Red Bull sem rivais – GP Espanha 2023

4 06 2023

Foram várias as décadas de ver o Grande Prémio de Espanha ser seguido pelo do Mónaco, pelo que 2023 a trazer uma inversão dessa ordem foi de difícil habituação para o paddock. A alteração teve a ver com a acomodação do maior calendário da história da categoria, e a chegada a Barcelona este ano também trouxe um regresso: a eliminação da muito odiada chicane final, regressando à configuração de curva rápida.

Apenas esta alteração já foi uma excelente notícia para um traçado que geralmente recebe os testes de pré-temporada (ainda que não o tenha feito este ano), mas combinado com o novo perfil da La Caixa isto tornou o circuito novamente um dos mais fluídos do calendário. E é também um dos mais representativos do desempenho da temporada: quem faz boa figura em Barcelona, faz boa figura na maioria dos locais.

A F1 e o MotoGP têm utilizado a pista sem interrupção desde os anos 90, beneficiando enormemente da competitividade dos espanhóis nessas categorias. Se Marc Márquez e Jorge Lorenzo fazem o seu papel no MotoGP, na F1 foi a Alonso-mania dos 2000’s e 2010’s que sustentou a presença do GP de Espanha. Com Sainz na Ferrari e Alonso em grande forma, sabia-se que esta edição não seria exceção.

Ronda 7 – Grande Prémio de Espanha 2023

As suspeitas eram fortes de que Max Verstappen sairia de Barcelona com mais 25 pontos. Não foi isso que aconteceu. O holandês saiu com 26 pontos, a vitória, a pole position, a volta mais rápida e a liderança de todas as voltas. Posto isto de parte, atrás dele o fim-de-semana teve uma dinâmica extremamente interessante.

A Ferrari e a McLaren tiveram um excelente nível de qualificação (com Carlos Sainz em 2º e Lando Norris em 3º) mas caíram a pique em ritmo de prova. Sainz fez o possível para chegar em 5º, enquanto que Norris fez um erro grosseiro na partida que o atirou para os últimos lugares.

Já a Mercedes, apesar de um desentendimento entre os seus pilotos durante a qualificação, terá gostado de ver o que as suas atualizações lhe deram em performance. Lewis Hamilton foi o mais direto perseguidor de Verstappen (ainda que a 21 segundos) e George Russell recuperou de 11º a 3º para o primeiro pódio do ano (e arrastando consigo Sergio Pérez, que voltou a não ir ao Q3 e parece cada vez mais longe de lutar pelo título).

A Aston Martin pareceu ter um ritmo mais fraco que nas outras pistas do ano, ainda que Lance Stroll tenha finalmente mostrado o seu talento, conseguindo lutar dentro dos lugares pontuáveis. Fernando Alonso teve uma incursão na gravilha em qualificação e danificou o fundo do AMR23, obrigando-o a partir mais abaixo do usual e a ter que lutar até 7º. O ritmo do espanhol de certeza que o poderia ter feito passar Stroll, mas ele fez questão de dizer à equipa que não o faria, estando já a acenar à multidão na volta final. De certa forma, humilhou o colega mais que se o tivesse ultrapassado…

Yuki Tsunoda voltou a mostrar excelente ritmo, sendo que uma penalização estranhamente severa o tenha atirado para fora dos pontos com 5 segundos de penalizações. Os beneficiados foram Guanyu Zhou (que eclipsou por completo o colega de equipa) e os dois Alpine, que depois de se qualificarem bem foram caindo durante a prova (com direito a uma defesa demasiado agressiva de Esteban Ocon a Alonso e a duas penalizações diferentes a Pierre Gasly por bloquear rivais em qualificação).

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Qualificação: 1. Verstappen \ 2. Sainz \ 3. Norris \ 4. Hamilton \ 5. Stroll (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Hamilton \ 3. Russell \ 4. Pérez \ 5. Sainz \ 6. Stroll \ 7. Alonso \ 8. Ocon \ 9. Zhou \ 10. Gasly (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (170) \ 2. Pérez (117) \ 3. Alonso (99) \ 4. Hamilton (87) \ 5. Russell (65) —– 1. Red Bull (287) \ 2. Mercedes (152) \ 3. Aston Martin (134) \ 4. Ferrari (100) \ 5. Alpine (40)

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GP Espanha anterior: 2022

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Fórmula 2 (Rondas 11-12) \ Bearman entra na luta do título

Sensivelmente chegados à fase do ano em que os estreantes conseguem assumir um papel mais preponderante na temporada, Oliver Bearman mostrou aquilo de que é feito com uma pole e a vitória na feature, sendo que nem está assim tão longe ainda do líder Frederik Vesti no campeonato.

Vesti tem estado em grande forma nas últimas provas e tem demonstrado uma qualidade ainda mais importante: saber quando empregar agressividade. O dinamarquês partiu de 3º para o sprint e acabou como vencedor, e na feature começou com os compostos mais duros e conseguiu fazer uso dos macios no final para ultrapassar vários carros e chegar em 5º. O principal rival ao título (Théo Pourchaire) teve um fim-de-semana parecido, acumulando onde podia.

Victor Martins colocou-se no pódio em ambas as provas depois de uma temporada que tem sido difícil, enquanto que Enzo Fittipaldi converteu a sua boa qualificação num pódio. Já Amaury Cordeel, mesmo conseguindo pole inversa, não conseguiu fazer um único ponto em Barcelona.

De destacar ainda que o sprint deixou o caos devido à chuva com que começou, levando as equipas a terem que julgar o melhor possível o ponto de transição. Só que o Safety Car de Juan Manuel Correa acabou por facilitar.

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Qualificação: 1. Bearman \ 2. Fittipaldi \ 3. Doohan \ … \ 8. Vesti \ 9. Crawford \ 10. Cordeel

Resultado (Sprint): 1. Vesti \ 2. Pourchaire \ 3. Martins \ 4. Hauger \ 5. Doohan \ 6. Verschoor \ 7. Bearman \ 8. Iwasa (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Bearman \ 2. Fittipaldi \ 3. Martins \ 4. Iwasa \ 5. Vesti \ 6. Doohan \ 7. Pourchaire \ 8. Hauger \ 9. Leclerc \ 10. Verschoor (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Vesti (110) \ 2. Pourchaire (99) \ 3. Iwasa (82) \ 4. Bearman (70) \ 5. Hauger (57) —– 1. Prema (180) \ 2. ART (144) \ 3. DAMS (118) \ 4. MP (97) \ 5. Rodin Carlin (97)

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Corrida anterior: Mónaco 2023 \ Rondas 9-10
Corrida seguinte: Áustria 2023 \ Rondas 13-14

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Fórmula 3 (Rondas 7-8) \ Martí catapulta-se para luta do título

Com sotaque britânico, mas nacionalidade espanhola, o piloto da Campos esteve no seu elemento durante todo o fim-de-semana, fazendo pole e obtendo uma vitória imperiosa na feature. Mesmo na sprint já fez bem em conseguir recuperar 4 posições e pontuar. Tudo isto significou que é agora o mais direto perseguidor de Gabriel Bortoleto, que conseguiu dois 4º lugares que o deixam com 24 pontos de vantagem (uma almofada generosa no mundo da F3).

No sprint a vitória coube a Zak O’Sullivan, que liderou uma dobradinha de jovens Williams ao segurar os ataques de Luke Browning. Mas nem tudo foi tão simples, com vários incidentes a ditarem a entrada de vários Safety Car (como por exemplo o furo de Sebastián Montoya ou Christian Mansell depois de contacto com Gabriele Minì).

Minì, em grande nível no Mónaco, acabou por ter que penar em Barcelona por se ter qualificado em 18º. Outros pilotos em destaque, pela positivo, foram Paul Aron, muito regular e Franco Colapinto que conseguiu assumir maior consistência depois de uma temporada que nem sempre tem sido consistente.

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Qualificação: 1. Martí \ 2. Barnard \ 3. Colapinto \ … \ 10. Saucy \ 11. Browning \ 12. O’Sullivan

Resultado (Sprint): 1. O’Sullivan \ 2. Browning \ 3. Fornaroli \ 4. Bortoleto \ 5. Aron \ 6. Colapinto \ 7. Boya \ 8. Martí \ 9. Barnard \ 10. Bedrin (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Martí \ 2. Colapinto \ 3. Beganovic \ 4. Bortoleto \ 5. Aron \ 6. Boya \ 7. Montoya \ 8. O’Sullivan \ 9. Barnard \ 10. Mansell (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Bortoleto (92) \ 2. Martí (68) \ 3. Beganovic (61) \ 4. Minì (56) \ 5. Aron (54) —– 1. Prema (156) \ 2. Trident (151) \ 3. Hitech (117) \ 4. Campos (73) \ 5. MP (62)

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Corrida anterior: Mónaco 2023 \ Rondas 5-6
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Mesmo com caos, Verstappen vence – GP Austrália 2023

3 04 2023

Quando há um ano a Fórmula 1 visitou a Austrália Charles Leclerc tornou-se vencedor do Grande Prémio, esticando a sua liderança de campeonato para 38 pontos sobre George Russell e vendo o campeão em título (Max Verstappen) abandonar pela segunda vez em três provas, com a correspondente preocupação com a fiabilidade da Red Bull. O resto de 2022 tratou de eliminar esta impressão, com um segundo título facilitado para Verstappen.

Com uma expectativa de algo de diferente para a prova de 2023, o Albert Park recebeu mais uma vez o circo mundial da F1 para a prova australiano, depois de ter realizado há um ano obras bastante extensivas para aumentar as possibilidades de ultrapassagem. O circuito semi-citadino tem sido a casa australiano da categoria desde 1996, quando substituiu outro circuito de características semelhantes, o de Adelaide.

Em 2023, trouxe uma novidade: contará também com corridas de Fórmula 2 e Fórmula 3, o que proporcionou a Jack Doohan a possibilidade de correr em casa. Quem também correu em casa foi Oscar Piastri na F1, apesar das dúvidas gerais sobre que género de receção receberia, tendo em conta que foi o “responsável” por correr com o popular Daniel Ricciardo da categoria.

Entre provas, chegou a notícia de um enorme reshuffle da estrutura técnica da McLaren, que retirou James Key das funções de diretor técnico.

Ronda 3 – Grande Prémio da Austrália 2023

Não é costume o GP da Austrália providenciar grandes confusões da maneira como o fez em 2023. Os treinos livres, com direito a chuva na sexta-feira à tarde, deram logo o mote. Foram múltiplas as saídas de pista que se observaram e o principal ponto de interesse acabou por chegar no sábado, quando Sergio Pérez saiu largo e ficou preso na gravilha no Q1, condenando-o a partir de último enquanto o colega de equipa, Max Verstappen, fazia pole position pela primeira vez na Austrália.

O início de corrida viu outro piloto terminar na gravilha: Charles Leclerc, num mero incidente de corrida com Lance Stroll, viu o seu mau início de campeonato conhecer o segundo abandono em três provas. O Safety Car entrou em ação e acabaria por ter de regressar algumas voltas depois para o despiste de Alexander Albon (quando o Williams circulava confortavelmente nos lugares pontuáveis), que deixou gravilha em farta no asfalto.

Acabou por se gerar uma bandeira vermelha, que travou as aspirações de George Russel (que tinha saltado para a liderança no arranque, seguido do colega de equipa) e de Carlos Sainz, devido a ambos terem parado durante o SC e terem sido apanhados desprevenidos pela paragem da prova.

Não demorou muito para, após o recomeço, Verstappen passar Lewis Hamilton, ainda que o britânico tenha feito uma prova muito competente, deixando a Mercedes com confiança no seu desempenho nas próximas corridas (mas dúvidas no que toca a fiabilidade, dada a expiração estrondosa do motor no carro de Russell).

Mais atrás lutas interessantes multiplicavam-se, com os McLaren a compensarem a sua menor performance de qualificação com o envolvimento em lutas com Yuki Tsunoda e Esteban Ocon pelos lugares pontuáveis finais, ao mesmo tempo que Carlos Sainz e Pierre Gasly se equiparavam na luta por 5º e Pérez prosseguia com implacabilidade a sua recuperação desde o último lugar.

Foi aí que chegou o incidente de Kevin Magnussen com a barreira, que fez perder um pneu e parar num sítio perigoso a muito poucas voltas do fim. Isto levou os comissários a iniciarem uma bandeira vermelha e a programarem uma nova partida para um sprint de 3 voltas. E foi aí que chegou o caos atrás dos 2 primeiros.

Sainz acertou em Alonso e atirou-o para o fim; Gasly travou tarde e no regresso à pista acabou por colidir com Ocon, acabando com o que estava a ser uma ótima prova de ambos os Alpine; Stroll saiu para a gravilha mais adiante; Logan Sargeant bloqueou os travões e eliminou-se a si e a Nyck de Vries de prova.

Nova bandeira vermelha viu grandes discussões gerarem-se entre as equipas e os comissários, com Alonso a liderar os protestos por querer uma reversão para a ordem antes da partida por ainda não ter sido completados metros suficientes até à interrupção. E assim foi. Todos os carros (menos os Alpine, de Vries e Sargeant) fizeram uma volta final atrás de SC e terminaram. Com a penalização de Sainz (com que o espanhol ficou inconformado), a ordem final ficou definida.

Verstappen venceu num dia em que Pérez limitou os estragos em 5º, Hamilton e Alonso completaram o pódio seguidos de Stroll, enquanto que a McLaren pontuou pela primeira vez no ano e conseguiu ascender a 5º no campeonato por ambos os pilotos terem pontuado. Hülkenberg fez uma sólida prova para chegar em 7º (ainda que a Haas tenha chegado a protestar a decisão de reverter a ordem, porque isso poderia ter-lhe dado 3º), enquanto que Zhou e Tsunoda pontuaram pela primeira vez no ano em 9º e 10º, respetivamente.

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Qualificação: 1. Verstappen \ 2. Russell \ 3. Hamilton \ 4. Alonso \ 5. Sainz (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Hamilton \ 3. Alonso \ 4. Stroll \ 5. Pérez \ 6. Norris \ 7. Hülkenberg \ 8. Piastri \ 9. Zhou \ 10. Tsunoda (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (69) \ 2. Pérez (54) \ 3. Alonso (45) \ 4. Hamilton (38) \ 5. Sainz (20) —– 1. Red Bull (123) \ 2. Aston Martin (65) \ 3. Mercedes (56) \ 4. Ferrari (26) \ 5. McLaren (12)

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Corrida anterior: GP Arábia Saudita 2023
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GP Austrália anterior: 2022

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Fórmula 2 (Rondas 5-6) \ Poles seguram liderança em provas mexidas

A primeira prova australiana da F2 viu a famosa imprevisibilidade da categoria ser colocada em destaque nas duas corridas deste fim-de-semana. Pole inverso, Dennis Hauger apenas teve que se defender de um único ataque de Jak Crawford no sprint porque daí em diante apenas teve que controlar a distância para o americano. Já Kush Maini teve um caminho bem mais difícil para o pódio, tendo que lutar com unhas e dentes contra Arthur Leclerc para o conseguir.

Pingos de chuva no final da etapa complicaram a vida de quem arriscou parar para pneus de chuva, como Roman Staněk e Théo Pourchaire, mas foram vários os outros que saíram de pista. Houve ainda espaço para um SC devido a um pião do homem da casa, Jack Doohan.

Já no domingo de manhã foi a vez de outro pole rumar para a vitória: Ayumu Iwasa segurou as investidas de Pourchaire para vencer a feature e assumir a liderança do campeonato. Leclerc, por sua vez, compensou a sua perda do pódio do dia anterior com um na feature. Todos estes fizeram uso de um SC Virtual para saltar mudar de pneus (VSC criado para retirar o carro preso de Crawford, após incidente com Doohan).

Devido a acidente de Roy Nissany, o SC voltaria. O que provocou o caos de pilotos que pararam e não conseguiram evitar despistes devido a temperaturas muito baixas (com destaque para o violento embate de Enzo Fittipaldi e o despiste no recomeço de Hauger). O uso de pneus macios permitiu a Frederik Vesti passar Zane Maloney para 4º, enquanto que Juan Manuel Correa pontuou no seu ano de regresso à F2.

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Qualificação: 1. Iwasa \ 2. Pourchaire \ 3. Martins \ … \ 8. Maini \ 9. Crawford \ 10. Hauger

Resultado (Sprint): 1. Hauger \ 2. Crawford \ 3. Maini \ 4. Leclerc \ 5. Maloney \ 6. Hadjar \ 7. Bearman \ 8. Vesti (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Iwasa \ 2. Pourchaire \ 3. Leclerc \ 4. Vesti \ 5. Maloney \ 6. Daruvala \ 7. Verschoor \ 8. Doohan \ 9. Maini \ 10. Correa (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Iwasa (58) \ 2. Pourchaire (50) \ 3. Vesti (42) \ 4. Boschung (33) \ 5. Leclerc (33) —– 1. DAMS (91) \ 2. ART (67) \ 3. MP (62) \ 4. Campos (59) \ 5. Prema (45)

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Corrida anterior: Arábia Saudita 2023 \ Rondas 3-4
Corrida seguinte: Azerbaijão 2023 \ Rondas 7-8

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Fórmula 3 (Rondas 3-4) \ Bortoleto estica-se na liderança

De manhã na Austrália, e, portanto, a horas impróprias para quase todo o mundo, a F3 começou o seu caminho na Austrália.

A primeira prova, com Sebastián Montoya em pole inversa, começou com relativa calma (apesar de uma saída de pista de Oliver Goethe). Não demorou muito até que Franco Colapinto acabasse por passar o rival, altura em que o acidente de Ido Cohen ativou o SC. Depois disso, houve direito a uma excelente ultrapassagem de Zak O’Sullivan sobre Montoya para 2º.

Esta passagem acabaria por valer-lhe a vitória após a prova porque Colapinto acabou desclassificado por questões técnicas, enquanto que na Prema dois pilotos se desentendiam em pista (Dino Beganovic e Paul Aron).

No dia seguinte, o excelente Gabriel Bortoleto foi segurando diferentes níveis de pressão da parte de Grégoire Saucy para garantir uma vitória em que teve que lidar com vários reinícios atrás de SC (a maior parte devido a desatenções atrás de SC, como com Kaylen Frederick). Gabriele Minì completou o pódio, numa dia em que o vencedor da prova ampliou a sua vantagem no campeonato.

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Qualificação: 1. Bortoleto \ 2. Saucy \ 3. Minì \ … \ 10. Collet \ 11. Goethe \ 12. Montoya

Resultado (Sprint): 1. O’Sullivan \ 2. Montoya \ 3. Aron \ 4. Minì \ 5. Beganovic \ 6. Bortoleto \ 7. Fornaroli \ 8. Saucy \ 9. Mansell \ 10. Frederick (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Bortoleto \ 2. Saucy \ 3. Minì \ 4. Fornaroli \ 5. O’Sullivan \ 6. Aron \ 7. Martí \ 8. Browning \ 9. Barnard \ 10. Mansell (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Bortoleto (58) \ 2. Saucy (38) \ 3. Beganovic (28) \ 4. Minì (28) \ 5. Martí (25) —– 1. Trident (100) \ 2. Prema (70) \ 3. Hitech (54) \ 4. ART (45) \ 5. Campos (29)

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Corrida anterior: Bahrain 2023 \ Rondas 1-2
Corrida seguinte: Mónaco 2023 \ Rondas 5-6





Red Bull na frente nos testes, mas essa é a única certeza

28 02 2023

2022 tinha prometido muito, mas a verdade é que uma temporada na qual apenas uma equipa fora do Top 3 consegue um único pódio dificilmente pode ser classificada como uma época entusiasmante. Para este ano as expectativas serão de uma aproximação das rivais aos eternos líderes, mas será essa uma expectativa razoável?

A temporada chega numa altura em que Mohammed ben Sulayem dá um passo atrás no seu envolvimento (excessivo) na categoria, e em que a FIA procura atingir um novo equilíbrio no seu relacionamento com a FOM.

Falando da FIA, esta criou várias alterações nos regulamentos desportivos, com testagem de novos pneus de chuva a partir de Imola, menos restrições de rádio, modificações a circuitos e zonas de DRS, ajustes no teto orçamental e acesso facilitado para auditorias da FIA.

Mudanças na Ferrari terão sido no timing certo?

A única coisa mais impressionante do que a maneira como a Ferrari abriu 2022 com uma sequência de ótimos resultados foi seguida de uma ainda mais impressionante hecatombe de resultados, em que vitórias desperdiçadas por motivos de estratégia deram lugar a vitórias desperdiçadas por entretanto o carro italiano já não ser o mais competitivo do pelotão.

Há mérito da Red Bull neste quesito, com uma eficiência diabólica, mas a sensação geral de oportunidade desperdiçada (e recusa em assumir erros) fez Frédéric Vasseur assumir os comandos da Scuderia. A retirada de um líder italiano pela entrada de um francês é notória e acarreta consigo a possibilidade de um começo de fresco. Mas, mesmo não sendo particularmente justo, Vasseur não conseguirá segurar o lugar se o trabalho que até Dezembro era de Mattia Binotto não der resultados concretos…

E no meio de tudo está uma Mercedes desejosa de conseguir voltar a assumir o protagonismo no campeonato.

Os testes de pré-temporada, para já, pintam um quadro bem risonho para a Red Bull. A AMuS noticia o motivo desta vantagem como a capacidade do RB19 em conseguir correr bem mais perto do chão que as rivais, o que deixa Max Verstappen numa posição bem confortável para tentar chegar a um tricampeonato (Sergio Pérez deverá manter-se como plano de contingência, com Daniel Ricciardo a observar tudo bem de perto no seu papel de piloto de testes).

Para a Mercedes vê-se uma performance bem mais consistente que a de 2022, ainda que com bem menores problemas de porpoising. Só que crê-se que o verdadeiro potencial do carro só será descoberto com atualizações em Baku nos monolugares de Lewis Hamilton e George Russell. Já a Ferrari pareceu difícil de localizar, com alguns acertos de setup a serem necessários para conseguir estabelecer a performance de um carro que parece fiável e rápido, mas uns furos abaixo do Red Bull.

Trabalho difícil para Charles Leclerc e Carlos Sainz, portanto.

Harmonia difícil na Alpine

Já é piada recorrente do paddock referir que a estrutura da Alpine corre já em vários planos de 5 anos. Apesar de se ter integrado em 2016 com promessas de competitividade em 5 anos, a Renault avisou logo que o primeiro ano não contava (o projeto era pouco mais que um fraco Lotus). Depois chegou Daniel Ricciardo e o tal plano começaria aí (2019). Ricciardo saiu, Fernando Alonso entrou e o nome mudou para a Alpine, e os franceses insistiram que queriam ser tratados como nova equipa e novo projeto de 5 anos (em 2021).

Agora, com a saída de Alonso, a conversa parece ter feito um novo reset. Contas feitas, a Alpine está no 8º ano de projeto como equipa de fábrica, mas a insistir que é uma jovem equipa promissora.

As trapalhadas com a situação contratual de Oscar Piastri, de facto, pareceram de novatos. Sabe-se lá como, Otmar Szafnauer conseguiu manter o seu posto na liderança da equipa. Nem tudo foi um desastre na verdade: o 4º lugar à frente da McLaren nunca pareceu excessivamente em perigo e Pierre Gasly é um ótimo prémio de consolação para substituir Alonso (com Esteban Ocon no outro lado da garagem). Até os abandonos de 2022 têm um ponto positivo, dado que as restrições de alterações à unidade de potência não se aplicam a motivos de fiabilidade.

2023 tem que ser o ano em que a mais fraca das equipas de fábrica consegue bem melhor do que fazer apenas um terço dos pontos da Mercedes. Os testes não conseguiram revelar quase nada. O carro esteve sempre entre os mais lentos das sessões, ainda que se acredite que terão sido das equipas que mais escondeu o jogo.

Os britânicos

Duas das maiores construtoras britânicas, mas que na F1 compram os seus motores à Mercedes, têm um problema muito semelhante: a estagnação dos seus resultados e como invertê-la.

As escalas são diferentes, claro. A McLaren terminou em 3º lugar m 2020, 4º em 2021 e 5º em 2022. O único pódio fora das 3 primeiras equipas até pertenceu aos britânicos, mas a tendência decrescente é difícil de disputar. Pelo segundo ano seguido, queixam-se de o projeto inicial ainda não estar bem ao gosto da estrutura, uma falha que já tem solução à vista para o próximo ano, quando o túnel de vento novo estará finalmente em ação.

O facto de Zak Brown já ter vindo a púlico referir que o MCL60 está abaixo dos indicadores de performance desejados pela própria equipa parecem indicar que será um início de ano doloroso para Woking. Uma situação que deverá frustrar Lando Norris e aliviar Oscar Piastri (ao colocar menos pressão por cima dos seus ombros).

Já a Aston Martin começou 2022 com um ritmo absolutamente catastrófico, mas ganhou muitos pontos de consideração da parte dos rivais pela maneira como a equipa técnica de Dan Fallows soube encurtar a distância para os lugares pontuáveis em tão curto espaço de tempo. A verdade é que já foram 2 dos 5 anos da estreia dos britânicos, e dois 7º lugares em 10 equipas são o saldo da estrutura. O facto de esta queda ocorrer com Lance Stroll blindado a um dos monolugares não tem passado despercebido.

Mas a verdade é que o lado da garagem de onde se espera o melhor em pista é no de Fernando Alonso, que provocou o caos na Alpine para fazer uma derradeira e arriscada manobra de bastidores, em busca do seu 3º título mundial. A gestão emocional do piloto dará grandes dores de cabeça à equipa, mas a boa forma contínua dele será uma boa compensação.

Sem ninguém contar com isso, a Aston foi um dos grandes destaques dos testes. Isto tanto pelo facto de Felipe Drugovich ter tido que substituir Lance Stroll (lesão), como pelo facto de o AMR23 ter mostrado um ritmo muito interessante, que até leva alguns analistas a considerá-los ao nível dos Mercedes.

Quem nada tem a perder

Com uma temporada bem difícil para a pequena estrutura italiana, a AlphaTauri saiu bem feliz dos 3 dias de testes. Sem a grande referência de Gasly, caberá ao conjunto de Yuki Tsunoda e Nyck de Vries conseguirem fazer uso de um AT04 mais competitivo e que terminou o seu tempo no Bahrain como o que mais quilómetros acumulou. Isto numa altura em que a Red Bull tem estado a ponderar vender a equipa ou relocalizá-la.

Tsunoda e de Vries terão boas oportunidades para mostrar serviço em 2023, oportunidades essas que precisarão de concretizar de modo a afastarem a ameaça da intromissão da enorme quantidade de jovens Red Bull que desponta na F2.

Quem não tem quase nada a provar é a dupla da Haas. Nico Hülkenberg e Kevin Magnussen já abandonaram a categoria antes e não estarão excessivamente preocupados em voltar a fazê-lo se a equipa americana lhes criar problemas. Como dupla competente que aparenta ser vista de fora, esta estará sempre dependente do nível de desenvolvimento ao longo do ano que o VF-23 será capaz de demonstrar.

A outra cliente Ferrari, a Alfa Romeo, está num momento de transição bem curioso: a Alfa em si abandonará no final do ano e não possui nenhum poder de decisão, para passar posteriormente a controlo Audi. Isto significa que Valtteri Bottas e Guanyu Zhou terão que mostrar serviço de forma bem evidente para provar ao novo chefe, Andreas Seidl, que merecem continuar ao volante quando os manda-chuvas passarem para o lado alemão.

As boas notícias são que a performance do mais recente produto de Hinwill chegou a liderar um dos dias de testes (com várias condicionantes, claro) e que pareceu disposta a permitir aos seus pilotos puxar por ele.

Isto deixa apenas a Williams, que despediu a sua chefia nos meses iniciais deste ano depois de ter voltado a terminar em última no campeonato, tendo agora de se ver que género de chefia será a de James Vowles (chegado da Mercedes), que conta com um competente Alexander Albon e uma incógnita ligeira Logan Sargeant (que terá que provar que a antiga chefia acertou em algo, com a sua escolha).

F2 – Pourchaire permanece, mas não terá vida fácil

2023 chega para a Fórmula 2 com um piloto que tem mais do que o favoritismo, tem também a obrigação de ser campeão. Théo Pourchaire foi capaz de ótimas performances em 2022 mas foi errático em diversos momentos e terminou num vice-campeonato manifestamente insuficiente para obter um assento de F1 na Alfa Romeo. A decisão de mais uma temporada de F2 poderá ser arriscada, até se se vir batido por um estreante à semelhança de Robert Shwartzmann em 2021.

Ao lado de Pourchaire está o campeão de F3 de 2022, Victor Martins, o que confere à ART possivelmente a melhor dupla da grelha deste ano.

Ainda assim, existe espaço para surpresas nas restantes estruturas. Hitech e Carlin apostam em duplas inteiramente pertencentes à Red Bull (que está representada por uns estonteantes 6 pilotos na F2), que poderão estar em grande nível (com especial destaque para um Isack Hadjar deserto de poder vingar o título de F3 perdido).

Apesar de apenas se ter estreado em 2022 apenas, a Van Amersfoort surpreendeu durante os testes deste ano com Richard Verschoor a liderar a tabela de tempos. Já a contratação, mais sentimental que racional, de Juan Manuel Correa poderá não trazer os frutos esperados. Já a permanência do bem-cotado Jack Doohan na Virtuosi percebe-se por um lado, ainda que provavelmente seja demasiado piloto para a estrutura em que está (e definitivamente muito mais do que o novo colega Amaury Cordeel conseguirá lidar…).

F3 – Testes deixam Saucy como favorito

Com a tradicional saída de mais de metade da grelha ao final do ano (quer para F2 ou para a obscuridade), a Fórmula 3 mais uma vez contou com a renovação das suas fileiras com alguns dos mais promissores jovens talentos das categorias de base. Falamos de pilotos cujas performances deverão impressionar, como Dino Beganovic da academia Ferrari, Nikola Tsolov da academia Alpine ou Sebastián Montoya da academia Red Bull.

Mas não se pense que o “perigo” não poderá vir dos pilotos que andam no seu segundo ano de categoria. Grégoire Saucy que o diga, tendo dominado os testes de pré-temporada de Fevereiro no seu ART, depois de um falso arranque na temporada de 2022. Franco Colapinto, que melhorou da estreante Van Amersfoort para a competente MP, também terá uma palavra a dizer agora que integra a academia Williams (tal como Zak O’Sullivan).

Para pilotos nas equipas do fundo da grelha, o objetivo é simples: mostrar serviço para que as Prema e Trident da vida os contratem para 2024. Neste quesito vale a pena manter a atenção em homens como Roberto Faria, Oliver Gray ou Taylor Barnard.





Red Bull lança alerta para as rivais – Pré-Época 2023

25 02 2023

Foi com grande expectativa que a Fórmula 1 chegou ao Bahrain em 2023 para conseguir estabelecer melhor o equilíbrio de forças na sua nova temporada. Com tempo seco e vento pouco forte, o país do Médio Oriente é sempre um dos melhores testes para a performance geral da grelha de partida da F1.

Dia 1

Se se pensava que o primeiro dia de testes iria trazer para mais perto a concorrência à Red Bull, os primeiros quilómetros da temporada de 2023 parecem ter feito muitos reavaliar essa ideia. Os austríacos foram a única equipa a correr só com um piloto todo o dia (Max Verstappen) e os que mais distância acumularam. Foram também os mais rápidos, conseguindo tempos de volta consistentemente velozes, que deixaram os rivais preocupados.

Surpreendente foi ver Fernando Alonso tão próximo na sua estreia pela Aston Martin. Se é certo que a altura em que o tempo foi estabelecido foi já com menos temperatura, a verdade é que alguns rivais viram potencial nos britânicos, a única equipa que conseguiu igualar os seus tempos de qualificação de 2022 (mesmo com uma avaria de Felipe Drugovich nos primeiros momentos, quando ele substituía o lesionado Lance Stroll).

A Ferrari estava um pequeno passo atrás, seguida do McLaren de Lando Norris (apesar de os especialistas verem algumas dificuldades em certas curvas, que podem indicar problemas). Os Alpine pareceram ter dificuldade em contornar as curvas, enquanto que os Mercedes pareceram quase não saltitar.

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Resultado: 1. Verstappen (157) \ 2. Alonso (60) \ 3. Sainz (72) \ 4. Leclerc (64) \ 5. Norris (40) \ 6. Hamilton (83) \ 7. Albon (74) \ 8. Zhou (67) \ 9. Russell (69) \ 10. Sargeant (75) [número de voltas entre parênteses]

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Dia 2

Tivesse o dia acabado uma hora mais cedo e teríamos uma repetição do domínio de Verstappen nos testes, mas da maneira que foi coube a um surpreendente Guanyu Zhou montar os pneus C5 (mais macios) e bater por 4 centésimas o anterior líder da Red Bull com os C3. À partida pouco se poderá retirar da volta de Zhou, ainda que ele tenha estado longe de ser o único a tentar uma glory run (Nico Hülkenberg e Logan Sargeant fizeram o mesmo).

Mas a grande história do dia acabou mesmo por ser a bandeira vermelha provocado pela paragem em pista do Mercedes de George Russell, que proporcionou imagens da cúpula da Mercedes em conversas preocupadas. A falha hidráulica será agora analisada até à exaustão nos bastidores da estrutura.

Alonso voltou a deixar uma boa imagem da Aston Martin, que, estando ainda longe da Red Bull, poderá estar num nível bem superior ao das rivais da luta pelos lugares pontuáveis. No outro lado da garagem, Drugovich continuará o programa destinado a Stroll, dado que as possibilidades de uma eventual substituição na primeira corrida do ano não são assim tão improváveis.

Os alarmes continuam a soar na McLaren, com Zak Brown a procurar diminuir as expectativas e a referir que a equipa falhou alguns alvos de performance internos.

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Resultado: 1. Zhou (133) \ 2. Verstappen (47) \ 3. Alonso (130) \ 4. de Vries (74) \ 5. Hülkenberg (68) \ 6. Sainz (70) \ 7. Sargeant (154) \ 8. Leclerc (68) \ 9. Piastri (74) \ 10. Gasly (59) [número de voltas entre parênteses]

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Dia 3

Se restavam dúvidas de que a Red Bull estava na mó de cima nos testes de pré-temporada, Sergio Pérez tratou de os desfazer com uma acumulação incrível de voltas e um tempo confortavelmente na frente do da rival Mercedes, representada por Lewis Hamilton.

Leclerc e Sainz continuaram no Top 5, bem juntos, tal como em essencialmente todos os dias. Alonso voltou a fazer tempos bem interessantes com os pneus C3, enquanto que a Alfa Romeo ascendeu bem alto nos tempos finais, mas cortesia de voltas em C5 de Valtteri Bottas.

A AlphaTauri acabou as sessões de testes na frente nos quilómetros acumulados e no meio da tabela de tempos, o que só por si parece indicar que o AT04 é mais bem-nascido que o seu antecessor. A Williams ficou em 2º nos quilómetros acumulados, apesar de o carro ter estado entre os mais lentos no geral. Mas nada que se compare com a Alpine e a McLaren que acumularam as proezas de estar no fundo das voltas e tempos.

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Resultado: 1. Pérez (133) \ 2. Hamilton (65) \ 3. Bottas (131) \ 4. Leclerc (67) \ 5. Sainz (76) \ 6. Tsunoda (79) \ 7. Magnussen (95) \ 8. Russell (83) \ 9. Alonso (80) \ 10. Drugovich (77) [número de voltas entre parênteses]

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Progresso Total

#EquipaVoltasTempo
1Red Bull4391m30s305
2Mercedes3931m30s664
3Alfa Romeo3671m30s827
4Ferrari3581m31s024
5AlphaTauri3471m31s261
6Haas3081m31s381
7Aston Martin2961m31s450
8McLaren2641m32s160
9Williams1751m32s549
10Alpine1601m32s762
Bahrain \ 23-25 Fevereiro 2023




Lançamentos 2023 – Alfa Romeo C43

7 02 2023

Equipa em momento de transição profunda, a Alfa Romeo inicia a sua última temporada de F1 em aliança com a Sauber numa altura em que a Audi já é dona de uma parcela da estrutura. As cores permanecem vermelhas, mas o secundário branco foi trocado por preto neste projeto final dos italianos em aliança com a equipa suíça.

O novo monolugar tem várias modificações bastante aparentes face ao seu antecessor, o que será do agrado de Valtteri Bottas e Guanyu Zhou no seu segundo ano de cooperação, uma vez que em 2022 a equipa começou em grande o ano mas perdeu gás à medida que este avançou. Notório no carro apresentado era também a ausência da Orlen por entrada da Stake como patrocinadora.

Será curioso ver como a liderança de Andreas Seidl se fará sentir, neste primeiro ano da preparação da estrutura de Hinwill para passar de equipa cliente a equipa de fábrica em 2026.

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Fonte:
F1 \ Apresentação Alfa Romeo





A segunda de Pérez – GP Singapura 2022

2 10 2022

Numa temporada com 4 provas diferentes realizadas debaixo dos holofotes, pode parecer estranho recordar que a prática não tem muitos anos de existência e que começou com o GP de Singapura 2008. A estreia do circuito no calendário foi acompanhada de testes extensivos do sistema de iluminação, uma vez que havia um medo generalizado do que sucederia caso os pilotos fossem encadeados pelas luzes.

Claro que não foi essa a recordação que ficou para a história. Aquilo que parecia uma vitória fantástica de Fernando Alonso de 15º na grelha revelou-se uma completa farsa 12 meses depois, quando surgiu a informação de que a Renault tinha orquestrado um acidente propositado de Nelson Piquet Jr para a obter. As reverberações do escândalo Crashgate fizeram-se sentir na categoria.

Ainda assim, a prova de Marina Bay já teve tempo de se estabelcer como uma das provas padrão da F1, fisicamente extenuante com as suas quase 2 horas de calor equatorial e curvas constantes. Sebastian Vettel tem feito da pista o seu reduto pessoal, com 5 vitórias (incluíndo a mais recente em 2019, antes das interrupções pandémicas), mas vale a pena recordar que Lewis Hamilton não lhe fica muito atrás (com 4).

Alexander Albon teve complicações médicas após a sua apendicite mas felizmente já estava apto para regressar em Singapura, enquanto que Guanyu Zhou e Yuki Tsunoda renovaram com Alfa Romeo e AlphaTauri, respetivamente. Já Nicholas Latifi anunciou que terminará o seu vínculo com a Williams no final do ano e Felipe Drugovich foi confirmado como piloto de testes da Aston Martin. Entretanto, a Alpine terá feito um teste privado com Antonio Giovinazzi, Nyck de Vries e Jack Doohan.

Já a F1 confirmou a realização de 6 corridas sprint em 2023, algo que já tentara para este ano.

Ronda 17 – Grande Prémio de Singapura 2022

Com a chuva a abater-se em força sobre a pista do pequeno país asiático, as probabilidades de resultados improváveis avolumaram-se. Só que, seguindo a tendência de anos recentes, os comissários esperaram tanto tempo para começar a corrida que até já dava para começar com pneus intermédios.

Ainda assim, foi um dia de erros dos dois mais recentes campeões do mundo. Max Verstappen recebeu várias perguntas sobre a possibilidade de ser campeão em Singapura, mas viu-se em 8º na grelha (depois de ter que abortar uma ótima volta de qualificação por causa da equipa não lhe ter colocado combustível suficiente), perdeu posições na partida e calculou muito mal uma ultrapassagem no final, o que o atirou para trás. Já Lewis Hamilton tinha boas hipóteses de pódio mas também falhou uma travagem sem grande pressão e partiu a asa dianteira, para além de ter cometido um erro quando perseguia Sebastian Vettel para 7º.

Vettel e o colega Lance Stroll tinham sido dois pilotos a arriscar mal os pneus secos em qualificação, mas foram dos maiores beneficiados pelo Safety Car de Yuki Tsunoda que lhes permitiu trocar intermédios por secos e chegar ao final nos lugares pontuáveis. Situação semelhante experimentou Daniel Ricciardo que se viu catapultado para 5º apesar da evidente falta de ritmo face a Lando Norris, que esteve em tal nível que quase tratou de roubar o pódio de Carlos Sainz.

Sainz pareceu sempre incapaz de acompanhar Sergio Pérez e Charles Leclerc, enquanto aguentava a pressão de Hamilton nas voltas iniciais. Já Leclerc atacou Pérez a prova inteira, depois de ter saído de pole e perder no arranque para o mexicano da Red Bull, mas foi incapaz de colocar o seu Ferrari na liderança apesar das esperanças da Scuderia numa penalização a Pérez (por ter deixado demasiada distância para o SC). Assim, o mexicano venceu pela segunda vez este ano.

Foi um dia terrível para a Alpine, que viu ambos os seus carros abandonarem com problemas de motor, sendo passada pela McLaren na disputa do 4º lugar. Ambos os AlphaTauri também estiveram em bom nível mas mais em qualificação (ambos foram ao Q3). Já em corrida, o combativo Pierre Gasly conseguiu o ponto final, enquanto que Yuki Tsunoda destruiu a frente do carro depois de montar os pneus de piso seco.

Nicholas Latifi esqueceu-se de verificar os espelhos e terminou com a sua prova e a de Guanyu Zhou, enquanto que George Russell não só se ficou pelo Q2 como ainda andou em guerra tosca contra Mick Schumacher ao longo da prova.

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Qualificação: 1. Leclerc \ 2. Pérez \ 3. Hamilton \ 4. Sainz \ 5. Alonso (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Pérez \ 2. Leclerc \ 3. Sainz \ 4. Norris \ 5. Ricciardo \ 6. Stroll \ 7. Verstappen \ 8. Vettel \ 9. Hamilton \ 10. Gasly (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (341) \ 2. Leclerc (237) \ 3. Pérez (235) \ 4. Russell (203) \ 5. Sainz (202) —– 1. Red Bull (576) \ 2. Ferrari (439) \ 3. Mercedes (373) \ 4. McLaren (129) \ 5. Alpine (125)

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Corrida anterior: GP Itália 2022
Corrida seguinte: GP Japão 2022

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Fontes:
Aston Martin \ Drugovich confirmado
Joe Saward \ Teste Alpine
Motorsport \ Zhou confirmado na Alfa Romeo 2023
Racing Circuits \ Marina Bay
Sky Sports \ 6 Sprints em 2023
Sports Net \ Albon recupera
Zero Zero \ Tsunoda confirmado na AlphaTauri 2023





Ferrari quase deita vitória fora, mas Sainz triunfa pela primeira vez – GP Reino Unido 2022

3 07 2022

Rápido, desafiante, histórico e, desde as suas remodelações de 2010-11, moderno, o circuito de Silverstone é um dos grandes fins-de-semana de Grande Prémio da Fórmula 1 em qualquer temporada. A proximidade das fábricas de várias equipas (a Aston Martin literalmente está a 15 minutos), um conjunto de fãs entusiásticos (especialmente desde o segundo título de Lewis Hamilton) e o palco original da primeira corrida oficial de F1: tudo ajuda.

Parte da longevidade de Silverstone deve-se à sua necessidade constante de reinvenção, fruto das pressões dos dirigentes da F1 que ao longo das décadas foram ameaçando o circuito das Midlands britânicas com a saída do calendário em detrimento de locais como Donington ou Brands Hatch. O melhor argumento de Silverstone sempre foi possuir melhores instalações, passando de simples aeródromo adaptado a circuito de categoria mundial no decorrer dos anos.

Com curvas tão conhecidas quanto o próprio nome (Copse, Becketts, Chapel, Abbey,…), a pista tem sido dominada em anos recentes por Lewis Hamilton, homem da casa, o que lhe valeu ter-se tornado o único piloto com uma secção de pista com o seu nome (a Reta Hamilton).

Nos últimos dois anos, os 3 GPs realizados foram de plenas emoções: em 2020, houve direito a uma vitória em 3 rodas para Hamilton e uma magistral para Max Verstappen; em 2021, com a disputa pelo título bem aceso, ambos os referidos chocaram na Copse, num dos momentos mais fortes do ano.

Os dias antes da corrida foram de múltiplas declarações de condenação de racismo depois de dois incidentes: em primeiro lugar, as declarações com conotação racista de Nelson Piquet a Lewis Hamilton num podcast de Novembro passado; em segundo lugar, as de Jüri Vips num livestream. No primeiro caso, Piquet pediu desculpas (mas ainda a defender não ter tido intenção) mas foi banido do paddock. No segundo caso, Vips foi expulso do programa da Red Bull mas manteve o lugar na Hitech na Fórmula 2 (ainda que a categoria pareça não ter ficado satisfeita com a decisão).

Ronda 10 – Grande Prémio do Reino Unido 2022

Com uma Mercedes confiante na eficácia das suas novas atualizações e resultados de treinos livres promissores, havia uma grande expectativa de ver se os alemães de facto haviam encurtado a distância para as duas equipas da frente. Em qualificação, pareceu ser o caso. Se bem que era difícil de ter a certeza: a chuva que se abateu sobre Silverstone tornou difícil fazer grandes leituras.

Não muito crente de que havia feito uma boa volta, Carlos Sainz ficou totalmente surpreso pela primeira pole position da carreira. A ajudá-lo estava um despiste ligeiro do colega de equipa Ferrari (Charles Leclerc) e de um Max Verstappen que não conseguiu evitar algumas perdas de controlo (e com o público britânico a brindá-lo com vaias e cânticos de “Lewis” devido à tensão do campeonato de 2021…).

A Mercedes acabou logo atrás, nem as grandes habilidades de chuva dos seus pilotos a evitarem ficar atrás dos 4 da frente. Quem aproveitou para brilhar no Q3 foram Guanyu Zhou, que vem numa sequência de 3 qualificações na frente do colega da Alfa Romeo, e Nicholas Latifi, que aproveitou o intensificar de chuva no Q2 para bater concorrência mais rápida (dando uma dor de cabeça à Williams, já que corria com o carro antigo e bateu colega no carro novo).

Haas e Aston Martin terminaram o seu sábado logo no Q1, para infelicidade de ambas.

Domingo já não trouxe chuva para os procedimentos, mas trouxe muitos abandonos. Tudo começou logo na partida, em que a única verdadeira ação em pista foi a ultrapassagem de Verstappen a Sainz porque a bandeira vermelha foi accionada quase imediatamente: Pierre Gasly foi espremido entre George Russell e Guanyu Zhou, mandando o primeiro contra o segundo que se virou ao contrário e foi de arrojo até à zona próxima ao público.

A preocupação com Zhou foi grande, mas felizmente o chinês não sofreu sequelas do seu acidente (tendo Russell saltado do seu carro, que poderia ainda ter continuado em pista, para verificar o estado do outro piloto). No entanto, as imagens da maneira como a tomada de ar acima da cabeça de Zhou cedeu (tendo sido, sempre ele, o halo a salvar a cabeça do piloto) são motivo de grande preocupação.

Tudo isto permitiu evitar um potencial desastre mais à frente: protestantes que estavam a planear invadir a pista durante a prova fizeram-no, mas a prova já estava em ritmo reduzido por bandeira vermelha. Ainda assim, conseguiram chegar a colocar 4 membros deitados na pista, e Esteban Ocon (um dos que se arrastou até às boxes com danos) chegou a passar perto). A polícia alertara antes da prova para o risco, tendo sido incapaz de impedir os imbecis de fazerem a ação perigosa para a sua saúde e, mais importante, a dos pilotos.

Ocon juntou-se a Yuki Tsunoda (que mais tarde provocou o abandono do colega de equipa) e Sebastian Vettel à lista de pilotos que aproveitaram a bandeira vermelha para reparar estragos. Alexander Albon não conseguiu continuar, tendo ido (tal como Zhou) ao centro médico para verificações depois de vários embates em muros e outros pilotos (sem culpa e sem ferimentos).

Sem um único setor completo, o grid voltou à forma original e na segunda partida Sainz foi muito agressivo na sua defesa de posição, impedindo a passagem de Verstappen. Mais atrás Leclerc e Pérez ficaram com danos na asa da frente (Leclerc teve-os a corrida toda, Pérez mudou a asa), condicionando as suas provas. Sainz não durou mais que 10 voltas na frente, com um erro antes da reta do Hangar a deixá-lo em 2º. Foi aqui que começou o terrível dia de estratégia da Ferrari, que não percebeu que Sainz estava a atrasar Leclerc e deixou a situação arrastar-se de tal forma que Hamilton começou a apanhá-los no seu Mercedes.

A sorte dos italianos foi que Verstappen pisou detritos e danificou gravemente o carro, tendo tido que passar a prova a lutar com o próprio carro e a ter que se defender com unhas e dentes dos ataques de Mick Schumacher para terminar em 7º.

De volta à frente os Ferrari começavam a ter problemas em lidar com a velocidade de Hamilton e optaram por parar Sainz, que mais uma vez ficou a tapar o caminho a Leclerc (depois da paragem deste). Finalmente, a Scuderia exigiu a troca de posições, aceite por Sainz. Só que depois chegou o abandono de Ocon (problemas mecânicos) e o Safety Car. A equipa não parou Leclerc e parou Sainz. Todos os outros carros copiaram Sainz, deixando Leclerc quase indefeso na frente.

A Ferrari ainda tentou pedir a Sainz para segurar o pelotão para o colega, mas o espanhol entendeu que seria uma decisão desastrosa. Implorando ser-lhe permitido passar, Sainz levou a sua pela frente, passando o colega e fugindo na liderança para vencer um Grande Prémio pela primeira vez. Leclerc deu o seu melhor para fugir aos velozes Hamilton e Pérez, chegando a repassar o primeiro por fora na Copse. Mas não dava para segurar, e ambos acabaram à sua frente. Apesar do bom resultado para a época, Hamilton parecia desapontado de ter deixado fugir a vitória caseira (que teria sido a primeira do ano).

Fernando Alonso e Lando Norris fizeram provas de grande nível para ficar em 5º e 6º, enquanto que Vettel teve sorte no timing do SC para parar e manter a sua posição nos pontos (tendo partido de 17º), dividindo os dois Haas (bem felizes pelo resultado conjunto, especialmente Schumacher com os seus primeiros pontos de sempre na F1).

Destaque ainda para a tentativa valorosa de Nicholas Latifi em manter a Williams nos pontos, que no final provou não ser possível.

O campeonato ficou assim relançado, até certo ponto, com alguma recuperação dos rivais de Verstappen, enquanto que os dois pilotos da Ferrari ficaram o mais próximos que alguma vez estiveram nesta temporada (e dificultando a tarefa da Ferrari para impôr ordens de equipa).

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Qualificação: 1. Sainz \ 2. Verstappen \ 3. Leclerc \ 4. Pérez \ 5. Hamilton (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Sainz \ 2. Pérez \ 3. Hamilton \ 4. Leclerc \ 5. Alonso \ 6. Norris \ 7. Verstappen \ 8. Schumacher \ 9. Vettel \ 10. Magnussen (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (181) \ 2. Pérez (147) \ 3. Leclerc (138) \ 4. Sainz (127) \ 5. Russell (111) —– 1. Red Bull (328) \ 2. Ferrari (265) \ 3. Mercedes (204) \ 4. McLaren (73) \ 5. Alpine (67)

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Corrida anterior: GP Canadá 2022
Corrida seguinte: GP Áustria 2022

GP Reino Unido anterior: 2021

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Fórmula 2 (Rondas 13-14) \ Sem rival claro, Drugovich vai fugindo

Sem Cordeel por pontos de suspensão, a van Amersfoort acabou a substituir o belga por David Beckmann (que já fora substituto na Charouz este ano) para o regresso da F2 à ação em pista.

Tendo herdado a chuva com que a F1 também teve que lidar, a Fórmula 2 viu a sua pista de Silverstone secar aos poucos, dando grandes dores de cabeça aos pilotos para evitarem que as temperaturas dos seus pneus disparassem.

Os melhores na tarefa foram Ayumu Iwasa e Felipe Drugovich. Iwasa chegou com alguma rapidez até ao 2º lugar, atrás de Jack Doohan, quando optou por manter a margem de 3 segundos para o australiano, fazendo o ataque final nas derradeiras voltas (obrigando Doohan a uma vigorosa gestão do ritmo, para a primeira vitória de F2). Já Drugovich deixou-se passar e caiu para 9º até meio da prova, altura em que libertou o ritmo e ultrapassou vários carros até ao 5º lugar final.

No extremo havia Jehan Daruvala, que não conseguiu converter a pole inversa para nada melhor que o último lugar pontuável.

No domingo já foi dia de um género de luta diferente, com Frederick Vesti a partir mal e a deixar a luta contra o pole Logan Sargeant nas mãos do colega de equipa da ART, Théo Pourchaire. Com Carlin e ART em grande nível e os seus pilotos bem equiparados, foi o americano quem triunfou pela primeira vez numa prova de F2.

Liam Lawson completou o pódio, seguido de perto pelo sempre regular Drugovich (que despachou Vesti no final da prova).

O momento da corrida foi mais atrás quando Roy Nissany saiu de pista e espremou com pouco desportivismo Dennis Hauger no seu regresso à pista. Hauger foi parar à relva, incapaz de travar o avanço do seu carro até à curva final, onde o seu Prema levantou voo na lomba e acertou no halo de Nissany. Mais uma vez, foi o halo a salvar a vida de um piloto.

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Qualificação: 1. Sargeant \ 2. Vesti \ 3. Drugovich \ … \ 8. Vips \ 9. Fittipaldi \ 10. Daruvala

Resultado (Sprint): 1. Doohan \ 2. Iwasa \ 3. Fittipaldi \ 4. Pourchaire \ 5. Drugovich \ 6. Vesti \ 7. Sargeant \ 8. Daruvala (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Sargeant \ 2. Pourchaire \ 3. Lawson \ 4. Drugovich \ 5. Vesti \ 6. Vips \ 7. Daruvala \ 8. Armstrong \ 9. Doohan \ 10. Hughes (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Drugovich (148) \ 2. Pourchaire (106) \ 3. Sargeant (88) \ 4. Daruvala (80) \ 5. Lawson (59) —– 1. MP (170) \ 2. ART (160) \ 3. Carlin (147) \ 4. Prema (135) \ 5. Hitech (118)

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Corrida anterior: Azerbaijão 2022 \ Rondas 11-12
Corrida seguinte: Áustria 2022 \ Rondas 15-16

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Fórmula 3 (Rondas 7-8) \ Hadjar e Leclerc caçam Martins

Depois de uma longa pausa que remontava ao GP de Espanha, a Fórmula 3 regressou em Silverstone com um pelotão alterado. Jonny Edgar estava de regresso à Trident, depois de uma ausência devido ao diagnóstico com doença de Crohn; enquanto que Alexander Smolyar teve problemas em conseguir o visto para a viagem, acabando substituído por Filip Ugran.

A sair de pole inversa para o sprint, Reece Ushijima viu a liderança desaparecer logo antes da primeira curva quando o “colega” da primeira linha da grelha, Victor Martins, o passou. Apesar da diferença de ritmo, Ushijima manteve o seu Van Amersfoort relativamente próximo do líder e apenas foi passado por um outro piloto, Isack Hadjar, o que lhe valeu o primeiro pódio de F3.

Hadjar esteve bem impressionante no seu Hitech, indo à caça do ART de Martins durante grande parte da prova, acabando por consumar a ultrapassagem nas voltas finais. Houve um alongar do protocolo de partida, devido a um problema de Brad Benavides, e um Safety Car para um incidente entre dois dos Charouz (László Tóth e Zdeněk Chovanec).

A sair da verdadeira pole para a feature, Zak O’Sullivan elevou o seu Carlin a posições pouco usuais em corrida. Apesar de nada ter conseguido fazer para segurar o Prema de Arthur Leclerc, o britânico defendeu-se com unhas e dentes de outro carro dos italianos (Oliver Bearman) com direito a uma saída de limites de pista para conseguir evitar contacto na chegada.

Leclerc recebeu um abraço do irmão e conseguiu com o seu triunfo (tendo que passar O’Sullivan duas vezes, devido à primeira ter sido no momento de ativação do Safety Car) aproximar-se de forma titânica do líder do campeonato, Martins, que teve um fim-de-semana menos bem conseguido (apesar da boa ultrapassagem sobre o regressado Edgar).

Mais para trás, Zane Maloney caiu na classificação devido ao contacto da primeira volta com um Prema, enquanto que os jovens da Red Bull, Hadjar e Crawford, levaram as suas lutas por posição para fora de pista.

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Qualificação: 1. O’Sullivan \ 2. Leclerc \ 3. Maloney \ … \ 10. Maini \ 11. Martins \ 12. Ushijima

Resultado (Sprint): 1. Hadjar \ 2. Martins \ 3. Ushijima \ 4. Maini \ 5. Frederick \ 6. Staněk \ 7. Maloney \ 8. Leclerc \ 9. Bearman \ 10. Crawford (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Leclerc \ 2. O’Sullivan \ 3. Bearman \ 4. Collet \ 5. Hadjar \ 6. Crawford \ 7. Martins \ 8. Edgar \ 9. Vidales \ 10. Ushijima (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Martins (77) \ 2. Leclerc (71) \ 3. Hadjar (68) \ 4. Staněk (61) \ 5. Crawford (60) —– 1. Prema (175) \ 2. ART (113) \ 3. Hitech (90) \ 4. Trident (88) \ 5. MP (75)

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Corrida anterior: Espanha 2022 \ Rondas 5-6
Corrida seguinte: Áustria 2022 \ Rondas 9-10

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Fontes:
Evening Standard \ Jüri Vips continua na Hitech
Formula Scout \ Smolyar de fora
Grande Prêmio \ Jonny Edgar de regresso
Record \ Comentários de Nelson Piquet





Sexta vitória seguida para Red Bull – GP Canadá 2022

19 06 2022

A esmagadora maioria das edições do Grande Prémio do Canadá já tinham sido realizadas sempre no Circuito da Íle Notre-Dame em Montreal, ocasionalmente com pausas de um ano (1975, 1987 e 2009, todas as vezes por problemas de patrocinadores da prova). Mas nunca tinha havido uma pausa tão longa desde o primeiro GP em 1967 como estes dois anos de ausência, devido a questões relacionadas com a pandemia.

Com vários anos como única corrida no calendário na América do Norte e Centro, o Canadá tem agora um contexto bem diferente em que existem duas corridas nos EUA (três em 2023) e uma no México, o que retira ao país alguma da sua anterior importância. Nada disto retira do circuito a apreciação dos pilotos e fãs, como uma das clássicas etapas da categoria.

Nomeado em homenagem a Gilles Villeneuve, o circuito é semi-permanente e caraterizado por várias retas longas, com algumas sequências técnicas de média velocidade pelo meio (foi justamente numa delas que Sebastian Vettel, após liderar todas as voltas da corrida, perdeu o controlo e a vitória em 2011 na última volta). Foi também o palco da primeira vitória de F1 de Lewis Hamilton (recordista de vitórias do circuito, com 7, juntamente com Michael Schumacher).

Depois do anúncio da renovação da Austrália até 2035 (com direito a F2 e F3, pela primeira vez), o GP trouxe um comunicado da FIA a tomar medidas sobre a amplitude dos saltitões do porpoising depois da controvérsia de Baku. O resultado pareceu nem satisfazer a queixosa Mercedes nem a céptica Red Bull, dando azo a recriminações de parte a parte.

Baku e as suas desventuras trouxe outra novidade: Charles Leclerc teve que trocar peças várias do seu motor, obrigando-o a partir de último.

Ronda 9 – Grande Prémio do Canadá 2022

Com a decisão da FIA sobre diretivas de porpoising, e as discussões animadas entre os chefes de equipas perante as câmaras da Netflix, sempre presentes neste fim-de-semana, a Fórmula 1 regressou ao Canadá com grandes possibilidades de não ver os habituais vencedores Hamilton e Vettel a saírem por cima.

Sob uma chuva insistente na sexta-feira e no sábado, a pista prometia algumas surpresas e desaires. A qualificação mostrou uma necessidade constante de permanecer em pista sob pena de perder uma oportunidade nas condições ideais. As vítimas do Q1 foram os AlphaTauri, Aston Martin e Nicholas Latifi, mas um despiste de Sergio Pérez no Q2 deixou as condições bem mais secas para pneus intermédios.

Nas condições quase secas do Q3, foi Max Verstappen quem saiu por cima mas o público só tinha olhos para Fernando Alonso. O espanhol tinha ritmo de piso molhado promissor e conseguiu imiscuir-se na primeira linha da grelha pela primeira vez desde 2012, recebendo ovações com o seu nome da parte do público. Carlos Sainz ficou logo atrás, incapaz de os acompanhar. Houve também espaço para um brilharete da Haas, que pôs os dois carros na 3ª fila da grelha, e para uma aposta (falhada) arriscada de George Russell em colocar os pneus de seco.

Para a corrida, os céus estavam bem azuis e sem nuvens à vista.

As “ameaças” de uma manobra arriscada de Alonso na partida não se concretizaram e o piloto da Alpine acabou por ser um bloqueio útil para Verstappen, ainda que Sainz o tenha despachado. Com Pérez a perder caixa de velocidades ao fim de 10 voltas, o Safety Car Virtual foi aproveitado por Verstappen e Lewis Hamilton para uma paragem nas boxes, que deixou os dois rivais pela vitória em estratégias diferentes. Entretanto, Kevin Magnussen ficou com os “bigodes” com estragos e foi forçado pelos comissários a parar, terminando as suas aspirações na prova.

Isto teria dado algumas complicações à prova, não fosse o dia terrível da Haas continuar. O motor de Mick Schumacher avariou e o alemão parou no mesmo local com outro VSC a ser provocado. Neste, foi a vez de Sainz e vários outros pilotos pararem. Assim, ele deveria conseguir ir até ao fim, ao passo que a Red Bull não conseguiria fazer o mesmo.

Enquanto que Charles Leclerc ficou preso atrás de Esteban Ocon na sua recuperação desde o último lugar, Lance Stroll começou a fazer o mesmo a um comboio de 5 carros, e Alonso via todos os seus esforços esfumarem-se devido à Alpine não o ter parado em nenhum dos outros VSC.

Um verdadeiro SC, devido a um acidente trapalhão de Yuki Tsunoda a sair das boxes, acabou por deixar Sainz e Verstappen de novo na mesma estratégia (com o segundo na frente e ambos em pneus duros) para uma luta mano-a-mano de 15 voltas até ao fim. A Alpine parou ambos os seus pilotos para um ataque final em pneus médios contra a Mercedes, e Valtteri Bottas e Stroll fizeram a sua única paragem da corrida, que lhes valeria preciosos pontos no final.

Num jogo de gato e rato, em que Verstappen era mais rápido no Setor 1 e Sainz no Setor 3, ambos passaram o tempo todo a menos de 1 segundo de distância. Como Verstappen não fez erros de renome, Sainz voltou a ter que acumular um 2º lugar frustratante (que mesmo assim foi a sua performance mais impressionante deste ano). É a 6ª vitória seguida da Red Bull… Hamilton ascendeu ao pódio com eles, num GP bem mais feliz para a Mercedes.

Alonso acabaria em 9º devido a uma penalização por se ter mexido em demasia na defesa de posição contra Bottas, Leclerc minimizou estragos com um 5º, e Guanyu Zhou (que esteve sempre em grande forma neste fim-de-semana) voltou a pontuar pela primeira vez desde o Bahrain.

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Qualificação: 1. Verstappen \ 2. Alonso \ 3. Sainz \ 4. Hamilton \ 5. Magnussen (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Sainz \ 3. Hamilton \ 4. Russell \ 5. Leclerc \ 6. Ocon \ 7. Bottas \ 8. Zhou \ 9. Alonso \ 10. Stroll (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (175) \ 2. Pérez (129) \ 3. Leclerc (126) \ 4. Russell (111) \ 5. Sainz (102) —– 1. Red Bull (304) \ 2. Ferrari (228) \ 3. Mercedes (188) \ 4. McLaren (65) \ 5. Alpine (57)

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Corrida anterior: GP Azerbaijão 2022
Corrida seguinte: GP Reino Unido 2022

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Fontes:
BBC \ Toto Wolff e as medidas anti-porpoising
F1 \ Penalização Leclerc
Notícias ao Minuto \ GP Austrália até 2035





Nada para ver aqui – GP Arábia Saudita 2022

27 03 2022

Imagine que precisa com uma alguma urgência, e para garantir o seu estilo de vida, de um empréstimo avultado que nenhum banco legítimo lhe providencia. Por esse motivo, dirige-se a um sujeito muito pouco recomendável, que rapidamente lhe dá o montante com a promessa de que só ocasionalmente poderá precisar de um “pequeno favor”, quase inofensivo, mais à frente.

E imagine que você seguia alegremente com a sua vida e de repente esse dia chega, e você não acha o favor pequeno. Mas não consegue nem por nada deste mundo recuar, até porque o sujeito em questão parece cada vez menos razoável e mais disposto a algo perigoso. Só que já não há por onde desistir. E toda a gente acha que foi culpa sua de sequer confiar no sujeito.

Foi esta a experiência da Fórmula 1 na Arábia Saudita este fim-de-semana.

Sem participação oficial no calendário da Fórmula 1 há uns meros 4 meses atrás, a Arábia Saudita conseguiu passar de uma não-presença a uma presença quase indispensável para a saúde financeira da categoria num abrir e fechar de olhos. Para além de patrocinar a categoria através da petrolífera Aramco, o país também fez uso da empresa para se tornar o novo co-patrocinador principal da equipa Aston Martin (que Lawrence Stroll procura fazer crescer ao estatuto de mega-estrutura da F1), e tem feito enormes investimentos para sediar a F1.

O primeiro desses investimentos foi a construção em tempo recorde do circuito citadino de Jeddah. O custoso projeto de uma pista ao lado do Mar Vermelho nem sequer foi feito para durar mais do que as das edições inaugurais do GP da Arábia Saudita: um complexo permanente em Qiddiyah, mais para o centro do país, receberá já a partir de 2023 os monolugares da categoria.

No entretanto, continuava a ser necessário guiar ao redor do traçado de Jeddah e as suas 27 curvas (a maioria das quais de alta velocidade). Com vários alertas sobre o perigo que a enorme velocidade e a proximidade dos muros em conjugação, os promotores avisaram de antemão que fariam “pequenas modificações” ao traçado para corrigir.

Aquilo que será mais difícil de modificar é mesmo a percepção geral de que a Arábia Saudita tem transformado o automobilismo no seu veículo de propaganda, de modo a abafar as continuações de tratamento desumano dos seus próprios cidadãos. E na sexta-feira a realidade da situação surgiu no seu pior: um ataque terrorista a uma refinaria de petróleo da Aramco a 10 km do circuito durante o primeiro treino livre, com o fumo preto visível durante a sessão.

Reuniões de emergência começaram entre promotores, autoridades, FIA, FOM, chefes de equipa e pilotos. Ao fim de menos de meia-hora foi-se para o segundo treino livre (atrasado 15 minutos para “reparações de pista” disse a FIA). Só após esse treino, todos voltaram para reunião. Mohammed ben Sylayem (FIA) e Stefano Domenicalli (FOM) saíram da reunião anunciando que a corrida avançaria na mesma, com a “reconfortante” mensagem que os alvos dos terroristas eram industriais e não civis… Nas redes sociais, os fãs começaram a usar o meme de “nada para ver aqui”.

Só que os pilotos não saíram da sala, mesmo quando todos os outros tinham abandonado. Os membros da Grand Prix Driver’s Association estiveram juntos e sem sair da sala durante mais de 4 horas, em que se tornou claro que não havia unanimidade na decisão ao contrário do reportado. Foram horas tensas em que Domenicalli e Ross Brawn voltaram à sala, tal como os chefes de equipa. Lewis Hamilton e Pierre Gasly terão sido os mais vocais nas conversas que se seguiram (principalmente Hamilton). Pelas 3h da manhã locais, os pilotos saíam e George Russell (diretor GPDA) foi ter ao race control com Andreas Seidl (que pareceu ser o porta-voz dos chefes de equipa). Haveria corrida, fruto de enormes pressões enfrentadas pelos pilotos. Mas a demonstração de união de pilotos, como em décadas não se via, terá assustado os dirigentes da F1.

Ronda 2 – Grande Prémio da Arábia Saudita 2022

Mais uma vez sem poder contar com Sebastian Vettel (que continuou a não ter testado negativo para Covid-19), o GP da Arábia Saudita chegou à pista com uma aparente realidade: os carros com motores Mercedes pareciam ainda menos competitivos que no Bahrain.

A qualificação tratou de servir a confirmação, com Lewis Hamilton a falhar sequer a participação no Q2. O inglês terá apostado errado no setup do carro e pagou caro ao longo do resto do fim-de-semana, enquanto que a atenção do paddock se focou no estado de saúde de Mick Schumacher após um acidente fortíssimo do alemão no Q2. Felizmente para a Haas, tudo estava bem com Schumacher. Infelizmente para a Haas, o piloto não correu no domingo por precaução.

Ferrari e Red Bull voltaram a digladiar-se pela pole position e acabou por ser o improvável Sergio Pérez a conseguir a sua primeira pole position da carreira por 25 milésimas (mais de 200 corridas até o conseguir). O mexicano frustrou assim Charles Leclerc, em 2º, enquanto que a Alpine conseguiu colocar os seus carros em 5º e 7º, Valtteri Bottas mantinha a sua sequência de Q3 e Kevin Magnussen sofria com as forças G no pescoço.

O início da corrida viu, na sua maioria, uma manutenção da ordem do dia anterior. Durante esta primeira fase coube à Alpine animar o jogo, com Esteban Ocon e Fernando Alonso a começarem uma série de ultrapassagens um no outro com alguma agressividade. Com os pneus médios de todos a começarem a degradar-se, Pérez foi o primeiro a arriscar parar de forma a cobrir uma qualquer tentativa de undercut que pudesse surgir.

Teria sido uma jogada inteligente caso Nicholas Latifi não se tivesse acidentado sozinho contra o muro e trazido o Safety Car para a pista. A partir daí todos os carros tiveram direito a uma paragem gratuita, e o Red Bull caiu para 4º. Bem, quase todos os adversários. Os que haviam começado em pneus duros (Hamilton, Magnussen e Hülkenberg) não pararam e viram a sua vantagem esfumar, por ainda terem de parar mais à frente. Guanyu Zhou tentou servir uma penalização de 5 segundos mas não o podia ter feito sob SC e, portanto, apanhou um drive through

No recomeço Leclerc liderou na frente de Verstappen. A luta de aproximação e desaproximação entre os dois durou durante várias voltas até que na volta 38 três pilotos tiveram simultaneamente problemas mecânicos que os pararam em pista: Daniel Ricciardo, Fernando Alonso e Valtteri Bottas. Com os dois primeiros a bloquearem a entrada das boxes parcialmente, a FIA decretou um SC Virtual. Magnussen e Hülkenberg conseguiram parar e trocar de pneus mas Hamilton teve azar e já apanhou o pitlane fechado, tendo que esperar até ao fim do VSC.

As voltas finais foram de ataque total entre Leclerc e Verstappen. O piloto da Ferrari ganhava terreno no primeiro setor e perdia nos outros dois. O resultado foram vários momentos de ação lado a lado, incluíndo um jogo quase ridículo de ativação de DRS que chegou a ver ambos a travar a fundo e a bloquear as rodas numa reta da meta. No final, Verstappen acabaria por passar e ter que se defender nas duas voltas finais. Um derradeiro ataque de Leclerc acabaria gorado por bandeira amarela no primeiro setor (incidente entre Lance Stroll e Alexander Albon).

Vale ainda destacar as recuperações de Magnussen e Hamilton até aos pontos, uma performance inspirada de Lando Norris num McLaren que continuou sem ritmo e a confirmação de que 2022 deverá ser um ano de luta Ferrari vs Red Bull. Pelo menos, até a Mercedes acertar melhor o passo.

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Qualificação: 1. Pérez \ 2. Leclerc \ 3. Sainz \ 4. Verstappen \ 5. Ocon (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Leclerc \ 3. Sainz \ 4. Pérez \ 5. Russell \ 6. Ocon \ 7. Norris \ 8. Gasly \ 9. Magnussen \ 10. Hamilton (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Leclerc (45) \ 2. Sainz (33) \ 3. Verstappen (25) \ 4. Russell (22) \ 5. Hamilton (16) —– 1. Ferrari (78) \ 2. Mercedes (38) \ 3. Red Bull (37) \ 4. Alpine (16) \ 5. Haas (12)

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Fórmula 2 (Rondas 3-4) \ Drugovich de volta ao seu melhor

Se Jeddah, com alguns dos melhores pilotos de F1 ao volante, já era perigosa, sabia-se de antemão que a grelha de Fórmula 2 daria ainda mais confusão.

Os treinos livres já tinham deixado Cem Bölükbaşı com uma concussão e de fora do resto do fim-de-semana, mas a qualificação também teve uma grande espeta de Logan Sargeant, um incêndio no carro de Théo Pourchaire e uma variedade de bandeiras vermelhas. A pole acabaria nas mãos de Felipe Drugovich da MP, seguido de Richard Verschoor da Trident.

A primeira corrida quase não teve voltas “úteis” de competição, dada a variedade de SC que foram ativados. Primeiro por um acidente de Amaury Cordeel e depois, durante o reinício de prova, por um desentendimento sem culpas entre Sargeant e Jack Doohan. Para ajudar à festa, Dennis Hauger, o líder na altura, passou pela via das boxes quando as boxes estavam fechadas. A Prema ficou furiosa com a penalização que se seguiu, uma vez que tinham questionado a FIA por rádio duas vezes antes sobre o assunto.

O vencedor Liam Lawson, da Carlin, sumarizou bem a prova: “isto foi uma corrida de sobrevivência”. Atrás do neo-zelandês chegou outro jovem Red Bull (Jüri Vips) e Jake Hughes (que acabaria desclassificado por falha de conformidade técnica).

Para a corrida feature a confusão foi bem menor. Drugovich conseguiu segurar Verschoor na largada e acabou a suster a pressão do holandês para um triunfo final que o colocou na liderança do campeonato de F2 pela primeira vez, nesta sua terceira temporada da categoria. Jehan Daruvala fez uma boa recuperação de 14º até ao 3º posto final, enquanto que os favoritos se tramaram com fiabilidade (ou falta dela). Lawson viu uma roda solta acabar a sua corrida, enquanto que um problema elétrico terminou a de Pourchaire.

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Qualificação: 1. Drugovich \ 2. Verschoor \ 3. Armstrong \ … \ 8. Vips \ 9. Hughes \ 10. Hauger

Resultado (Sprint): 1. Lawson \ 2. Vips \ 3. Drugovich \ 4. Williams \ 5. Verschoor \ 6. Iwasa \ 7. Daruvala \ 8. Sato (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Drugovich \ 2. Verschoor \ 3. Daruvala \ 4. Hughes \ 5. Armstrong \ 6. Hauger \ 7. Iwasa \ 8. Nissany \ 9. Doohan \ 10. Vips (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Drugovich (43) \ 2. Lawson (34) \ 3. Verschoor (32) \ 4. Vips (28) \ 5. Pourchaire (25) —– 1. Hitech (48) \ 2. Carlin (43) \ 3. MP (43) \ 4. Trident (37) \ 5. Prema (33)

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Ninguém compra o bluff da Mercedes, mas será que a ordem da F1 mudou em 2022?

15 03 2022

Há muito que um intervalo de tempo entre duas temporadas não se dividia de forma tão contrastante, entre quem esperava com grande expectativa a mais radical mudança de regras em décadas e quem insistia em debater o GP de Abu Dhabi de 2021. Estes últimos seguiram com especial atenção as investigações FIA e os silêncios de Lewis Hamilton nas redes sociais como passíveis de alterar o resultado do campeonato do ano passado, enquanto que os primeiros viviam no mundo real.

No mundo real via-se a possibilidade de uma ordem de forças nova para 2022 como uma perspetiva aliciante para uma temporada que, espera-se, venha a fazer convergir as várias equipas. E, claro, a permitir perseguições mais próximas entre os diferentes monolugares, dificultadas com frequência nos últimos anos pela crescente carga aerodinâmica.

As preocupações sobre uma fraca liberdade concedida aos projetistas pelos novos regulamentos rapidamente se têm vindo a dissipar a cada novo carro apresentado. Há muitos anos que não se viam carros de F1 tão diferentes num mesmo campeonato, com projetos para todos os gostos, mas que não parecem (para já) muito díspares nos seus tempos por volta.

Também já não se viam testes tão pouco esclarecedores e tão atarefados como estes, o que nos remete a uma análise de forças algo ambígua para 2022.

Quão comprometidos ficaram os candidatos ao título pelo esforço de 2021?

Esta foi a grande pergunta, mais comum para o final do último campeonato, à medida que se tornava claro que Mercedes e Red Bull levariam a sua disputa até à última ronda do ano. Esta foi também a grande esperança de todas as outras 8 equipas e dos dirigentes da F1. Quanto mais tempo gasto pelas duas maiores estruturas melhor, até porque as novas regras de tempo de utilização de túnel de vento as fariam recuar também.

A julgar pelas poucas conclusões possíveis de retirar dos testes de pré-temporada, nenhuma das duas estará longe das lutas pela vitória.

Ambas optaram por soluções bastante inovadoras, mas de formas diferentes. A Red Bull pareceu anónima durante quase todos os dias de treinos, acumulando voltas sem ser vistosa e queixando-se de subviragem. Só que então chegou o último dia, em que a equipa experimentou uma modificação destinada a solucionar o problema e, pela avaliação da maioria dos analistas, resultou em cheio. Os austríacos terminaram na frente da tabela de tempos, quase sem fazer porpoising, e com os seus mecânicos a mal conterem os sorrisos.

E têm bons motivos para sorrir. O campeão do mundo em título, com direito a um número 1 no carro, já avisou que continua tão motivado como nunca mas sem o “desespero” de se querer provar. Depois de algumas negociações também tem um contrato multimilionário até 2028, pelo que enquanto o Red Bull for competitivo dificilmente a estrutura pertencerá a qualquer outra pessoa.

O que complica a tarefa do seu colega de equipa, já de si pouco fácil. Sergio Pérez terá que andar bem mais perto de Verstappen para justificar uma aposta renovada da equipa em si (o mexicano já se queixou de renovações ano a ano, à semelhança do que Bottas fazia na Mercedes). O seu posicionamento descomplexado de piloto 2 valeu-lhe a admiração do chefe de equipa Christian Horner, mas tem 3 pilotos de F1 a “afiar facas” pelo seu lugar (Gasly, Tsunoda e Albon) e mais 5 na F2 (Hauger, Daruvala, Lawson, Vips e Iwasa). O momento de impressionar é agora.

Já na casa dos 8 vezes campeões do mundo, a história é outra.

A Mercedes não liderou 5 dos 6 dias de testes. Os W13 foram frequentemente vistos a sofrer a sério com o chão do carro a arrojar pelo chão e com porpoising. Lewis Hamilton e George Russell fizeram questão de estar em constante gestão de expectativas nas suas entrevistas, avisando que as vitórias poderão ser uma miragem. Mas nem uma única alma do paddock está plenamente convencida disso. “Típico da Mercedes, típico do George, sentenciou Sainz, “dizer bem dos outros e depois é chegar à primeira corrida e destruir a concorrência”.

Talvez seja a sério, mas toda a gente está a acreditar num bluff da equipa de Toto Wolff. Caso o carro prove ser competitivo, será interessante ver como Russell, produto da academia e jovem, lidará com o duelo interno contra o hepta-campeão Hamilton. Caso perca o comboio das primeiras corrida, correrá o risco de ser relegado de imediato a piloto 2. Caso faça como Leclerc fez contra Vettel em 2019 na Ferrari… Os riscos reputacionais poderão ser demasiado graves para Hamilton.

Uma luta interna ferrenha é o mal menor, quando comparado com a possibilidade de que os seus pilotos avisam: a de a Mercedes não conseguir lutar ao nível da Red Bull ou Ferrari.

A potencial Hora H da Ferrari

Existe uma tradição honrada ao longo da história da F1 de ficar imensamente entusiasmado pelo ritmo da Ferrari durante as sessões de testes antes do início da temporada. E uma tradição igualmente extensa de ser desapontado ao longo do ano respetivo pela falta de ritmo dos carros italianos. Com uma demonstração de ritmo e fiabilidade como há muito não se via, estará a Scuderia a preparar todos para mais uma deceção?

Existem bons motivos para crer que não.

Dois anos de resultados abaixo dos padrões Ferrari deixaram Mattia Binotto sem disposições para otimismos extremos, e até o dirigente italiano parece confiante no F1-75 ser um bom produto vindo de Maranello. Melhor ainda, o motor tem estado num desenvolvimento constante desde 2020. 2021 foi colocado de lado para que se pudessem focar num carro de 2022 com um porte muito agressivo, que difere por completo da filosofia do Mercedes. Preocupado? Nem por isso. Binotto simplesmente referiu que a equipa ponderou ir por caminho semelhante aos alemães, mas que achou este mais vantajoso. Frases destas seriam assustadores noutros tempos, mas desta vez os fãs sentem-se tentados a acreditar ser verdade.

Longe estão também os tempos de duplas de pilotos duvidosas ou que pendessem mais para um lado. Charles Leclerc e Carlos Sainz são dois rapidíssimos pilotos, que continuam a acumular experiência e que parecem em perfeito domínio do novo Ferrari. Para Leclerc há que fazer esquecer ter perdido o duelo interno por margem mínima em 2021. Para Sainz há que não ficar para trás do “menino prodígio” da equipa sem colocar em causa a harmonia da Ferrari o suficiente para que os murmúrios de caos possam comprometer a sua renovação de contrato para além do final deste ano.

Mas se o Ferrari provar ser tão bom quanto se quer, dificilmente não se verá uma luta explosiva entre os pilotos da marca italiana.

O momento crítico da Alpine

Momentos antes da apresentação do Alpine A522, as redes sociais da Fórmula 1 encheram-se de fãs da equipa (e mais especificamente, fãs de Fernando Alonso) a debitarem a mesma frase: “vem aí El Plan”. “O Plano”, uma frase abundantemente espalhada desde o regresso do espanhol às pistas da F1, parece ter resfriado significativamente desde que os franceses tomaram às pistas de Barcelona e Sakhir.

Com muito poucos quilómetros acumulados em relação às rivais (que ao menos podem contar todas com mais do que uma equipa, algo que nem salva a Alpine), a equipa continuou a insistir que tudo está a correr bem ao longo dos dias mais recentes. No entanto, os factos acumulam-se. Uma falha de motor com direito a chamas, tempos anónimos, falhas de DRS na primeira semana, vários analistas a notarem o nervosismo do carro a meio de curvas, a admissão de que riscos foram tomados no desenvolvimento do motor Renault, uma nova gerência sob a tutela do recém-chegado Otmar Szafnauer,…

Poderemos ainda ver os carros, que este ano contarão com rosa da BWT, a contradizer os críticos, mas parece improvável que o Alpine esteja na discussão pelos lugares mais cimeiros com Ferrari, Mercedes e Red Bull, algo que era absolutamente um objetivo a atingir com estes novos regulamentos.

Isto abre uma nuvem para a situação de pilotos da equipa. Fernando Alonso termina o seu contrato no final deste ano e terá deixado bem claro que se não houver sinais positivos não terá a paciência de voltar a integrar uma estrutura baseada em promessas vãs. Caso tudo corra pelo melhor, no entanto, é difícil que o espanhol não esteja no seu melhor.

Do outro lado da garagem encontra-se Esteban Ocon, com o seu futuro de longo prazo atracado ao barco de Enstone e que tudo fará para vingar e tornar-se no líder de uma equipa a quem deu a primeira vitória. Já Oscar Piastri recebeu promessas de um papel de piloto de testes reforçado mas, tendo sido campeão de F3 e F2 à primeira apenas para a Alpine não lhe arranjar espaço na F1, dificilmente esperará mais do que um ano para receber um lugar a titular em qualquer equipa. Prova disto foi o empréstimo dos seus serviços à McLaren…

Quão alto podem os privados saltar?

De todas as equipas que procuram conseguir assumir a dianteira no pelotão do meio, poucas são tão interessantes como as 3 principais equipas privadas da categoria: McLaren, Aston Martin e AlphaTauri.

McLaren e Aston Martin são casos particularmente interessantes. Ambas são estruturas britânicas independentes de grandes construtoras mundiais, que procuram afirmar-se na F1 e fazem uso dos motores Mercedes. O último ponto é especialmente importante, dado que por um lado representa menos um custo (de desenvolvimento de motores) mas por outro lado parece cada vez mais improvável conseguir disputar um título mundial sem uma produção própria de motores.

Em Woking, sede da McLaren que a equipa vendeu para financiar os seus projetos fora da F1 (e que está agora a alugar), existe um enorme otimismo sobre o futuro. Desde 2018 que a equipa soma mais pontos por temporada, traduzindo-se em prémios cada vez mais volumosos e o fim do jejum de vitória (com o triunfo de Daniel Ricciardo no GP de Itália 2021). Faltam ainda ver os resultados que virão com algumas das medidas que só estarão completadas no próximo ano, como o novo túnel de vento.

Lando Norris já garantiu o seu lugar como ponta de lança da McLaren até ao final de 2025, um marcar de posição crucial contra Ricciardo. O último até pode ter triunfado em Monza, mas no quadro geral de 2021 foi esmigalhado por Norris. Com o chefe da McLaren, Zak Brown, muito entusiasmado com o seu pupilo de IndyCar (Pato O’Ward) e o novo piloto de testes (Colton Herta), Ricciardo terá que fazer muito mais este ano para se aguentar. Um aparente relacionamento mais harmonioso com Norris parece já estar a ocorrer. Agora falta conseguir lutar de igual para igual com um piloto cada vez mais cobiçado pelas grandes equipas.

Pilotos, com todo o respeito, parecem ser o maior ponto de interrogação da Aston Martin. Com contrato a terminar no final de 2022, o quadri-campeão do mundo Sebastian Vettel tem deixado muitos avisos sobre a possibilidade de terminar a carreira. Dificilmente são palavras de guerreiro. Do outro lado da garagem? Lance Stroll, batido por todos os seus colegas de equipa (com exceção de Sergey Sirtokin), mas com um lugar vitalício por conta do pai Lawrence, dono da marca Aston.

Nem tudo é terrível para a equipa. Muito investimento e contratação de pessoal qualificado têm pautado os primeiros anos da Aston Martin na F1. Vettel e Stroll até tiveram os seus momentos em 2021, apesar dos carros difíceis de conduzir. Com o projeto do AMR22 a centrar-se numa filosofia bem diferente da Mercedes, resta ver que futuro para uma equipa que tem vindo a acumular tantos patrocinadores que até já tem dois principais (com a sigla “Aston Martin Aramco Cognizant F1 Team”).

Por último há que referir a italiana AlphaTauri. Há uma sensação no ar pelo paddock de que a equipa B da Red Bull tem um bom projeto em mãos (algo que tem sido comum nos últimos anos), com linhas bem agressivas na carroçaria. Aquilo que poderá fazer pender a balança para o lado certo será ter contribuições mais equitativas entre ambos os pilotos.

Pierre Gasly está há dois anos num nível muito elevado de pilotagem e nada faz prever que isso se altere em 2022, até porque há a sensação no ar de que um lugar na Red Bull poderá estar disponível para o próximo ano. As performances do francês foram uma das grandes razões para que Yuki Tsunoda tenha tido um ano de estreia tão difícil na F1. Para esta temporada, ele sabe que terá que mostrar muito mais do que mostrara na F2, porque o programa de jovens da Red Bull está mais preenchido que nunca…

A fuga ao 10º lugar

Há dois anos que a Haas não tem dado qualquer importância ao carro do seu ano presente para gastar todos os seus recursos no regulamento de 2022. Tudo isto torna ainda mais desapontante que tenha sido a equipa americana a terminar os 6 dias de pré-época com menos voltas totais completadas, quase metade do que a Ferrari fez (409 contra 788).

A verdade é que foram duas semanas recentes que foram muito difíceis para a Haas a todos os níveis. A invasão russa à Ucrânia e correspondentes sanções destruiram por completo os planos de longo prazo da equipa, com o seu patrocinador e piloto da Rússia. Nikita Mazepin nunca foi muito popular (nem na equipa nem na F1), pelo que a sua saída ficou presa por meras questões financeiras. Quando Gene Haas disse que não existiam riscos financeiros, tornou-se fácil de imaginar a saída de Mazepin para a entrada de um piloto com algum dinheiro mas mais qualidade, que acabou por ser Kevin Magnussen.

Outra enorme dificuldade foi o atraso, fora do seu controlo, dos aviões que eram suposto transportar o material da equipa para Sakhir (que os forçou a perder a primeira metade do primeiro dia).

Quando os Haas tomaram a pista, no entanto, alguns laivos de esperança foram sentidos. Magnussen liderou o segundo dia de testes no Bahrain, já na hora extra que a equipa recebeu (para compensar o meio-dia perdido). Mick Schumacher tratou de ficar em 2º lugar no terceiro dia. O esforço de dois anos de desenvolvimento aparenta não ter sido para nada, portanto. O VF-22 parece ter ritmo, ainda que não fiabilidade completa. Onde a equipa está na ordem geral parece muito difícil de prever, mas o último lugar não deverá ser este ano da equipa americana, para sua felicidade.

Essa desonra poderá pertencer a duas equipas que estavam na frente da Haas em 2021: Williams e Alfa Romeo.

Para a Williams, 2021 foi um ano de recuperação e de finalmente sair do 10º lugar. Nicholas Latifi é o elemento comum mas precisa de mostrar que vale mais do que todos acreditam sob pena de ser substituído por outro endinheirado no próximo ano. Já a saída de George Russell será complicada de gerir. O inglês era geralmente quem fazia a diferença (como se viu com dois Top 3 em qualificação) e um regressado Alexander Albon tem sapatos bem grandes para preencher. Para já será preciso que consigam colocar o novo carro a funcionar melhor do que fizeram nos testes de Sakhir.

A menos cotada de todas as equipas parece ser a Alfa Romeo, muito por culpa de uma percepção de que a estrutura não parece ter um rumo claro para longo prazo. A contratação de Valtteri Bottas é um bom sinal, até pelo final forte de temporada do finlandês em 2021, mas Guanyu Zhou é percebido como uma solução de curto prazo devido ao seu patrocínio (e por terem Théo Pourchaire como opção para 2023). O envolvimento da marca Alfa Romeo numa estrutura Sauber também pareceu meramente morno desde o seu início. O C42 mostrou algum ritmo nos testes de pré-temporada, só que foram muitos os problemas mecânicos nos vários dias.

Fórmula 2 – Dupla nova na Prema pode nivelar a luta pelo título

Em 5 anos de Fórmula 2, a Prema conseguiu 3 títulos de pilotos e 2 de equipas. A estatística podia dizer-nos muito mas, ao contrário de em 2021, a equipa italiana não vai correr com um elemento do ano anterior. A dupla é totalmente nova, com o campeão de F3 em título num dos carros (pelo 4º ano seguido) e um piloto experiente no outro. Dennis Hauger e Jehan Daruvala não terão vida fácil.

Na ART existe aquele que é o candidato mais óbvio: Théo Pourchaire. Dado como quase certo na Alfa Romeo F1 caso seja campeão, Pourchaire (vice de F3 em 2020) tem um enorme talento e 1 ano de F2 já debaixo da sua asa. O colega, Frederik Vesti está a estrear-se depois de uma campanha de F3 que deixou algo a desejar.

A estrutura com a dupla mais forte aparenta ser a Carlin. Liam Lawson possui uma carreira repleta de vice-campeonatos (F4 Alemã, Australiana e, mais recentemente, DTM), a confiança da Red Bull e um bom primeiro campeonato de F2. Logan Sargeant recuperou com tenacidade a sua carreira quando ficou sem dinheiro para prosseguir e impressionou a Williams, que o colocou no seu programa de jovens. Ambos deram boa conta do recado nos testes de pré-temporada e serão fortes candidatos.

Daqui para baixo será mais complicado. Jack Doohan vem de uma excelente temporada de F3 com a Trident e assinou agora com a competente Virtuosi, mas pode não ser candidato já este ano. Os pilotos da Hitech ainda não convenceram o paddock. A MP é um pouco inconstante, apesar da qualidade de Felipe Drugovich (regressado) e de Clément Novalak (estreante) serem incontestáveis.

Fórmula 3 – Trident tenta segurar a coroa

Como é hábito, metade da grelha da Fórmula 3 parte para 2022 como completos estreantes, alguns deles inclusive nas principais equipas. É este o caso das duas primeiras colocadas de 2021, a Trident e a Prema. Os primeiros alinham com Zane Maloney (que impressionou no seu teste de pré-temporada), com Jonny Edgar (do programa de jovens Red Bull) e Roman Staněk. Os segundos alinham com Oliver Bearman (recente adição da academia Ferrari), Jak Crawford (Red Bull) e mantêm Arthur Leclerc (irmão de Charles e jovem Ferrari na sua segunda temporada de F3).

À partida, qualquer um destes lineups sólidos poderão trazer o campeão que sucederá a Dennis Hauger, mas existem algumas exceções.

Primeiro, um dos pilotos mais impressionantes do ano passado, Victor Martins, que mudou da MP para a ART e tem o apoio da Alpine. Zak O’Sullivan faz a sua estreia pela Carlin (que possui muito menos competitividade que na F2), integrando o programa da Williams após ter vencido o prémio BRDC. E Isack Hadjar, mais um jovem Red Bull, espantou todos ao liderar dois dias de testes com a Hitech.

Será mais um ano de grandes lutas na F3, com direito à entrada da Van Amersfoort na F2 e F3 por substituição da HWA, que nunca pareceu ter encontrado uma boa base de trabalho.