Compra-se: Automobilismo

17 12 2011

Bem que se tentou o ano passado convencer o mundo de que o Bahrain era lugar porreiro de visitar. Depois de se ter esperado até à última para que o GP marcado para o início do campeonato fosse cancelado, durante algum tempo ainda estava prevista a ronda no Médio Oriente para o lugar do GP da Índia, com a pista de Jaypee a terminar a época. Na altura, enquanto via a entrevista a Jean Todt sobre o assunto só conseguia pensar “Vendido! Fantoche…”. Felizmente que a ideia acabou e tivemos um mundial sem Barhain.

E se existisse um pingo de vergonha na cara o assunto ficava por aqui. Mas estamos a falar do nosso mundo, em que uns quantos milhões de petrodólares fazem milagres. A prova do Bahrain continua prevista para o campeonato de F1 deste ano, e como se tal não bastasse ainda foram anunciadas provas de Endurance em Sakhir, bem como dois (atenção que são duas jornadas duplas) eventos de GP2…

Automobilismo: vendido.

Ainda nos tentam convencer, claro, de que o Bahrain é um local pacato. É a região em que o mundo fica todo melhor, a vida é bela, a democracia reina, e toda a população adora o xeque. E que são muito simpáticas, pois segundo Ecclestone ele ia-lhes devolver o dinheiro da corrida de 2011, mas eles recusaram. Estão a ver, o governo do país é constituído por tipos porreiros… Pelo amor de Deus, acordem! Esse exemplo que Bernie deu era suposto fazer o quê? Uau, devolveram dinheiro (uma coisa que é tão abundante como areia para esses lados), e depois!? Todos os dias matam os seus próprios cidadãos, e é suposto irmos confraternizar!

É que a ideia da FIA é que devemos visitar o país, de modo a poder demonstrar ao mundo que o Bahrain já se recuperou da situação de quase revolução em que estava… Que se aproveite a corrida para mentir, por outras palavras.

Já transparece de uma maneira extremamente óbvia que os barhenitas querem utilizar o automobilismo de modo a poder demonstrar que tudo está bem. E têm os meios para o fazer. Tudo o que necessitam é de publicidade, e vamos ser nós escritos de blogs, e jornalistas ao redor do mundo a fazê-lo ao comentar sobre estas corridas. Pois bem eu sugiro que não se faça isso.

Quando ocorreram as provas no Barhain, não irei falar nem uma palavra sobre elas. Torço para que nem se realizem, mas quase ocorram não me pronunciarei sobre elas, de modo a que este governo que mata e tortura a sua população não conta com o meu apoio. Muito provavelmente não fará qualquer diferença, mas recuso-me a ajudá-los. Há limites para o que se pode fazer com o dinheiro…