1 Ano

16 10 2012

Faz exatamente hoje um ano desde que a IndyCar registou a sua última fatalidade em Las Vegas. Dan Wheldon pode já não estar entre nós, mas a sua memória dificilmente será apagada, pois o inglês representou para a categoria de monopostos americana, o mesmo que Senna representou para F1 nos anos 90. Um despertar para os problemas de segurança.

Rubens Barrichello, por exemplo, que já experimentou ambas as categorias, afirmou este ano que a F1 muito dificilmente aceitaria algumas das pistas em que os americanos correm por questões de segurança. Na altura houve quem acreditasse ser mais uma das muitas provas de falta de empenho na Indy, e se é parcialmente verdade, também é verdade que ele tem razão, tanto para o bem (o asfalto esburacado da Indy) como para o mal (dificilmente Bernie aceitaria Sonoma).

Enfim, fica aqui a lembrança de Dan Wheldon, que tragicamente perdeu a vida à um ano. Rest In Peace, mate.

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Incognito

20 06 2012

Para quem não sabe a IndyLights é uma categoria inferior à IndyCar, e diretamente sancionada por esta. Um pouco como a GP2 é para a F1, basicamente. O campeão da IndyLights de 2011, Josef Newgarden, subiu este ano à categoria principal e por ser estreante obviamente que muitos dos fãs não conhecem ainda o americano. Só que ao invés de se deixar abater por isso, Newgarden até tira proveito, fazendo entrevistas a vários fãs (em roupas normais), perguntando-lhes se gostam de Dario Franchitti (uma piada recorrente, em que diz ser fã dele), e se já ouviram por acaso falar de um estreante chamado Josef Newgarden…

O vídeo está com um sentido de humor bastante aguçado, em especial quando uma das raparigas repara que tem o mesmo aniversário que ele. A reação foi brilhante… Até agora Newgarden conquistou apenas como melhor resultado um 11º lugar em São Petersburgo, mas de qualquer das formas já arranjei por quem torcer.





Best of Motorsport

4 06 2012

A maioria das pessoas que se interessam por automobilismo tiveram por norma um interesse em carros. Parece uma conclusão bastante óbvia, eu sei, mas eu por exemplo tive um caminho um pouco diferente.

Desde que me consigo lembrar, recordo-me de ouvir o meu pai e o meu tio a falarem sobre a Fórmula 1, e de ver os desenhos (extremamente bem feitos, por sinal) deles dos F1 da época, feitos nos anos 70 e 80 com Jackie Stewart, Ligier, e mesmo alguns Vaillant…

E assim sempre me interessei muito pela F1, e levou a que até há poucos anos atrás eu nunca me tivesse interessado minimamente por nada no que toca a carros para além da F1. Quando comecei o blog, comecei a interessar-me cada vez mais pelas restantes categorias, e procurei ver algumas corridas destas.

Confesso que continuo a preferir a F1 sobre qualquer outra categoria, mas consegui ganhar gosto pelo WTCC e ainda mais pela Indycar. Foi mesmo por isso que este ano decidi ver as famosas 500 milhas de Indianápolis, e devo confessar que não desgostei nada. Se bem que preferia ter visto Sato a vencer, mas fica para a próxima.

A corrida de ontem também foi bastante engraçada de assistir, com a vitória de Scott Dixon, que sem dúvida a mereceu inteiramente. Mas ficou só a questão do asfalto se ter desintegrado por completo, forçando a corrida a uma interrupção para consertar os danos. Para uma categoria que tende a ser a F1 dos EUA, fica um certo ar de amadorismo, piorado pelo fato de ter sido em Detroit, a casa do automobilismo americano…

Mas fica o reconhecimento de que a Indy é uma das mais divertidas categorias de desporto automóvel atual.





O fim do europocêntrismo

1 03 2012

Nós os Europeus temos uma característica muito engraçada. Temos o grande hábito de sermos muitíssimo orgulhosos no que toca ao papel que este pequeno continente teve no desenrolar da história, ao mesmo tempo que, no entanto, nos julgamos superiores uns aos outros entre nós.

O melhor exemplo desta situação é a União Europeia. A ideia de formarmos uma união capaz de vincar a nossa posição contra as duas principais super-potências, embora faça um grande sentido no papel, não resultam. Pergunte a qualquer americano de onde vem, e ele dirá sempre EUA, independentemente do Estado. Pergunte a um Europeu de onde vem, e ele jamais dirá que é europeu… Porque antes de se considerar europeu, ele dirá orgulhosamente ser britânico, francês ou alemão. Vejam o que acontece à Grécia. “Problema vosso, não temos nada a ver com isso”!

Os europeus já não têm tanto peso no Mundo quanto tiveram. Mas existem algumas áreas em que ainda conseguimos manter a nossa importância. No desporto, por exemplo. Mas nem isso nos tem valido em tempos mais recentes. O mundial da FIFA vai para o Qatar que é tão apropriado para a competição quanto o parque da minha rua, e a F1 está continuamente a afastar-se do continente europeu, em busca do mercado americano, e das novas economias emergentes asiáticas.

Confesso que me incluo no grupo de pessoas que pensa assim. Os carros europeus são em 99% das ocasiões melhores que os americanos, e a NASCAR, por muito que seja exigente e desafiadora do ponto de vista de um piloto, é-me completamente desinteressante de assistir. Mas é preciso admitir quando os yanks acertam com as coisas.

É aqui que entra a IndyCar. Para os americanos (continente e não o país), este desporto tem bastante seguimento, mas para nós os europeus tem um tratamento bastante diferente. É aquela categoria, que os pobres americanos, como não conseguem no mundo a sério da F1, praticam e andam aos círculos… Já tive esta opinião, mas em retrospectiva admito estar redondamente enganado.

Enquanto a Fórmula 1 fica cada vez mais um clube privado de piranhas, é bastante curioso ver como a IndyCar se tem desenvolvido. Os pilotos são um bando de indivíduos que se dão bem no geral, e com uma abertura da parte do desporto que simplesmente não se vê na categoria de Ecclestone. E para mais este ano até já tenho por quem torcer com a entrada de Rubens Barrichello, recentemente confirmado pela KV Racing.

Por muito que os europeus gostem de se afirmar como os verdadeiros mentores do mundo, é preciso admitir que até no desporto temos muito que aprender com a categoria rainha dos monolugares nos States.





Assim termina…

17 10 2011

Começo o dia bem cedo. 7 horas da manhã e começo a ver o GP de Fórmula 1 na Coreia. Foi uma corrida engraçada, mas não foi das que mais me entusiasmou. Vettel brilhou, já vi; luta forte pelo segundo lugar, já vi; Webber mostrou que os tinha e bem grandes, já vi… Estava mais entusiasmado com outra coisa. Há muito que vinha a ouvir dizer maravilhas da Indycar. Experimentos ver pela primeira vez.

Ainda para mais era a última corrida do ano, com a decisão do título: Dario Franchitti vs  Will Power. Já conhecia os dois lados: li há uns meses uma entrevista de Franchitti à Top Gear em que ele parecia simplesmente, um tipo porreiro que já venceu 3 títulos; e Power, um australiano que recebera a ajuda do compatriota Webber quando a carreira parecera estagnar, e estava com menos hipóteses. Estava a torcer por Power, era engraçado ver um novo campeão.

Wheldon, o ilustre desconhecido, festeja vitória em Indianápolis.

O resto do grid tinha alguns nomes que eu até conhecia: Danica Patrick, a “wonder woman” americana; Hélio Castro-Neves e Tony Kanaan, os braileiros bem-dispostos; Takuma Sato, que fora puxado para fora da F1; e Dan Wheldon. De Dan apenas sabia duas coisas: tinha vencido as 500 Milhas de Indianápolis na última volta, e concorria aos 5 milhões de dólares em Las Vegas. E foi nesta minha quase completa ignorância que comecei a ver a corrida.

Decididamente era diferente do que eu me habituava com a F1. As disputas eram incrivelmente acirradas, os pilotos iam colados uns aos outros, e tinha tudo que ser calculado ao limite. Enquanto me adaptava a este novo tipo de corridas, começa uma grande confusão. Carros por todos os lados, chamas, destroços, e nenhum tempo para evitar o acidente. “Grave acidente!” exclama o comentador. Está bem, mas isto é normal? Grave, como? Grave para os padrões de automobilismo ou para os da IndyCar? À medida que o tempo passa percebe-se que é a última alternativa…

Há quem se tenha safado: Patrick escapa a tudo, e já pensa no reinício; e o candidato ao título, Power envolveu-se bastante na confusão, mas está bem. Título para Franchitti.

Começa-se a perceber que um dos pilotos não está bem. Dan Wheldon é levado para o hospital, e começa uma agonizante espera. Perto das 23h30 é anunciado o que já se parecia adivinhar na cara dos pilotos, Wheldon sucumbiu aos ferimentos.

Não sabia muito bem como reagir. Aquilo que eu sempre observara como entretenimento, acabava de ceifar a vida de um dos seus membros. Parece que tenho um nó no estômago. Acabei de assistir pela primeira vez à morte de um piloto em directo. Não consigo olhar para os carros nas 5 voltas de homenagem, sem pensar neles como armadilhas mortais, em problemas graves de segurança, ou em Wheldon. Quem é Wheldon?

No fundo não sei bem. Apenas começo a juntar peças do puzzle. O choro descontrolado de Kanaan e Franchitti, os olhares tristes dos mecânicos nas 5 voltas, e, especialmente, o discurso de Franchitti no fim. Talvez eu não chore porque para mim Dan é um desconhecido, mas depois do discurso, no fim, de Dario quase que o faço.

Wheldon era muito querido pelo paddock. Aquilo a que se pode chamar um “nice bloke”. Com uma família que deixou para trás e muitos amigos que angustiam na sua ausência. Assim termina a minha primeira corrida de Indycar…

So long, Dan, rest in peace.