1 Ano

16 10 2012

Faz exatamente hoje um ano desde que a IndyCar registou a sua última fatalidade em Las Vegas. Dan Wheldon pode já não estar entre nós, mas a sua memória dificilmente será apagada, pois o inglês representou para a categoria de monopostos americana, o mesmo que Senna representou para F1 nos anos 90. Um despertar para os problemas de segurança.

Rubens Barrichello, por exemplo, que já experimentou ambas as categorias, afirmou este ano que a F1 muito dificilmente aceitaria algumas das pistas em que os americanos correm por questões de segurança. Na altura houve quem acreditasse ser mais uma das muitas provas de falta de empenho na Indy, e se é parcialmente verdade, também é verdade que ele tem razão, tanto para o bem (o asfalto esburacado da Indy) como para o mal (dificilmente Bernie aceitaria Sonoma).

Enfim, fica aqui a lembrança de Dan Wheldon, que tragicamente perdeu a vida à um ano. Rest In Peace, mate.





O “regresso” da Williams

14 05 2012

Ainda me lembro do GP do Brasil de 2004. Foi a primeira corrida de Fórmula 1 que vi desde o início até ao fim. Foi bastante memorável, por acaso. Depois de um domínio gigantesco (com 13 vitórias), Michael Schumacher teve um fim-de-semana bastante fraquinho; Rubens Barrichello fez o seu melhor GP caseiro de sempre, terminando no pódio.

E o vencedor? Um colombiano que se vinha a assumir como um potencial campeão, e que se iria mudar para a McLaren em 2005 para formar uma dupla temível com Kimi Raikkonen. Era também a única vitória para a Williams nesse ano depois de uma temporada bastante fraca. Em 2005 melhores tempos viriam…

Mas não vieram. 2005 foi o início da Williams como equipa do pelotão do meio, que foi dolorosamente cimentada nessa posição com um 2006 péssimo. A troca dos Cosworth pelos mais potentes Toyota ajudou a equipa a subir um pouco, para lugares nos pontos habituais, com dois ou três pódios ocasionais. 2010 ainda foi decente, mas 2011 foi a pior temporada de sempre da equipa britânica.

2012, por acaso não prometia muito mais. A manutenção de Pastor Maldonado e a contratação de Bruno Senna pareciam indicar que a equipa se afundava cada vez mais, procurando desesperadamente fontes de dinheiro. A contratação de Coughlan, envolvido no escândalo Stepneygate em 2007 também não ajudaram a dar credibilidade ao projeto.

Mas ontem, contra todas as expetativas (as minhas inclusive), a Williams provou a todos que o FW34 é um ótimo carro, e que o pouco cotado Maldonado tem talento suficiente para aguentar a pressão do bi-campeão mundial Fernando Alonso durante várias voltas para garantir o primeiro triunfo da equipa em oito anos, ocasião daquele GP do Brasil de 2004.

O venezuelano esteve brilhante, não hajam dúvidas, fazendo a pole position, e fazendo um ritmo de corrida excelente, sem nunca largar Alonso no início da corrida, o que lhe valeu o merecido triunfo.

Embora tenha sido contra as minhas expetativas, não foi certamente contra a minha vontade. Torci imenso por Maldonado ao longo da corrida, e espero (tal como todos os fãs de F1, certamente) que este “regresso” da Williams seja definitivo e não só pontual. Tomara!

PS: E destaque ainda para a solidariedade entre as equipas na ocasião do fogo na garagem da Williams após a corrida. Felizmente ninguém se parece ter ferido com gravidade.





O fim do europocêntrismo

1 03 2012

Nós os Europeus temos uma característica muito engraçada. Temos o grande hábito de sermos muitíssimo orgulhosos no que toca ao papel que este pequeno continente teve no desenrolar da história, ao mesmo tempo que, no entanto, nos julgamos superiores uns aos outros entre nós.

O melhor exemplo desta situação é a União Europeia. A ideia de formarmos uma união capaz de vincar a nossa posição contra as duas principais super-potências, embora faça um grande sentido no papel, não resultam. Pergunte a qualquer americano de onde vem, e ele dirá sempre EUA, independentemente do Estado. Pergunte a um Europeu de onde vem, e ele jamais dirá que é europeu… Porque antes de se considerar europeu, ele dirá orgulhosamente ser britânico, francês ou alemão. Vejam o que acontece à Grécia. “Problema vosso, não temos nada a ver com isso”!

Os europeus já não têm tanto peso no Mundo quanto tiveram. Mas existem algumas áreas em que ainda conseguimos manter a nossa importância. No desporto, por exemplo. Mas nem isso nos tem valido em tempos mais recentes. O mundial da FIFA vai para o Qatar que é tão apropriado para a competição quanto o parque da minha rua, e a F1 está continuamente a afastar-se do continente europeu, em busca do mercado americano, e das novas economias emergentes asiáticas.

Confesso que me incluo no grupo de pessoas que pensa assim. Os carros europeus são em 99% das ocasiões melhores que os americanos, e a NASCAR, por muito que seja exigente e desafiadora do ponto de vista de um piloto, é-me completamente desinteressante de assistir. Mas é preciso admitir quando os yanks acertam com as coisas.

É aqui que entra a IndyCar. Para os americanos (continente e não o país), este desporto tem bastante seguimento, mas para nós os europeus tem um tratamento bastante diferente. É aquela categoria, que os pobres americanos, como não conseguem no mundo a sério da F1, praticam e andam aos círculos… Já tive esta opinião, mas em retrospectiva admito estar redondamente enganado.

Enquanto a Fórmula 1 fica cada vez mais um clube privado de piranhas, é bastante curioso ver como a IndyCar se tem desenvolvido. Os pilotos são um bando de indivíduos que se dão bem no geral, e com uma abertura da parte do desporto que simplesmente não se vê na categoria de Ecclestone. E para mais este ano até já tenho por quem torcer com a entrada de Rubens Barrichello, recentemente confirmado pela KV Racing.

Por muito que os europeus gostem de se afirmar como os verdadeiros mentores do mundo, é preciso admitir que até no desporto temos muito que aprender com a categoria rainha dos monolugares nos States.





Este desporto não é para velhos

19 02 2012

Recuando alguns anos (três, mais precisamente), podemos recordar a criação daquela que viria a ser a única equipa a vencer todos os campeonatos de F1 em que participou. Também ajuda que só tenha participado em 1 ano, em que o carro vinha projectado pelos investimentos milionários da Honda, mas não é essa a questão que tenciono focar neste post…

Nesse ano de 2009, Ross Brawn ainda não se decidira sobre quem colocaria ao lado de Jenson Button. De um lado o rookie Bruno Senna, que tinha impressionado nos testes de Jerez. Do outro, o experiente Rubens Barrichello que já estava na equipa desde 2006. No final a escolha recaiu sobre Rubens. Porquê? Porque com a proibição dos testes na temporada, fazia com que fosse mais seguro apostar em quem já estava bem estabelecido.

Três anos depois, e com o futuro do brasileiro a passar muito provavelmente pela IndyCar, depois de ter sido preterido por Sir Frank Williams, podemos concluir que muito mudou. O mesmo Bruno Senna que Rubens tinha superado em 2009 tomou-lhe o lugar. A vida às vezes dá umas voltas muito engraçadas…

A justificação desta diferença é bastante simples: o dinheiro aperta. Aliás, todas as equipas actuais possuem um piloto (não necessariamente titular) que dá uma ajudinha para os cofres da equipa, com excepção das quatro melhores (o que não creio ser coincidência).

Logo, os velhos veteranos têm estado a ser que habitavam o grid estão a ser corridos em 2012. Para além de Rubens, também Jarno Trulli foi o mais recente “reformado à força” deste desporto em detrimento dos rublos do talento de Vitaly Petrov. Por mais que o italiano fosse um tipo porreiro, era evidente a sua desmotivação a guiar o Lotus. Aliás a carreira de Trulli é melhor exemplificado pelo seu ano de 2005: começou o ano brilhante pela Toyota, e acabou-o dois pontos atrás do companheiro de equipa Ralf Schumacher…

Mas voltando ao tópico anterior, pode-se reparar que apenas dois representantes do grid têm estreia na F1 na década de 90. São eles Michael Schumacher e Pedro de la Rosa. O primeiro anda a divertir-se às custas da Mercedes, que está à espera para poder colocar o jovem di Resta no lugar dele. O segundo, tal como o companheiro de equipa Karthikeyan (que obteve o seu lugar por mo£ivo$ div€r$o$), foi chamado ao dever como que do nada. Não me levem a mal, gosto bastante do espanhol, mas depois do fracasso na Sauber já está na altura de ir brincar para o DTM ou WTCC, não?

E assim está o quadro dos mais velhos na F1. Decididamente, este desporto já não é para velhos!





Explicação simplificada

22 09 2011

Confesso que estava a pensar publicar um post com uma explicação sobre o que se anda a passar na Williams, mas acho que esta é uma maneira mais simples e menos aborrecida de o fazer. Portanto vejam a minha explicação do que se anda por aí a comentar…

Criado em fakeconvos.com





O que significa ser Ferrari

2 09 2011

É provável que fique um pouco como bater no ceguinho, mas este post vai falar sobre Felipe Massa e a Ferrari. Desde que voltou a competir depois do acidente pavoroso do GP da Hungria de 2009, o brasileiro tem sido muito criticado pelas suas performances. Como de costume, os fãs têm uma memória curta no que toca a questão da competitividade: se num ano consegue vencer corridas é brilhante e com um excelente futuro pela frente; se tem o azar de ter um carro fraco ou um ano menos conseguido é uma besta que deveria desistir e ir-se embora.

Massa no GP do Brasil de 2008. A última vitória na F1...

Normalmente é no meio que se resolvem as questões. Felipe Massa veio para a Ferrari numa altura em que Michael Schumacher se preparava para abandonar, pelo que se deram lindamente: era só aturar durante um ano, e acabava. Mas, em 2007 com o companheiro a ser Raikkonen acabou por não se conseguir impôr, sendo tratado como um segundo piloto. De tal forma, que quando chegou no fim do ano a renovação até 2010, se achou que era um modo de Jean Todt teve de ajudá-lo a ter uma boa indemnização quando rescindissem…

Mas em 2008 tudo mudou. Kimi teve um ano mauzinho, e Felipe lutou um dos mais renhidos campeonatos da história, perdendo de forma cruel na último ronda (no seu GP caseiro) na última curva da última volta. Aí esteve exemplar, deu os parabéns ao adversário e avisou que no ano seguinte ia dar. Não deu. Como sempre a Ferrari fica para trás com as mudanças de regulamento, mas Massa conseguiu um pódio no GP da Alemanha, e acreditava que a sorte iria de novo sorrir a Maranello. E aí veio a Hungria e o acidente.

Quando regressou o brasileiro tinha agora o bi-campeão Alonso como companheiro. E até o desafiou bem, qualificando-se à frente dele na primeira corrida. Mas foi um começo enganador, com Massa a estar um pouco embaixo de forma, e quando a pareceu recuperar em Hockenheim, veio o famoso “Fernando is faster than you…” e a sua moral foi por água abaixo, o que se vê já que nunca mais mostrou combatividade em corrida.

Mas porque é que a Ferrari beneficiou Alonso? O espanhol chegou em 2010, enquanto o brasileiro já lá estava desde 2006. Até é bastante simples de entender porquê. Raikkonen tinha contrato até 2010, mas Luca di Montezemolo tinha um capricho por Alonso, e rescindiu com o finlandês para ter o espanhol. Ora já imaginaram se Massa viesse e batesse o Alonso? Seria a suprema humilhação de Montezemolo, ainda para mais porque dos quatro salários mais altos de 2010, três eram da Ferrari: os dois titulares, e Raikkonen que estava a receber 17 milhões de euros da Scuderia para se divertir nos ralis com a Citroen…

Hockenheim 2010. Os olhares dizem tudo...

Massa caminhou directamente para uma armadilha. Tivesse ele renovado só no fim de 2008 (quando foi vice-campeão) e renovado por um ano, e poderia ter evitado a questão de Alonso e Montezemolo. Ficaria sem carro para ganhar é certo, mas com a Ferrari o brasileiro ainda não voltou a vencer desde o regresso, portanto ao menos da outra forma teria o respeito de ser um líder de equipa. Como optou pela Ferrari provavelmente ninguém o contratará no fim de 2012…

Mas a Scuderia tem isto na história dela. Vamos a exercício simples: como ficaram os pilotos que abandonaram a Ferrari? Raikkonen disse “vão-se lixar” e foi para os ralis. Schumacher foi puxado para o abandono e agora voltou sem grande sucesso. Barrichello ainda se safou bem, conseguiu lutar pelo título em 2009, mas foi só isso. Irvine foi para a Jaguar onde ficou mais conhecido pelas festas do que pelo andamento… O último que me consigo lembrar que tenha tido sucesso pós-Scuderia foi Mansell em 92.

Portanto, se há lema que melhor define a F1 é que se passa de bestial a besta, e de besta a bestial num instante; mas é também uma descrição adequada para uma das equipas mais hipócritas da F1.





O fim do reinado de Vettel

13 06 2011

No que toca aos Grande Prémios que falho, estou sempre com azar. Tal como no passado GP do Mónaco não pude assistir à corrida, e novamente perdi a possibilidade de ver em directo um dos mais épicos momentos de Fórmula 1… Mesmo assim ainda consegui, novamente, ficar sem saber a classificação até ver a gravação da prova.

Prova que, na minha opinião, figura entre as melhores corridas de sempre da história da Fórmula 1. E digo isto sem precisar de pensar muito sobre o assunto, pois o GP do Canadá foi uma grandiosa mistura de chuva, acidentes, ultrapassagens, duelos, e Safety-Cars, que culminou na decisão da vitória a apenas ficar resolvida poucas curvas antes do fim da última volta.

"Espero que se tenham lembrado de reabastecer o SC, depois destas voltas todas..." Martin Brundle

A corrida começou atrás do SC, devido à chuva, e deu-nos bastante entretenimento durante as primeiras voltas, com os toques de Hamilton com Button e Webber, bem como as disputas e mudanças de pneus, mas quando a chuva começou a apertar foi necessário parar a corrida. A bandeira vermelha foi justificada, pois a água realmente tornou a pista num rio, como era visível pelas imagens de televisão. Infelizmente foi necessário esperar quase 1h30 para que se pudesse finalmente recomeçar.

E foi nessa altura que se deu um dos mais patéticos exemplos do modo de operar dos Comissários Desportivos. Ao reiniciar atrás do SC, esperava-se que fosse uma situação temporária de 2 ou 3 voltas, mas não. Quase o triplo dessa distância foi percorrida em fila indiana, pois a FIA acreditava, se calhar, que os melhores pilotos do mundo não aguentavam uma pista molhada! Ou tinham medo que eles encolhessem com a chuva… Para se dar uma ideia da idiotice, quando o SC saiu quase todos os pilotos foram pôr intermédios, porque a pista já estava a secar!

Quando recomeçou foi possível observar muitos duelos interessantes. Depois de tocar-se com o companheiro de equipa, levar um drive-through penalty, e chocar com Alonso, Button conseguiu mudar para os pneus secos (também, já parara mais 5 vezes antes disso…), e começando a ganhar terreno aos adversários. Os seus adversários? Mark Webber, que teve que se recuperar do despiste inicial; Sebastian Vettel, que liderava; e Schumacher, que fez a sua melhor corrida desde que regressou.

Button, o homem da corrida.

Webber, Button e Schumacher fizeram uma luta incrível entre si, com Button a vencer o duelo. Logo, que fez isto o britânico começou a ganhar terreno a Vettel, e nas últimas duas voltas estiveram colados, até que na última volta (a poucas curvas do fim) Vettel finalmente errou e Button conseguiu vencer depois de ter estado no último lugar trinta voltas antes!

Atrás, Petrov fez um excelente resultado, seguido de Massa e Kobayashi, que fizeram um foto-finnish (vantagem para o brasileiro), Barrichello deu mais alguns pontos à Williams, e ambos os Toro Rosso chegaram aos pontos.

De ressaltar ainda, o estranho momento, quando (sob SC), um comissário tropeçou a recolher os danos de Heidfeld quando Kobayashi estava a passar. Ambos tentavam desviar-se um do outro, mas estavam a fazê-lo para o mesmo lado… Felizmente nenhum deles se magoou.

Veja os resultados completos.