o grande plano de auto-destruição da McLaren em 2012:

Passo 1 – Quando todos os adversários seguem a moda do nariz de ornitorrinco, a McLaren opta antes pela solução convencional, que transforma o MP4-27 no mais bonito carro do grid, e como se descobriu também o mais rápido.

Passo 2 – Vencer a primeira ronda da temporada, com Jenson Button, de maneira clara e confiante, pela primeira vez desde 2008 (ano em que o título de pilotos foi conquistado). Agora é que é! A McLaren acertou o passo, e os resultados aparecem.

Passo 3 – Button, o grande estratega, capaz de pensar com três dias de antecedência como conduz revela-se absolutamente inconstante, e soma vários resultados pouco satisfatórios.

Passo 4 – Hamilton, agressivo e sem noção de quando desistir, vê-se como o piloto mais regular da temporada, pontuando todas as corridas, e finalmente vence no Canadá com muita confiança e uma condução irrepreensível (7º vencedor em 7 corridas), e assume-se como líder do campeonato e principal candidato. Voltava-se ao caminho certo.

Passo 5 – Resultados muito aquém das expetativas, com apenas 1 vitória de Hamilton na Hungria antes de chegar a pausa de Verão. Os primeiros indícios de uma quebra na harmonia aparecem, com os rumores de uma aproximação da Mercedes a Lewis, para além de o inglês ter pedido ao engenheiro para abandonar em Hockenheim após um acidente o enviar para o fim do pelotão, quando o carro ainda estava em bom estado.

Passo 6 – Regressar com uma vitória… do piloto mais atrasado no campeonato… enquanto o mais próximo é atirado para fora da corrida… e decide publicar no Twitter dados confidenciais de telemetria para tentar explicar que a equipa o prejudicou de propósito, enviando informações preciosas para os rivais… Bom fim-de-semana, o de Spa-Francorchamps.

Passo 7 – Vitória, finalmente, com Hamilton que passa a ser o seguidor mais direto de Alonso. Agora sim, isto vai ser uma luta privada entre McLaren e Ferrari!

Passo 8 – Ver Hamilton perder uma vitória confortável em Singapura por uma falha da caixa de velocidades. Não é assim tão mau, ainda se está perto e com um bom carro e um piloto com fome de título.

Passo 9 – Ver o piloto que está na estrutura desde os 9 anos decidir ingressar na rival Mercedes. E perceber que um título de pilotos significa enviar a um adversário o trabalho árduo de conquistar o #1.

Passo 10 – Ver os adversários eclipsarem a equipa, e o título a ir para cada vez mais longe… E os pilotos a terminarem a pouca harmonia que já havia antes. Rezar que 2013 chegue rápido mesmo!





Silly season, Silly moves

30 09 2012

Há muito tempo que surgiam os rumores sobre o mercado de pilotos. Depois de quase 3 anos sem trocas de equipas significantes no grid, já abundavam todo o género de rumores sobre quem poderia eventualmente ir para onde. Até há uns dias a principal notícia era sobre se Alguersuari estará a caminho da Sauber. É, estávamos desesperados por alterações mesmo…

E elas vieram. Em grande. Depois de vários meses de suspeitas, de quase certezas, de quase impossibilidades, veio a confirmação da ida de Lewis Hamilton para a Mercedes, saindo da equipa em que se encontrava integrado desde os 13 anos.

Por mais voltas que se dê à questão fica complicado tirar outra conclusão que não de que Hamilton foi atrás do salário milionário dos alemães. Quando se está integrado numa equipa há tanto tempo, e quando esta está há 5 corridas claramente com o melhor carro, os argumentos sobre as capacidades financeiras da Mercedes caem por terra. O único ano em que a estrutura de Brackley conseguiu superiorizar-se foi quando tiveram quase um ano de vantagem na projeção do carro em 2009, e mesmo assim no final já eram apenas a terceira força.

Ao contrário da maioria das pessoas fiquei feliz de ele ter saído. Hamilton já andava de alguns anos para cá a tirar mais diversão do seu estatuto de estrela do que a competir. Nos seus melhores dias é completamente imbatível (Canadá, Hungria e Itália mostram-no), mas começava já a duvidar se a motivação de um Vettel ou Alonso por ser o melhor ainda lá está.

A verdade é que se formos a ver as coisas objetivamente o inglês “apenas” tem um título mundial, pelo que o salário superior ao de Alonso não deixa de ser uma pretensão um pouco arrogante. Enfim, se a equipa de Estugarda tem o dinheiro para dar, quem somos nós para duvidar. Mas certamente a luta pelo título deste ano poderá ter ficado comprometida: será que a McLaren está interessada em ver o número 1 ir para a Mercedes no próximo ano?

Rosberg também deve estar bastante feliz da vida. Já vai no terceiro ano à frente do hepta-campeão mundial Schumacher no campeonato, mas os críticos dizem sempre que este já não é o mesmo Schumi, retirando-lhe valor. Agora tem a oportunidade de demonstrar o que vale, comparado com o campeão de 2008.

A escolha do seu substituto na McLaren é que sem dúvida não poderia surpreender ou desapontar ninguém. Os pilotos da Force India têm feito boas corridas, mas os laços de lealdade serão mais com a Mercedes. Pelo que Sérgio Pérez é uma escolha óbvia. A política da equipa desde a contratação de Button é, segundo os próprios, de escolher o melhor piloto disponível no mercado. Olhando para quem está disponível fica complicado de dizer que não conseguiram o objetivo.

O mexicano faz um ano excelente, com 3 pódios pela Sauber e pelo menos 2 quase vitórias (Sepang e Monza), e justamente pela juventude não só dará o tudo por tudo sempre para impressionar a marca de Woking (coisa que Lewis, na minha opinião não fazia) como aceitou um salário muito mais pequeno que o proposto a Hamilton (4 milhões de euros contra 19 milhões de euros), 15 milhões fundamentais ao desenvolvimento do carro de 2013, especialmente sem o apoio da Mercedes. Já para não falar na manutenção da Vodafone, interessada pela possível abertura no mercado mexicano e que decidiu ficar na equipa, quando se preparava para sair.

Portanto, ao contrário de Damon Hill, acho que a saída de Hamilton da McLaren foi talvez o melhor que podia acontecer à equipa. Pérez tem um potencial gigante e terá convivência fácil com Jenson Button, um “mentor” útil. Já para não falar que permitiu a Ron Dennis chatear Montezemolo, que tanto quis deixar Sérgio onde estava que acabou por perdê-lo. E ainda bem. Já imaginaram o desperdício de talento que teria sido ver Pérez como segundo piloto de Alonso?

O homem que não terá mesmo gostado da notícia é Schumacher, que depois de a Mercedes ter tentado simpaticamente livrar-se dele (com uma oferta de lugares na gestão da equipa e no DTM), se viu agora mesmo corrido de Brackley. Curiosamente apenas desejou boa sorte à equipa e a Hamilton em particular, sem uma palavra sobre abandonar. Mas espero bem que sim. Há Razias, Frijns, Félix da Costas e Bianchis à espera de oportunidades de mostrarem o que valem, estando um lugar ocupado por alguém que já viu os seus melhores dias passarem…

A juntar a isto foi também revelado o calendário de 2013, com as únicas alterações a serem a troca de lugar entre Yeongam e Suzuka (alguém percebeu porquê?) e a entrada do circuito de New Jersey para o lugar de Valência (ainda em dúvida, segundo Ecclestone). Sinceramente estava com esperanças que a Coreia saísse, mas espero que a etapa de Nova Iorque aconteça, a pista surpreendentemente parece interessante.

PS: Enquanto escrevo isto, António Félix da Costa voltou a vencer de forma magistral à chuva em Paul Ricard a primeira corrida das World Series, e mesmo faltando às 3 primeiras rondas dupla, está em sexto no campeonato. Este ano o Top 5 é muito realista, e para o ano o título perfeitamente ao alcance. E em 2014, se tudo correr bem, será o 5º português na F1. Força AFC!





Campeonato bem vivo

9 09 2012

Há 12 meses atrás, após a corrida de Monza, estávamos com dúvidas sobre se o campeão mundial Sebastian Vettel iria conseguir o título já em Singapura ou se teria de esperar até Suzuka. Este ano saímos com 5 pilotos de 4 equipas diferentes com hipóteses ainda muito realistas de lá chegar. Afinal entre primeiro e quinto estão apenas 47 pontos quando faltam 7 corridas para o fim.

A vitória nunca esteve muito em questão neste fim-de-semana, apesar da aproximação final de Sérgio Pérez a Lewis Hamilton. O piloto da McLaren tem estado com os holofotes da imprensa sobre após os rumores de que estaria de saída para a Mercedes, e não poderia ter respondido de maneira melhor, subindo para a vice-liderança do campeonato.

Dominou de início a fim, e viu os carros de Schumacher e Rosberg terminarem em 6º e 7º, respetivamente. Portanto parece óbvio que o inglês sabe que uma ida para a Mercedes é um gigante passo a trás em termos de resultados, ainda que possa ser compensado financeiramente. O mais provável é que esteja a usar esse argumento como pressão para um aumento salarial, porque com o aumento salarial a Button ficou a ganhar o mesmo que Jenson, que Hamilton muito certamente considera ser inferior a si mesmo. Compro mais facilmente esse argumento.

Atrás dele algumas surpresas. Em primeiro lugar a excelente exibição de Sérgio Pérez, que novamente mostrou o seu grande trunfo: a preservação dos pneus. Parando mais de 10 voltas depois da maioria, o mexicano conseguiu passar facilmente os adversários no final da pista, com destaque para a passagem sobre Alonso antes da Variante Ascari. Espero que não vá para a Ferrari tão cedo, porque decididamente não merece o tratamento de segundo piloto que lhe esperaria. E se a Sauber conseguir manter este nível, não se vêem para já razões para sair.

Os dois Ferrari estiveram bastante bem. Massa andou bem ao longo do fim-de-semana, conseguindo igualar o melhor resultado do ano em 4º. Teve que deixar passar Alonso, mas tendo em conta que está em 10º no campeonato é perfeitamente aceitável. Mas o espanhol não contou com facilidades foi de 10º até 3º, incluindo uma luta particularmente dura com Vettel, com direito a reedição do duelo do ano passado mas com os papéis invertidos.

Ainda que dura a penalização imposta ao alemão foi justa. Cada vez mais tem ficado moda forçar o adversário a escolher entre abrandar ou ir para fora quando já estão ao lado, o que é muito anti-desportista. A penalização de Vettel e a suspensão de Grosjean mostram que os comissários também concordam.

Quem está a fazer lembrar o conto da lebre e da tartaruga é Kimi Raikkonen, que conseguiu suster os ataques de Schumacher para chegar em 5º numa pista em que os Lotus não conseguiram dar-se bem (como d’Ambrosio em 13º demonstrou). Assim Raikkonen conseguiu passar a 3º no campeonato, a apenas 1 ponto de Hamilton. Já está a merecer uma vitória há muito tempo.

A Mercedes também mostrou sinais encorajadores, mas não nos podemos esquecer que os motores alemães se costumam dar bem em Monza.

Assim o campeonato vê-se relançado, com a crescente forma da McLaren que já vai em 3 vitórias seguidas. A Red Bull parece estar a perder alguma forma, mas não nos podemos esquecer que os austríacos há bem pouco tempo eram cotados como a maior ameaça a Alonso…

Veja os resultados completos.





Grosser Preis

23 07 2012

Antes de mais, é preciso dizer que nesta temporada de autêntica imprevisibilidade, um traço comum se começa a desenhar: Fernando Alonso está absolutamente imparável. Pole position, manteve a liderança sempre (com exceção dos pit stops, claro), e ganhou. Dizendo parece fácil, e, para ser honesto, vendo também, mas isso deve-se mais à excelente exibição do espanhol do que a uma verdadeira facilidade.

Aliás o melhor momento foi quando Andrea Stella, o engenheiro de pista do espanhol, lhe falava num tom preocupado (e em italiano, já reparam que agora é sempre assim que comunicam? Só falta a Mercedes começar a falar em alemão com Schumacher e Rosberg…), Alonso simplesmente respondia “Calma…” e que tinha tudo sob controlo. A confiança do espanhol nas suas próprias capacidades veio mesmo ao de cima.

E o exato 0posto viu-se em Lewis Hamilton. Depois do furo nas primeiras voltas, o inglês disse à equipa que achava que era melhor abandonar, quando a telemetria dizia que o carro podia continuar perfeitamente. Lembrei-me logo do recente post do Humberto Corradi sobre a motivação depois dos títulos. Não admira que o inglês esteja a descer no campeonato.

Mesmo assim continuo, e protagonizou uma situação invulgar na F1: um retardatário a desdobrar-se dos líderes. O ritmo do britânico estava excelente e conseguiu tirar a volta de atraso a Vettel. Mas não depressa o suficiente para que Horner e Vettel reclamassem que se tratavam de ordens de equipa para atrasar o alemão e permitir a aproximação de Button.

É tão simples quanto isto: Hamilton estava mais rápido que Vettel e quis que ele não o atrasasse, e portanto tentou passar. Se Seb pensasse um pouco até perceberia que só tinha a ganhar em deixá-lo passar rapidamente de modo a não ter que fazer condução defensiva, mas enfim. O que me irrita cada vez mais nele é que ganhou a mania de achar que a culpa é sempre dos outros: em Valência foi o SC, e agora isto.

Mas quem foi mesmo penalizado foi o alemão, por ultrapassar Button fora dos limites da pista. A punição foi um pouco dura, mas entende-se. Tivesse sido a escapatória em gravilha e ele não o teria conseguido, portanto ganhou uma vantagem.

Aliás, quem foi o inteligente que achou que quilómetros de asfalto era boa ideia? Sim, já não há abandonos por ficar na gravilha quase nunca, mas permite atitudes deste género, ou como Raikkonen em Spa 2009.

Enfim, o campeonato parece ser de Alonso, mas continua a não ser certo, numa altura em que até Raikkonen, mesmo sem vitórias está no quarto lugar do campeonato a 56 pontos de Alonso. Com uma Lotus à luta com a McLaren nos construtores seria divertido de ver Raikkonen a manter-se na luta pelo título.

PS: E o pormenor da entrevista do Lauda ao Alonso? “É bom ver na Alemanha, um espanhol a ganhar com um carro italiano, projetado por um grego…” xD

Veja os resultados completos.





Por detrás das camâras

9 07 2012

Embora tenha perdido as suas regalias de transmissão no Reino Unido para a Sky, a BBC continua com metade das transmissões a passar, e pelo que se tem visto, com conteúdos divertidíssimos.

Depois do famoso anúncio de como é a vida de um piloto de F1, do berço ao carro de competição, no mesmo GP (Mónaco), a emissora colocou a Lewis Hamilton e Jenson Button a tarefa de dirigir uma mini-transmissão, com Hamilton a orientar Button nas entrevistas.

Entrevistam Martin Whitmarsh e Mark Webber. O último rendeu o melhor momento, pois Lewis disse a Jenson na brincadeira: “diz que tu estás muito orgulhoso de trabalhares com o melhor piloto do mundo e pergunta-lhe como é com ele”. Só que Button não entende bem e pergunta a Webber “como é trabalhar com o melhor piloto do mundo?”… A reação do australiano é simplesmente brilhante! xD





Die Zukunft*

28 06 2012

* O Futuro

Depois de duas temporadas em que as 4 principais equipas não realizaram qualquer alteração no seu line-up de pilotos, a imprensa tem vindo a dar asas à sua imaginação, criando os mais rocambolescos cenários que se possam imaginar, na ausência de verdadeiras notícias dignas desse nome.

A mais recente criação diz respeito ao bi-campeão mundial Sebastian Vettel. Tem-se vindo a “noticiar” (entre aspas porque nem se podem classificar de notícias) que o alemão teria um acordo com a Ferrari para se tornar companheiro de equipa de Alonso a partir de 2014. O rumor começou por Stefano Domenicalli ter dito que os dois campeões poderiam coexistir, e com Alonso a dizer que não se importaria de o ter como companheiro.

Sinceramente? Não tem pés nem cabeça… Sebastian Vettel não é o tipo de piloto que gosta especialmente de desafios. A sua situação ideal é a de acumular vitórias, liderar corridas de princípio a fim, ter o melhor carro à sua disposição, e uma equipa inteira a apoiá-lo.

Analisemos agora a Ferrari. Começou o ano com um carro patético, e só à custa de muito suor de Alonso conseguiram amealhar duas vitórias, logo porquê sair de uma equipa que tem o hábito de acertar sempre com o carro? Depois há ainda a questão de Alonso. Não só o espanhol, mas também o alemão, não têm um historial muito bom quando os companheiros lhes começam a dar trabalho, pelo que não duraria muito uma “paz” entre dois pilotos que se consideram os melhores e que não têm o hábito de serem… graciosos nas derrotas.

Já para não falar do facto de ambos terem nas suas atuais equipas um tratamento de reis e senhores, sendo que nenhum deles estaria interessado em ter as atenções divididas no seio de uma equipa. Aliás quando Alonso se mostra interessado em dividir a equipa com Vettel, não deixo de ter a impressão de que ele quer mais dizer que gostaria de vencer Vettel com equipamento igual, para provar que é melhor…

E em todo o caso a alteração de que eles falam apenas teria algum efeito daqui a 2 anos, e muito provavelmente nem acontecerá. Pelo menos antes do final do contrato de Alonso terminar.

Todos parecem ignorar é outra vaga que tem grande potencial de ficar disponível, e que caso não fique poderá levar a alguns casos pendentes. Falo da atual vaga de Michael Schumacher.

O alemão tem vindo a expressar o seu desejo de permanecer em competição ao serviço da Mercedes, no entanto desde o seu regresso que não tinha vindo a apresentar resultados. Só que em 2012 o alemão tem vindo a mostrar um ritmo muito mais elevado que nos anteriores, e embora esteja com apenas 17 pontos (contra 75 de Rosberg) tem estado em boa forma, devendo-se a esmagadora maioria dos seus abandonos a problemas mecânicos.

Uma coisa parece certa: 2012 dificilmente será o ano da 8ª consagração de Schumacher, o que nos leva a ponderar se ele estará a pensar em prolongar a sua carreira (e por quanto tempo). É que ter Schumacher como relações públicas deve estar a dar um bom dinheiro à Mercedes, e com a sua subida de forma, fica mais fácil argumentar junto da casa-mãe a manutenção do hepta-campeão mundial.

O que não deixa de ter repercussões no mercado de pilotos. Já se falou várias vezes que os alemães estariam interessados nos serviços de Hamilton ou Vettel, aliciando-os com salários elevados, ou então do seu protegido Paul di Resta, que espera pacientemente na Force India, já para não falar do trio de jovens (Merhi, Vietoris e Wickens) que recentemente acolheram.

Assim temos uma das equipas de topo fechadas, olhemos agora para outras que já venceram este ano. A Red Bull manterá Vettel, e Webber já disse que só saía se deixasse de haver performance na equipa. A McLaren não deverá mexer. A Ferrari, na ânsia de dar um companheiro que não chateie Alonso e com os rumores de Vettel, poderá mesmo ter que optar por manter Massa. A Williams manterá um dos seus pilotos atuais, e dará lugar a Bottas.

Assim, a vaga que mais hipóteses tem de ficar livre ainda é a da Mercedes. O que não é também muito provável. O futuro mais próximo parece não trazer alterações nenhumas, mesmo…