Potências emergentes

7 09 2012

Durante os treinos livres deste grande prémio de Itália, a transmissão da SkySports focou-se durante algum tempo na estreia do piloto chinês Ma Qing Hua, o primeiro representante do seu país num fim-de-semana de Fórmula 1.

Chegou mesmo a ser entrevistado por Martin Brundle e Natalie Pinkham. Nestas, para além de ter dito a honra que sentia, de estar muito orgulhoso do seu país, Qing Hua concluiu o seu discurso reforçando que este é apenas o início de algo grandioso para a China e para si mesmo.

Antes de se seguir mais, vale a pena relembrar algumas coisas.

Primeiro, que grandes perspetivas poderá um piloto de testes da HRT, que, neste grande momento histórico ficou a 5,8s do primeiro classificado e a quase 2s do penúltimo, o companheiro de equipa Pedro de la Rosa (cuja melhor prestação foi um 2º lugar na Hungria à 6 anos)?

Segundo, como planeia ele impressionar a direção da equipa espanhola? Com a sua carreira não será. Como destaques nesta tem apenas participações na A1GP e Superleague Formula pelo seu país, em que não foi além de 22º no seu melhor, e recentemente venceu o Campeonato de Turismo Chinês em 2011. Quando nem um título na GP2 garantiu a Giorgio Pantano lugar na F1 há uns anos, não deixa de ser curioso.

Mas não nos enganemos a nós mesmos. A razão da escolha de Qing Hua foi um convite simpático ao grande mercado chinês para deixar algum dinheiro nos cofres da HRT. Dá para entender perfeitamente a necessidade da equipa espanhola, que certamente também não terá escolhido Narain Karthikeyan pelo seu grande talento nato (afinal, estamos a falar de alguém que numa pista seca e livre se despistou sozinho no último fim-de-semana).

Não me entendam mal, é certamente engraçado ver um novo país na mira do automobilismo, especialmente se vierem de áreas com um bom potencial económico e trouxerem novas audiências, mas também é necessário que venham pilotos com bastante talento, não? Especialmente quando se vê Karthikeyan numa categoria onde falta espaço para Razia, Valsecchi, Gutiérrez ou Calado.

A verdade é que enquanto não vier um piloto verdadeiramente excepcional de um desses territórios não vai haver interesse e o autódromo de Shangai vai continuar às moscas.

Lembram-se da Espanha antes de Alonso? O autódromo de Montmeló tinha sorte em chegar a metade das arquibancadas com gente. E depois veio o espanhol, que com os títulos de 2005 e 2006, tornou o nosso país vizinho um dos maiores consumidores de F1 atuais, e permitiu uma maior viabilidade à entrada de pilotos como Alguersuari.

Porque é esse tipo de pilotos que garante o interesse de uma potência como a China, e não os Ma Qing Hua da vida, que correm em Monza com alta carga aerodinâmica tal é o modo da equipa de que ele espatife um carro…

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Quanto mais?

16 04 2012

Decididamente esta temporada de 2012 parece estar muito mais interessante. Se no ano passado vimos o domínio absoluto de um piloto, este ano em apenas três corridas já vimos três vencedores… de três equipas diferentes!

A etapa chinesa foi uma dos melhores dos últimos tempos, ainda que com um início quase em fila indiana nas primeiras voltas, contou com várias lutas interessantes, e por uma proximidade entre os concorrentes, em que chegaram a existir autênticas filas com mais de 7 carros em lutas por posição.

A vitória caiu nas mãos de Nico Rosberg, que conseguiu a sua primeira vitória, bem como a primeira da Mercedes como equipa desde 1955, numa corrida absolutamente perfeita do alemão. Aliás, creio que nunca vi uma corrida em que se acreditava que o pole position dificilmente conseguiria vencer como nesta. A ideia de que os Mercedes voltariam a não conseguir poupar os pneus revelou-se falsa, ao ponto de terem arriscado numa estratégia de apenas duas paragens…

A corrida teve alguns destaques, o principal deles a ser sem dúvida o facto de após a sua pior temporada de sempre, a Williams se ter definitivamente recolocado no caminho certo, com ambos os carros a pontuarem, o que terá sido uma das melhores prendas que Sir Frank poderia receber na véspera do seu 70º aniversário.

Foi também um novo desastre para a Ferrari, que apenas conseguiu colocar Fernando Alonso no nono lugar, sendo que Felipe Massa é o único pil0to das equipas “não-novas” (se bem que de novas já não tenham nada…) a não ter conseguido pontuar.

Mas, houve uma afirmação de Alonso que me deixou a pensar, quando ele disse que esperava que a sua equipa recuperasse, e que seria bastante normal que as equipas pequenas (como Sauber ou Williams) que atualmente estão na frente, começarão a ficar para trás devido à falta de recursos financeiras em comparação às maiores.

E embora a capacidade de recuperação da Scuderia possa ser posta em causa, a segunda parte realmente deixa alguma preocupação. Para qualquer verdadeiro fã de Fórmula 1, ver Williams e Sauber na frente é excelente, mas resta ver se as equipas conseguem manter a sua performance.

Quanto tempo mais conseguiremos assistir a estas pequenas equipas a derrubar gigantes?

PS: Mais alguém reparou na maneira como o Norbert Haug festejou a vitória da Mercedes? Ou é um fã incondicional emocionado, ou então já devia ter uma corda no pescoço posta pelos accionistas da marca pela falta de resultados…





Fim da rotina

17 04 2011

E após um dos mais entusiasmantes Grande Prémios dos últimos anos, Hamilton venceu uma corrida cheia de acção, ultrapassagens e alguns incidentes. O inglês fez apenas uma volta na última qualificação de modo a poupar um jogo de pneus para a corrida, o que o ajudou muitíssimo. Na partida conseguiu passar Vettel, e ficou as primeiras voltas em segundo atrás do companheiro Button. Lewis fez uma estratégia idêntica à de Button, e passou-o de maneira impressionante na primeira curva, e no último terço da corrida passou Rosberg e Vettel, rumo a uma vitória incrível.

Finalmente, Vettel não está no centro...

O vencedor das últimas etapas, Vettel, viu a sua sequência imbatível interrompida, se bem que um segundo lugar lhe tenha minimizado as perdas. O seu companheiro de equipa, Webber, tinha muito que batalhar para chegar a posições elevadas, e foi o que fez, escolhendo começar com pneus duros, o que lhe permitiu subir imenso no final da corrida, com várias ultrapassagens, acabando muito perto de Sebastian, mesmo tendo começado 17 posições abaixo no grid.

O momento mais insólito da corrida ficou por conta de Button: o britânico liderava a corrida quando chegou a altura da sua paragem nas boxes, sendo seguido por Vettel. O inglês acabou por acidentalmente ir para a zona da Red Bull, mas apercebeu-se a tempo de seguir em frente para o local correcto. No fim da corrida, Vettel disse ironicamente “devem gostar das nossas boxes”, recordando-se do GP do Abu Dhabi de 2009, quando situação semelhante aconteceu com Alguersuari…

A Mercedes foi a equipa que mais subiu de rendimento, e Rosberg chegou a liderar durante algumas voltas a corrida. Acabou por lentamente regredir, sendo passado pelo dois McLaren e por Webber quando estava em segundo, mas resistiu na fase final a Massa, terminando em 5º. Massa fez uma corrida bastante boa, e pela primeira vez em bastante tempo deu a sensação de ser claramente mais rápido que Alonso, o que promete bastante. Fernando fez uma corrida muito apagada acabando a lutar com Schumacher.

O alemão também deu um ar da sua graça, fazendo uma partido espectacular, e mostrando um bom ritmo de corrida (ainda que ligeiramente inferior ao de Rosberg). Bem melhor que no ano passado, mas já não deverá atingir o nível dos tempos da Ferrari…

Uma das muitas disputas cerradas: Massa vs Button vs Rosberg

Os últimos pontos foram para Petrov e Kobayashi. Ainda que possam ficar satisfeitas com estes pontos, Renault e Sauber ficaram visivelmente abaixo do ritmo dos GP anteriores, principalmente devido à subida da Mercedes, e podem começar a ficar preocupados já que necessitarão de melhorar rapidamente. Ainda que não devam estar tão em pânico como a Williams, cujo FW33 não se mostrou minimamente veloz, nem confiável. Os ingleses começam a preocupar, sendo a única equipa “estabelecida” a não ter pontuado.

No fim do grid, HRT aproximou-se bastante da Virgin, e Lotus conseguiu uma das corridas mais sólidas desde que se estreou, distanciando-se claramente das outras “estreantes”, e aproximando-se das equipas do meio do pelotão.

Por último, a asa traseira móvel (DRS) foi, pela primeira vez desde que foi integrada no regulamento, um sucesso. Se deixou muito a desejar nas duas primeiras corridas, compensou de  forma ampla em Shangai, oferecendo-nos um dos melhores GP’s dos últimos anos. Mesmo assim Shangai tem uma das maiores rectas do campeonato, pelo que não é garantido que todas as provas do ano tenham este nível de emoção…

Veja os resultados completos.





Vettel… novamente!

16 04 2011

Começa a ficar cansativo, mas é esta a realidade: Sebastian Vettel voltou a conseguir colocar-se na pole position, sendo a sua 4ª pole position consecutiva, e a sua 3ª no circuito de Shangai. O alemão dominou por completo os acontecimentos, e o facto de não ter liderado as duas primeiras sessões (Q1 e Q2) deve-se ao facto de não se ter querido dar-se ao trabalho…

Atrás dele ficaram os dois McLaren, com Button à frente, ainda que a uma considerável distância de 0,7 segundos (!). No fim, quando os pilotos britânicos esperavam por Vettel para a conferência (que não pôde sair do carro por uma análise da FIA) e este finalmente chegou, Hamilton perguntou-lhe na brincadeira “foi fácil, hã?”.

Vettel esteve novamente imparável.

O exacto oposto de Vettel foi o companheiro Webber, que não pôde utilizar o KERS após este ter falhado no terceiro treino livre, e acabou na 18ª posição. O australiano só conseguiu uma volta que não lhe correu de feição, sem utilizar os pneus macios (grande erro de estratégia da Red Bull, pois sem o KERS estes seriam necessários…), e acabou a discutir com um comissário da FIA, pois teria sido uma demorada análise da distribuição de pesos do RB7 que lhe roubou o tempo para tentar novamente.

Nas posições seguintes os dois Ferrari foram batidos pelo Mercedes de Rosberg, que mostrou grandes melhorias, e ainda a surpresa da Toro Rosso que conseguiu colocar ambos os pilotos no Q3. A Renault teve um dia para esquecer, pois Petrov, embora tenha passado à Q3, ficou sem potência o que deixou muitos pilotos em apuros (entre eles o companheiro Heidfeld), o que deixou alguns pilotos furiosos, com Barrichello a ter pedido mesmo uma penalização para o russo.

Di Resta conseguiu bater o seu companheiro para entrar no Q3, os Williams deram sinais de alguma melhoria em relação a Sepang, embora ainda estejam um pouco atrasados, e Schumacher ficou novamente no Q2. De resto foi tudo normal, com destaque para o facto de Liuzzi ter ficado a apenas meio segundo de d’Ambrosio, o que mostra o desenvolvimento da HRT (e o atraso da Virgin), e também Kovalainen ter colocado o Lotus a uma distância mais curta que o habitual das equipas mais “antigas.

Veja os resultado completos.