Red Bull sem rivais – GP Espanha 2023

4 06 2023

Foram várias as décadas de ver o Grande Prémio de Espanha ser seguido pelo do Mónaco, pelo que 2023 a trazer uma inversão dessa ordem foi de difícil habituação para o paddock. A alteração teve a ver com a acomodação do maior calendário da história da categoria, e a chegada a Barcelona este ano também trouxe um regresso: a eliminação da muito odiada chicane final, regressando à configuração de curva rápida.

Apenas esta alteração já foi uma excelente notícia para um traçado que geralmente recebe os testes de pré-temporada (ainda que não o tenha feito este ano), mas combinado com o novo perfil da La Caixa isto tornou o circuito novamente um dos mais fluídos do calendário. E é também um dos mais representativos do desempenho da temporada: quem faz boa figura em Barcelona, faz boa figura na maioria dos locais.

A F1 e o MotoGP têm utilizado a pista sem interrupção desde os anos 90, beneficiando enormemente da competitividade dos espanhóis nessas categorias. Se Marc Márquez e Jorge Lorenzo fazem o seu papel no MotoGP, na F1 foi a Alonso-mania dos 2000’s e 2010’s que sustentou a presença do GP de Espanha. Com Sainz na Ferrari e Alonso em grande forma, sabia-se que esta edição não seria exceção.

Ronda 7 – Grande Prémio de Espanha 2023

As suspeitas eram fortes de que Max Verstappen sairia de Barcelona com mais 25 pontos. Não foi isso que aconteceu. O holandês saiu com 26 pontos, a vitória, a pole position, a volta mais rápida e a liderança de todas as voltas. Posto isto de parte, atrás dele o fim-de-semana teve uma dinâmica extremamente interessante.

A Ferrari e a McLaren tiveram um excelente nível de qualificação (com Carlos Sainz em 2º e Lando Norris em 3º) mas caíram a pique em ritmo de prova. Sainz fez o possível para chegar em 5º, enquanto que Norris fez um erro grosseiro na partida que o atirou para os últimos lugares.

Já a Mercedes, apesar de um desentendimento entre os seus pilotos durante a qualificação, terá gostado de ver o que as suas atualizações lhe deram em performance. Lewis Hamilton foi o mais direto perseguidor de Verstappen (ainda que a 21 segundos) e George Russell recuperou de 11º a 3º para o primeiro pódio do ano (e arrastando consigo Sergio Pérez, que voltou a não ir ao Q3 e parece cada vez mais longe de lutar pelo título).

A Aston Martin pareceu ter um ritmo mais fraco que nas outras pistas do ano, ainda que Lance Stroll tenha finalmente mostrado o seu talento, conseguindo lutar dentro dos lugares pontuáveis. Fernando Alonso teve uma incursão na gravilha em qualificação e danificou o fundo do AMR23, obrigando-o a partir mais abaixo do usual e a ter que lutar até 7º. O ritmo do espanhol de certeza que o poderia ter feito passar Stroll, mas ele fez questão de dizer à equipa que não o faria, estando já a acenar à multidão na volta final. De certa forma, humilhou o colega mais que se o tivesse ultrapassado…

Yuki Tsunoda voltou a mostrar excelente ritmo, sendo que uma penalização estranhamente severa o tenha atirado para fora dos pontos com 5 segundos de penalizações. Os beneficiados foram Guanyu Zhou (que eclipsou por completo o colega de equipa) e os dois Alpine, que depois de se qualificarem bem foram caindo durante a prova (com direito a uma defesa demasiado agressiva de Esteban Ocon a Alonso e a duas penalizações diferentes a Pierre Gasly por bloquear rivais em qualificação).

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Qualificação: 1. Verstappen \ 2. Sainz \ 3. Norris \ 4. Hamilton \ 5. Stroll (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Hamilton \ 3. Russell \ 4. Pérez \ 5. Sainz \ 6. Stroll \ 7. Alonso \ 8. Ocon \ 9. Zhou \ 10. Gasly (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (170) \ 2. Pérez (117) \ 3. Alonso (99) \ 4. Hamilton (87) \ 5. Russell (65) —– 1. Red Bull (287) \ 2. Mercedes (152) \ 3. Aston Martin (134) \ 4. Ferrari (100) \ 5. Alpine (40)

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Corrida anterior: GP Mónaco 2023
Corrida seguinte: GP Canadá 2023

GP Espanha anterior: 2022

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Fórmula 2 (Rondas 11-12) \ Bearman entra na luta do título

Sensivelmente chegados à fase do ano em que os estreantes conseguem assumir um papel mais preponderante na temporada, Oliver Bearman mostrou aquilo de que é feito com uma pole e a vitória na feature, sendo que nem está assim tão longe ainda do líder Frederik Vesti no campeonato.

Vesti tem estado em grande forma nas últimas provas e tem demonstrado uma qualidade ainda mais importante: saber quando empregar agressividade. O dinamarquês partiu de 3º para o sprint e acabou como vencedor, e na feature começou com os compostos mais duros e conseguiu fazer uso dos macios no final para ultrapassar vários carros e chegar em 5º. O principal rival ao título (Théo Pourchaire) teve um fim-de-semana parecido, acumulando onde podia.

Victor Martins colocou-se no pódio em ambas as provas depois de uma temporada que tem sido difícil, enquanto que Enzo Fittipaldi converteu a sua boa qualificação num pódio. Já Amaury Cordeel, mesmo conseguindo pole inversa, não conseguiu fazer um único ponto em Barcelona.

De destacar ainda que o sprint deixou o caos devido à chuva com que começou, levando as equipas a terem que julgar o melhor possível o ponto de transição. Só que o Safety Car de Juan Manuel Correa acabou por facilitar.

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Qualificação: 1. Bearman \ 2. Fittipaldi \ 3. Doohan \ … \ 8. Vesti \ 9. Crawford \ 10. Cordeel

Resultado (Sprint): 1. Vesti \ 2. Pourchaire \ 3. Martins \ 4. Hauger \ 5. Doohan \ 6. Verschoor \ 7. Bearman \ 8. Iwasa (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Bearman \ 2. Fittipaldi \ 3. Martins \ 4. Iwasa \ 5. Vesti \ 6. Doohan \ 7. Pourchaire \ 8. Hauger \ 9. Leclerc \ 10. Verschoor (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Vesti (110) \ 2. Pourchaire (99) \ 3. Iwasa (82) \ 4. Bearman (70) \ 5. Hauger (57) —– 1. Prema (180) \ 2. ART (144) \ 3. DAMS (118) \ 4. MP (97) \ 5. Rodin Carlin (97)

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Corrida anterior: Mónaco 2023 \ Rondas 9-10
Corrida seguinte: Áustria 2023 \ Rondas 13-14

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Fórmula 3 (Rondas 7-8) \ Martí catapulta-se para luta do título

Com sotaque britânico, mas nacionalidade espanhola, o piloto da Campos esteve no seu elemento durante todo o fim-de-semana, fazendo pole e obtendo uma vitória imperiosa na feature. Mesmo na sprint já fez bem em conseguir recuperar 4 posições e pontuar. Tudo isto significou que é agora o mais direto perseguidor de Gabriel Bortoleto, que conseguiu dois 4º lugares que o deixam com 24 pontos de vantagem (uma almofada generosa no mundo da F3).

No sprint a vitória coube a Zak O’Sullivan, que liderou uma dobradinha de jovens Williams ao segurar os ataques de Luke Browning. Mas nem tudo foi tão simples, com vários incidentes a ditarem a entrada de vários Safety Car (como por exemplo o furo de Sebastián Montoya ou Christian Mansell depois de contacto com Gabriele Minì).

Minì, em grande nível no Mónaco, acabou por ter que penar em Barcelona por se ter qualificado em 18º. Outros pilotos em destaque, pela positivo, foram Paul Aron, muito regular e Franco Colapinto que conseguiu assumir maior consistência depois de uma temporada que nem sempre tem sido consistente.

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Qualificação: 1. Martí \ 2. Barnard \ 3. Colapinto \ … \ 10. Saucy \ 11. Browning \ 12. O’Sullivan

Resultado (Sprint): 1. O’Sullivan \ 2. Browning \ 3. Fornaroli \ 4. Bortoleto \ 5. Aron \ 6. Colapinto \ 7. Boya \ 8. Martí \ 9. Barnard \ 10. Bedrin (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Martí \ 2. Colapinto \ 3. Beganovic \ 4. Bortoleto \ 5. Aron \ 6. Boya \ 7. Montoya \ 8. O’Sullivan \ 9. Barnard \ 10. Mansell (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Bortoleto (92) \ 2. Martí (68) \ 3. Beganovic (61) \ 4. Minì (56) \ 5. Aron (54) —– 1. Prema (156) \ 2. Trident (151) \ 3. Hitech (117) \ 4. Campos (73) \ 5. MP (62)

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Corrida anterior: Mónaco 2023 \ Rondas 5-6
Corrida seguinte: Áustria 2023 \ Rondas 9-10





No limite para Verstappen e Alonso – GP Mónaco 2023

28 05 2023

Foi um processo demorado, mas o Principado do Mónaco conseguiu a sua renovação de contrato depois de negociações bem prolongadas, mantendo a segunda corrida mais antiga do calendário da Fórmula 1 segura até 2025.

Muito joga contra e a favor do Mónaco em tempos recentes. O Grade 1 de segurança da FIA, à medida que os carros têm vindo a tornarem-se mais velozes, parece cada vez mais uma piada quando adaptado a um traçado que quase não mudou desde a criação nos anos 20 (com barreiras metálicas a substituírem o anterior feno ou mesmo por vezes absolutamente nada).

A natureza travada da pista, e a consequente ausência de ultrapassagens nos domingos, têm gerado bastantes críticas relativa à sua utilização, ainda que os até os seus piores detratores concedam que poucas coisas na F1 conseguem igualar o entusiasmo gerado por uma sessão de qualificação no circuito (quando os pilotos são obrigados a negociar muros bem próximos a velocidades estonteantes).

Originalmente prevista como a 7ª prova do calendário, o Mónaco assumiu a 6ª devido ao cancelamento de última hora do GP da Emilia Romagna. Chuvas fortíssimas na região causaram cheias devastadoras que, não só afetaram as condições da pista como a população, levando a categoria a optar por não realizar a prova quando as equipas já estavam na pista (com Imola a receber a garantia de que terá o contrato estendido em 1 ano).

O cancelamento deu algumas dores de cabeça às equipas que planeavam usar a primeira prova europeia como local de estreia de novos pacotes de atualizações, uma vez que testá-las no Mónaco seria sempre de eficácia duvidosa. Não que isso tenha impedido a Mercedes, a estrutura que mais radicalmente alterou o seu projeto (especialmente nos sidepods).

Entre provas foi também anunciada a confirmação de um rumor de longa data: a Aston Martin e a Honda vão passar a estar em cooperação a partir de 2026, com os japoneses a fornecerem os britânicos. A Honda consegue assim uma equipa para se manter na F1, depois de ter “largado” a Red Bull, e a Aston Martin consegue tornar-se uma equipa de fábrica, algo que Martin Whitmarsh descreveu como a peça final do puzzle a encaixar no projeto.

Ronda 6 – Grande Prémio do Mónaco 2023

É difícil dizer quem passou mais tempo a operar no limite das capacidades dos seus carros: Max Verstappen ou Fernando Alonso.

Parece simples dizer que foi Verstappen. O piloto da Red Bull teve que lidar com uma concorrência extremamente próxima em comparação com o usual e respondeu de forma habilidosa, sempre no limite. Quando entrou no terceiro sector da sua volta de qualificação final tinha a pole position a 2 décimas de segundo. Quando a volta terminou acabou 1 décima na frente, com 3 incidentes diferentes em que roçou o muro. A definição de andar no limite.

Em corrida fez mais do mesmo, tendo que se manter sempre num ritmo elevado para segurar a liderança e de esticar para bem lá do desejável o primeiro stint em pneus médios até poder transitar para os intermédios quando a chuva caiu.

E Alonso? Teve que fazer uma tarefa muito semelhante, mas com a desvantagem de um Aston Martin que ainda não é um rival ao nível Red Bull, e com uma idade bem superior. O espanhol foi o único a não ser completamente pulverizado por Verstappen e, se tivesse tido a sorte de a Aston não ter errado ao trocar de duros para médios (em vez de intermédios) poderia ter chegado ao fim para quebrar o seu jejum de vitórias.

O menor falado sobre os colegas de equipa, melhor. Sergio Pérez destruiu a lateral esquerda do seu carro no Q1, tendo que partir de último (momento a partir do qual o fim-de-semana estava efetivamente terminado) e viu o seu carro ser levantado pelas gruas (dando aos rivais uma excelente panorâmica do chão desenhado por Adrian Newey); e Lance Stroll não saiu do Q2 quando o colega quase fez pole, ia perdendo peças logo na primeira volta, fez várias manobras suicidas e terminou a prova de fora depois de aquaplanar contra os muros.

Entre os destaques, a Alpine mostrou bom ritmo de corrida para se consolidar como 5ª força do campeonato, com Esteban Ocon em grande nível a ponto de conseguir consolidar uma posição no pódio contra concorrentes com carros bem melhores. Concorrentes como a Mercedes, que ainda não conseguiu perceber se os updates que fez surtiram o efeito desejado (Lewis Hamilton ainda considerou o carro como extremamente difícil de conduzir, quase sendo eliminado no Q2); ou como a Ferrari, que continua a misturar erros estratégicos com mau andamento (Charles Leclerc não foi avisado de que se devia desviar de Lando Norris e perdeu 3 lugares por bloqueá-lo em qualificação, e Carlos Sainz ficou furioso com uma ordem de paragem que achou tê-lo roubado da hipótese de atacar Ocon).

Coube à McLaren ser a única intrusa no Top 10, com Norris e Oscar Piastri a fazerem ótimas ultrapassagens sobre Yuki Tsunoda e roubar-lhe os pontos finais (com linguagem bem colorida do japonês pela rádio).

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Qualificação: 1. Verstappen \ 2. Alonso \ 3. Ocon \ 4. Sainz \ 5. Hamilton (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Alonso \ 3. Ocon \ 4. Hamilton \ 5. Russell \ 6. Leclerc \ 7. Gasly \ 8. Sainz \ 9. Norris \ 10. Piastri (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (144) \ 2. Pérez (105) \ 3. Alonso (93) \ 4. Hamilton (69) \ 5. Russell (50) —– 1. Red Bull (249) \ 2. Aston Martin (120) \ 3. Mercedes (119) \ 4. Ferrari (90) \ 5. Alpine (35)

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Corrida anterior: GP Miami 2023
Corrida seguinte: GP Espanha 2023

GP Mónaco anterior: 2022

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Fórmula 2 (Rondas 9-10) \ Vesti assume o ataque ao título

Depois de uma ronda de testes em Barcelona, a Fórmula 2 voltou a rodar, desta vez em Monte-Carlo.

Na sua primeira prova, Ayumu Iwasa voltou a demonstrar porque está a ser considerado como potencial futuro piloto da AlphaTauri. O japonês partiu da frente para o sprint e acabou por não largar a liderança em mais nenhuma ocasião durante a prova, sabendo gerir de forma brilhante um recomeço após Safety Car, partindo tão cedo que depressa tinha já 3 segundos de vantagem sobre o 2º classificado (Jehan Daruvala). Jak Crawford completou o pódio.

Já na segunda prova, foi protagonista o pole Frederik Vesti. Com performances boas, mas pouco notáveis nos dois últimos anos (em F3 e F2), o dinamarquês da academia Mercedes sabe que 2023 é o ano de mostrar a Toto Wolff que merece um lugar na F1 e tem aumentado o seu nível. No Mónaco foi gerindo os ataques de Théo Pourchaire com muita calma e venceu a feature, restando agora manter este nível daqui para a frente.

Pourchaire acabou a corrida a queixar-se de que era “simpático demais”, uma referência à maneira como o colega de equipa na ART, Victor Martins, o espremeu antes da primeira curva. Não que Martins tenha conseguido lucrar muito: o francês ignorou bandeiras amarelas no acidente terminal de Jack Doohan e quase atropelou um comissário, valendo-lhe um drive through que o deixou em 8º.

De destacar ainda a regularidade de Richard Verschoor e Kush Maini, que os tem catapultado para bons lugares, e para uma excelente recuperação de Dennis Hauger de 17º a 5º na prova feature.

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Qualificação: 1. Vesti \ 2. Martins \ 3. Pourchaire \ … \ 8. Daruvala \ 9. Iwasa \ 10. Hadjar

Resultado (Sprint): 1. Iwasa \ 2. Daruvala \ 3. Crawford \ 4. Verschoor \ 5. Maloney \ 6. Doohan \ 7. Martins \ 8. Pourchaire (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Vesti \ 2. Pourchaire \ 3. Maloney \ 4. Verschoor \ 5. Hauger \ 6. Maini \ 7. Staněk \ 8. Martins \ 9. Crawford \ 10. Iwasa (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Vesti (89) \ 2. Pourchaire (84) \ 3. Iwasa (69) \ 4. Maini (49) \ 5. Hauger (48) —– 1. Prema (130) \ 2. ART (108) \ 3. DAMS (103) \ 4. MP (88) \ 5. Campos (82)

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Corrida anterior: Azerbaijão 2023 \ Rondas 7-8
Corrida seguinte: Espanha 2023 \ Rondas 11-12

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Fórmula 3 (Rondas 5-6) \ Bortoleto segura liderança em dia de vitória de Minì

Quase sempre mais volátil até do que a Fórmula 3, a categoria até teve provas relativamente calmas para os seus próprios padrões.

No sprint coube a Pepe Martí dominar a seu bel-prazer, enquanto que no fim da tabela de pontuação Paul Aron teve que se defender com unhas e dentes para assegurar o último ponto contra os dois primeiros classificados da qualificação. Leonardo Fornaroli e Grégoire Saucy completaram o pódio.

Já o feature teve mais ação. Logo no início Oliver Gray tentou uma ultrapassagem sobre um colega da Carlin na Tabac, que acabou com este no muro. Sebastián Montoya impacientou-se de tal modo com uma tentativa de ultrapassagem a Caio Collet que lhe acertou na subida da colina e perdeu a asa dianteira. Depois, com alguma falta de desportivismo, cortou a chicane do porto para impedir os rivais o passassem antes da paragem nas boxes.

Na dianteira, coube a Minì vencer com alguma gestão das margens para Beganovic, tal como Aron teve que fazer para garantir um pódio face a Luke Browning.

Um 5º ou 6º lugar garantiram a Gabriel Bortoleto a manutenção da liderança do campeonato, seguido agora de Minì, Saucy, Beganovic e Aron.

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Qualificação: 1. Minì \ 2. Beganovic \ 3. Aron \ … \ 10. Fornaroli \ 11. Martí \ 12. Saucy

Resultado (Sprint): 1. Martí \ 2. Fornaroli \ 3. Saucy \ 4. Colapinto \ 5. Barnard \ 6. Bortoleto \ 7. Montoya \ 8. Browning \ 9. Collet \ 10. Aron (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Minì \ 2. Beganovic \ 3. Aron \ 4. Browning \ 5. Bortoleto \ 6. Colapinto \ 7. O’Sullivan \ 8. Barnard \ 9. Martí \ 10. Saucy (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Bortoleto (73) \ 2. Minì (56) \ 3. Saucy (47) \ 4. Beganovic (46) \ 5. Aron (38) —– 1. Trident (124) \ 2. Prema (110) \ 3. Hitech (102) \ 4. ART (54) \ 5. Campos (41)

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Corrida anterior: Austrália 2023 \ Rondas 3-4
Corrida seguinte: Espanha 2023 \ Rondas 7-8

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Fontes:
Sky Sports \ Atualizações Mercedes
The Independent \ Cancelamento de Imola
The Guardian \ Acordo Aston Martin – Honda





Trident e Jenzer dividem o topo da tabela – Testes F3

21 04 2023

Depois da semana de testes de Barcelona, a pista de Imola obteve o direito de receber os monolugares de Fórmula 3 para uma nova sessão de dois dias. O circuito italiano também será o próximo palco da F3 quando receber a ronda seguinte do campeonato em Maio.

Fórmula 3 – Dia 1

Com múltiplas simulações de qualificação durante a manhã, a tabela de tempos final acabou por ficar quase totalmente definida na tarde, ainda assim. Apesar disso, houve duas interrupções (com Jonny Edgar na gravilha e Hugh Barter na primeira curva) nesta fase, além de três adicionais da parte da tarde (Gabriel Bortoleto e Oliver Goethe; Leonardo Fornaroli na gravilha; Mari Boya na Curva 10).

O resultado foi que Nikita Bedrin liderou o dia com o tempo mais rápido para a Jenzer, seguido de Bortoleto no seu Trident.

Já fora do segundo 31, chegaram os rivais seguintes: Dino Beganovic em 3º, Gabriele Minì em 4º e Pepe Martí em 5º. O maior número de voltas do dia coube a Alejandro García com 74 voltas à volta de Imola.

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Resultado: 1. Bedrin (1m30s368) \ 2. Bortoleto (1m30s690) \ 3. Beganovic (1m31s111) \ 4. Minì (1m31s141) \ 5. Martí (1m31s166)

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Fórmula 3 – Dia 2

Apesar de um acidente de Oliver Goethe logo a abrir a sessão, o segundo dia de testes da F3 trouxe mais um duelo privado entre Bortoleto e Bedrin pelas duas primeiras posições. Desta vez coube ao brasileiro da Trident terminar na frente com um tempo muito parecido ao do russo da Jenzer no primeiro dia.

A maioria dos pilotos focaram-se em ritmo de corrida, nos momentos em que a rodagem não estava interrompida pelas paragens de bandeira vermelha constantes. Franco Colapinto conseguiu terminar em 3º, seguido de Taylor Barnard e Beganovic.

A ART terminou os dois dias como a equipa com mais voltas completadas (492), ao passo que a MP (que chegou a não ter um carro num dos dias) se ficou pelas 333 (a pior). A PHM Charouz voltou a terminar a alguma margem da penúltima classificada (também novamente a Rodin Carlin).

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Resultado: 1. Bortoleto (1m30s312) \ 2. Bedrin (1m30s416) \ 3. Colapinto (1m30s471) \ 4. Barnard (1m30s527) \ 5. Beganovic (1m30s547)

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Progresso Total

#EquipaTempoVoltas
1Trident1m30s312Bortoleto410
2Jenzer1m30s368Bedrin444
3MP1m30s471Colapinto333
4Prema1m30s547Beganovic430
5Campos1m30s596Martí412
6ART1m30s647Saucy492
7Hitech1m30s766Browning431
8Van Amersfoort1m30s791Collet413
9Rodin Carlin1m31s248Gray373
10PHM Charouz1m32s108Flörsch362
Imola \ 18-19 Abril 2023




Hitech acaba na frente – Testes F3

15 04 2023

Depois de um início de campeonato ao nível habitual da Fórmula 3, a categoria júnior juntou-se nesta pausa de 4 semanas entre provas para fazer uma sessão de testes em Barcelona (a que se seguirá na próxima semana uma nova sessão em Imola).

Fórmula 3 – Dia 1

O primeiro dos dois dias de ação em Barcelona viu um dos grandes destaques da temporada liderar as sessões da manhã e da tarde. Gabriel Bortoleto, ao volante do seu Trident, conseguiu colocar uns confortáveis (para os padrões F3) 2 décimos de segundo sobre o segundo classificado (o competente Grégoire Saucy).

A um par de centésimas de Saucy chegou Dino Beganovic, que procura deixar a sua marca na F3 deste ano. O Top 5 foi completado por Taylor Barnard em 4º e por Zak O’Sullivan em 5º. Todos os Prema mantiveram-se no Top 10, a única equipa a consegui-lo. Vale a pena destacar que Barnard foi o ponta de lança da Jenzer (com os outros dois carros em 22º e 25º).

Os dois Campos acabaram por avariar no final da reta da meta durante o período da manhã, enquanto que Roberto Faria encontrou-se com as barreiras da última curva, o que o deixou na condição de piloto com menor número de voltas completadas.

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Resultado: 1. Bortoleto (1m27s221) \ 2. Saucy (1m27s424) \ 3. Beganovic (1m27s447) \ 4. Barnard (1m27s560) \ 5. O’Sullivan (1m27s597)

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Fórmula 3 – Dia 2

Foi um ótimo segundo dia de testes para a Hitech, que viu Gabriele Minì chegar à frente da tabela classificatória com um excelente tempo durante a manhã. A equipa britânica também foi a líder de quilometragem de Barcelona, sendo a única a passar a marca das 500 voltas. Os líderes do dia anterior, a Trident, até ficaram todos no Top 5 da tarde mas os tempos já estavam bem mais altos, o que os deixou afastados na classificação geral.

Barnard até avariou logo no início da sessão mas soube recuperar bem, terminando com o seu Jenzer na 2º posição, seguido do ART de Saucy. A completar o Top 5 chegaram Paul Aron e Pepe Martí.

A ART e a Jenzer seguiram a Hitech a nível de voltas totais de ambos os dias, assim como também a nível de tempos. Similarmente, a PHM Charouz ficou em último em ambos os indicadores.

Dentro de uma semana voltará a haver ação em pista de testes de F3, desta vez em Imola.

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Resultado: 1. Minì (1m26s319) \ 2. Barnard (1m26s382) \ 3. Saucy (1m26s522) \ 4. Aron (1m26s551) \ 5. Martí (1m26s638)

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Progresso Total

#EquipaTempoVoltas
1Hitech1m26s319Minì506
2Jenzer1m26s382Barnard495
3ART1m26s522Saucy497
4Prema1m26s551Aron455
5Campos1m26s638Martí434
6MP1m26s743Boya369
7Van Amersfoort1m26s893Collet458
8Trident1m27s221Bortoleto391
9Rodin Carlin1m27s250Yeany478
10PHM Charouz1m27s812Flörsch307
Barcelona \ 13-14 Abril 2023




Mesmo com caos, Verstappen vence – GP Austrália 2023

3 04 2023

Quando há um ano a Fórmula 1 visitou a Austrália Charles Leclerc tornou-se vencedor do Grande Prémio, esticando a sua liderança de campeonato para 38 pontos sobre George Russell e vendo o campeão em título (Max Verstappen) abandonar pela segunda vez em três provas, com a correspondente preocupação com a fiabilidade da Red Bull. O resto de 2022 tratou de eliminar esta impressão, com um segundo título facilitado para Verstappen.

Com uma expectativa de algo de diferente para a prova de 2023, o Albert Park recebeu mais uma vez o circo mundial da F1 para a prova australiano, depois de ter realizado há um ano obras bastante extensivas para aumentar as possibilidades de ultrapassagem. O circuito semi-citadino tem sido a casa australiano da categoria desde 1996, quando substituiu outro circuito de características semelhantes, o de Adelaide.

Em 2023, trouxe uma novidade: contará também com corridas de Fórmula 2 e Fórmula 3, o que proporcionou a Jack Doohan a possibilidade de correr em casa. Quem também correu em casa foi Oscar Piastri na F1, apesar das dúvidas gerais sobre que género de receção receberia, tendo em conta que foi o “responsável” por correr com o popular Daniel Ricciardo da categoria.

Entre provas, chegou a notícia de um enorme reshuffle da estrutura técnica da McLaren, que retirou James Key das funções de diretor técnico.

Ronda 3 – Grande Prémio da Austrália 2023

Não é costume o GP da Austrália providenciar grandes confusões da maneira como o fez em 2023. Os treinos livres, com direito a chuva na sexta-feira à tarde, deram logo o mote. Foram múltiplas as saídas de pista que se observaram e o principal ponto de interesse acabou por chegar no sábado, quando Sergio Pérez saiu largo e ficou preso na gravilha no Q1, condenando-o a partir de último enquanto o colega de equipa, Max Verstappen, fazia pole position pela primeira vez na Austrália.

O início de corrida viu outro piloto terminar na gravilha: Charles Leclerc, num mero incidente de corrida com Lance Stroll, viu o seu mau início de campeonato conhecer o segundo abandono em três provas. O Safety Car entrou em ação e acabaria por ter de regressar algumas voltas depois para o despiste de Alexander Albon (quando o Williams circulava confortavelmente nos lugares pontuáveis), que deixou gravilha em farta no asfalto.

Acabou por se gerar uma bandeira vermelha, que travou as aspirações de George Russel (que tinha saltado para a liderança no arranque, seguido do colega de equipa) e de Carlos Sainz, devido a ambos terem parado durante o SC e terem sido apanhados desprevenidos pela paragem da prova.

Não demorou muito para, após o recomeço, Verstappen passar Lewis Hamilton, ainda que o britânico tenha feito uma prova muito competente, deixando a Mercedes com confiança no seu desempenho nas próximas corridas (mas dúvidas no que toca a fiabilidade, dada a expiração estrondosa do motor no carro de Russell).

Mais atrás lutas interessantes multiplicavam-se, com os McLaren a compensarem a sua menor performance de qualificação com o envolvimento em lutas com Yuki Tsunoda e Esteban Ocon pelos lugares pontuáveis finais, ao mesmo tempo que Carlos Sainz e Pierre Gasly se equiparavam na luta por 5º e Pérez prosseguia com implacabilidade a sua recuperação desde o último lugar.

Foi aí que chegou o incidente de Kevin Magnussen com a barreira, que fez perder um pneu e parar num sítio perigoso a muito poucas voltas do fim. Isto levou os comissários a iniciarem uma bandeira vermelha e a programarem uma nova partida para um sprint de 3 voltas. E foi aí que chegou o caos atrás dos 2 primeiros.

Sainz acertou em Alonso e atirou-o para o fim; Gasly travou tarde e no regresso à pista acabou por colidir com Ocon, acabando com o que estava a ser uma ótima prova de ambos os Alpine; Stroll saiu para a gravilha mais adiante; Logan Sargeant bloqueou os travões e eliminou-se a si e a Nyck de Vries de prova.

Nova bandeira vermelha viu grandes discussões gerarem-se entre as equipas e os comissários, com Alonso a liderar os protestos por querer uma reversão para a ordem antes da partida por ainda não ter sido completados metros suficientes até à interrupção. E assim foi. Todos os carros (menos os Alpine, de Vries e Sargeant) fizeram uma volta final atrás de SC e terminaram. Com a penalização de Sainz (com que o espanhol ficou inconformado), a ordem final ficou definida.

Verstappen venceu num dia em que Pérez limitou os estragos em 5º, Hamilton e Alonso completaram o pódio seguidos de Stroll, enquanto que a McLaren pontuou pela primeira vez no ano e conseguiu ascender a 5º no campeonato por ambos os pilotos terem pontuado. Hülkenberg fez uma sólida prova para chegar em 7º (ainda que a Haas tenha chegado a protestar a decisão de reverter a ordem, porque isso poderia ter-lhe dado 3º), enquanto que Zhou e Tsunoda pontuaram pela primeira vez no ano em 9º e 10º, respetivamente.

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Qualificação: 1. Verstappen \ 2. Russell \ 3. Hamilton \ 4. Alonso \ 5. Sainz (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Hamilton \ 3. Alonso \ 4. Stroll \ 5. Pérez \ 6. Norris \ 7. Hülkenberg \ 8. Piastri \ 9. Zhou \ 10. Tsunoda (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (69) \ 2. Pérez (54) \ 3. Alonso (45) \ 4. Hamilton (38) \ 5. Sainz (20) —– 1. Red Bull (123) \ 2. Aston Martin (65) \ 3. Mercedes (56) \ 4. Ferrari (26) \ 5. McLaren (12)

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Corrida anterior: GP Arábia Saudita 2023
Corrida seguinte: GP Azerbaijão 2023

GP Austrália anterior: 2022

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Fórmula 2 (Rondas 5-6) \ Poles seguram liderança em provas mexidas

A primeira prova australiana da F2 viu a famosa imprevisibilidade da categoria ser colocada em destaque nas duas corridas deste fim-de-semana. Pole inverso, Dennis Hauger apenas teve que se defender de um único ataque de Jak Crawford no sprint porque daí em diante apenas teve que controlar a distância para o americano. Já Kush Maini teve um caminho bem mais difícil para o pódio, tendo que lutar com unhas e dentes contra Arthur Leclerc para o conseguir.

Pingos de chuva no final da etapa complicaram a vida de quem arriscou parar para pneus de chuva, como Roman Staněk e Théo Pourchaire, mas foram vários os outros que saíram de pista. Houve ainda espaço para um SC devido a um pião do homem da casa, Jack Doohan.

Já no domingo de manhã foi a vez de outro pole rumar para a vitória: Ayumu Iwasa segurou as investidas de Pourchaire para vencer a feature e assumir a liderança do campeonato. Leclerc, por sua vez, compensou a sua perda do pódio do dia anterior com um na feature. Todos estes fizeram uso de um SC Virtual para saltar mudar de pneus (VSC criado para retirar o carro preso de Crawford, após incidente com Doohan).

Devido a acidente de Roy Nissany, o SC voltaria. O que provocou o caos de pilotos que pararam e não conseguiram evitar despistes devido a temperaturas muito baixas (com destaque para o violento embate de Enzo Fittipaldi e o despiste no recomeço de Hauger). O uso de pneus macios permitiu a Frederik Vesti passar Zane Maloney para 4º, enquanto que Juan Manuel Correa pontuou no seu ano de regresso à F2.

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Qualificação: 1. Iwasa \ 2. Pourchaire \ 3. Martins \ … \ 8. Maini \ 9. Crawford \ 10. Hauger

Resultado (Sprint): 1. Hauger \ 2. Crawford \ 3. Maini \ 4. Leclerc \ 5. Maloney \ 6. Hadjar \ 7. Bearman \ 8. Vesti (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Iwasa \ 2. Pourchaire \ 3. Leclerc \ 4. Vesti \ 5. Maloney \ 6. Daruvala \ 7. Verschoor \ 8. Doohan \ 9. Maini \ 10. Correa (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Iwasa (58) \ 2. Pourchaire (50) \ 3. Vesti (42) \ 4. Boschung (33) \ 5. Leclerc (33) —– 1. DAMS (91) \ 2. ART (67) \ 3. MP (62) \ 4. Campos (59) \ 5. Prema (45)

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Corrida anterior: Arábia Saudita 2023 \ Rondas 3-4
Corrida seguinte: Azerbaijão 2023 \ Rondas 7-8

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Fórmula 3 (Rondas 3-4) \ Bortoleto estica-se na liderança

De manhã na Austrália, e, portanto, a horas impróprias para quase todo o mundo, a F3 começou o seu caminho na Austrália.

A primeira prova, com Sebastián Montoya em pole inversa, começou com relativa calma (apesar de uma saída de pista de Oliver Goethe). Não demorou muito até que Franco Colapinto acabasse por passar o rival, altura em que o acidente de Ido Cohen ativou o SC. Depois disso, houve direito a uma excelente ultrapassagem de Zak O’Sullivan sobre Montoya para 2º.

Esta passagem acabaria por valer-lhe a vitória após a prova porque Colapinto acabou desclassificado por questões técnicas, enquanto que na Prema dois pilotos se desentendiam em pista (Dino Beganovic e Paul Aron).

No dia seguinte, o excelente Gabriel Bortoleto foi segurando diferentes níveis de pressão da parte de Grégoire Saucy para garantir uma vitória em que teve que lidar com vários reinícios atrás de SC (a maior parte devido a desatenções atrás de SC, como com Kaylen Frederick). Gabriele Minì completou o pódio, numa dia em que o vencedor da prova ampliou a sua vantagem no campeonato.

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Qualificação: 1. Bortoleto \ 2. Saucy \ 3. Minì \ … \ 10. Collet \ 11. Goethe \ 12. Montoya

Resultado (Sprint): 1. O’Sullivan \ 2. Montoya \ 3. Aron \ 4. Minì \ 5. Beganovic \ 6. Bortoleto \ 7. Fornaroli \ 8. Saucy \ 9. Mansell \ 10. Frederick (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Bortoleto \ 2. Saucy \ 3. Minì \ 4. Fornaroli \ 5. O’Sullivan \ 6. Aron \ 7. Martí \ 8. Browning \ 9. Barnard \ 10. Mansell (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Bortoleto (58) \ 2. Saucy (38) \ 3. Beganovic (28) \ 4. Minì (28) \ 5. Martí (25) —– 1. Trident (100) \ 2. Prema (70) \ 3. Hitech (54) \ 4. ART (45) \ 5. Campos (29)

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Corrida anterior: Bahrain 2023 \ Rondas 1-2
Corrida seguinte: Mónaco 2023 \ Rondas 5-6





Pódio de Alonso em início morno de campeonato – GP Bahrain 2023

6 03 2023

dário em 2011 devido a um ambiente quase revolucionário que correu o país durante a Primavera Árabe, tempo suficiente para que, ao contrário de futuras provas árabes, o Grande Prémio se tornasse um moderno clássico (ao invés de um exemplo de sportswashing como a vizinha Arábia Saudita).

O circuito foi palco de uma brilhante luta pela vitória entre Charles Leclerc e Max Verstappen em 2022, do progresso de Sergio Pérez de último a 1º em 2020, do acidente aterrorizante de Romain Grosjean no mesmo ano e do duelo Fernando Alonso / Michael Schumacher em 2006. Em suma, uma enormidade de momentos históricos já associados ao pequeno emirado.

Com poucas curvas lentas e algumas secções de média-alta velocidade bem ao gosto dos pilotos, o circuito de Sakhir tem sido a abertura de todos os anos pós-pandemia e desde 2014 que mudou o seu horário para o noturno (de modo fazer uso de fogo de artifício nas celebrações e também para melhorar um pouco o horário face aos europeus).

Ronda 1 – Grande Prémio do Bahrain 2023

Com medos generalizados do paddock sobre os níveis de domínio a que se poderia assistir neste fim-de-semana, acabou por se ter um meio-termo: longe de ser tão terrível quanto se poderia esperar, o domínio da Red Bull ainda assim viu-se mais expressado por faltar um rival claro para o combater.

Max Verstappen andou no seu melhor nível e soube colocar-se na frente de Sergio Pérez com uma naturalidade cada vez maior, e quando a Ferrari e a Mercedes permanecem incapazes de oferecer resistência o seu caminho fica ainda mais facilitado. E foi aí que entrou a Aston Martin na equação.

A Aston chegou a Sakhir com um Fernando Alonso bem motivado e um Lance Stroll ainda a recuperar de uma mão partida. Os resultados oscilaram entre o que se esperava e o que se temia: Stroll retirava várias vezes as mãos do volante durante os treinos (devido às dores) e quase eliminou o colega na primeira volta, enquanto que Alonso fazia magia com o AMR23. Alonso fez brilharetes constantes e soube fazer uma excelente ultrapassagem a Lewis Hamilton para garantir o pódio, enquanto que o Aston foi bom o suficiente que até Stroll terminou à frente de um dos Mercedes.

Mercedes e Ferrari andaram bem abaixo do esperado. Os primeiros continuam claramente uns furos abaixo da Red Bull e Ferrari, com um carro que até se viu batido pela equipa cliente, ao passo que os segundos não conseguiram ameaçar nem um pouco a Red Bull, e ainda para mais continuam sem fiabilidade para evitar ver um Charles Leclerc de ar sombrio na beira da estrada.

Melhor dos restantes foi um papel que coube a Valtteri Bottas, seguido de um Pierre Gasly que se qualificou mal mas soube fazer uso do seu Alpine para subir (ao contrário do outro lado da garagem, com Esteban Ocon a perder o fio à meada com sucessivas penalizações por cumprir mal as penalizações…) e um Alexander Albon que soube segurar os concorrentes em 10º.

Desastre completo foi a McLaren, que abandonou com problemas mecânicos Oscar Piastri e que viu Lando Norris sofrer a bom sofrer com o MCL60.

Destaque ainda para o excelente ritmo de qualificação da Haas que degenerou em corrida e para um competente Logan Sargeant, que igualou o tempo de Norris em qualificação e em corrida andou a rondar os pontos.

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Qualificação: 1. Verstappen \ 2. Pérez \ 3. Leclerc \ 4. Sainz \ 5. Alonso (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Pérez \ 3. Alonso \ 4. Sainz \ 5. Hamilton \ 6. Stroll \ 7. Russell \ 8. Bottas \ 9. Gasly \ 10. Albon (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (25) \ 2. Pérez (18) \ 3. Alonso (15) \ 4. Sainz (12) \ 5. Hamilton (10) —– 1. Red Bull (43) \ 2. Aston Martin (23) \ 3. Mercedes (16) \ 4. Ferrari (12) \ 5. Alfa Romeo (4)

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Corrida anterior: GP Abu Dhabi 2022
Corrida seguinte: GP Arábia Saudita 2023

GP Bahrain anterior: 2022

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Fórmula 2 (Rondas 1-2) \ Domínio Pourchaire, com os Campos por perto

Já se esperava ver Théo Pourchaire em grande nível no início do ano, mas dificilmente alguém estaria à espera de ver o francês com os níveis de domínio que exibiu. O francês fez pole por uns expressivos 7 décimos em qualificação, recuperou posição atrás de posição até ao 5º lugar no sprint, e controlou à vontade toda a feature.

As sobras para os rivais resumiram-se a um Ralph Boschung em bom nível (vencendo o sprint e acabando a prova principal em 2º), um bom resultado para Victor Martins em sprint e uma excelente estreia de F2 para Zane Maloney no feature. Para ajudar Boschung a completar um bom resultado Campos, Kush Maini fez uma boa estreia na categoria (ainda que pedir para não ser atacado por Boschung à equipa tenha sido um pedido tolo de se fazer).

Arthur Leclerc poderia ter feito muito mais no seu final de semana, mas fez três saídas de pista diferentes no feature, que lhe valeram um pódio perdido. Longe de um desastre total, que coube a Richard Verschoor, eliminado por Frederik Vesti (num incidente em que Roman Staněk acabou fora também).

O resultado foi uma liderança esperada de Pourchaire, mas ainda com um pelotão não muito definido atrás de si.

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Qualificação: 1. Pourchaire \ 2. Martins \ 3. Verschoor \ … \ 8. Leclerc \ 9. Staněk \ 10. Boschung

Resultado (Sprint): 1. Boschung \ 2. Hauger \ 3. Martins \ 4. Iwasa \ 5. Pourchaire \ 6. Daruvala \ 7. Maini \ 8. Fittipaldi (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Pourchaire \ 2. Boschung \ 3. Maloney \ 4. Maini \ 5. Verschoor \ 6. Leclerc \ 7. Hadjar \ 8. Iwasa \ 9. Fittipaldi \ 10. Correa (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Pourchaire (32) \ 2. Boschung (28) \ 3. Maloney (15) \ 4. Maini (14) \ 5. Verschoor (11) —– 1. Campos (42) \ 2. ART (38) \ 3. Rodin Carlin (18) \ 4. DAMS (17) \ 5. Van Amersfoort (12)

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Corrida anterior: Abu Dhabi 2022 \ Rondas 27-28
Corrida seguinte: Arábia Saudita 2020 \ Rondas 3-4

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Fórmula 3 (Rondas 1-2) \ Minì sofre rude derrota

A primeira prova de Fórmula 3 de 2023 iniciou-se com dois estreantes a qualificarem-se nas duas primeiras posições. Gabriele Minì e Gabriel Bortoleto arrecadaram a primeira linha, seguidos do líder dos testes de pré-temporada (Grégoire Saucy).

Já para o sprint a pole inversa coube a Franco Colapinto, ladeado por Pepe Martí. Com ambos a lutarem ao longo da prova inteira pelo triunfo, acabou por ser Martí fez uma ótima ultrapassagem a Colapinto no final da corrida, segurando depois a pressão do argentino.

Mais atrás houve direito a dois Safety Car, primeiro para o pião de Luke Browning (na confusão da partida) e para o incidente entre Bortoleto e Rafael Villagómez, e ainda outro para a confusão do outro recomeço. Na disputa do 4º lugar, os Prema de Dino Beganovic e Paul Aron tiveram que suar para conseguir segurar os ataques de Oliver Goethe da Trident.

No dia da feature a sorte não sorriu ao homem da pole, com uma penalização de 5 segundos que tramou por completo Minì devido a um SC nas voltas finais, que o atirou para fora de uma liderança pela qual tivera que lutar com unhas e dentes. Isto entregou a vitória final a Bortoleto. Oliver Goethe chegou em segundo e Dino Beganovic completou o pódio.

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Qualificação: 1. Minì \ 2. Bortoleto \ 3. Saucy \ … \ 10. Collet \ 11. Martí \ 12. Colapinto

Resultado (Sprint): 1. Martí \ 2. Colapinto \ 3. Collet \ 4. Beganovic \ 5. Aron \ 6. Goethe \ 7. Saucy \ 8. Fornaroli \ 9. Edgar \ 10. Montoya (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Bortoleto \ 2. Goethe \ 3. Beganovic \ 4. Saucy \ 5. Browning \ 6. Martí \ 7. Frederick \ 8.Minì \ 9. Montoya \ 10. Colapinto (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Bortoleto (26) \ 2. Goethe (23) \ 3. Beganovic (22) \ 4. Martí (19) \ 5. Saucy (16) —– 1. Trident (52) \ 2. Prema (28) \ 3. ART (22) \ 4. Campos (19) \ 5. Hitech (19)

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Corrida anterior: Itália 2022 \ Rondas 17-18
Corrida seguinte: Austrália 2023 \ Rondas 3-4





Red Bull na frente nos testes, mas essa é a única certeza

28 02 2023

2022 tinha prometido muito, mas a verdade é que uma temporada na qual apenas uma equipa fora do Top 3 consegue um único pódio dificilmente pode ser classificada como uma época entusiasmante. Para este ano as expectativas serão de uma aproximação das rivais aos eternos líderes, mas será essa uma expectativa razoável?

A temporada chega numa altura em que Mohammed ben Sulayem dá um passo atrás no seu envolvimento (excessivo) na categoria, e em que a FIA procura atingir um novo equilíbrio no seu relacionamento com a FOM.

Falando da FIA, esta criou várias alterações nos regulamentos desportivos, com testagem de novos pneus de chuva a partir de Imola, menos restrições de rádio, modificações a circuitos e zonas de DRS, ajustes no teto orçamental e acesso facilitado para auditorias da FIA.

Mudanças na Ferrari terão sido no timing certo?

A única coisa mais impressionante do que a maneira como a Ferrari abriu 2022 com uma sequência de ótimos resultados foi seguida de uma ainda mais impressionante hecatombe de resultados, em que vitórias desperdiçadas por motivos de estratégia deram lugar a vitórias desperdiçadas por entretanto o carro italiano já não ser o mais competitivo do pelotão.

Há mérito da Red Bull neste quesito, com uma eficiência diabólica, mas a sensação geral de oportunidade desperdiçada (e recusa em assumir erros) fez Frédéric Vasseur assumir os comandos da Scuderia. A retirada de um líder italiano pela entrada de um francês é notória e acarreta consigo a possibilidade de um começo de fresco. Mas, mesmo não sendo particularmente justo, Vasseur não conseguirá segurar o lugar se o trabalho que até Dezembro era de Mattia Binotto não der resultados concretos…

E no meio de tudo está uma Mercedes desejosa de conseguir voltar a assumir o protagonismo no campeonato.

Os testes de pré-temporada, para já, pintam um quadro bem risonho para a Red Bull. A AMuS noticia o motivo desta vantagem como a capacidade do RB19 em conseguir correr bem mais perto do chão que as rivais, o que deixa Max Verstappen numa posição bem confortável para tentar chegar a um tricampeonato (Sergio Pérez deverá manter-se como plano de contingência, com Daniel Ricciardo a observar tudo bem de perto no seu papel de piloto de testes).

Para a Mercedes vê-se uma performance bem mais consistente que a de 2022, ainda que com bem menores problemas de porpoising. Só que crê-se que o verdadeiro potencial do carro só será descoberto com atualizações em Baku nos monolugares de Lewis Hamilton e George Russell. Já a Ferrari pareceu difícil de localizar, com alguns acertos de setup a serem necessários para conseguir estabelecer a performance de um carro que parece fiável e rápido, mas uns furos abaixo do Red Bull.

Trabalho difícil para Charles Leclerc e Carlos Sainz, portanto.

Harmonia difícil na Alpine

Já é piada recorrente do paddock referir que a estrutura da Alpine corre já em vários planos de 5 anos. Apesar de se ter integrado em 2016 com promessas de competitividade em 5 anos, a Renault avisou logo que o primeiro ano não contava (o projeto era pouco mais que um fraco Lotus). Depois chegou Daniel Ricciardo e o tal plano começaria aí (2019). Ricciardo saiu, Fernando Alonso entrou e o nome mudou para a Alpine, e os franceses insistiram que queriam ser tratados como nova equipa e novo projeto de 5 anos (em 2021).

Agora, com a saída de Alonso, a conversa parece ter feito um novo reset. Contas feitas, a Alpine está no 8º ano de projeto como equipa de fábrica, mas a insistir que é uma jovem equipa promissora.

As trapalhadas com a situação contratual de Oscar Piastri, de facto, pareceram de novatos. Sabe-se lá como, Otmar Szafnauer conseguiu manter o seu posto na liderança da equipa. Nem tudo foi um desastre na verdade: o 4º lugar à frente da McLaren nunca pareceu excessivamente em perigo e Pierre Gasly é um ótimo prémio de consolação para substituir Alonso (com Esteban Ocon no outro lado da garagem). Até os abandonos de 2022 têm um ponto positivo, dado que as restrições de alterações à unidade de potência não se aplicam a motivos de fiabilidade.

2023 tem que ser o ano em que a mais fraca das equipas de fábrica consegue bem melhor do que fazer apenas um terço dos pontos da Mercedes. Os testes não conseguiram revelar quase nada. O carro esteve sempre entre os mais lentos das sessões, ainda que se acredite que terão sido das equipas que mais escondeu o jogo.

Os britânicos

Duas das maiores construtoras britânicas, mas que na F1 compram os seus motores à Mercedes, têm um problema muito semelhante: a estagnação dos seus resultados e como invertê-la.

As escalas são diferentes, claro. A McLaren terminou em 3º lugar m 2020, 4º em 2021 e 5º em 2022. O único pódio fora das 3 primeiras equipas até pertenceu aos britânicos, mas a tendência decrescente é difícil de disputar. Pelo segundo ano seguido, queixam-se de o projeto inicial ainda não estar bem ao gosto da estrutura, uma falha que já tem solução à vista para o próximo ano, quando o túnel de vento novo estará finalmente em ação.

O facto de Zak Brown já ter vindo a púlico referir que o MCL60 está abaixo dos indicadores de performance desejados pela própria equipa parecem indicar que será um início de ano doloroso para Woking. Uma situação que deverá frustrar Lando Norris e aliviar Oscar Piastri (ao colocar menos pressão por cima dos seus ombros).

Já a Aston Martin começou 2022 com um ritmo absolutamente catastrófico, mas ganhou muitos pontos de consideração da parte dos rivais pela maneira como a equipa técnica de Dan Fallows soube encurtar a distância para os lugares pontuáveis em tão curto espaço de tempo. A verdade é que já foram 2 dos 5 anos da estreia dos britânicos, e dois 7º lugares em 10 equipas são o saldo da estrutura. O facto de esta queda ocorrer com Lance Stroll blindado a um dos monolugares não tem passado despercebido.

Mas a verdade é que o lado da garagem de onde se espera o melhor em pista é no de Fernando Alonso, que provocou o caos na Alpine para fazer uma derradeira e arriscada manobra de bastidores, em busca do seu 3º título mundial. A gestão emocional do piloto dará grandes dores de cabeça à equipa, mas a boa forma contínua dele será uma boa compensação.

Sem ninguém contar com isso, a Aston foi um dos grandes destaques dos testes. Isto tanto pelo facto de Felipe Drugovich ter tido que substituir Lance Stroll (lesão), como pelo facto de o AMR23 ter mostrado um ritmo muito interessante, que até leva alguns analistas a considerá-los ao nível dos Mercedes.

Quem nada tem a perder

Com uma temporada bem difícil para a pequena estrutura italiana, a AlphaTauri saiu bem feliz dos 3 dias de testes. Sem a grande referência de Gasly, caberá ao conjunto de Yuki Tsunoda e Nyck de Vries conseguirem fazer uso de um AT04 mais competitivo e que terminou o seu tempo no Bahrain como o que mais quilómetros acumulou. Isto numa altura em que a Red Bull tem estado a ponderar vender a equipa ou relocalizá-la.

Tsunoda e de Vries terão boas oportunidades para mostrar serviço em 2023, oportunidades essas que precisarão de concretizar de modo a afastarem a ameaça da intromissão da enorme quantidade de jovens Red Bull que desponta na F2.

Quem não tem quase nada a provar é a dupla da Haas. Nico Hülkenberg e Kevin Magnussen já abandonaram a categoria antes e não estarão excessivamente preocupados em voltar a fazê-lo se a equipa americana lhes criar problemas. Como dupla competente que aparenta ser vista de fora, esta estará sempre dependente do nível de desenvolvimento ao longo do ano que o VF-23 será capaz de demonstrar.

A outra cliente Ferrari, a Alfa Romeo, está num momento de transição bem curioso: a Alfa em si abandonará no final do ano e não possui nenhum poder de decisão, para passar posteriormente a controlo Audi. Isto significa que Valtteri Bottas e Guanyu Zhou terão que mostrar serviço de forma bem evidente para provar ao novo chefe, Andreas Seidl, que merecem continuar ao volante quando os manda-chuvas passarem para o lado alemão.

As boas notícias são que a performance do mais recente produto de Hinwill chegou a liderar um dos dias de testes (com várias condicionantes, claro) e que pareceu disposta a permitir aos seus pilotos puxar por ele.

Isto deixa apenas a Williams, que despediu a sua chefia nos meses iniciais deste ano depois de ter voltado a terminar em última no campeonato, tendo agora de se ver que género de chefia será a de James Vowles (chegado da Mercedes), que conta com um competente Alexander Albon e uma incógnita ligeira Logan Sargeant (que terá que provar que a antiga chefia acertou em algo, com a sua escolha).

F2 – Pourchaire permanece, mas não terá vida fácil

2023 chega para a Fórmula 2 com um piloto que tem mais do que o favoritismo, tem também a obrigação de ser campeão. Théo Pourchaire foi capaz de ótimas performances em 2022 mas foi errático em diversos momentos e terminou num vice-campeonato manifestamente insuficiente para obter um assento de F1 na Alfa Romeo. A decisão de mais uma temporada de F2 poderá ser arriscada, até se se vir batido por um estreante à semelhança de Robert Shwartzmann em 2021.

Ao lado de Pourchaire está o campeão de F3 de 2022, Victor Martins, o que confere à ART possivelmente a melhor dupla da grelha deste ano.

Ainda assim, existe espaço para surpresas nas restantes estruturas. Hitech e Carlin apostam em duplas inteiramente pertencentes à Red Bull (que está representada por uns estonteantes 6 pilotos na F2), que poderão estar em grande nível (com especial destaque para um Isack Hadjar deserto de poder vingar o título de F3 perdido).

Apesar de apenas se ter estreado em 2022 apenas, a Van Amersfoort surpreendeu durante os testes deste ano com Richard Verschoor a liderar a tabela de tempos. Já a contratação, mais sentimental que racional, de Juan Manuel Correa poderá não trazer os frutos esperados. Já a permanência do bem-cotado Jack Doohan na Virtuosi percebe-se por um lado, ainda que provavelmente seja demasiado piloto para a estrutura em que está (e definitivamente muito mais do que o novo colega Amaury Cordeel conseguirá lidar…).

F3 – Testes deixam Saucy como favorito

Com a tradicional saída de mais de metade da grelha ao final do ano (quer para F2 ou para a obscuridade), a Fórmula 3 mais uma vez contou com a renovação das suas fileiras com alguns dos mais promissores jovens talentos das categorias de base. Falamos de pilotos cujas performances deverão impressionar, como Dino Beganovic da academia Ferrari, Nikola Tsolov da academia Alpine ou Sebastián Montoya da academia Red Bull.

Mas não se pense que o “perigo” não poderá vir dos pilotos que andam no seu segundo ano de categoria. Grégoire Saucy que o diga, tendo dominado os testes de pré-temporada de Fevereiro no seu ART, depois de um falso arranque na temporada de 2022. Franco Colapinto, que melhorou da estreante Van Amersfoort para a competente MP, também terá uma palavra a dizer agora que integra a academia Williams (tal como Zak O’Sullivan).

Para pilotos nas equipas do fundo da grelha, o objetivo é simples: mostrar serviço para que as Prema e Trident da vida os contratem para 2024. Neste quesito vale a pena manter a atenção em homens como Roberto Faria, Oliver Gray ou Taylor Barnard.





Estreantes em forma – Testes F3

23 09 2022

Com o fim da temporada de Fórmula 3 a ter sido realizado em Monza, é agora tempo de as equipas se começarem a preparar para escolher os seus pilotos novos. Como vários deles são provenientes de categorias logo a seguir aos karts, estas escolhas geralmente vêem o grid mudar a cara quase por completo, com promoções de equipas inferiores para as de topo e com novidades na quase totalidade das estruturas.

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Dia 1

Se era esperado que alguns dos pilotos que já tivessem completado uma temporada de F3 estivessem a liderar no primeiro dia, ninguém informou Gabriele Minì. A competir na Fórmula Regional, o italiano pegou num Hitech e liderou a sessão com 2 décimas de segundo sobre o americano Kaylen Frederick (que trocou a Hitech pela ART para este teste).

Algumas mudanças importantes de equipa ocorreram (pelo menos para os testes) com Zak O’Sullivan a chegar 4º com a Prema (depois de ter estado na Carlin), Reece Ushijima em 5º com a Hitech (anteriormente na Van Amersfoort), Jonny Edgar em 9º com a MP (depois de estar na Trident) e Franco Colapinto em 16º com a MP (anterior Van Amersfoort).

Pep Martí manteve-se com a Campos e ficou em 3º, enquanto que o rookie sensação do final do ano passado (Sebastián Montoya) aliou-se à Hitech para chegar dentro do Top 10. Frederick e Minì provocaram bandeiras vermelhas na manhã, enquanto que de tarde as honras couberam a Roberto Faria, Emerson Fittipaldi Jr e Alessandro Famularo.

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Resultado: 1. Minì (1m30s500) \ 2. Frederick (1m30s736) \ 3. Martí (1m30s957) \ 4. O’Sullivan (1m31s147) \ 5. Ushijima (1m31s182)

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Dia 2

Repetindo a situação do dia anterior, o comando da tabela de tempos foi assumido por um piloto estreante. Desta vez a honra coube a Gabriel Bortoleto a testar pela Trident, e também com alguma margem sobre os adversários (apesar de ter provocado uma bandeira vermelha quando saiu em frente na Curva 10).

Acompanhando-o no Top 5 chegaram, tal como no primeiro dia, Martí, Frederick e O’Sullivan. Martí destacou-se por alguma margem dos seus colegas da Campos, enquanto que Frederick parece querer confirmar o seu favoritismo na ART (depois de um ano em que andou longe daquilo que seria de esperar) e O’Sullivan confirmou a boa forma que dele se esperava com melhor equipamento.

Taylor Barnard arrastou o seu Jenzer até ao 10º posto mas também provocou mais de metade das bandeiras vermelhas do dia. Não por acaso, foi o piloto que menos voltas fez (38). Com mais voltas chegou Nicola Marinangeli (97). A Charouz, de Marinangeli, mudou 2 dos 3 lugares para manter a sua tradição da temporada 2022 de estar sempre a trocar pilotos (sendo acompanhada nas mudanças neste teste pela Carlin e Van Amersfoort).

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Resultado: 1. Bortoleto (1m29s554) \ 2. Martí (1m29s927) \ 3. O’Sullivan (1m30s025) \ 4. Frederick (1m30s040) \ 5. Goethe (1m30s046)

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Dia 3

Se é verdade que a manhã do terceiro dia até foi condicionada por constantes treinos de paragens nas boxes, a tarde compensou ao não ter uma única interrupção de bandeira vermelha. Tempo mais do que suficiente para Colapinto terminar na frente da tabela de tempos, seguido de bem perto por Goethe. Os outros suspeitos do costume (Bortoleto, Minì e Martí) acompanharam-nos no Top 5.

Barnard voltou a mostrar muito melhor ritmo que os colegas da Jenzer, ainda que mais uma vez com poucas voltas (a Jenzer acabou os três dias com um número consideravelmente mais pequeno de voltas que as rivais), e a Prema voltou a mostrar grande consistência no ritmo dos seus três carros.

O resultado final destas sessões é que a Trident e a MP terminaram como as mais rápidas estruturas (com a segunda a também ser a que mais voltas completou), seguidas de uma Campos bem dependente do ritmo de Martí e de uma Hitech em que Minì promete. No geral, as 6 primeiras equipas são as mesmas, com a Carlin e a Charouz com sérios problemas de ritmo.

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Resultado: 1. Colapinto (1m29s617) \ 2. Goethe (1m29s660) \ 3. Bortoleto (1m29s690) \ 4. Minì (1m29s930) \ 5. Martí (1m30s103)

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Progresso Total

#EquipaTempoVoltas
1Trident1m29s554Bortoleto586
2MP1m29s617Colapinto732
3Campos1m29s927Martí639
4Hitech1m29s930Minì619
5Prema1m30s025O’Sullivan690
6ART1m30s040Frederick678
7Jenzer1m30s164Barnard496
8Van Amersfoort1m30s417Villagómez701
9Carlin1m30s647Granfors648
10Charouz1m30s946Famularo678
Jerez \ 21-23 Setembro 2022





Top 5 – Fórmula 3 em 2022

18 09 2022

Se a Fórmula 2 teve um ano de standards de performance menos elevados que o habitual, a Fórmula 3 mais do que compensou: foram vários os momentos altos do ano, com performances brilhantes de alguns dos protagonistas jovens ao volante.

Sem o título de equipas pela primeira vez, a Prema lançou um ataque total ao título de equipas em 2022 e conseguiu recuperar à Trident o campeonato. Só que desta vez faltou o título de pilotos, alcançado por Victor Martins da ART, que voltou a ficar um pouco para trás em 3º das equipas devido ao menor número de pontos alcançado por Juan Manuel Correa.

Enquanto que a MP e a Hitech continuaram a estabelecer-se como sólidas equipas do meio da tabela, a Charouz, que entrara brevemente no Top 5 em 2021, teve um rude golpe em 2022 ao terminar o ano com um único ponto conquistado. A equipa checa tinha terminado o ano passado a depender por completo dos brilharetes de Logan Sargeant e, sem ele, acabaram 2022 com uma autêntica porta giratória de pilotos e quase nada para mostrar.

Já a estreante Van Amersfoort não teve problemas em entrar no pelotão do meio, conseguindo até vitórias (cortesia de Franco Colapinto). Claramente, estabeleceram-se muito melhor do que a antecessora HWA Racelab. Destaque ainda para o par de pódios somados pela Carlin, que a retiraram do fundo da tabela.

Para além dos protagonistas, a F3 trouxe um ano de desilusões para certos pilotos. Arthur Leclerc terá sido o caso mais óbvio, com o monegasco a ser a cara mais visível da academia de jovens da Ferrari e com um apelido que já carrega algum peso. Leclerc partiu para esta temporada como um dos pesos pesados na luta pelo título. Só que uma boa parte do ano foi passado com o paddock de sobrolho franzido, como se as performances do monegasco estivessem sempre em risco de dar para o torto.

Mesmo nos momentos de adversidade, no entanto, a velocidade pura de Leclerc sobresaía. Nas mesmas corridas em que uma má qualificação o forçava a sair de 12º para baixo, o piloto da ART habituou-se a fazer mais de 10 ultrapassagens a caminho dos lugares pontuáveis. Este esforço conseguiu mantê-lo a uma distância respeitável da frente do campeonato, mas nunca em posição de fazer uma campanha eficaz.

Outros pilotos também não deram o salto necessário para o nível que necessitariam. Roman Staněk esteve sempre nos lugares da frente mas nunca pareceu capaz de um fim-de-semana de performance absoluta. Caio Collet foi muito pouco consistente ao longo do ano. Idem para Alexander Smolyar. Grégoire Saucy deixou a desejar para alguém que pilotava um ART.

Mas como vamos ver, houve cinco pilotos que fizeram mais do que o suficiente para se destacar.

1 – Victor Martins

Um dos grandes destaques da temporada de 2021, Victor Martins optou por permanecer na Fórmula 3 em vez de subir sem o almejado título como muitos outros pilotos fazem rumo à Fórmula 2. O objetivo era claro: ser campeão e não deixar margens para dúvidas.

Só que as corridas de 2022 não foram tão simples quanto seria de prever. Apesar da sua inegável qualidade, também houve momentos em que Martins pareceu cometer erros menos próprios e teve um rival de peso sob a forma de Hadjar.

Mas o fim-de-semana final do ano mostrou bem porque o francês mereceu o título. Enquanto Hadjar não conseguiu recuperar do seu grande erro de Monza, Martins soube recuperar do contacto com Leclerc e somar um ponto que lhe foi bem valioso para a feature.

Se é certo que não pôde ter o ano de consagração inquestionável que muitos acreditavam que teria, também é verdade que foi claramente o piloto mais competitivo de 2022.

2 – Isack Hadjar

A melhor prova de que Isack Hadjar foi a grande figura de 2022 na F3 foi que o consultor da Red Bull, Helmut Marko, assegurou que o francês estaria na F2 em 2023 mesmo antes de sequer ser claro se o homem da Hitech iria sair da temporada como o campeão.

Logo na primeira corrida do ano, o sprint do Bahrain, Hadjar saiu vencedor mesmo neste seu ano de estreia na competição. Daí para a frente houve alguns dias menos conseguidos como qualquer rookie de F3 descobre, mas o verdadeiramente impressionante foi o quão depressa o piloto começou a ter grande regularidade nos seus resultados.

A única razão que não figura no topo desta tabela (e na do campeonato) foi o seu grande erro de 2022: o despiste na crucial qualificação de Monza, quando era imperativo “marcar” Martins. A frustração do francês era evidente, mas à partida não terá ficado demasiado mal na fotografia para Helmut Marko.

3 – Zane Maloney

Geralmente habituado a ter que ouvir o hino norte-americano quando triunfava, por os organizadores não terem o do seu país de Barbados em stock, Zane Maloney habituou o público de F3 a escutar o hino do país das Caraíbas em 2022.

Com uma sólida carreira de categorias inferiores até ao momento, Maloney sofreu dos mesmos problemas que os outros rookies em conseguir ganhar balanço no campeonato, com 6 não-pontuações em 9 tentativas. Mas depois veio o primeiro pódio do ano e a partir daí tudo mudou. Chegou a primeira vitória do ano em Spa, com a particularidade de ter sido uma feature. Tal como todas as outras vitórias do ano. Em contraste com o início, o fim do ano viu-o triunfar 3 vezes em 5 corridas.

O vice-campeonato acabou por conseguir dar uma imagem de brilhantismo que talvez o seu início de campeonato faça parecer desadequada, no entanto é inegável que a adaptação de Maloney à F3, uma vez conseguida, foi total. Resta ver se será “coleccionado” por alguma academia de jovens pilotos, uma vez que ainda não está afiliado.

4 – Oliver Bearman

Era evidente que, no meio da confusão que sucedeu à conclusão antecipada da feature de Monza, havia um piloto a terminar o ano com desilusão bem patente no rosto. Oliver Bearman passou muito perto de repetir uma façanha já realizada por outros pilotos de F3 e vencer o campeonato à primeira tentativa. Caso o tivesse feito teria sido sem dúvida merecido, mas a sorte não o ajudou.

Assim como também não ajudaram os dois fins-de-semanas a zeros que teve em Imola e Zandvoort. Foram demasiado num ano em que Martins e Hadjar se afirmaram pela velocidade pura e constante de que fizeram uso.

Mas após a pausa de Verão, terá sido dos mais eficazes pilotos do campeonato. A primeira vitória do ano chegou em Spa, assim como um pódio duplo de enorme qualidade em Monza.

Campeão de F4 Italiana e Alemã em 2021, Bearman deverá dar o salto para a F2 em 2023, onde procurará obter o título que lhe escapou neste ano.

5 – Franco Colapinto

Um dos pilotos com um currículo mais interessante de todos, Franco Colapinto não se limitou a trilhar o caminho dos monolugares (ainda que um título de F4 Espanhola ateste que não se saiu nada mal) antes da sua vinda para a F3. Em 2020 e 2021, Colapinto aventurou-se pelos campeonatos de endurance com resultados bem satisfatórios (incluíndo uma vitória em Paul Ricard na Le Mans Series Europeia) que o argentino esperava darem-lhe vantagens face à concorrência da F3.

Integrado na estreante equipa Van Amersfoort, o piloto ia precisar de todos os trunfos possíveis para evitar os resultados do fundo da grelha. Rapidamente deu para perceber que não haviam motivos para preocupação. Pontos no primeiro fim-de-semana em Sakhir e uma vitória no sprint do segundo em Imola foram o seu cartão de visita para o paddock.

Daí em diante os resultados foram mais mistos mas, nestes altos e baixos, os altos foram bastante elevados com mais 2 pódios a meio do ano.

A impressão do paddock foi muito favorável face a Colapinto. Resta agora ver o que conseguirá num segundo ano na categoria, numa das estruturas mais capazes.





É só esperar – GP Itália 2022

11 09 2022

Há poucas provas capazes de evocar a história da Fórmula 1 tão bem quanto o GP de Itália em Monza. O “templo da velocidade” continua a fazer jus ao seu nome, sem que tenha tido de sacrificar a sua natureza com as inevitáveis mudanças por segurança (pese embora já não haver qualquer utilização da oval que atravessa a floresta, cuja estrutura apenas serve agora como atração turística).

Composta por grandes retas intercaladas por sequências de travagens a fundo para curvas lentas, Monza está no seu nível de dificuldade mais elevado quando está em piso molhado (que o diga Sebastian Vettel, que venceu pela primeira vez nessas condições em 2008) mas tem sido em piso seco que se tem assistido à consagração de pilotos da Ferrari no terreno caseiro da equipa. Schumacher, Alonso e Leclerc são alguns dos exemplos.

Esta trata-se da segunda prova do ano em território italiano, agora que o circuito de Imola também desponta no calendário (com a curiosidade que a única vez em que o GP de Itália não foi em Monza foi justamente em Imola) como GP da Emilia Romagna. Com a Ferrari em alta, as expectativas dos fãs da casa seria para uma vitória Ferrari, ainda que as caraterísticas da pista devessem beneficiar os rivais Red Bull.

Algumas semanas antes do Grande Prémio ficou-se a saber que Antonio Giovinazzi, afastado há um ano da F1, regressaria com uma sessão de treinos livres em Monza pela Haas (e outra em Austin). Esta notícia reavivou os rumores de que o italiano poderá estar nas contas da Haas para substituir Mick Schumacher em 2023 como piloto oficial. Também Nyck de Vries competiu no primeiro treino livre pela Aston Martin, antes de ir para a qualificação com a Williams (Alexander Albon teve uma apendicite).

Destaque ainda para o anúncio da Red Bull e Porsche sobre não terem conseguido chegar a acordo para 2026, abandonando negociações. A equipa austríaca não aceitou a ideia dos alemães de controlarem 50% da estrutura, ficando agora no ar a ideia de um eventual acordo para o regresso da Honda (enquanto que para a Porsche resta tentar acordos com outra equipa ou com uma entrada nova, em aliança com a Andretti).

Yuki Tsunoda partiu para Monza sabendo que iria perder 10 lugares na grelha devido à situação de remoção indevida de cintos em Zandvoort. Mas não estava sozinho. Lewis Hamilton e Valtteri Bottas acompanharam-no no fim, para além de penalizações múltiplas para os Haas e Carlos Sainz, além de 10 lugares para Sergio Pérez e 5 para Max Verstappen.

Ronda 16 – Grande Prémio de Itália 2022

Com a Ferrari a apresentar-se em casa com uma nova pintura de celebração de 75 anos, os tiffosi estavam muito esperançados numa vitória caseira para complementar a celebração e a equipa deu o seu melhor para corresponder.

Em qualificação sabiam ter a vantagem de ambos os Red Bull irem ser penalizados, mas havia o desejo de os bater em pista. E foi isso que Charles Leclerc conseguiu, por umas décimas de segundo e depois de ter visto Carlos Sainz à sua frente a maior parte do fim-de-semana. A Mercedes, ameaçadora nas corridas anteriores, deu um recuo a olhos vistos em Monza.

A chuva de penalizações pós-qualificação levou a que se passassem horas sem que as equipas ou pilotos soubessem de onde partiriam. Quando os resultados finalmente saíram via-se o caos total: George Russell que se qualificara em 6º acompanharia Leclerc na primeira linha, seguidos dos dois McLaren, Pierre Gasly e Fernando Alonso.

Vale a pena destacar a performance do estreante Nyck de Vries, primeiro piloto a guiar por duas equipas num GP desde Harald Ertl no GP de Itália 1978, que bateu um cada vez mais apertado colega de equipa Nicholas Latifi. Com as mudanças na grelha, garantiu um 8º lugar.

Se isto parecia estar a alinhar as coisas para uma corrida promissora, a verdade é que até acabou por se desenrolar sem grande ação. Com uma certa inevitabilidade, Verstappen não demorou nada a despachar os carros mais lentos e a colocar-se diretamente atrás de Leclerc. A Ferrari procurou aproveitar um SC Virtual provocado por Sebastian Vettel a ficar sem travões para parar, mas ele terminou antes do fim do pitstop e deixou Leclerc preso a uma estratégia de duas paragens (que provou ser a errada).

Verstappen cruzou a linha em 1º lugar pela quinta vez seguida, ainda sob SC devido ao abandono de Daniel Ricciardo. O australiano vinha a fazer uma corrida competente até o motor morrer e deixar os comissários com a estranha decisão de não declarar bandeira vermelha para ainda haverem algumas voltas de corrida. Hamilton, Wolff e companhia agradeceram a oportunidade para lamber as feridas de Abu Dhabi…

A Mercedes viu Russell terminar bem mais longe dos dois primeiros que na corrida anterior, mas Hamilton também conseguiu recuperar bem posições, na frente de um Sergio Pérez que teve que gerir os seus travões estarem com vontade de pegar fogo.

Alonso teria minimizado os estragos para uma McLaren em boa forma mas abandonou com um problema eletrónico. Já Pierre Gasly soube acompanhar o ritmo de Norris de perto, mesmo na frente de Nyck de Vries. O holandês foi votado piloto do dia e ficou cheio de dores nos ombros, mas deve ter acabado de garantir a consideração da Williams para o lugar de Latifi em 2023 ao segurar um comboio de carros encabeçado por Zhou para o melhor resultado do ano para a equipa.

Agora sobra a Verstappen esperar para quando poderá acumular o segundo título. Pode ser já em Singapura (improvável) mas não deverá passar do Japão, daqui a um mês. Entretanto, faltam 6 corridas e com apenas mais 2 vitórias o piloto igualará o recorde de vitórias numa só temporada que pertence a Michael Schumacher (2004) e Sebastian Vettel (2013).

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Qualificação: 1. Leclerc \ 2. Russell \ 3. Norris \ 4. Ricciardo \ 5. Gasly (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Leclerc \ 3. Russell \ 4. Sainz \ 5. Hamilton \ 6. Pérez \ 7. Norris \ 8. Gasly \ 9. de Vries \ 10. Zhou (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (335) \ 2. Leclerc (219) \ 3. Pérez (210) \ 4. Russell (203) \ 5. Sainz (187) —– 1. Red Bull (545) \ 2. Ferrari (406) \ 3. Mercedes (371) \ 4. Alpine (125) \ 5. McLaren (107)

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Corrida anterior: GP Holanda 2022
Corrida seguinte: GP Singapura 2022

GP Itália anterior: 2021

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Fórmula 2 (Rondas 25-26) \ Nada pára o título de Drugovich

Sem um piloto suspenso, a DAMS anunciou o regresso do experiente Luca Ghiotto à F2 para Monza, enquanto os olhos de todos se focavam na possibilidade de Felipe Drugovich despachar o campeonato logo no sprint. Sem dúvida que tudo conspirava nesse sentido. Ayumu Iwasa perdeu o controlo na Parabolica e terminou a qualificação mais cedo para todos, o que foi ótimo para Drugovich (já que Théo Pourchaire estava fora do Top 10).

Mesmo uma penalização de 5 lugares por ignorar bandeiras amarelas não afetava muito o líder do campeonato. O que afetou foi ter feito contacto com um Van Amersfoort logo na primeira volta, sendo eliminado de prova. Forçado a ver a corrida das boxes, Drugovich não precisava de se preocupar: Pourchaire não estava nos seus dias e acabou fora dos pontos. O título merecido caiu no colo do piloto brasileiro, que ainda não tem nada firmado para a F1.

A ultrapassagem de Jüri Vips ao pole position inverso, Frederik Vesti, provou ser fulcral para lhe assegurar o triunfo, enquanto que Jehan Daruvala conseguiu um pódio (ao qual não ia há algum tempo).

A prova feature, com pilotos já sem nada a perder, foi um caos total. Pourchaire foi eliminado por Boschung, com o inocente Ghiotto também apanhado. Já o pole position Jack Doohan partiu mal (depois de já quase não ter saído na volta de formação) e acabou envolvido num incidente terminal com Logan Sargeant. O SC veio à pista, enquanto que Hauger era penalizado por a Prema não lhe ter montado os pneus antes do aviso dos 3 minutos. Teria que voltar à pista para um despiste de Calan Williams.

O resto da prova viu alguns invulgares stop and go (para Vips por incidente com Lawson e para Armstrong por exceder a velocidade no pitlane), mas acabou por ser relativamente calmo, com a vitória a cair para Jehan Daruvala, acompanhado de Vesti e Iwasa no pódio. Na Van Amersfoort houve uma desobediência de ordens de equipa da parte de David Beckmann.

ATUALIZAÇÃO 12/09: Iwasa foi desclassificado por motivos técnicos.

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Qualificação: 1. Doohan \ 2. Lawson \ 3. Armstrong \ … \ 8. Vips \ 9. Sargeant \ 10. Vesti

Resultado (Sprint): 1. Vips \ 2. Vesti \ 3. Daruvala \ 4. Sargeant \ 5. Verschoor \ 6. Lawson \ 7. Doohan \ 8. Beckmann (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Daruvala \ 2. Vesti \ 3. Fittipaldi \ 4. Hauger \ 5. Beckmann \ 6. Drugovich \ 7. Cordeel \ 8. Novalak \ 9. Verschoor \ 10. Vips (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Drugovich (241) \ 2. Pourchaire (164) \ 3. Sargeant (135) \ 4. Doohan (126) \ 5. Daruvala (126) —– 1. MP (281) \ 2. ART (281) \ 3. Carlin (258) \ 4. Prema (224) \ 5. Hitech (201)

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Corrida anterior: Holanda 2022 \ Rondas 23-24
Corrida seguinte: Abu Dhabi 2022 \ Rondas 27-28

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Fórmula 3 (Rondas 17-18) \ Corrida interrompida deixa campeão incerto durante largos minutos

Com a porta giratória do Charouz número 15 em pleno funcionamento (Alessandro Famularo assumiu os comandos para Monza), a Fórmula 3 só tinha olhos para a disputa pelo título que seria resolvida nestas últimas corridas. Muito cotado pelo paddock, Isack Hadjar implodiu por completo em qualificação, quando puxou demasiado e perdeu o controlo na Parabolica. O resultado foi partir de 16º e ficar arredado do título.

No sprint até parecia que Victor Martins confirmaria a sua liderança no campeonato, mas o francês envolveu-se num acidente com Arthur Leclerc na partida que deixou ambos nos lugares pontuáveis finais. Isto deixou Franco Colapinto na frente mas a ter que gerir muito bem as distâncias para um Oliver Bearman em grande forma.

Mas foi na corrida feature que as grandes atrações se viram. Desta vez Martins manteve a sua cabeça fria e o seu carro fora de incidentes. Zane Maloney despachou o pole position Alexander Smolyar no começo mas, após um período breve de Safety Car, recomeçou demasiado cedo e caiu para 3º. Martins aproveitou oara assumir a liderança. Só que Maloney reagiu e recuperou a liderança, sendo seguido de perto por Bearman. Em 3º, Martins ainda tinha o título, até porque William Alatalo em 4º estava a segurar o pelotão.

Um despiste de Kush Maini mudou a prova. Colhido pelo inocente Brad Benavides, ambos abandonaram e geraram um SC que se transformou em bandeira vermelha, que por sua vez se transformou numa prova terminada mais cedo. E depois chegou o anúncio de que Martins teria 5 segundos de penalização por exceder limites de pista. Reinava a tensão na ART, enquanto se esperavam confirmações de resultado (e título) durante largos minutos. Afinal, haviam mais pilotos penalizados, incluíndo Alatalo: Martins era na mesma 4º e portanto campeão de F3.

Maloney e Bearman fizeram excelentes finais de época que por pouco não lhes deram o título. Já Leclerc e Hadjar pareceram diminuir de forma nestas rondas finais. À Prema coube o título de equipas, que nuna pareceu estar em dúvida.

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Qualificação: 1. Smolyar \ 2. Maloney \ 3. Staněk \ … \ 10. Martí \ 11. Collet \ 12. Colapinto

Resultado (Sprint): 1. Colapinto \ 2. Bearman \ 3. Collet \ 4. Maloney \ 5. Edgar \ 6. Saucy \ 7. Crawford \ 8. Leclerc \ 9. Martí \ 10. Martins (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Maloney \ 2. Bearman \ 3. Crawford \ 4. Martins \ 5. Leclerc \ 6. Staněk \ 7. Alatalo \ 8. Edgar \ 9. Hadjar \ 10. Ushijima (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Martins (139) \ 2. Maloney (134) \ 3. Bearman (132) \ 4. Hadjar (123) \ 5. Staněk (117) —– 1. Prema (355) \ 2. Trident (301) \ 3. ART (208) \ 4. MP (195) \ 5. Hitech (150)

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Corrida anterior: Holanda 2022 \ Rondas 15-16
Corrida seguinte: Bahrain 2023 \ Rondas 1-2

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Fontes:
F1 \ Giovinazzi testa com Haas