A consagração de Vandoorne – e-Prix Seul 2022

14 08 2022

Com uma indústria automóvel em franco desenvolvimento, a Coreia do Sul há muito que tem sido um destino de grande interesse para as categorias de automobilismo mundial, sem nunca se ter tornado possível conseguir o desenvolvimento eficaz de uma prova digna do seu nome. Houve uma primeira tentativa com a construção da pista de Yeongam na F1 há vários anos, mas quanto menos for dito sobre a experiência melhor.

Para a Fórmula E a experiência teria que ser diferente. Assim, Alejandro Agag assinou em 2018 um acordo para a realização de uma prova na capital do país. A escolha recaiu para o complexo de Jamsil, através do Estádio Olímpico com 19 curvas no total. Fazendo uso de uma pista temporária já explorada para a pista da Race of Champions, o circuito teria uma mistura de curvas apertadas e fortes travagens no interior do estádio.

A estreia original durante a temporada de 2021 foi adiada perante as necessidades de manter a categoria em território europeu, para fazer face às dificuldades provocadas pela pandemia, o que levou o circuito a fazer a sua estreia na FE este ano (e logo como ronda final do campeonato).

Para a prova coreana foram anunciadas duas mudanças de pilotos: a substituição de Sam Bird por Norman Nato na Jaguar, fruto da mão partida do britânico; e a contratação de Lucas di Grassi para 2023 na Mahindra ao lado de Oliver Rowland.

Ronda 15 – e-Prix de Seul (1) 2022

Com hipóteses bem reduzidas de título, a única hipótese de Mitch Evans para pelo menos atrasar a decisão até à derradeira prova era conseguir triunfar nesta primeira corrida coreana. E foi precisamente isso que conseguiu. Apesar de não ter conseguido pole position (perdeu a meia-final), Evans fez o seu Jaguar partir melhor que os da primeira fila da grelha, passando primeiro Oliver Rowland e depois Lucas di Grassi para assumir uma liderança que não voltou a largar.

Esta tarefa foi dificultada por uma carga de água que se abateu sobre Seul e levou a que 6 carros fossem violentamente contra o muro na primeira volta (com direito a Nyck de Vries ficar preso debaixo de um carro). Nick Cassidy e Norman Nato ainda conseguiram regressar à pista depois destes incidentes (que provocaram a bandeira vermelha) mas os restantes não.

Nestas condições já tinha Rowland conseguido horas antes a pole. Apesar de não ter conseguido segurar Evans, o britânico fez um ótimo trabalho para garantir um pódio Mahindra. Só não foi uma pontuação dupla porque Alexander Sims, que vinha a recuperar de 22º até 9º, acidentou-se nas derradeiras voltas.

Ficaram apenas a sobrar dois candidatos ao título após esta prova porque Edoardo Mortara teve um sábado para esquecer, sendo penalizado por movimentos excessivos na sua defesa de posição, e Jean-Éric Vergne não conseguiu pontos suficientes para evitar ver as suas chances caírem por água abaixo.

Destaque ainda para mais uma prova sólida de Jake Dennis pela Andretti em 4º e para Vandoorne não arriscar em demasia e chegar em 5º.

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Qualificação: 1. Rowland \ 2. di Grassi \ 3. Evans \ 4. Wehrlein \ 5. Dennis (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Evans \ 2. Rowland \ 3. di Grassi \ 4. Dennis \ 5. Vandoorne \ 6. Vergne \ 7. Wehrlein \ 8. Frijns \ 9. Félix da Costa \ 10. Cassidy (Ver melhores momentos)

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Ronda 16 – e-Prix de Seul (2) 2022

Não era preciso quase nada para Vandoorne ser consagrado como campeão do mundo, mas a não-qualificação de Evans para os quartos-de-final praticamente assegurou o resultado antes da prova sequer começar. Vandoorne fez uma prova segura, sem nunca arriscar e terminou em 2º. Já Evans teve que fazer uma recuperação até 7º, insuficiente para evitar um merecido título duplo pelo segundo ano seguido para a equipa Mercedes.

A corrida em si foi vencida por Edoardo Mortara com autoridade. O suíço passou o pole Félix da Costa nas primeiras voltas e nunca mais foi verdadeiramente ameaçado pelos rivais atrás de si, dando à Venturi uma vitória na sua última corrida como marca (será substituída pela Maserati na próxima temporada). Dennis foi quem se seguiu em pista mas terminou apenas em 3º, devido a uma penalização de 5 segundos pelo incidente com Félix da Costa (que atirou o português para fora dos pontos, donde recuperou até 10º).

Para completar um ótimo final de temporada, Oliver Askew conseguiu um Top 5 bastante celebrado por si, que o poderá levar a ser mantido na estrutura Andretti (que mostrou grande competência neste ano sem apoio oficial da BMW). Atrás dele chegou Vergne, demonstrando a falta de algo de especial da Techeetah para caçar o título deste ano.

Nick Cassidy e Sébastien Buemi serão colegas de equipa na Envision em 2023, e terminaram em 8º e 9º respetivamente. Destaue ainda para a substituição de Antonio Giovinazzi por Sacha Fenestraz na Dragon Penske por lesão do primeiro na primeira prova.

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Qualificação: 1. Félix da Costa \ 2. Mortara \ 3. Dennis \ 4. Vandoorne \ 5. Frijns (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Mortara \ 2. Vandoorne \ 3. Dennis \ 4. Frijns \ 5. Askew \ 6. Vergne \ 7. Evans \ 8. Cassidy \ 9. Buemi \ 10. Félix da Costa (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Vandoorne (213) \ 2. Evans (180) \ 3. Mortara (169) \ 4. Vergne (144) \ 5. di Grassi (126) —– 1. Mercedes (319) \ 2. Venturi (295) \ 3. DS Techeetah (266) \ 4. Jaguar (231) \ 5. Envision (194)

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Corrida anterior: e-Prix Londres 2022

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Fontes:
Autosport \ Mahindra assina di Grassi
FE \ Nato substitui Bird
Racing Circuits \ Seul
The Race \ Giovinazzi fora da última corrida





Alonso faz xeque-mate à Alpine

7 08 2022

Havia no ar a ideia de que Fernando Alonso estava determinado em permanecer na Fórmula 1 para além deste ano, e de que estaria disposto a aceitar quase todas as opções disponíveis para esse propósito. Ainda assim, ninguém estaria à espera de que o piloto fosse anunciado na Aston Martin meros 2 dias após se saber que a vaga estava livre por abandono de Sebastian Vettel.

Vale a pena recordar que este plano de Alonso parecia não estar em efeito há uns meros 2 anos. Na altura, Alonso guiava pela Toyota em Le Mans, fazia participações de Dakar pelos japoneses, e almejava ainda continuar a tentar vencer as 500 milhas de Indianápolis para terminar a Tríplice Coroa.

Os mais próximos ao piloto parecem concordar que o espanhol não tinha feitio para tratar esta incursão noutras categorias como algo mais que um pequeno divertimento de pausa.

O que terá mudado para o regresso deste Alonso com olhos apenas para a F1? O que pretende o espanhol conquistar ainda numa categoria em que, no fundo, já conquistou o que havia a conquistar?

Rejeitado pelas grandes equipas: como se chegou aqui?

Em anos recentes, sempre que uma vaga abre num das equipas do topo da F1, é certo e garantido que surgem rumores de que Flavio Briatore (ainda manager do piloto) andou em conversas com a estrutura. Sempre para ser rejeitado.

Os motivos prendem-se com o historial do espanhol. Tendo despontado e brilhado na F1 muito cedo na carreira ao serviço da Renault, as boas decisões de carreira de Alonso terminaram no mesmo ano em que abandonou os franceses como bicampeão em título. A ida para a McLaren foi um desastre de guerras internas com Lewis Hamilton, deixando-o de regresso à Renault por 2 anos apenas para marcar passo até chegar uma oferta melhor.

Esta oferta chegou sob a forma de um lugar na Ferrari. Os tempos em Maranello começaram com chave de ouro (vitória logo no primeiro GP) mas terminaram com muitas recriminações mútuas, fruto de 3 vice-campeonatos em 5 anos. Batendo com a porta, Alonso julgou que a sua salvação residia na nova aliança entre McLaren e Honda. Não foi.

Foram 4 anos de muitas lutas no fundo da tabela, com fraca velocidade de ponta, muitos comentários feios e mais e mais frustrações. Sair da F1 na altura foi uma decisão fácil.

Assim como 2 anos depois, quando a Alpine ficou órfã de Daniel Ricciardo, fez todo o sentido regressar como “salvador da pátria” para os franceses. O timing da situação parecia perfeito, indo integrar uma das equipas de fábrica numa altura em que teria como colega de equipa um jovem que deixara muito a desejar em 2020.

A estratégia de Ocon

Dando demonstrações de não ter medo da convivência com Alonso, Esteban Ocon não se distinguia muito nisto de ex-colegas do espanhol, principalmente o último jovem que o enfrentara sem sucesso (Stoffel Vandoorne).

Só que Ocon era um jovem com outro temperamento. O francês estreara-se pela terrível Manor em 2016 (mas com o estatuto de jovem Mercedes) e fora o preferido face ao colega Pascal Wehrlein para integrar a Force India. Na equipa indiana conviveu com Sergio Pérez com dificuldade, chegando a acidentar-se com o mexicano com frequência suficiente para ser tema de conversa no paddock.

A compra da equipa por Lawrence Stroll atirou o francês para fora da estrutura mas este acabaria por encontrar o seu futuro a longo prazo na Alpine / Renault. Na parceria com Alonso em 2021 o espanhol até pareceu mostrar mais na maioria das provas, mas quando houve confusão em Budapeste foi Ocon quem beneficiou, somando a sua primeira vitória (muito graças ao trabalho de Alonso em bloquear Hamilton).

Alonso mostrou boa disposição ao longo de todo o ano, aceitando a situação e até beneficiando de uma pequena ajuda do colega de equipa para segurar o pódio que conquistou no Qatar.

Já para 2022, Ocon pareceu compreender que estava a jogar o futuro da sua carreira em não ser batido por um piloto de 40 anos. Recusando-se a deixar passar Alonso na Arábia Saudita sem uma luta forte, o francês preocupou a Alpine. Houve outros casos ao longo do ano mas nenhum mais forte que o da Hungria, em que a preocupação de Ocon em agressivamente tapar o colega deixou passar rivais de outras equipas.

Entretanto, a Alpine continuava a valorizar grandemente a contratação de Oscar Piastri, campeão de F2 e estrela do futuro da organização.

As necessidades da Aston Martin

Tudo isto ajuda a explicar a saída da Alpine, ainda que não totalmente a assinatura pela Aston Martin.

A decisão de Sebastian Vettel em abandonar a categoria máxima do automobilismo certamente abriu um espaço para Alonso mas também serve de aviso para o espanhol: o alemão tinha-se juntado à estrutura com o propósito de integrar um projeto de longo prazo no seu rumo à frente do grid. Precisamente o mesmo objetivo com que Alonso agora se junta à estrutura. Isto sem sequer referir o elefante na sala, que são os resultados financeiros fracos da Aston Martin e os maus resultados em pista da equipa (fruto de uma interpretação errada das novas regras). A contratação de outro campeão de F1 poderá ser uma distração grande o suficiente para os accionistas da marca britânica.

O acordo de vários anos de Alonso com a marca não só contará com um nível salarial elevado durante a sua extesão, como também conta (alegadamente) com inúmeros cláusulas que permitem ao piloto abandonar a qualquer momento.

Dado que a estrutura de Silverstone se especializara em transformar-se numa eficiente máquina de competição, batendo rivais bem mais financeiramente apetrechados, o expandir das ambições da equipa tem levado, paradoxalmente, a uma regressão na competitividade da Aston Martin. Muitos dos investimentos levados a cabo, no entanto, tenderão a fazer-se notar no longo prazo (como o novo túnel de vento). Mas é incerto se Alonso ainda poderá ser contado no seu melhor nível quando esse momento chegar.

Principalmente pela decisão de abandonar uma equipa com motor própria por uma cliente.

Como ficou a Alpine

O abandono de Alonso deixou o chefe da Alpine na F1, Otmar Szafnauer, com uma enorme dor de cabeça para enfrentar. Aparentemente, o espanhol teria assegurado o americano de que não assinara com ninguém ainda, apenas no dia anterior. Assim, Szafnauer descobriu a novidade tal como todos: através do comunicado da Aston Martin (que o próprio dirigente abandonou acrimoniosamente há alguns meses atrás).

O paddock aguardou aquilo que parecia ser uma mera formalidade, a contratação do piloto de testes Oscar Piastri, ser anunciada mas esta não foi imediata. É que Alonso esperou até ao dia 1 de Agosto para anunciar os seus planos. Exatamente um dia após o fim dos compromissos de exclusividade de Piastri para com a Alpine, caso esta não anunciasse um lugar de F1 para o australiano.

E foi nesse momento que começaram a surgir os rumores sobre um eventual pré-acordo entre Piastri e a McLaren, especulado durante os meses anteriores. A equipa francesa anunciou o piloto australiano no dia 2, mas era notória a ausência de citações do piloto. Menos de 3 horas depois, chegou a informação de Piastri que nada assinara e que não correria com a equipa em 2023.

Sendo do conhecimento geral de todos os jornalistas de F1 que Piastri tinha a data de 31 Julho como limite, tornou-se risível a inocência com que a Alpine abordou as negociações com Fernando Alonso, quando aquilo que deveria ter feito era ter apertado com o espanhol antes desse limite, de modo a dispôr de Piastri por sua própria vontade… Assim, fica apenas o toque de amadorismo e a catastrófica ausência de um plano B.





di Grassi demolidor – e-Prix Londres 2022

1 08 2022

Com um desenho único, que envolvia ter metade da pista debaixo de holofotes de um pavilhão de exposições londrino e a outra metade ao ar livre ao redor do mesmo pavilhão, o regresso do e-Prix de Londres em 2021 foi muito bem-sucedido para a Fórmula E, particularmente com dois pilotos britânicos a triunfarem nas duas corridas.

O pavilhão em questão é o ExCel, próximo ao Rio Tamisa e com uma ótima localização em termos de acesso ao aeroporto e aos transportes públicos. Certamente uma melhoria face à anterior experiência da categoria na cidade, no parque de Battersea, que foi aniquilada pela oposição da população local e por uma pista de qualidade inferior (ainda que também tenha trazido um dos momentos mais entusiasmantes na luta pelo título da segunda temporada, entre Sébastien Buemi e Lucas di Grassi).

Com Jake Dennis numa maquinaria inferior, Alex Lynn fora da FE e o sistema de qualificação menos aleatório, esperava-se que a prova de 2022 trouxesse novos vencedores no seu traçado misto.

Na semana antes da prova também foi anunciado que a regressada equipa ABT contará com unidades de potência da Mahindra para 2023.

Ronda 13 – e-Prix de Londres (1) 2022

A primeira das duas provas decisivas de Londres acabou por não ser um festival de ultrapassagens, pelo menos não para os carros da frente. Jake Dennis, bem habituado a puxar os carros da Andretti até posições que não merecem, cumpriu a sua tradição e fez a primeira pole position do ano em Londres. A vitória na final de qualificação foi conseguida às custas de Stoffel Vandoorne e o mesmo repetiu-se na corrida, com o britânico a segurar o belga durante a totalidade da prova para triunfar.

A outra história da qualificação coube a Lucas di Grassi, que foi acusado de bloquear um adversário (di Grassi protestou veementemente, ironicamente referindo que o rival tinha feito setores roxos) e caiu para a parte de trás da grelha. Ainda assim, foi um dos que recuperaram várias posições até ao 9º posto final.

Outros que também recuperaram de posições menos avançadas foram Mitch Evans (de 14º a 5º), Pascal Wehrlein (de 18º a 10º) e António Félix da Costa (de 11º a 7º).

Nyck de Vries tinha completado originalmente o pódio da corrida, mas foi penalizado por contacto com Nick Cassidy, deixando o último com esse posto.

Destaque ainda para uma excelente qualificação de Sérgio Sette Câmara que terminou em abandono, e para Oliver Askew, que evitou essa armadilha e manteve-se em 4º (um ótimo resultado conjunto com Dennis para a Andretti).

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Qualificação: 1. Dennis \ 2. Vandoorne \ 3. de Vries \ 4. Sette Câmara \ 5. Askew (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Dennis \ 2. Vandoorne \ 3. Cassidy \ 4. Askew \ 5. Evans \ 6. de Vries \ 7. Félix da Costa \ 8. Günther \ 9. di Grassi \ 10. Wehrlein (Ver melhores momentos)

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Ronda 14 – e-Prix de Londres (2) 2022

No domingo, novas dificuldades para os candidatos ao título. Depois de Vergne ter falhado os quartos-de-final no sábado, o dia seguinte viu Edoardo Mortara novamente em dificuldades, Stoffel Vandoorne de fora e Mitch Evans.

Tudo isto viu Lucas di Grassi colocar-se, sem sombra de dúvidas, na final atrás do vencedor de sábado (Jake Dennis), enquanto que Antonio Giovinazzi fez a sua primeira boa qualificação do ano e chegou às meias-finais com a Dragon Penske (ainda que um drive through por excesso de utilização de energia o tenha atirado para trás na prova).

O duelo a dois entre di Grassi e Dennis aqueceu a corrida e jogou-se principalmente entre zonas de Attack Mode. No final, foi di Grassi quem alcançou a liderança da corrida e a vitória final, redimindo-se da sua penalização de sábado. De Vries voltou a completar o pódio, desta vez legitimamente mas não sem controvérsia (recusando-se a perder mais de 7 segundos para deixar passar o colega Vandoorne para as contas do título).

Não que Vandoorne tenha ficado demasiado preocupado com o assunto. Com 58 pontos disponíveis na ronda final de Seul, o belga da Mercedes vai com 36 de vantagem e apenas um milagre para Mitch Evans, Edoardo Mortara ou Jean-Éric Vergne (que abandonou esta prova quando circulava em 4º nas voltas finais) poderam impedi-lo de ser o novo campeão do mundo.

Félix da Costa estagnou para 5º num fim-de-semana em que a DS Techeetah esteve abaixo do seu nível habitual, enquanto que Buemi garantiu que foi um fim-de-semana de pontos a dobrar para a Nissan. Destaque ainda para os primeiros pontos do ano para a Dragon Penske, cortesia de Sette Câmara.

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Qualificação: 1. Dennis \ 2. di Grassi \ 3. Giovinazzi \ 4. Félix da Costa \ 5. de Vries (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. di Grassi \ 2. Dennis \ 3. de Vries \ 4. Vandoorne \ 5. Félix da Costa \ 6. Buemi \ 7. Frijns \ 8. Bird \ 9. Sette Câmara \ 10. Wehrlein (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Vandoorne (185) \ 2. Evans (149) \ 3. Mortara (144) \ 4. Vergne (128) \ 5. Félix da Costa (116) —– 1. Mercedes (291) \ 2. Venturi (255) \ 3. DS Techeetah (244) \ 4. Jaguar (200) \ 5. Envision (172)

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Corrida anterior: e-Prix Nova Iorque 2022
Corrida seguinte: e-Prix Seul 2022

e-Prix Londres anterior: 2021

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Fontes:
Motoring World \ ABT e Mahindra chegam a acordo





Erros atrás de erros na Ferrari – GP Hungria 2022

31 07 2022

O posicionamento do Grande Prémio da Hungria como a prova final antes da pausa de Verão da Fórmula 1 tem sido bem sustentado ao longo das últimas décadas da categoria. Esta localização tem tanto de curiosa como estratégica. Numa altura em que as crispações entre Europa Ocidental e Oriental se acentuam, a história do único GP do outro lado da antiga Cortina de Ferro é uma das pistas que tem trilhado o seu percurso como um clássico da categoria.

Com um perfil apertado e de velocidades mais reduzidas, o Hungaroring é uma pista que está no seu melhor quando a chuva decide abater-se nos arredores de Budapeste. Em 2021 foi precisamente esse o grande ingrediente animador da corrida, fazendo os candidatos ao título abandonar e Esteban Ocon a triunfar pela primeira vez graças à ajuda do colega de equipa que segurou um rival mais rápido (a tal pista apertada a entrar na equação). Assim como 2006 e 2011 já tinham demonstrado antes.

Sempre presente desde a estreia em 1986, o GP da Hungria raramente está em risco nas renegociações de contrato com a FOM, um sinal claro de que a organização valoriza a presença de uma corrida que não possui um interesse estratégico aparente.

O espaço entre as duas corridas antes da pausa de Verão costuma ser pouco pródigo em novidades mas desta vez houve uma exceção. No mesmo dia em que apareceu pela primeira vez nas redes sociais com conta própria, Sebastian Vettel anunciou o seu abandono da Fórmula 1 no final deste ano, multiplicando-se as diversas entidades de F1 em homenagens (e aumentando drasticamente as especulações sobre alternativas para a Aston Martin).

Ronda 13 – Grande Prémio da Hungria 2022

Há poucas ocasiões em que a Fórmula 1 ofereça um golo livre tão óbvio quanto aquele que a Ferrari se viu confronada no GP da Hungria. O que torna quase engraçado o modo como o falharam tão completamente com erros atrás de erros.

Com problemas de motor a deixarem Max Verstappen a partir de 10º lugar apenas (e o colega Sergio Pérez a estar no lugar atrás), a Ferrari tinha a oportunidade de ouro para fazer uma dobradinha. A pole position foi falhada por Carlos Sainz, fruto de um George Russell num dia de grande inspiração, mas a corrida continuava a oferecer enormes oportunidades para a conquista da vitória.

A partida viu ambos continuarem presos atrás do Mercedes, mas era evidente que eventualmente ambos passariam. Ou seria? Charles Leclerc passou o colega nas boxes e depois começou a caçar Russell, até fazer uma grande ultrapassagem por fora na primeira curva. Parecia ser o fim da corrida, mas uma antecipação da segunda paragem de Verstappen viu o holandês passar vários rivais.

Leclerc parou e colocou, inexplicavelmente, pneus duros (que todos os pilotos tinham dificuldades em fazer funcionar). O resultado foi ver Verstappen passá-lo com facilidade (duas vezes, dado que o Red Bull fez um pião pelo meio). E depois vários outros também o fizeram, até a Ferrari desistir e pará-lo para pneus macios, o que o deixou um 6º. Também Sainz sofreu um destino semelhante, significando que a Ferrari transformou um Top 3 em qualificação numa derrota perante ambos os Red Bull com Leclerc…

Verstappen triunfou com facilidade, tendo uma segunda metade de prova tranquila, seguido outra vez de ambos os Mercedes. Lewis Hamilton fez uma ótima corrida para recuperar de uma qualificação ineficaz, enquanto que Russell fez os possíveis para se defender com unhas e dentes perante uma estratégia pouco ideal.

Falando em estratégias pouco ideais, a Alpine segurou o seu 4º lugar nos construtores mas também fez tudo para não o conseguir. A qualificação fora boa (5º e 6º) mas Esteban Ocon defendeu-se muito agressivamente de Fernando Alonso na partida, agastando Alonso e deixando Hamilton passá-los no processo. Após a primeira ronda de paragens a situação repetiu-se, com Daniel Ricciardo a também aproveitar. A juntar a isto, os carros azuis correram com pneus duros (que eram terríveis) durante grande parte da prova. Terem acabado ambos nos pontos foi um pequeno milagre.

Lando Norris foi o grande representante da McLaren em Budapeste, tendo qualificado o seu carro num ótimo 4º lugar e passando a prova em 7º sem ser ameaçado. Lance Stroll e Sebastian Vettel voltaram a digladiar-se pelo último lugar pontuável (desta vez venceu Vettel), numa acumulação de pontos que vê a Aston Martin aproximar-se duma AlphaTauri cada vez menos impressionante.

As atualizações da Haas e Alfa Romeo até foram visíveis em qualificação, só que as duas equipas pareceram perdidas em corrida.

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Qualificação: 1. Russell \ 2. Sainz \ 3. Leclerc \ 4. Norris \ 5. Ocon (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Hamilton \ 3. Russell \ 4. Sainz \ 5. Pérez \ 6. Leclerc \ 7. Norris \ 8. Alonso \ 9. Ocon \ 10. Vettel (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (258) \ 2. Leclerc (178) \ 3. Pérez (173) \ 4. Russell (158) \ 5. Sainz (156) —– 1. Red Bull (431) \ 2. Ferrari (334) \ 3. Mercedes (304) \ 4. Alpine (99) \ 5. McLaren (95)

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Corrida anterior: GP França 2022
Corrida seguinte: GP Bélgica 2022

GP Hungria anterior: 2021

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Fórmula 2 (Rondas 19-20) \ Pourchaire caça a liderança

Confirmando o seu estatuto de estrela estreante da Fórmula 2, Jack Doohan voltou a vencer na categoria com mais um sprint, especialmente notável pela maneira imperial como o fez e pelo facto de a Virtuosi não parecer das máquinas mais bem oleadas do grid. Dennis Hauger, que também deveria ter estado entre os líderes, acabou fora de combate na primeira volta.

Já Jüri Vips e Enzo Fittipaldi completaram o pódio, ao qual faltou Felipe Drugovich, que prossegue a sua estratégia de acumular lugares pontuáveis sem arrisar em demasia (se bem que a julgar pelas entrevistas pós-corrida, talvez esteja prestes a querer arriscar mais).

Continuando sem chuva, mas ameaçados pelos baixas temperaturas, o feature trouxe Drugovich com uma estratégia menos acertado, o que quis dizer um 9º lugar final. Com isto e com uma vitória magistral de Théo Pourchaire, a sua liderança do campeonato parece menos segura que nunca.

Fittipaldi segurou o pole Ayumu Iwasa, mesmo com problemas na volta final, para fazer um fim-de-semana de pódio duplo para o brasileiro. Outros pilotos com boas rondas duplas foram Vips e Vesti, com relevância para os seus campeonatos. Já Clément Novalak chegou aos 12 pontos de suspensão e faltará à prova de Spa-Francorchamps, desta vez por excessos com os limites de pista.

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Qualificação: 1. Iwasa \ 2. Armstrong \ 3. Drugovich \ … \ 8. Hauger \ 9. Fittipaldi \ 10. Doohan

Resultado (Sprint): 1. Doohan \ 2. Vips \ 3. Fittipaldi \ 4. Drugovich \ 5. Vesti \ 6. Lawson \ 7. Armstrong \ 8. Iwasa (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Pourchaire \ 2. Fittipaldi \ 3. Iwasa \ 4. Vesti \ 5. Vips \ 6. Armstrong \ 7. Lawson \ 8. Verschoor \ 9. Drugovich \ 10. Sargeant (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Drugovich (180) \ 2. Pourchaire (159) \ 3. Sargeant (119) \ 4. Fittipaldi (100) \ 5. Daruvala (94) —– 1. ART (250) \ 2. Carlin (207) \ 3. MP (206) \ 4. Hitech (164) \ 5. Prema (161)

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Corrida anterior: França 2022 \ Rondas 17-18
Corrida seguinte: Bélgica 2022 \ Rondas 21-22

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Fórmula 3 (Rondas 11-12) \ Collet e Smolyar triunfam em Budapeste

Com Hunter Yeany ainda lesionado pelo seu incidente de Spielberg, coube a Oliver Goethe assumir os comandos do Campos número 21 para o regresso da F3 em Budapeste. E que boa figura que o jovem fez. Com o seu 12º lugar em qualificação, o homem de nacionalidade complexa garantiu a pole inversa para o sprint. Até pode não ter conseguido segurar posição em prova mas permaneceu nos pontos, com o seu 8º lugar.

Numa pista molhada, foi Caio Collet quem trilhou o seu caminho melhor que os rivais para triunfar, seguido a alguma distância por Franco Colapinto no seu Van Amersfoort e por Kush Maini no seu MP. Já Isack Hadjar continua a pontuar de forma consistente mesmo quando tem provas menos bem-conseguidas (Helmut Marko já avisou que o francês estará na F2 em 2023).

O sprint terminou ainda com um incidente entre Arthur Leclerc e Jak Crawford, culpa do primeiro.

A manhã de domingo também se apresentou chuvosa para o feature, mas isso não atrapalhou o pole Alexander Smolyar nem um pouco. O russo fugiu com facilidade e deixou Zane Maloney e Oliver Bearman a lutar (com direito a um photofinish na derradeira volta).

Zak O’Sullivan qualificou-se em 22º mas fez uma incrível corrida de recuperação até ao 4º posto final, enquanto que os candidatos ao título fizeram provas algo decepcionantes para os últimos lugares pontuáveis.

Continua tudo em aberto na luta pelo título mas torna-se claro até agora que a grande figura do ano permanece Hadjar.

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Qualificação: 1. Smolyar \ 2. Maloney \ 3. Bearman \ … \ 10. Hadjar \ 11. Colapinto \ 12. Goethe

Resultado (Sprint): 1. Collet \ 2. Colapinto \ 3. Maini \ 4. Hadjar \ 5. Bearman \ 6. Martins \ 7. Saucy \ 8. Goethe \ 9. Staněk \ 10. Maloney (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Smolyar \ 2. Maloney \ 3. Bearman \ 4. O’Sullivan \ 5. Crawford \ 6. Correa \ 7. Maini \ 8. Leclerc \ 9. Collet \ 10. Martins (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Hadjar (104) \ 2. Martins (104) \ 3. Leclerc (95) \ 4. Crawford (80) \ 5. Bearman (80) —– 1. Prema (255) \ 2. ART (153) \ 3. MP (146) \ 4. Hitech (131) \ 5. Trident (129)

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Corrida anterior: Áustria 2022 \ Rondas 9-10
Corrida seguinte: Bélgica 2022 \ Rondas 13-14

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Fontes:
P300 \ Substituição Yeany na F3





Pesadelo para a Ferrari – GP França 2022

25 07 2022

À chegada a Paul Ricard este ano, o paddock de Fórmula 1 sabe que existem grandes probabilidades de estarem a assistir à última prova francesa num futuro próximo. Mesmo com 2 vencedores de Grande Prémios franceses em pista, uma equipa nacional e o apoio do Governo local, a França poderá ser ultrapassada pelas circunstâncias de uma FOM interessada em outros mercados. Ainda é incerto, uma vez que poderá ser a vizinha Bélgica quem está em maior perigo.

Um factor que poderia ajudar a uma eventual manutenção seria que o circuito fosse do agrado do paddock, o que está longe de ser verdade. Não só se trata de uma pista no meio de uma localidade secundária (com todos os efeitos negativos de mobilidade para os fãs que se podem imaginar), trata-se também de uma pista cuja principal finalidade é a realização de testes e não de corridas.

Assim, o circuito, na sua concepção atual, tem escapatórias sem qualquer gravilha e com diferentes cores que demonstram diferentes níveis de aderência para quem saia de pista. O resultado são erros de pilotos pouco castigados e vistas pouco esteticamente agradáveis para os fãs. Dificilmente os ingredientes para gerar petições de manutenção no calendário…

Paradoxalmente, o Grande Prémio foi apontado como uma das medidas do sucesso da temporada de 2021: em território Mercedes, a Red Bull conseguiu lutar pela vitória e triunfar; e foi uma corrida de grande entretenimento para os fãs.

Ronda 12 – Grande Prémio de França 2022

Com uma matemática de campeonato cada vez mais complicada para a Ferrari, fruto de vários erros estratégicos da equipa ao longo do ano, esperava-se uma continuação das duas vitórias consecutivas das provas anteriores. Em vez disso, o campeonato poderá ter apertado uma derradeira e dramática vez.

Dado que o segundo piloto da equipa, Carlos Sainz, vinha com uma penalização por troca de componentes de motor da Áustria, a equipa executou de forma brilhante um plano para dar o cone de ar no Q3 a Charles Leclerc, que valeu ao último a pole position. Para domingo via-se de forma clara uma estratégia de plano A (longe dos risíveis plano E que às vezes a equipa italiana utiliza), com Sainz a recuperar bem da última linha da grelha e Leclerc a segurar de forma competente a pressão de Max Verstappen.

Quando o Red Bull parou, foi-se toda a boa sorte da equipa para a corrida. Leclerc bateu sozinho na liderança, um erro que (nas palavras do próprio) que se o fizer o campeonato será merecidamente, tal foi o amadorismo. Isto provocou um Safety Car, de péssimo timing para Sainz. A começar nos pneus duros, isto significava que ou o espanhol fazia duas paragens ou que sofreria até ao fim nos médios. Até aqui a Ferrari falhou, lançando-o no pitlane demasiado cedo e dando-lhe 5 segundos de penalização. Depois chegou uma luta bem conseguida de Sainz contra George Russell e Sergio Pérez pelo pódio, arruinada pela decisão Ferrari de o parar.

Um fim-de-semana de pesadelo para a Scuderia.

Sem o rival pela frente, Verstappen dominou a seu bel-prazer o resto da prova, com o colega Pérez a ficar muito para trás, numa altura em que se acredita que o desenvolvimento da Red Bull voltou a pender para o estilo de condução de Verstappen. A Mercedes, com grandes esperanças em encurtar a distância para a frente, viu-se novamente em terra de ninguém. Apesar disso, os alemães fizeram o primeiro pódio duplo do ano, com Hamilton em 2º e Russell em 3º com uma ultrapassagem oportunista sobre Pérez durante o VSC.

McLaren e Alpine seguiram-se, com ambos os pilotos nos pontos, numa altura em que as equipas se digladiam pelo 4º lugar do mundial de construtores. Nesta prova foi a Alpine que levou a melhor, com Fernando Alonso na frente (que chegou a deixar aproximar Lando Norris só para queimar os pneus do britânico). Tudo isto deixou apenas um lugar pontuável, que acabou nas mãos de um competente Lance Stroll, que precisou de se defender forte e feio do colega Sebastian Vettel.

De resto, a AlphaTauri continua sem se encontrar na temporada de 2022, enquanto que Alfa Romeo e Haas tiveram fins-de-semana para esquecer.

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Qualificação: 1. Leclerc \ 2. Verstappen \ 3. Pérez \ 4. Hamilton \ 5. Norris (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Verstappen \ 2. Hamilton \ 3. Russell \ 4. Pérez \ 5. Sainz \ 6. Alonso \ 7. Norris \ 8. Ocon \ 9. Ricciardo \ 10. Stroll (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (233) \ 2. Leclerc (170) \ 3. Pérez (163) \ 4. Sainz (144) \ 5. Russell (143) —– 1. Red Bull (396) \ 2. Ferrari (314) \ 3. Mercedes (270) \ 4. Alpine (93) \ 5. McLaren (89)

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GP França anterior: 2021

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Fórmula 2 (Rondas 17-18) \ Jovens Red Bull fazem o pleno

Com alguma inconsistência ao longo desta temporada, nada pode ser apontado de errado a Liam Lawson no seu progresso na prova sprint. Tendo sido passado à partida por Marcus Armstrong, o neozelandês repassou o rival e lançou-se numa outra excelente manobra sobre Jehan Daruvala para assumir uma liderança que não voltou a largar. Já estes dois adversários acabaram a desentender-se na reta Mistral, se bem que Daruvala ainda conseguiu chegar em 2º lugar enquanto que Armstrong se envolveu em cada vez mais incidentes e caiu na classificação.

Num desses incidentes foi considerado vítima inocente, o que levou a direção de prova a penalizar Théo Pourchaire. O piloto da casa perdeu o seu pódio e, mais importante, pontos para o Felipe Drugovich.

Já para o feature quem sofreu sem culpa foi Logan Sargeant. Tendo-se estabelecido em provas recentes como o mais direto perseguidor de Drugovich, o americano confirmou as suas aspirações com uma pole, mas viu o motor morrer numa paragem nas boxes que o atirou para fora da corrida quando disputava a liderança.

A luta pelo triunfo acabou entre Ayumu Iwasa e Jack Doohan no início (com uma grande partida de Doohan), mas foi Iwasa quem se sobrepôs na disputa e começou a fugir na liderança o seu primeiro triunfo de F2. Pourchaire emendou o estrago do dia anterior e voltou ao 2º lugar do campeonato, enquanto que o outro ART de Frederik Vesti brilhou com 3º lugar na qualificação e no feature depois de zero voltas em treinos livres…

Excelentes notícias novamente para Drugovich: o brasileiro viu a sua liderança aumentar em ambas as provas, tendo percebido que pontuar e não errar são os seus melhores trunfos nesta altura do campeonato.

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Qualificação: 1. Sargeant \ 2. Iwasa \ 3. Vesti \ … \ 8. Armstrong \ 9. Lawson \ 10. Daruvala

Resultado (Sprint): 1. Lawson \ 2. Daruvala \ 3. Drugovich \ 4. Doohan \ 5. Vesti \ 6. Iwasa \ 7. Pourchaire \ 8. Sargeant (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Iwasa \ 2. Pourchaire \ 3. Vesti \ 4. Drugovich \ 5. Doohan \ 6. Lawson \ 7. Daruvala \ 8. Novalak \ 9. Nissany \ 10. Fittipaldi (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Drugovich (173) \ 2. Pourchaire (134) \ 3. Sargeant (118) \ 4. Daruvala (94) \ 5. Lawson (79) —– 1. ART (209) \ 2. MP (199) \ 3. Carlin (197) \ 4. Prema (161) \ 5. Hitech (136)

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As primeiras do ano – e-Prix Nova Iorque 2022

18 07 2022

Local de paragem obrigatória no calendário da Fórmula E desde 2017 (com a exceção de 2020, devido à pandemia), o circuito de Brooklyn foi um dos compromissos entre proximidade à famosa cidade americana e um afastamento em relação ao caótico centro da cidade.

Com outras categorias como a F1 e a IndyCar interessadas em chegar a acordo com Nova Iorque, o facto de ter sido a FE a primeira a chegar a acordo com a cidade para organizar uma corrida foi um golpe publicitário significativo para uma categoria com meros anos de existência.

O maior vencedor em terras norte-americanas é Sam Bird, que triunfou na primeira edição (em ambas as provas) e na mais recente, sendo que Maximilian Günther foi outro piloto a triunfar no circuito em 2021. Tendo em conta as recentes sortes dos dois na temporada de 2022, qualquer teria repetido a façanha de bom grado…

Ronda 11 – e-Prix de Nova Iorque (1) 2022

Se há piloto que bem pode agradecer uma sorte enorme na etapa 11 da Fórmula E, esse piloto é Nick Cassidy. Nem sempre com a sorte do seu lado este ano, o neo-zelandês da Envision brilhou na pista de Nova Iorque e conseguiu suplantar rival após rival em qualificação para fazer a sua primeira pole position do ano.

Saíndo do primeiro lugar da grelha, o piloto viu o veloz candidato ao título Stoffel Vandoorne ser ultrapassado na partida por Lucas di Grassi e Sébastien Buemi, cujos monolugares, não sendo tão velozes quanto os Mercedes, serviram de tampão ao progresso de Vandoorne e protegeram a retaguarda de Cassidy. Como se este golpe de sorte não bastasse, Cassidy, quando a chuva caiu com toda a força no final, foi um dos vários acidentados mas beneficiou de uma bandeira vermelha (sem recomeço de corrida) para manter a sua vitória (a primeira da carreira).

Di Grassi acompanhou-o no pódio, sendo o mais elevado dos Venturi devido à má qualificação do mais eficaz colega de equipa, assim como o outro Envision de Robin Frijns, visivelmente descontente por já acumular dois anos de quase-vitórias para ver o companheiro ser quem triunfa.

De cabeça no campeonato, Vandoorne acumulou uma boa quantia de pontos, já que Jean-Éric Vergne e Mitch Evans não pontuaram (vítimas das chuvas inesperadas da qualificação).

Destaque ainda para o impressionante 5º lugar de Sébastien Buemi, que manteve o Nissan em posições mais elevadas que as que realmente merecia, e para uma corrida sem problemas (por uma vez) para o Porsche de Pascal Wehrlein.

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Qualificação: 1. Cassidy \ 2. Vandoorne \ 3. di Grassi \ 4. Wehrlein \ 5. Buemi (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Cassidy \ 2. di Grassi \ 3. Frijns \ 4. Vandoorne \ 5. Buemi \ 6. Wehrlein \ 7. Bird \ 8. de Vries \ 9. Mortara \ 10. Dennis (Ver melhores momentos)

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Ronda 12 – e-Prix de Nova Iorque (2) 2022

Com sorte abundante na primeira corrida em terras americanas, Cassidy sofreu a bom sofrer na segunda corrida. Tendo atingido o feito notável de obter uma segunda pole consecutiva, o piloto da Envision recebeu (enquanto dava uma entrevista com António Félix da Costa que derrotara na final) a notícia de que a substituição de componentes no seu carro após o acidente lhe custaria ter que partir de último.

Herdando esse primeiro lugar, Félix da Costa (que abandonara no sábado) agarrou a oportunidade com ambas as mãos e venceu quase de ponta a ponta. Para isso o homem da DS Techeetah beneficiou de ter Alexander Sims a servir de bloqueio para o rápido Stoffel Vandoorne logo atrás durante boa parte da prova. Mesmo com a pressão forte nas voltas finais, o português conseguiu segurar a posição e tornar-se o primeiro piloto da equipa a vencer em 2022. Irónico, considerando que é colega de equipa dele quem luta pelo título…

Os Dragon Penske ainda se tinham qualificado muito bem (ambos no Top 10) mas foram incapazes de segurar os carros mais rápidos e caíram para fora dos pontos. Já Mitch Evans fez uma ótiuma passagem por fora nas voltas finais sobre Sims (que anunciou antes do fim-de-semana que abandonará no próximo ano a categoria para se dedicar a endurance) para garantir o 3º lugar.

As últimas voltas também trouxeram abandonos para di Grassi, Vergne e Askew.

Com isto, Vandoorne recuperou a liderança do campeonato quando faltam apenas 4 corridas para o fim, enquanto que Vergne se afastou um pouco do comboio de perseguição ao belga composto por Mortara e Evans. Para Félix da Costa e Cassidy, chegaram as primeiras vitórias do ano. Nos construtores, Mercedes, Venturi e Techeetah estão bem coladas e com hipóteses quase iguais de chegar ao título.

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Qualificação: 1. Félix da Costa \ 2. Sims \ 3. Lotterer \ 4. Sette Câmara \ 5. Vandoorne

Resultado: 1. Félix da Costa \ 2. Vandoorne \ 3. Evans \ 4. Sims \ 5. Bird \ 6. Frijns \ 7. de Vries \ 8. Dennis \ 9. Lotterer \ 10. Mortara (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Vandoorne (155) \ 2. Mortara (144) \ 3. Evans (139) \ 4. Vergne (128) \ 5. Frijns (104) —– 1. Mercedes (238) \ 2. Venturi (228) \ 3. DS Techeetah (228) \ 4. Jaguar (186) \ 5. Envision (151)

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Leclerc, 3 meses depois – GP Áustria 2022

10 07 2022

Poucos circuitos conseguiram dar uma volta à sua sorte tão drasticamente quanto o circuito de Spielberg na Áustria. Arredado dos palcos de F1 em 2003 e tendo chegado a ter o seu complexo de boxes demolido, o circuito austríaco vê-se agora numa posição basicamente inquestionável no calendário quando os seus vizinhos alemães estão sem Grande Prémio.

O grande responsável por esta mudança radical foi Dietrich Mateschitz. O CEO da Red Bull, que comprou a equipa Jaguar em 2005, criou uma das grandes equipas da história da F1 e responsável por se ouvir com frequência o hino da Áustria nos pódios da categoria. Não satisfeito, adquiriu o atual Red Bull Ring no final dos 2000’s com o objetivo de modernizá-lo extensivamente e recuperar um lugar na F1.

Regressado em 2014, depois de grandes dificuldades para iniciar as suas obras devido a queixas dos trabalhadores, o circuito é um dos que tem um tempo por volta mais curto do calendário. Nas montanhas estírias, o traçado ondula para cima e para baixo e tem curvas deceptivamente simples que já deixaram muitos pilotos em dificuldades.

Para felicidade de Mateschitz, os carros da sua marca têm tido vitórias frequentes nos últimos anos neste Grande Prémio. Este ano, o Red Bull Ring foi um dos 3 contemplados com os testes de provas sprint.

Ronda 11 – Grande Prémio da Áustria 2022

\ Q \ Norris não teve tempo de treino e sofreu com travões \ Pérez passou limites mas não foi visto a tempo e foi ao Q3 \ 3 da frente em menos de 0,1 \ Mercedes batem no Q3 \ caso de assédio na bancada

Com expectativas elevadas para um domínio caseiro, a Red Bull acabou por ter uma tarefa dificultada por uma Ferrari com excelentes níveis de gestão de desgaste dos seus pneus. A única coisa capaz de os impedir de fazer a dobradinha final, descobriu-se perto do final da corrida, seria a própria equipa falhar. E assim foi.

Na qualificação sprint Charles Leclerc e Carlos Sainz começaram a batalhar pelo 2º lugar, enquanto que Max Verstappen fugia no seu Red Bull, custando à equipa italiana a vitória. Leclerc e Verstappen avisaram ambos que tinha sido essa a razão do triunfo da Red Bull. Para a corrida urgia não repetir.

E na corrida de domingo, por uma vez, a Ferrari acertou em cheio a sua estratégia, deixando ambos os seus pilotos mais longo que Verstappen e beneficiando da ultrapassagem de Leclerc sobre o holandês. Em estratégias alternativas o resto da prova, parecia que no final daria dobradinha Ferrari à medida que Sainz ameaçava o 2º posto de Verstappen. Só que aí a velocidade do carro do espanhol estagnou, enquanto o Ferrari estoirou o seu motor com chamas que tornaram difícil a tarefa dos comissários.

Após o SC Virtual, em que Leclerc e Verstappen pararam nas boxes para pneus frescos, Leclerc começou a queixar-se do seu pedal do acelerador, que não retornava ao ponto de descanso. Forçado a conduzir à volta do problema, Leclerc acabou por gerir a sua desvantagem de forma perfeita para vencer pela primeira vez em 3 meses e recuperar alguns pontos face ao líder do campeonato.

A Mercedes, que tinha alguma esperança em que os seus updates a tivessem colocado na luta pela vitória, recebeu em Spielberg um golpe duro, ao terminar a mais de 30 segundos dos líderes. Lewis Hamilton teve um sprint atribulado em que teve que lutar mano-a-mano com Mick Schumacher; e George Russell atirou Sergio Pérez para fora da corrida na primeira volta. A juntar a isto, ambos os pilotos acidentaram-se no Q3.

Schumacher, depois de ter pontuado pela primeira vez em Silverstone, teve um ótimo fim-de-semana que terminou com o alemão em 6º e a fazer boas manobras, depois de ter ficado frustrado com a sua equipa no sprint devido a não ter sido ajudado a defender-se de Hamilton pelo colega de equipa.

A McLaren começou com um fim-de-semana para esquecer: falha mecânica de Lando Norris no primeiro treino livre e eliminação de Daniel Ricciardo no Q1. Mas o sprint serviu para puxar ambos os pilotos mais para cima e em corrida a equipa britânica pareceu ter a capacidade de andar ao nível da Haas. Um bom desenvolvimento, tendo em conta a recente boa forma da Alpine (que conseguiu colocar-se em igualdade de pontos com a McLaren, apesar dos problemas vários de Fernando Alonso a nível mecânico).

Destaque ainda para a boa forma da Williams com o seu novo carro (com Alexander Albon) pela positiva, e pela negativa, tanto os casos de assédio de fãs a mulheres nas bancadas (que valeu uma justificada nota de censura da FIA) como a má reunião entre pilotos e FIA sobre os standards de “arbitragem” que a organização e os seus comissários têm demonstrado (que levou Vettel a abandonar a reunião e a receber uma injustificada nota de censura).

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Qualificação: 1. Verstappen \ 2. Leclerc \ 3. Sainz \ 4. Russell \ 5. Ocon (Ver melhores momentos)

Sprint: 1. Verstappen \ 2. Leclerc \ 3. Sainz \ 4. Russell \ 5. Pérez \ 6. Ocon \ 7. Magnussen \ 8. Hamilton (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Leclerc \ 2. Verstappen \ 3. Hamilton \ 4. Russell \ 5. Ocon \ 6. Schumacher \ 7. Norris \ 8. Magnussen \ 9. Ricciardo \ 10. Alonso (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (208) \ 2. Leclerc (170) \ 3. Pérez (151) \ 4. Sainz (133) \ 5. Russell (128) —– 1. Red Bull (359) \ 2. Ferrari (303) \ 3. Mercedes (237) \ 4. McLaren (81) \ 5. Alpine (81)

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Corrida anterior: GP Reino Unido 2022
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GP Áustria anterior: 2021

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Fórmula 2 (Rondas 15-16) \ Caos na feature

Com Roberto Merhi de regresso à Fórmula 2 para substituir Ralph Boschung (mais uma vez, devido aos problemas de pescoço do suíço), a Fórmula 2 viu-se com inúmeros tempos eliminados em qualificação, que levaram a ordem a estar sob dúvida em diversos momentos.

Théo Pourchaire foi bem sortudo neste quesito ao terminar 12º mas a ver-se promovido a 9º, que lhe deu a primeira linha da grelha para o sprint. Neste teve que se contentar com o 2º lugar devido a uma performance dominante de Marcus Armstrong, com Jack Doohan a acompanhá-los no pódio.

Na feature o pole Frederik Vesti partiu mal e caiu para 3º, se bem que a presença de pilotos com pneus de piso seco e molhado ao mesmo tempo numa pista húmida em partes provocou o caos. Richard Verschoor foi um dos que acertou no pneu seco como escolha certa, mas foi desclassificado no final da corrida por não ter combustível suficiente, perdendo a sua vitória. Também Jehan Daruvala e Merhi perderam posições (quando haviam terminado no pódio).

Tudo isto deixou Logan Sargeant como o eventual vencedor, depois de ter escolhido pneus de chuva erradamente no início da prova. Merhi acompanhou-o no “pódio” juntamente com Enzo Fittipaldi.

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Qualificação: 1. Vesti \ 2. Vips \ 3. Sargeant \ … \ 8. Verschoor \ 9. Pourchaire \ 10. Armstrong

Resultado (Sprint): 1. Armstrong \ 2. Pourchaire \ 3. Doohan \ 4. Drugovich \ 5. Vips \ 6. Verschoor \ 7. Sargeant \ 8. Fittipaldi (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Sargeant \ 2. Fittipaldi \ 3. Merhi \ 4. Hauger \ 5. Hughes \ 6. Caldwell \ 7. Iwasa \ 8. Vips \ 9. Nissany \ 10. Lawson (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Drugovich (154) \ 2. Sargeant (115) \ 3. Pourchaire (114) \ 4. Daruvala (80) \ 5. Fittipaldi (75) —– 1. MP (176) \ 2. Carlin (175) \ 3. ART (170) \ 4. Prema (147) \ 5. Hitech (136)

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Fórmula 3 (Rondas 9-10) \ titulo

Na Fórmula 3 por pouco não se esteve perante uma vitória emocional para o regressado à competição Juan Manuel Correa, mas o piloto da ART (que tinha assumida a liderança do sprint nas voltas iniciais) acabou a sua prova na relva depois de problemas mecânicos. Coube assim a Caio Collet retomar a liderança, mas o brasileiro acabaria por ser passado de forma brilhante por Jak Crawford (que venceu pela primeira vez).

Mais atrás dois Prema tentaram uma passagem a 3 pela curva 3 que acabou com a corrida de Zane Maloney.

Já na feature cheia de chuva foram Maloney e Collet a protagonizar uma grande luta pelo 9º lugar, com o pole Isack Hadjar a simplesmente fugir na liderança da prova, mesmo com um Safety Car devido aos constantes embates entre Zdeněk Chovanec e Francesco Pizzi da Charouz. No reinício do SC Collet calculou mal uma travagem e acabou a eliminar os dois jovens Red Bull da Jonny Edgar e Crawford.

Os excelentes resultados recentes de Hadjar deixam-no a apenas 1 ponto de Victor Martins no campeonato, seguidos de bem perto por Arthur Leclerc.

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Qualificação: 1. Hadjar \ 2. Martins \ 3. Bearman \ … \ 10. Crawford \ 11. Correa \ 12. Collet

Resultado (Sprint): 1. Crawford \ 2. Collet \ 3. Colapinto \ 4. Leclerc \ 5. Staněk \ 6. Frederick \ 7. Edgar \ 8. Martins \ 9. Smolyar \ 10. Hadjar (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Hadjar \ 2. Martins \ 3. Bearman \ 4. Leclerc \ 5. Maloney \ 6. Staněk \ 7. Colapinto \ 8. Smolyar \ 9. Alatalo \ 10. Cohen (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Martins (98) \ 2. Hadjar (97) \ 3. Leclerc (91) \ 4. Staněk (75) \ 5. Crawford (70) —– 1. Prema (220) \ 2. ART (134) \ 3. Hitech (124) \ 4. Trident (116) \ 5. MP (90)

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Ferrari quase deita vitória fora, mas Sainz triunfa pela primeira vez – GP Reino Unido 2022

3 07 2022

Rápido, desafiante, histórico e, desde as suas remodelações de 2010-11, moderno, o circuito de Silverstone é um dos grandes fins-de-semana de Grande Prémio da Fórmula 1 em qualquer temporada. A proximidade das fábricas de várias equipas (a Aston Martin literalmente está a 15 minutos), um conjunto de fãs entusiásticos (especialmente desde o segundo título de Lewis Hamilton) e o palco original da primeira corrida oficial de F1: tudo ajuda.

Parte da longevidade de Silverstone deve-se à sua necessidade constante de reinvenção, fruto das pressões dos dirigentes da F1 que ao longo das décadas foram ameaçando o circuito das Midlands britânicas com a saída do calendário em detrimento de locais como Donington ou Brands Hatch. O melhor argumento de Silverstone sempre foi possuir melhores instalações, passando de simples aeródromo adaptado a circuito de categoria mundial no decorrer dos anos.

Com curvas tão conhecidas quanto o próprio nome (Copse, Becketts, Chapel, Abbey,…), a pista tem sido dominada em anos recentes por Lewis Hamilton, homem da casa, o que lhe valeu ter-se tornado o único piloto com uma secção de pista com o seu nome (a Reta Hamilton).

Nos últimos dois anos, os 3 GPs realizados foram de plenas emoções: em 2020, houve direito a uma vitória em 3 rodas para Hamilton e uma magistral para Max Verstappen; em 2021, com a disputa pelo título bem aceso, ambos os referidos chocaram na Copse, num dos momentos mais fortes do ano.

Os dias antes da corrida foram de múltiplas declarações de condenação de racismo depois de dois incidentes: em primeiro lugar, as declarações com conotação racista de Nelson Piquet a Lewis Hamilton num podcast de Novembro passado; em segundo lugar, as de Jüri Vips num livestream. No primeiro caso, Piquet pediu desculpas (mas ainda a defender não ter tido intenção) mas foi banido do paddock. No segundo caso, Vips foi expulso do programa da Red Bull mas manteve o lugar na Hitech na Fórmula 2 (ainda que a categoria pareça não ter ficado satisfeita com a decisão).

Ronda 10 – Grande Prémio do Reino Unido 2022

Com uma Mercedes confiante na eficácia das suas novas atualizações e resultados de treinos livres promissores, havia uma grande expectativa de ver se os alemães de facto haviam encurtado a distância para as duas equipas da frente. Em qualificação, pareceu ser o caso. Se bem que era difícil de ter a certeza: a chuva que se abateu sobre Silverstone tornou difícil fazer grandes leituras.

Não muito crente de que havia feito uma boa volta, Carlos Sainz ficou totalmente surpreso pela primeira pole position da carreira. A ajudá-lo estava um despiste ligeiro do colega de equipa Ferrari (Charles Leclerc) e de um Max Verstappen que não conseguiu evitar algumas perdas de controlo (e com o público britânico a brindá-lo com vaias e cânticos de “Lewis” devido à tensão do campeonato de 2021…).

A Mercedes acabou logo atrás, nem as grandes habilidades de chuva dos seus pilotos a evitarem ficar atrás dos 4 da frente. Quem aproveitou para brilhar no Q3 foram Guanyu Zhou, que vem numa sequência de 3 qualificações na frente do colega da Alfa Romeo, e Nicholas Latifi, que aproveitou o intensificar de chuva no Q2 para bater concorrência mais rápida (dando uma dor de cabeça à Williams, já que corria com o carro antigo e bateu colega no carro novo).

Haas e Aston Martin terminaram o seu sábado logo no Q1, para infelicidade de ambas.

Domingo já não trouxe chuva para os procedimentos, mas trouxe muitos abandonos. Tudo começou logo na partida, em que a única verdadeira ação em pista foi a ultrapassagem de Verstappen a Sainz porque a bandeira vermelha foi accionada quase imediatamente: Pierre Gasly foi espremido entre George Russell e Guanyu Zhou, mandando o primeiro contra o segundo que se virou ao contrário e foi de arrojo até à zona próxima ao público.

A preocupação com Zhou foi grande, mas felizmente o chinês não sofreu sequelas do seu acidente (tendo Russell saltado do seu carro, que poderia ainda ter continuado em pista, para verificar o estado do outro piloto). No entanto, as imagens da maneira como a tomada de ar acima da cabeça de Zhou cedeu (tendo sido, sempre ele, o halo a salvar a cabeça do piloto) são motivo de grande preocupação.

Tudo isto permitiu evitar um potencial desastre mais à frente: protestantes que estavam a planear invadir a pista durante a prova fizeram-no, mas a prova já estava em ritmo reduzido por bandeira vermelha. Ainda assim, conseguiram chegar a colocar 4 membros deitados na pista, e Esteban Ocon (um dos que se arrastou até às boxes com danos) chegou a passar perto). A polícia alertara antes da prova para o risco, tendo sido incapaz de impedir os imbecis de fazerem a ação perigosa para a sua saúde e, mais importante, a dos pilotos.

Ocon juntou-se a Yuki Tsunoda (que mais tarde provocou o abandono do colega de equipa) e Sebastian Vettel à lista de pilotos que aproveitaram a bandeira vermelha para reparar estragos. Alexander Albon não conseguiu continuar, tendo ido (tal como Zhou) ao centro médico para verificações depois de vários embates em muros e outros pilotos (sem culpa e sem ferimentos).

Sem um único setor completo, o grid voltou à forma original e na segunda partida Sainz foi muito agressivo na sua defesa de posição, impedindo a passagem de Verstappen. Mais atrás Leclerc e Pérez ficaram com danos na asa da frente (Leclerc teve-os a corrida toda, Pérez mudou a asa), condicionando as suas provas. Sainz não durou mais que 10 voltas na frente, com um erro antes da reta do Hangar a deixá-lo em 2º. Foi aqui que começou o terrível dia de estratégia da Ferrari, que não percebeu que Sainz estava a atrasar Leclerc e deixou a situação arrastar-se de tal forma que Hamilton começou a apanhá-los no seu Mercedes.

A sorte dos italianos foi que Verstappen pisou detritos e danificou gravemente o carro, tendo tido que passar a prova a lutar com o próprio carro e a ter que se defender com unhas e dentes dos ataques de Mick Schumacher para terminar em 7º.

De volta à frente os Ferrari começavam a ter problemas em lidar com a velocidade de Hamilton e optaram por parar Sainz, que mais uma vez ficou a tapar o caminho a Leclerc (depois da paragem deste). Finalmente, a Scuderia exigiu a troca de posições, aceite por Sainz. Só que depois chegou o abandono de Ocon (problemas mecânicos) e o Safety Car. A equipa não parou Leclerc e parou Sainz. Todos os outros carros copiaram Sainz, deixando Leclerc quase indefeso na frente.

A Ferrari ainda tentou pedir a Sainz para segurar o pelotão para o colega, mas o espanhol entendeu que seria uma decisão desastrosa. Implorando ser-lhe permitido passar, Sainz levou a sua pela frente, passando o colega e fugindo na liderança para vencer um Grande Prémio pela primeira vez. Leclerc deu o seu melhor para fugir aos velozes Hamilton e Pérez, chegando a repassar o primeiro por fora na Copse. Mas não dava para segurar, e ambos acabaram à sua frente. Apesar do bom resultado para a época, Hamilton parecia desapontado de ter deixado fugir a vitória caseira (que teria sido a primeira do ano).

Fernando Alonso e Lando Norris fizeram provas de grande nível para ficar em 5º e 6º, enquanto que Vettel teve sorte no timing do SC para parar e manter a sua posição nos pontos (tendo partido de 17º), dividindo os dois Haas (bem felizes pelo resultado conjunto, especialmente Schumacher com os seus primeiros pontos de sempre na F1).

Destaque ainda para a tentativa valorosa de Nicholas Latifi em manter a Williams nos pontos, que no final provou não ser possível.

O campeonato ficou assim relançado, até certo ponto, com alguma recuperação dos rivais de Verstappen, enquanto que os dois pilotos da Ferrari ficaram o mais próximos que alguma vez estiveram nesta temporada (e dificultando a tarefa da Ferrari para impôr ordens de equipa).

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Qualificação: 1. Sainz \ 2. Verstappen \ 3. Leclerc \ 4. Pérez \ 5. Hamilton (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Sainz \ 2. Pérez \ 3. Hamilton \ 4. Leclerc \ 5. Alonso \ 6. Norris \ 7. Verstappen \ 8. Schumacher \ 9. Vettel \ 10. Magnussen (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Verstappen (181) \ 2. Pérez (147) \ 3. Leclerc (138) \ 4. Sainz (127) \ 5. Russell (111) —– 1. Red Bull (328) \ 2. Ferrari (265) \ 3. Mercedes (204) \ 4. McLaren (73) \ 5. Alpine (67)

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GP Reino Unido anterior: 2021

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Fórmula 2 (Rondas 13-14) \ Sem rival claro, Drugovich vai fugindo

Sem Cordeel por pontos de suspensão, a van Amersfoort acabou a substituir o belga por David Beckmann (que já fora substituto na Charouz este ano) para o regresso da F2 à ação em pista.

Tendo herdado a chuva com que a F1 também teve que lidar, a Fórmula 2 viu a sua pista de Silverstone secar aos poucos, dando grandes dores de cabeça aos pilotos para evitarem que as temperaturas dos seus pneus disparassem.

Os melhores na tarefa foram Ayumu Iwasa e Felipe Drugovich. Iwasa chegou com alguma rapidez até ao 2º lugar, atrás de Jack Doohan, quando optou por manter a margem de 3 segundos para o australiano, fazendo o ataque final nas derradeiras voltas (obrigando Doohan a uma vigorosa gestão do ritmo, para a primeira vitória de F2). Já Drugovich deixou-se passar e caiu para 9º até meio da prova, altura em que libertou o ritmo e ultrapassou vários carros até ao 5º lugar final.

No extremo havia Jehan Daruvala, que não conseguiu converter a pole inversa para nada melhor que o último lugar pontuável.

No domingo já foi dia de um género de luta diferente, com Frederick Vesti a partir mal e a deixar a luta contra o pole Logan Sargeant nas mãos do colega de equipa da ART, Théo Pourchaire. Com Carlin e ART em grande nível e os seus pilotos bem equiparados, foi o americano quem triunfou pela primeira vez numa prova de F2.

Liam Lawson completou o pódio, seguido de perto pelo sempre regular Drugovich (que despachou Vesti no final da prova).

O momento da corrida foi mais atrás quando Roy Nissany saiu de pista e espremou com pouco desportivismo Dennis Hauger no seu regresso à pista. Hauger foi parar à relva, incapaz de travar o avanço do seu carro até à curva final, onde o seu Prema levantou voo na lomba e acertou no halo de Nissany. Mais uma vez, foi o halo a salvar a vida de um piloto.

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Qualificação: 1. Sargeant \ 2. Vesti \ 3. Drugovich \ … \ 8. Vips \ 9. Fittipaldi \ 10. Daruvala

Resultado (Sprint): 1. Doohan \ 2. Iwasa \ 3. Fittipaldi \ 4. Pourchaire \ 5. Drugovich \ 6. Vesti \ 7. Sargeant \ 8. Daruvala (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Sargeant \ 2. Pourchaire \ 3. Lawson \ 4. Drugovich \ 5. Vesti \ 6. Vips \ 7. Daruvala \ 8. Armstrong \ 9. Doohan \ 10. Hughes (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Drugovich (148) \ 2. Pourchaire (106) \ 3. Sargeant (88) \ 4. Daruvala (80) \ 5. Lawson (59) —– 1. MP (170) \ 2. ART (160) \ 3. Carlin (147) \ 4. Prema (135) \ 5. Hitech (118)

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Corrida anterior: Azerbaijão 2022 \ Rondas 11-12
Corrida seguinte: Áustria 2022 \ Rondas 15-16

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Fórmula 3 (Rondas 7-8) \ Hadjar e Leclerc caçam Martins

Depois de uma longa pausa que remontava ao GP de Espanha, a Fórmula 3 regressou em Silverstone com um pelotão alterado. Jonny Edgar estava de regresso à Trident, depois de uma ausência devido ao diagnóstico com doença de Crohn; enquanto que Alexander Smolyar teve problemas em conseguir o visto para a viagem, acabando substituído por Filip Ugran.

A sair de pole inversa para o sprint, Reece Ushijima viu a liderança desaparecer logo antes da primeira curva quando o “colega” da primeira linha da grelha, Victor Martins, o passou. Apesar da diferença de ritmo, Ushijima manteve o seu Van Amersfoort relativamente próximo do líder e apenas foi passado por um outro piloto, Isack Hadjar, o que lhe valeu o primeiro pódio de F3.

Hadjar esteve bem impressionante no seu Hitech, indo à caça do ART de Martins durante grande parte da prova, acabando por consumar a ultrapassagem nas voltas finais. Houve um alongar do protocolo de partida, devido a um problema de Brad Benavides, e um Safety Car para um incidente entre dois dos Charouz (László Tóth e Zdeněk Chovanec).

A sair da verdadeira pole para a feature, Zak O’Sullivan elevou o seu Carlin a posições pouco usuais em corrida. Apesar de nada ter conseguido fazer para segurar o Prema de Arthur Leclerc, o britânico defendeu-se com unhas e dentes de outro carro dos italianos (Oliver Bearman) com direito a uma saída de limites de pista para conseguir evitar contacto na chegada.

Leclerc recebeu um abraço do irmão e conseguiu com o seu triunfo (tendo que passar O’Sullivan duas vezes, devido à primeira ter sido no momento de ativação do Safety Car) aproximar-se de forma titânica do líder do campeonato, Martins, que teve um fim-de-semana menos bem conseguido (apesar da boa ultrapassagem sobre o regressado Edgar).

Mais para trás, Zane Maloney caiu na classificação devido ao contacto da primeira volta com um Prema, enquanto que os jovens da Red Bull, Hadjar e Crawford, levaram as suas lutas por posição para fora de pista.

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Qualificação: 1. O’Sullivan \ 2. Leclerc \ 3. Maloney \ … \ 10. Maini \ 11. Martins \ 12. Ushijima

Resultado (Sprint): 1. Hadjar \ 2. Martins \ 3. Ushijima \ 4. Maini \ 5. Frederick \ 6. Staněk \ 7. Maloney \ 8. Leclerc \ 9. Bearman \ 10. Crawford (Ver melhores momentos)

Resultado (Feature): 1. Leclerc \ 2. O’Sullivan \ 3. Bearman \ 4. Collet \ 5. Hadjar \ 6. Crawford \ 7. Martins \ 8. Edgar \ 9. Vidales \ 10. Ushijima (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Martins (77) \ 2. Leclerc (71) \ 3. Hadjar (68) \ 4. Staněk (61) \ 5. Crawford (60) —– 1. Prema (175) \ 2. ART (113) \ 3. Hitech (90) \ 4. Trident (88) \ 5. MP (75)

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Corrida anterior: Espanha 2022 \ Rondas 5-6
Corrida seguinte: Áustria 2022 \ Rondas 9-10

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Fontes:
Evening Standard \ Jüri Vips continua na Hitech
Formula Scout \ Smolyar de fora
Grande Prêmio \ Jonny Edgar de regresso
Record \ Comentários de Nelson Piquet





Mortara segura os Techeetah e lidera o campeonato – e-Prix Marraquexe 2022

2 07 2022

Depois de mais uma série de dificuldades organizacionais no Canadá (que já tinham ditado o fim da anterior corrida em Montreal), Vancouver foi forçada a atrasar a sua estreia no calendário da Fórmula E para 2023. Quando o cenário mais provável parecia o encurtamento da época para 15 rondas, a FE anunciou o regresso do e-Prix de Marraquexe para o espaço aberto.

Geralmente organizado mais cedo no ano, a prova regressa assim à categoria depois de um ano de ausência. Localizado no distrito Agdal da cidade, o Circuito Internacional Moulay El Hassan (príncipe herdeiro do país) é semi-permanente com estruturas de boxes permanentes e com alterações significativas a terem sido feitas em 2016 (depois da abertura em 2009).

A pista utilizada pela Fórmula E é mais pequena (a anterior passava pela zona de hóteis e era rapidíssima até à chegada a chicanes lentas), de modo a permitir a sua utilização frequente por amadores ao longo do ano. Neste traçado a Mahindra tem sido feliz ao longo dos anos, com 2 vitórias em 2018 e 2019, assim como Sébastien Buemi e António Félix da Costa (que triunfaram lá nos anos em que foram campeões da categoria).

Uma grande expectativa antes da realização da prova era ver como pilotos e carros lideriam com o calor abrasivo, uma vez que o e-Prix costumava ser mais cedo no ano.

Ronda 10 – e-Prix de Marraquexe 2022

Com um Sol de Julho abrasador, o e-Prix de Marraquexe acabou por trazer uma ordem das equipas bastante usual quando comparada com o resto da temporada.

Isto incluiu pilotos como Edoardo Mortara e Mitch Evans a impôrem um ritmo demolidor sobre os seus colegas de equipa e rivais diretos. Num dia em que Stoffel Vandoorne enfrentou problemas em qualificação que o obrigaram a partir da última linha da grelha, Mortara e Evans precisavam de acumular uma boa quantia de pontos e foi isso que fizeram.

Para isso contaram com a resistência acirrada da Techeetah. Geralmente uns furos abaixo das rivais, a equipa chinesa pareceu ter um ritmo mais próximo em terras marroquinas, com António Félix da Costa a fazer pole position sobre Mortara. Félix da Costa e Mortara usaram os seus Attack Modes relativamente cedo na corrida, com o último a levar a melhor em termos de estratégia e passando à liderança.

A partir daí, a Techeetah parecia ter como plano simplesmente inverter as posições dos seus dois pilotos, o que fez. Só que Mortara parecia fugir aos poucos, e Félix da Costa recebeu permissão para voltar ao 2º lugar, de onde se lançou à caça do Venturi. O português ainda se aproximou até estar a menos de um segundo mas o suíço segurou a sua liderança da corrida, para assumir a liderança do campeonato. Infelizmente para Vergne, a ausência do “escudo” do colega de equipa foi sentida: perdeu o último lugar do pódio para Evans.

O outro Venturi de Lucas di Grassi ultrapassou Nyck de Vries na última volta para ser o melhor dos restantes no 5º lugar, enquanto que Jake Dennis voltou a assumir a liderança da Andretti para somar mais alguns pontos para a equipa americana. Já o anterior líder do campeonato, Vandoorne, passou carro após carro para pontuar 4 preciosos pontos em 8º, seguido de Sam Bird (que voltou a estar a milhas do outro Jaguar) e Oliver Rowland (com um ponto valioso na luta da Mahindra contra a Nissan).

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Qualificação: 1. Félix da Costa \ 2. Mortara \ 3. Vergne \ 4. Wehrlein \ 5. Dennis (Ver melhores momentos)

Resultado: 1. Mortara \ 2. Félix da Costa \ 3. Evans \ 4. Vergne \ 5. di Grassi \ 6. de Vries \ 7. Dennis \ 8. Vandoorne \ 9. Bird \ 10. Rowland (Ver melhores momentos)

Campeonato: 1. Mortara (139) \ 2. Vergne (128) \ 3. Vandoorne (125) \ 4. Evans (124) \ 5. Frijns (81) —– 1. Venturi (205) \ 2. DS Techeetah (203) \ 3. Mercedes (198) \ 4. Jaguar (156) \ 5. Porsche (114)

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Corrida anterior: e-Prix Jakarta 2022
Corrida seguinte: e-Prix Nova Iorque 2022





Arrows em 1998 – Flash

25 06 2022

Têm sido notórias as dificuldades com que Michael Andretti se tem deparado na tentativa de inscrever o projeto da sua futura equipa de F1 para 2026. O americano, que parece já ter tratado de arranjar os meios de financiamento necessários para a aventura, tem esbarrado na falta de concordância das outras equipas, que não vêem com bons olhos a divisão por 11 dos rendimentos ao invés dos atuais 10.

Nem sempre a formação de equipas foi uma tarefa difícil na F1, paradoxalmente. Múltiplas estruturas apareciam e desapareciam nos anos iniciais da categoria, muitas nem sequer como construtoras (compravam os seus chassis a equipas estabelecidas e agiam como meras privadas). Algumas destas conseguiram sobreviver vários anos na F1, mesmo em casos de sucesso limitado.

Sem uma única vitória num Grande Prémio em 3 décadas de existência, a Arrows foi um dos expoentes máximos desta tendência. Fundada por um conjunto de elementos díspares (que incluíam um ex-piloto de F1) que fizeram uso das inciais dos seus apelidos para a designar, a Arrows foi tendo que atribuladamente adaptar os seus planos ao longo dos anos.

Planos que chegaram a incluir a construção dos seus próprios motores no final dos anos 90.

Do acrónimo original à confusão completa

Os membros fundadores da Arrows em 1978 consistiam numa quinteto composto de empresários, engenheiros e ex-pilotos: Franco (A)mbrosio, Alan (R)ees, Jackie (O)liver, Dave (W)ass e Tony (S)outhgate. Todos estes tinham integrado a equipa Shadow no ano anterior e esta associação esteve na origem do primeiro problema que enfrentaram: uma acusação de desrespeito de direitos de autor relativa ao seu monolugar.

O carro que teria sido o FA1 foi banido após queixa da Shadow, obrigando a Arrows, a meros 52 dias da primeira corrida da temporada de 1978, a ter que criar um novo de raiz. Isto foi conseguido (e baptizado de A1) mas houve outros dois problemas significantes para a equipa: Ambrosio foi preso por irregularidades financeiras e um dos pilotos escolhidos, Gunnar Nilsson, foi diagnosticado com cancro testicular e teve que ser substituído.

Ainda assim, foi um primeiro ano de sucessos moderados (fazendo uso dos motores Ford Cosworth). Riccardo Patrese alinhou no GP do Brasil e terminou em 10º. Na corrida seguinte, na África do Sul, Patrese abandonou mas tinha estado a liderar a prova quando isso sucedeu. Nada mal para um carro feito em menos de 2 meses… Durante o resto do ano, foram vários os altos e baixos para Patrese, desde um 2º lugar no GP da Suécia até a uma suspensão por uma prova depois de ter estado envolvido no acidente fatal de Ronnie Peterson (do qual mais tarde foi considerado inocente, enfurecendo a equipa a chantagem de que foi alvo pelas rivais para suspender o seu piloto).

A chegada dos carros com efeito de solo obrigou a Arrows a seguir esse mesmo caminho, mas o A2 não foi bem-sucedido. Os anos 80 trouxeram alguns pódios e pontos ocasionais, um acordo para utilizar motores BMW turbo e a saída de mais fundadores, até que sobraram Oliver e Rees. Estes chegariam a contratar Ross Brawn para projetar os seus Arrows.

Uma saída de cena da BMW no final da década viu a equipa experimentar continuar a usar os propulsores sob a designação Megatron, para algumas boas temporadas (ainda que frustrantes, pelos limites crescentes impostos pela FIA a quem continuasse a utilizar tecnologia turbo).

A equipa começou assim a manifestar algum desejo por ter os seus próprios motores. Um acordo de patrocínio (e mudança de nome da equipa) com a japonesa Footwork marcou uma alteração para os anos 90, com direito a uma desastrada tentativa da Porsche em fabricar os motores da estrutura em 1992. Apesar de tudo, as dificuldades financeiras começaram a apertar a sério, culminando com a venda da equipa a Tom Walkinshaw.

1998

Tendo já tentado adquirir sem sucesso a Ligier anteriormente, Walkinshaw comprou a parte de Rees da equipa e começou de imediato a fazer alterações. Tendo uma história de sucesso em operações de endurance e carros de turismo, o britânico era na época responsável pela Holden na Austrália e pela Volvo no BTCC. E tinha um plano para tornar a Arrows uma candidata ao título.

Trazendo vários engenheiros Ligier consigo, Walkinshaw foi buscar o “desempregado” campeão do mundo de F1 Damon Hill e assinou com o piloto pagante Pedro Paulo Diniz (para conseguir cobrir o salário do primeiro), o que colocou o número 1 nos Arrows. John Judd foi contratado para preparar motores Yamaha, John Barnard para projetar o carro e a Bridgestone (que estava a entrar na categoria) forneceu-lhes os pneus.

O resultado em 1997 foi bastante mau com vários abandonos, falta de ritmo e algumas não-qualificações. O único momento alto do campeonato foi o golpe de génio da afinação para o GP da Hungria que deixou Hill 25 segundos na liderança a 3 voltas do fim, quando uma falha hidráulica o deixou em 2º lugar. No final do ano, Hill saiu para a Jordan. Era preciso um plano B.

Por questões de saúde financeira Diniz foi mantido para 1998, que contaria com um carro projetado por inteiro por Barnard. O finlandês Mika Salo foi escolhido para o segundo carro. Irritada pela falta de andamento do Yamaha em 1997, a Arrows decidiu que queria projetar o seu próprio motor em 1998 (adquirindo a Hart), para evitar os custos de comprar a terceiros. O Arrows A19 correria inclusive com uma distintiva pintura completamente preta.

O problema mais óbvio da Arrows era que seria a primeira equipa britânica em 20 anos a desenvolver o seu próprio motor. Haviam boas razões para não se fazer isto habitualmente. Com uma certa previsibilidade, numa altura em que a F1 começava a sua escalada armamentista de desenvolvimento de motores, a pequena equipa não tinha capacidade para acompanhar o ritmo de desenvolvimento das Ferraris e Mercedes da categoria.

A juntar a isto a caixa de velocidades desenvolvida gerou problemas, e Barnard andava a desenhar partes, no seu tempo livre, para a Prost. Até ao final do ano, o projetista estava fora da equipa.

Apesar de uma dupla pontuação no GP do Mónaco e de Diniz ter aproveitado o caos do GP da Bélgica para ficar em 5º, o Arrows abandonou numas incríveis 23 tentativas em 32 possíveis (onde se inclui um abandono sincronizado no GP de Espanha…). O resultado nem foi tão mau quanto podia ter sido: 7º lugar no mundial de construtores com 6 pontos.

Mike Coughlan assumiu o posto de direitor técnico e a equipa chegou a ser cotada para ser adquirida pela Zakspeed e pela Toyota, mas os acordos falharam e a Arrows foi forçada a continuar tal como estava para 1999.

Os melhores esforços de Walkinshaw

A partir daqui a Arrows entrou na sua fase final. Esta chegou mesmo a envolver um literal príncipe da Nigéria, uma vez que Malik Ado Ibrahim comprou 25% da equipa e flutuou intenções de associar a Lamborghini à aventura, sendo que funcionários da Arrows da época descrevem que nenhum dinheiro chegou aos cofres da estrutura nesse período…

O carro de 1999 era pouco mais que um upgrade do de 1998, com uma dupla nova de pilotos (Pedro de la Rosa e Toranosuke Takagi). 2000 viu chegar Jos Verstappen para o lugar de Takagi e a aventura de motor próprio da Arrows terminou, com a passagem para o uso de motores Supertec (Renaults com um ano de idade, essencialmente). Estas alterações ainda deram algum fôlego à equipa, que recebeu o patrocínio da Orange e passou a ter a sua pintura mais famosa da equipa em laranja e preto.

O regresso da Renault à F1 a título oficial levou a equipa a mudar para Asiatech (Peugeots antigos). Elementos essenciais da equipa começaram a abandonar e o ótimo de la Rosa acabou também fora para dar lugar ao estreante Enrique Bernoldi. Daqui em diante o fim chegou rapidamente.

A assinatura de Heinz-Harald Frentzen para 2002 levou ao cancelamento do contrato de Verstappen, que processou a equipa com sucesso (juntando-se a outro processo fracassado movido pela equipa contra Diniz). O próprio Frentzen iniciou litigação contra a equipa por falta de pagamentos e ambos os pilotos da Arrows receberam ordens para falhar deliberadamente a qualificação no GP de França, de modo à equipa não ter que pagar uma multa por não-comparência.

O fim chegou, mas não inteiramente a história. Ainda houve algumas tentativas de negociação para a venda da equipa (Craig Pollock e Dietrich Mateschitz, por exemplo), mas acabou por se resumir a uma mera compra de ativos da equipa pela Phoenix France. O consórtio acreditou que esta compra (e a dos ativos da Prost) lhes daria uma inscrição na temporada de 2003. A FIA rapidamente lhes retirou esta ilusão.

Legado

A história da Arrows ter durado tanto quanto durou é ainda mais improvável quando se considera a quantidade de escolhas erradas ou mal temporizadas que os seus líderes foram escolhendo durante a sua estadia.

Antes sequer de um único quilómetro ter sido corrido já a equipa tinha sido processado por quebra de direitos de autor, um dos seus fundadores estava preso e um dos seus pilotos indisponível por doença grave. A quase vitória na sua segunda corrida poderia ter modificado a história da estrutura por inteiro. Em vez disso, mais decisões erradas. O mau projeto de efeito de solo, a presença de um motor turbo quando a FIA os queria fora da F1,…

A aposta num motor próprio de modo a poupar dinheiro que teria que dispender enquanto cliente era uma ideia que várias equipas na era atual ponderaram, mas não compreender que era necessário ter um orçamento capaz de realizar um desenvolvimento capaz de competir com as construtoras mundiais foi uma enorme ausência de discernimento.

Ainda assim, em dourado Warsteiner, preto Danka ou em laranja Orange, a Arrows deixou a sua marca na imaginação colectiva dos fãs de F1.

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“Flash” anterior: GP Malásia 2009

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Fontes:
– SANTOS, Francisco. F1 98/99 (1998) Talento.
IntentsGP \ Arrows
Wikipedia \ Arrows
Wikipedia \ Arrows A19