Um caminho

11 02 2012

A minha ideia para esta temporada era de fazer o mesmo que fiz em 2011, comentar sobre os carros de cada equipa, e as suas soluções para 2012. Mas honestamente este ano, fazê-lo seria um pouco patético…

Lembro-me de no ano passado já ter tido uma grande dificuldade em arranjar grande coisa para falar sobre cada um dos carros das equipas. Se alguém pintasse de brancos todos eles, tenha a certeza de que nenhum engenheiro conseguiria distinguir qual o da sua equipa… Podemos tirar duas conclusões possíveis disto. Primeiro, por um acontecimento milagroso e psíquico qualquer, todos os projectistas de todas as equipas possuem o mesmo modo de pensar. Ou, as regras estão de tal modo restritas que só existe um caminho certo.

Copy, Paste... 8 dos 9 novos usam esta solução.

Como sou uma pessoa bastante objectiva, e quase me rio na cara dos supersticiosos, sinto-me tentado a escolher a segunda opção. Chegámos a este ponto. E pior de tudo é constatar que não tem sido feito por puro acaso. Os regulamentos têm mesmo esse objectivo.

Aliás, uma irritante dança tem acontecido nos últimos anos: alguém tem uma ideia brilhante, coloca-a no carro, e é imediatamente proibida (este ano, o sistema desenvolvido pela Lotus nas travagens, por exemplo). Ou caso seja do interesse da Federação, é aceite, e as restantes equipas correm para copiar para o seu monolugar.

Em 2011, quando a McLaren mostrou um carro diferente das restantes equipas, Adrian Newey depressa disse que era apenas visual, e a sua equipa venceu o campeonato, e os ingleses já voltaram ao sistema convencional, portanto, Newey estava completamente certo. E assim se prova a existência de apenas um caminho na F1 actual, fora do qual se perde tempo.

Como se não bastasse isto, ainda temos os problemas de quando alguém consegue um buraco no regulamento que é legal. Aí vem tudo reclamar e pedir a ilegalidade da invenção. Isto porque, como já creio ter dito uma vez, na Fórmula 1 ser inteligente é uma vantagem injusta…





O fim das apresentações

8 02 2011

Depois do acidente de Kubica, as nossas atenções não estavam “para aí viradas”, mas hoje concluíram-se as apresentações dos chassis que competirão no campeonato de 2011. Force India e HRT mostraram as suas armas, e foi no mínimo curioso reparar quem realmente espantou.

Force India

O novo VJM-04: nada de radical.

Depois de uma demorada complicação na escolha dos seus pilotos, os indianos ainda foram dos últimos a mostrar o seu carro novo. Não é necessariamente uma má estratégia, já que a McLaren também fez o mesmo e conseguiu um dos mais radicais carros de 2011, no entanto este tempo pode não ter sido muito bem empregue no VJM-04.

Ao olhar para o carro é possível observar que as principais alterações são as tomadas de ar em cima do piloto e nas laterais. No topo optaram pela solução apresentada pela Mercedes em 2010, tal como a Lotus; já as laterais aparentam uma forma mais triangular. O resto parece apenas uma evolução do antecessor, que era apenas um carro mediano, não sendo uma base recomendável…

Hispania

Novo look e linhas muito diferente no F111.

Hoje, a HRT surpreendeu todos. Ao invés de esperar pelos testes do Barhain, a equipa apresentou no seu site o seu novo carro (graficamente). Para começar teremos obviamente que reparar que tem umas linhas interessantes, com uma semi-barbatana de tubarão (que a Red Bull também fez), entre outros. Isto pode indicar que Lotus e Virgin não poderão estar tão descansadas como em 2010 perante a equipa espanhola.

Há também que referir que a equipa pediu à Cosmic Motors para tratar do visual do carro, o que já rendeu frutos (muitos sob a forma de piadas). Esta empresa criou algumas linhas brilhantes, mas o mais curioso foi a forma como preencheram a falta de patrocínios com mensagens do género: “o seu nome aqui”, “o seu logo aqui” ou “este espaço é fixe”…





Já não é “Virgin”

7 02 2011

Hoje foi apresentado em Londres, na sede da BBC, o novo Virgin, com o nome código de MVR-02. Este título dá-nos duas informações vitais acerca da equipa: em primeiro lugar, o facto de este ser o segundo ano dos britânicos; e em segundo lugar, o facto de na realidade esta já não ser propriedade de Sir Richard Branson.

O novo Virgin... ou será Marussia-Virgin?

A Marussia, fabricante de super-desportivos da Rússia, que já patrocinara a equipa em 2010, decidiu ocupar o papel de patrocinador principal, e aparentemente tratam-se dos donos do “negócio”, numa situação similar à da Renault. Digo isto devido ao destaque dado ao papel dos russos durante a apresentação do monolugar, e também pela ausência de Branson.

Enfim, concentrando as atenções no carro propriamente dito, é possível apontar o facto de a Virgin continuar a apostar no desenvolvimento por CFD ao invés do túnel de vento. Isto leva a que o “nariz” seja o mais baixo de 2011 até agora, um caminho completamente oposto às principais equipas. A ausência de KERS poderá também prejudicar, bem como o motor Cosworth.

Honestamente, creio que talvez daqui a uns anos, com o desenvolvimento da tecnologia, o desenvolvimento dos monolugares por computador seja uma opção viável, mas neste momento ainda não o é. No entanto há que admirar a iniciativa da Virgin, embora se trate de uma simples maneira do seu chefe conseguir publicitar a sua marca sem colocar um tostão, dando apenas o nome. Uma Virgin que já não o é, propriedade de russos…

Já para não falar que eles crêem que podem atingir a Toro Rosso. Talvez um pouco de esperança a mais.





Assim já está melhor

4 02 2011

Se eu pudesse decidir como funcionava a Fórmula 1, uma das medidas tomadas seria a de obrigar à existência de corridas durante todo o ano sem pausas. Uma a cada semana parece-me aceitável. A pré-temporada e a sua ausência de novidades costuma-me irritar levemente. Claro que nós sabemos que não pode ser assim – os pilotos e restantes funcionários das equipas merecem um descanso do trabalho que realizam ao longo do ano, pelo que estas pausas são necessárias.

O novo MP4-26.

Contudo, uma das maiores atracções (mais ou menos) é a apresentação dos novos carros para a temporada que se avizinha. O longo tempo de espera leva-me a crer que os engenheiros estiveram a usar todo o seu engenho e talento na criação do novo chassis, imaginando as melhores maneiras de usar um pormenor do regulamento para o contornar, criando uma fantástica ideia que nunca passara pela cabeça de mais ninguém.

Nos últimos anos, contudo, isto não tem vindo a ocorrer: a esmagadora maioria das equipas tem vindo a optar por soluções conservadoras, esperando que algum corajoso se atreva a criar algo, de modo a poder copiá-lo o mais rapidamente possível…

Isto foi visível nesta pré-temporada, sendo possível observar que todos os carros apresentados eram quase idênticos, sem grandes invenções. OK, talvez se possa considerar os escapes da Renault ou a tomada de ar acima da cabeça dos pilotos dividida na Lotus, mas nada que os distinguisse particularmente.

Hoje, no entanto, e felizmente, foi provado o oposto pela McLaren. Mesmo antes de falar do carro, pode-se falar da sua apresentação – ao invés da tradicional tarefa dos pilotos retirarem a cobertura do monolugar, os britânicos tiveram a ideia de colocar o carro nas ruas de Berlim, com o carro a ser construído aos poucos, e as duas últimas peças a a serem colocadas pelos pilotos Lewis Hamilton e Jenson Button. Começava bem…

E depois vimos o novo MP4-26. Como fã da marca de Woking, só poderia ficar contente com a nova máquina: de todos os ângulos é possível observar que nada foi deixado ao acaso, tudo parece ter sido alvo de um cuidado trabalho dos engenheiros. A zona lateral não está na habitual forma, formando um L, uma solução curiosa e que se der resultados positivos, rapidamente será copiada.

Existe igualmente uma segunda tomada de ar acima do piloto, possivelmente para tentar compensar a carga aerodinâmica perdida pela asa traseira na sequência da proibição do difusor duplo. A asa da frente foi, também, alvo de grandes modificações.

Ao ter corrido nos testes de Valência com o carro de 2010, acreditava-se que a McLaren poderia ter perdido valioso tempo em pista com o MP4-26, no entanto tratou-se de uma jogada inteligente, não só para levantar mais informações acerca dos Pirelli, mas também para diminuir o tempo que as restantes equipas terão para copiar, caso os conceitos presentes nele dêem frutos.





As novas “armas”

1 02 2011

Após as apresentações de ontem, iniciaram-se hoje os testes de pré-temporada em Valência (no autódromo e não no circuito citadino) com mais quatro equipas a apresentarem as suas novas “armas” com as quais lutarão pelo título deste ano.

Red Bull

O RB7, a "arma" dos campeões do mundo.

Os campeões do mundo eram aqueles para os quais todos os fãs de Fórmula 1 olhavam: com o primeiro título conquistado em 2010, os austríacos tinham uma grande pressão sobre eles para demonstrar que não se tratara de um sucesso fugaz, mas sim de um processo de ascensão e manutenção no topo da maior competição de automobilismo.

O novo carro, por isso, é mais uma evolução do seu antecessor, com o novo RB7 a apostar nos pontos fortes do RB6, bem como em alguns conceitos novos para acomodar as regras de 2011, no entanto não aparentam ser uma revolução completa. No geral, o carro parece estar digno de campeões mundiais (liderou o treino de hoje com Vettel).

Toro Rosso

O projecto de Faenza.

Após se ter separado da “irmã mais velha”, a Red Bull, no ano passado, a Toro Rosso tem vindo a depender da sua estrutura técnica para projectar os seus novos monolugares, e não do projectista Adrian Newey. Os efeitos desta medida têm-se vindo a fazer sentir, com os italianos a terem perdido muito terreno para os rivais, tendo-se limitado a bater as equipas novas em 2010. Muito pouco, de facto…

O novo monolugar, por isso, não surpreendeu, com as soluções aerodinâmicos a parecerem algo ultrapassadas, como o “nariz” mais baixo até agora. Prevê-se mais um ano complicado para os lados de Faenza, ainda para mais com a melhoria de performance prevista da Lotus, por exemplo.

Williams

A mudança radical de estilo no novo Williams.

Pelo segundo ano consecutivo, a Williams recorre a uma autêntica revolução no seu projecto na tentativa de sair do anonimato, e de volta às vitórias (que não atinge desde 2004). Depois de ter perdido múltiplos patrocinadores para este ano (RBS, Air Asia, Allianz, Phillips,…), os britânicos viram-se forçados a contratar o venezuelano Pastor Maldonado (campeão da GP2) de modo a obter o patrocínio de quase 20 milhões de euros da PDVSA.

O resultado é um monolugar vazio de patrocínios, mas a equipa já afirmou que não se trata da pintura definitiva. A ver vamos… Enfim, no geral o carro apresenta algumas linhas interessantes, pelo que esperemos que, finalmente, a Williams consiga regressaràs performances que nos habituou nos seus tempos dourados.

Mercedes

Altas esperanças no novo MPG W02.

Após tanto ter prometido o ano passado, com a estrutura da campeã mundial Brawn, a Mercedes acabou sem qualquer vitória, e apenas alguns pódios esporádicos de Nico Rosberg. O regresso de Michael Schumacher acabou por ficar muito abaixo das expectativas, com várias explicações a terem sido arranjados como possível razão do fracasso (desde o enjoo no simulador até aos pneus Bridgestone).

O novo carro é uma tentativa de finalmente lutar pelos títulos, bem como de “recuperar” algum do prestígio perdido de Schumacher, com soluções mais convencionais (mas que funcionam). Quem sabe estaremos na presença do carro que irá voltar a colocar a Mercedes no topo…





Dia cheio

31 01 2011

Depois da Ferrari ter apresentado o seu novo carro, o F150, tivemos que esperar por 2ª feira para finalmente recebermos novidades no que toca às novas “armas” das equipas para 2011. Confesso não crer que a espera tenha valido a pena: no geral, os carros de 2011 parecem todos idênticos uns aos outros sem lugar para imaginação dos engenheiros… Vejamos caso a caso.

Renault

A Renault e o exército de pilotos de testes.

Com o slogan de “Black to the Future”, a Renault mostrou o seu novo monolugar. Com as clássicas cores da JPS, a Lotus Renault deu (tal como todos até agora) a conhecer um design que não se distingue em nada dos restantes, numa simples evolução do R30. A ideia de homenagear o glorioso passado da Lotus ficou um pouco aquém das expectativas por duas razões: a presença do vermelho da Total, que destoa um pouco do restante design; e ainda a presença do exército de pilotos de testes.

Como actualmente a Renault se encontra com uma liderança como que partilhada entre Lotus e Genni, os pilotos de testes seleccionados foram um modo de ambos os donos marcarem uma posição: Bruno Senna e Fairuz Fauzy, foram as opções de Dany Bahar, o primeiro por fazer mais uma referência ao passado do Team Lotus, e o segundo pela nacionalidade malaia (a mesma que os donos da Lotus, a Proton).

Já Genni escolheu Ho-Pin Tung e Jan Charouz do seu programa de jovens, bem como Romain Grosjean, que após uma temporada na Auto GP e esporádicas aparições na GP2 demonstrou algumas boas performances, pelo que voltou a ser colocado na esfera de influência da Renault. Portanto, cinco pilotos de testes numa época em que são proibidos testes durante a temporada. Certo…

Lotus

O Team Lotus apresenta o T128.

A Team Lotus apresentou o seu novo monolugar, o T128, classificando-o como uma evolução do antigo. Uma pintura com alguns detalhes interessantes, e que, na minha opinião, tem muito mais a ver com a Lotus do que fazer publicidade a uma marca de cigarros sem receber nada por isso! Estou bastante agradado por Tony Fernandes ter resistido à tentação de modificar a pintura, porque ficou realmente muito original, o melhor visual até agora.

Mas de volta ao carro. Depois das linhas muito conservadoras que marcaram o T127, este novo chassis apresenta um look mais redondo, bem como apêndices aerodinâmicos muito mais trabalhados. Podem perfeitamente atingir o seu objectivo de dar luta às equipas do meio do pelotão.

Sauber

O novo Sauber, finalmente com patrocínios.

Depois de ter passado um ano “agarrado” ao nome BMW e com carro cheio de branco sem patrocinadores, Peter Sauber conseguiu, aparentemente, voltar aos bons velhos tempos. Com um monolugar mais trabalhado que o seu antecessor, e com patrocinadores ao invés de branco, o C30 conta com um KERS (fornecido pela Ferrari), o que lhe dará alguma vantagem nos arranques.

A nova dupla de pilotos promete com Kamui Kobayashi a poder confirmar o seu talento neste novo ano, e o vice-campeão da GP2, Sérgio Pérez, a poder mostrar serviço perante a possibilidade que se tem vindo a levantar de substituir Felipe Massa na Ferrari.





A esconder o jogo

28 01 2011

Com a pré-temporada bem monótona a que temos vindo a assistir, todos estávamos ansiosos pela primeira estreia do ano, cortesia da Ferrari. Hoje de manhã os italianos mostraram-nos o seu novo monolugar, o F150. Se bem que se nos tivessem mostrada o seu antecessor (F10) com a nova pintura, provavelmente nem teríamos dado pela diferença…

O F150 não se diferenciou muito do seu antecessor.

Para não fugir muito à habitual tendência da Ferrari com os novos modelos, o novo carro da equipa não mostrou grandes diferenças para com o anterior. Isto não deveria ocorrer, pois se os italianos se vangloriam de ser o mais importante construtor automóvel do mundo, o mínimo que poderiam fazer seria mostrarem um design um pouco mais arrojado, com algumas soluções fora do vulgar.

Contudo até nem é uma má estratégia dos empregados da Scuderia: alguém se recorda de Chris Dyer? Engenheiro de corrida da Ferrari, ajudou Michael Schumacher e Kimi Raikkonen a chegarem aos seus títulos, com algumas decisões inspirada (como a de fazer 4 paragens a Schumi no GP de França de 2004, levando-o à vitória) e demonstrando ser um bom estratega. Só que após o GP de Abu Dhabi, em que não se lembrou de Vettel quando mandou Alonso parar, as fortes críticas internas levaram-no a ser retirado de cargo sem mais nem menos!

Esta gestão da Ferrari, de “se corre mal, vais para a rua”, apenas criará o medo de inovar devido à possibilidade de falhar, pelo que seria aconselhável à equipa melhorar neste aspecto…

Enfim, voltando ao carro: a denominação de “F150” prende-se com os 150 anos de independência e união italiana, com uma bandeira do país na asa traseira e algumas referências ao facto nos flancos. Um gesto bonito, mas fiquei com a impressão de que se tratou mais de uma tentativa de “reconciliar” com os fãs após a perda do título, do que por outra razão qualquer.

O carro incorporará os escapes por baixo, como a Red Bull fez (e os outros copiaram…) em 2010. No geral, o carro parece inacabado, com a equipa a ter dito que falta uma “barbatana de tubarão”. No entanto não deve ser só isso, porque todas as equipas deverão esconder um pouco o jogo antes dos primeiros testes.

Ou seja, esta estreia não mostrou nada de verdadeiramente novo (excepto o novo logo da Ferrari, que é uma publicidade ainda mais óbvia à Marlboro…), o que significa que teremos que esperar por 2ª feira, com as estreias da Lotus, Renault e Sauber, para vermos mais novidades.