Auf Wiedersehen

6 10 2012

O anúncio da Mercedes a semana passada surpreendeu algumas pessoas. Ao longo do ano o discurso de Ross Brawn e de muitos dos dirigentes da Mercedes era de que Michael Schumacher seria muitíssimo bem-vindo a permancer se assim o desejasse. E no entanto aquilo que vimos hoje na conferência de imprensa do alemão foi uma saída pela porta dos fundos (pelo menos, quando consideramos a carreira dele).

Depois de a Mercedes tê-lo simpaticamente despedido, com a contratação de Lewis Hamilton, e de Niki Lauda a afirmar que o inglês era na sua opinião o melhor piloto de F1 na atualidade (imediatamente a seguir a ser anunciado como consultor da Mercedes, curiosamente), começaram 1001 rumores, que segundo o próprio era de facto verdadeiros, sobre ofertas de outras equipas ainda interessadas no alemão. No entanto, Schumi decidiu voltar para o mundo mais calmo da reforma.

Nunca fui fã do alemão, mas também sei que não se chegam a 7 títulos, 91 vitórias e muitos outros recordes sem ser um dos melhores pilotos de sempre. No entanto não concordo com quem argumenta que ele deveria parar para salvaguardar o seu legado. Afinal, bem vistas as coisas, quem realmente se deve preocupar com isso é ele. Mas vale a pena interrogar-mo-nos sobre isso: será que ele se arrependeu?

Ao longo dos anos Schumacher foi criando o mito do piloto invencível, que somou recordes atrás de recordes, numa parceria vencedora com a Ferrari, que durante o início do século XXI nos forneceu algumas das mais aborrecidas temporadas de sempre. O mito do Schumi imbatível nasceu, e mesmo os dois títulos de Alonso não conseguiram apagá-lo. Michael saía da F1 lutando taco a taco com os melhores.

Mas a saída poderá ter sido também fruto de não querer partilhar a equipa com Kimi Raikkonen. De qualquer das maneiras o alemão fartou-se da reforma e depois de ter chegado a ser anunciado para substituir Massa depois do acidente e falhar, acabou por regressar ao serviço da Mercedes.

3 anos depois pode-se seguramente assumir como tendo falhado. Afinal um pódio para quem tinha como objetivo o título é pouco. Para além de que se tivesse sido outro qualquer a ser batido nos 3 anos por Nico Rosberg certamente que já teria sido despedido há mais tempo e de uma maneira muito menos simpática…

A saída de Schumi pode deixar muitos saudosistas insatisfeitos, mas sinceramente não posso dizer que vá sentir falta dele no grid de 2013.

PS: E esta história de que daqui a 10 dias Kimi Raikkonen vai anunciar o que vai fazer em 2013? Mas o contrato com a Lotus não era de 2 anos? Hmm, prefiro não arriscar nada, esperemos…

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Silly season, Silly moves

30 09 2012

Há muito tempo que surgiam os rumores sobre o mercado de pilotos. Depois de quase 3 anos sem trocas de equipas significantes no grid, já abundavam todo o género de rumores sobre quem poderia eventualmente ir para onde. Até há uns dias a principal notícia era sobre se Alguersuari estará a caminho da Sauber. É, estávamos desesperados por alterações mesmo…

E elas vieram. Em grande. Depois de vários meses de suspeitas, de quase certezas, de quase impossibilidades, veio a confirmação da ida de Lewis Hamilton para a Mercedes, saindo da equipa em que se encontrava integrado desde os 13 anos.

Por mais voltas que se dê à questão fica complicado tirar outra conclusão que não de que Hamilton foi atrás do salário milionário dos alemães. Quando se está integrado numa equipa há tanto tempo, e quando esta está há 5 corridas claramente com o melhor carro, os argumentos sobre as capacidades financeiras da Mercedes caem por terra. O único ano em que a estrutura de Brackley conseguiu superiorizar-se foi quando tiveram quase um ano de vantagem na projeção do carro em 2009, e mesmo assim no final já eram apenas a terceira força.

Ao contrário da maioria das pessoas fiquei feliz de ele ter saído. Hamilton já andava de alguns anos para cá a tirar mais diversão do seu estatuto de estrela do que a competir. Nos seus melhores dias é completamente imbatível (Canadá, Hungria e Itália mostram-no), mas começava já a duvidar se a motivação de um Vettel ou Alonso por ser o melhor ainda lá está.

A verdade é que se formos a ver as coisas objetivamente o inglês “apenas” tem um título mundial, pelo que o salário superior ao de Alonso não deixa de ser uma pretensão um pouco arrogante. Enfim, se a equipa de Estugarda tem o dinheiro para dar, quem somos nós para duvidar. Mas certamente a luta pelo título deste ano poderá ter ficado comprometida: será que a McLaren está interessada em ver o número 1 ir para a Mercedes no próximo ano?

Rosberg também deve estar bastante feliz da vida. Já vai no terceiro ano à frente do hepta-campeão mundial Schumacher no campeonato, mas os críticos dizem sempre que este já não é o mesmo Schumi, retirando-lhe valor. Agora tem a oportunidade de demonstrar o que vale, comparado com o campeão de 2008.

A escolha do seu substituto na McLaren é que sem dúvida não poderia surpreender ou desapontar ninguém. Os pilotos da Force India têm feito boas corridas, mas os laços de lealdade serão mais com a Mercedes. Pelo que Sérgio Pérez é uma escolha óbvia. A política da equipa desde a contratação de Button é, segundo os próprios, de escolher o melhor piloto disponível no mercado. Olhando para quem está disponível fica complicado de dizer que não conseguiram o objetivo.

O mexicano faz um ano excelente, com 3 pódios pela Sauber e pelo menos 2 quase vitórias (Sepang e Monza), e justamente pela juventude não só dará o tudo por tudo sempre para impressionar a marca de Woking (coisa que Lewis, na minha opinião não fazia) como aceitou um salário muito mais pequeno que o proposto a Hamilton (4 milhões de euros contra 19 milhões de euros), 15 milhões fundamentais ao desenvolvimento do carro de 2013, especialmente sem o apoio da Mercedes. Já para não falar na manutenção da Vodafone, interessada pela possível abertura no mercado mexicano e que decidiu ficar na equipa, quando se preparava para sair.

Portanto, ao contrário de Damon Hill, acho que a saída de Hamilton da McLaren foi talvez o melhor que podia acontecer à equipa. Pérez tem um potencial gigante e terá convivência fácil com Jenson Button, um “mentor” útil. Já para não falar que permitiu a Ron Dennis chatear Montezemolo, que tanto quis deixar Sérgio onde estava que acabou por perdê-lo. E ainda bem. Já imaginaram o desperdício de talento que teria sido ver Pérez como segundo piloto de Alonso?

O homem que não terá mesmo gostado da notícia é Schumacher, que depois de a Mercedes ter tentado simpaticamente livrar-se dele (com uma oferta de lugares na gestão da equipa e no DTM), se viu agora mesmo corrido de Brackley. Curiosamente apenas desejou boa sorte à equipa e a Hamilton em particular, sem uma palavra sobre abandonar. Mas espero bem que sim. Há Razias, Frijns, Félix da Costas e Bianchis à espera de oportunidades de mostrarem o que valem, estando um lugar ocupado por alguém que já viu os seus melhores dias passarem…

A juntar a isto foi também revelado o calendário de 2013, com as únicas alterações a serem a troca de lugar entre Yeongam e Suzuka (alguém percebeu porquê?) e a entrada do circuito de New Jersey para o lugar de Valência (ainda em dúvida, segundo Ecclestone). Sinceramente estava com esperanças que a Coreia saísse, mas espero que a etapa de Nova Iorque aconteça, a pista surpreendentemente parece interessante.

PS: Enquanto escrevo isto, António Félix da Costa voltou a vencer de forma magistral à chuva em Paul Ricard a primeira corrida das World Series, e mesmo faltando às 3 primeiras rondas dupla, está em sexto no campeonato. Este ano o Top 5 é muito realista, e para o ano o título perfeitamente ao alcance. E em 2014, se tudo correr bem, será o 5º português na F1. Força AFC!





Campeonato bem vivo

9 09 2012

Há 12 meses atrás, após a corrida de Monza, estávamos com dúvidas sobre se o campeão mundial Sebastian Vettel iria conseguir o título já em Singapura ou se teria de esperar até Suzuka. Este ano saímos com 5 pilotos de 4 equipas diferentes com hipóteses ainda muito realistas de lá chegar. Afinal entre primeiro e quinto estão apenas 47 pontos quando faltam 7 corridas para o fim.

A vitória nunca esteve muito em questão neste fim-de-semana, apesar da aproximação final de Sérgio Pérez a Lewis Hamilton. O piloto da McLaren tem estado com os holofotes da imprensa sobre após os rumores de que estaria de saída para a Mercedes, e não poderia ter respondido de maneira melhor, subindo para a vice-liderança do campeonato.

Dominou de início a fim, e viu os carros de Schumacher e Rosberg terminarem em 6º e 7º, respetivamente. Portanto parece óbvio que o inglês sabe que uma ida para a Mercedes é um gigante passo a trás em termos de resultados, ainda que possa ser compensado financeiramente. O mais provável é que esteja a usar esse argumento como pressão para um aumento salarial, porque com o aumento salarial a Button ficou a ganhar o mesmo que Jenson, que Hamilton muito certamente considera ser inferior a si mesmo. Compro mais facilmente esse argumento.

Atrás dele algumas surpresas. Em primeiro lugar a excelente exibição de Sérgio Pérez, que novamente mostrou o seu grande trunfo: a preservação dos pneus. Parando mais de 10 voltas depois da maioria, o mexicano conseguiu passar facilmente os adversários no final da pista, com destaque para a passagem sobre Alonso antes da Variante Ascari. Espero que não vá para a Ferrari tão cedo, porque decididamente não merece o tratamento de segundo piloto que lhe esperaria. E se a Sauber conseguir manter este nível, não se vêem para já razões para sair.

Os dois Ferrari estiveram bastante bem. Massa andou bem ao longo do fim-de-semana, conseguindo igualar o melhor resultado do ano em 4º. Teve que deixar passar Alonso, mas tendo em conta que está em 10º no campeonato é perfeitamente aceitável. Mas o espanhol não contou com facilidades foi de 10º até 3º, incluindo uma luta particularmente dura com Vettel, com direito a reedição do duelo do ano passado mas com os papéis invertidos.

Ainda que dura a penalização imposta ao alemão foi justa. Cada vez mais tem ficado moda forçar o adversário a escolher entre abrandar ou ir para fora quando já estão ao lado, o que é muito anti-desportista. A penalização de Vettel e a suspensão de Grosjean mostram que os comissários também concordam.

Quem está a fazer lembrar o conto da lebre e da tartaruga é Kimi Raikkonen, que conseguiu suster os ataques de Schumacher para chegar em 5º numa pista em que os Lotus não conseguiram dar-se bem (como d’Ambrosio em 13º demonstrou). Assim Raikkonen conseguiu passar a 3º no campeonato, a apenas 1 ponto de Hamilton. Já está a merecer uma vitória há muito tempo.

A Mercedes também mostrou sinais encorajadores, mas não nos podemos esquecer que os motores alemães se costumam dar bem em Monza.

Assim o campeonato vê-se relançado, com a crescente forma da McLaren que já vai em 3 vitórias seguidas. A Red Bull parece estar a perder alguma forma, mas não nos podemos esquecer que os austríacos há bem pouco tempo eram cotados como a maior ameaça a Alonso…

Veja os resultados completos.





Título de Zero: Parte 1 – Hungria 97

10 08 2012

Há alguns meses atrás fiz um dos posts que mais gosto tive em fazer. O Título de Zero. Sempre admirei muitíssimo Damon Hill, no entanto tenho noção de que muito dificilmente alguém o consideraria durante muito tempo na elaboração da sua lista de Melhor Piloto de F1. Não posso censurar completamente essas pessoas. Também não é o meu favorito. Mas o piloto que está no topo da minha lista não é ninguém óbvio como Senna ou Schumacher. Fica para um post de outro dia.

O que interessa aqui é que embora não seja o líder da minha lista, é ainda assim um dos meus pilotos favoritos. É, na minha opinião, o campeão de F1 mais subvalorizado de sempre. Assim inauguro hoje o primeiro dos três momentos que mo permitem justificar. Recuemos até ao final do ano de 1996.

Parecia estar tudo a correr maravilhosamente bem para Damon. Apesar de ter tido mais pressão do que estaria à espera da parte do companheiro de equipa, venceu no Japão, conquistando o título. No entanto, imediatamente a seguir a Williams demitiu-o, para colocar Heinz-Harald Frentzen no seu lugar. Com um título mundial no bolso e a hipótese de dar o #1 a quem o contratasse, Hill podia calmamente analisar as suas ofertas, bem numerosas, de McLaren, Benetton e Ferrari. Depois de analisar cuidadosamente o britânico optou pela Arrows. Eu também não…

Habitual frequentadora do meio do grid, Hill acabou por ter uma temporada bastante fraca. O retrato da temporada foi estabelecido logo na primeira corrida do ano. No GP da Austrália, Damon teve que se servir de todo o seu talento para conseguir colocar o carro dentro do limite dos 107%, algo que o seu companheiro de equipa (Pedro Paulo Diniz) não conseguiu, mas ainda contou com a benevolência dos comissários para participar. No dia seguinte, o campeão do mundo em título tinha uma tarefa bem complicada la frente. Não a chegou a disputar. O carro disse basta na volta de aquecimento. E já ia o campeonato quase a meio quando finalmente conseguiu um mísero ponto.´

E foi neste contexto que o britânico chegou à 11ª ronda do ano de 1997, no Hungaroring.

Sexta-feira. Damon Hill passou 55 minutos na box da sua equipa à espera da resolução de um problema no sensor eletrónica da caixa de velocidades do Arrows. Depois desse tempo o problema pareceu estar resolvido e enviaram-no para a pista. Na sua primeira volta lançado, Hill estabelece o quinto tempo. Oi? Para quem achou que tivesse sido um simples flop, no sábado chegou a confirmação, Hill consegue o terceiro melhor tempo nos minutos finais da qualificação.

A mistura das caraterísticas do Hungaroring (travado e que dá pouca importância à potência dos motores, beneficiando mais o chassis), com as boas prestações dos pneus da Bridgestone face aos Goodyear com o calor, e o talento do filho de Graham, provou ser um conjunto altamente competitivo.

“Nós achámos que podíamos entrar no top 10, talvez o top 6,” disse Hill “mas entrar no top 3 foi muito bom. A Bridgestone chegou aqui pela primeira vez e conseguiu acertar na perfeição. Estou surpreendido, mas estávamos todos muito juntos com pouco tempo a separar-nos, por isso sabia que se conseguisse um pouco mais de tempo faria uma grande diferença, portanto pus prego a fundo e arrisquei”.

Na corrida foi ainda mais impressionante o ritmo do inglês. Na partida superou de imediato o antigo companheiro de equipa Jacques Villeneuve, e depois de uma perseguição de 10 voltas ultrapassou na reta da meta o líder Michael Schumacher. Uma Arrows liderava, e Hill fazia-o pela primeira vez desde a corrida que lhe dera o título mundial. Pouco tempo depois Frentzen roubou-a, mas bastaram quatro voltas para que o homem que substituíra Hill na Williams abandonasse com problemas mecânicos.

Novamente na frente Hill dominava com autoridade para surpresa de todos. Volta 36, 12 segundos de vantagem. Volta 40, 17 segundos de vantagem. Volta 48, 25 segundos de vantagem. A 3 voltas do fim da corrida, Hill liderava por uma gigantesca margem de 35 segundos. A vitória era certa.

“Eu comecei a pensar que ia ganhar,” disse Damon após a corrida “e quando se faz uma coisa dessas alguma coisa corre mal sempre. Eu estava a sair da chicane e o acelerador não estava a fechar quando eu levantei o pé. Eu pensei “estranho, se calhar é o meu pé” e depois houve três ou quatro curvas em que não mudava de mudança como deve ser.”

Problema hidráulico. Volta 75, e Villeneuve recuperou 9 segundos. Volta 76, e Villeneuve recuperou 20 segundos. Último volta, Villeneuve estava mesmo em cima do antigo colega de equipa e passou (com um pouco de relva à mistura). Hill teve que se contentar com o segundo lugar.

“Não é possível controlar estas coisas. Eu fiquei simplesmente surpreendido de chegar ao fim e muito feliz de chegar em segundo mas estou com emoções contraditórias. Adorava ter ganho esta corrida, mas o segundo lugar é um bom resultado.”

No entanto, a Arrows apenas permitiu a Hill chegar a mais uns pontos, e o britânico acabou mesmo por abandonar a equipa pela Jordan. No entanto deixou-nos com uma das derrotas mais duras do automobilismo, e uma verdadeira prova do seu talento. Há exatamente 15 anos.





Die Zukunft*

28 06 2012

* O Futuro

Depois de duas temporadas em que as 4 principais equipas não realizaram qualquer alteração no seu line-up de pilotos, a imprensa tem vindo a dar asas à sua imaginação, criando os mais rocambolescos cenários que se possam imaginar, na ausência de verdadeiras notícias dignas desse nome.

A mais recente criação diz respeito ao bi-campeão mundial Sebastian Vettel. Tem-se vindo a “noticiar” (entre aspas porque nem se podem classificar de notícias) que o alemão teria um acordo com a Ferrari para se tornar companheiro de equipa de Alonso a partir de 2014. O rumor começou por Stefano Domenicalli ter dito que os dois campeões poderiam coexistir, e com Alonso a dizer que não se importaria de o ter como companheiro.

Sinceramente? Não tem pés nem cabeça… Sebastian Vettel não é o tipo de piloto que gosta especialmente de desafios. A sua situação ideal é a de acumular vitórias, liderar corridas de princípio a fim, ter o melhor carro à sua disposição, e uma equipa inteira a apoiá-lo.

Analisemos agora a Ferrari. Começou o ano com um carro patético, e só à custa de muito suor de Alonso conseguiram amealhar duas vitórias, logo porquê sair de uma equipa que tem o hábito de acertar sempre com o carro? Depois há ainda a questão de Alonso. Não só o espanhol, mas também o alemão, não têm um historial muito bom quando os companheiros lhes começam a dar trabalho, pelo que não duraria muito uma “paz” entre dois pilotos que se consideram os melhores e que não têm o hábito de serem… graciosos nas derrotas.

Já para não falar do facto de ambos terem nas suas atuais equipas um tratamento de reis e senhores, sendo que nenhum deles estaria interessado em ter as atenções divididas no seio de uma equipa. Aliás quando Alonso se mostra interessado em dividir a equipa com Vettel, não deixo de ter a impressão de que ele quer mais dizer que gostaria de vencer Vettel com equipamento igual, para provar que é melhor…

E em todo o caso a alteração de que eles falam apenas teria algum efeito daqui a 2 anos, e muito provavelmente nem acontecerá. Pelo menos antes do final do contrato de Alonso terminar.

Todos parecem ignorar é outra vaga que tem grande potencial de ficar disponível, e que caso não fique poderá levar a alguns casos pendentes. Falo da atual vaga de Michael Schumacher.

O alemão tem vindo a expressar o seu desejo de permanecer em competição ao serviço da Mercedes, no entanto desde o seu regresso que não tinha vindo a apresentar resultados. Só que em 2012 o alemão tem vindo a mostrar um ritmo muito mais elevado que nos anteriores, e embora esteja com apenas 17 pontos (contra 75 de Rosberg) tem estado em boa forma, devendo-se a esmagadora maioria dos seus abandonos a problemas mecânicos.

Uma coisa parece certa: 2012 dificilmente será o ano da 8ª consagração de Schumacher, o que nos leva a ponderar se ele estará a pensar em prolongar a sua carreira (e por quanto tempo). É que ter Schumacher como relações públicas deve estar a dar um bom dinheiro à Mercedes, e com a sua subida de forma, fica mais fácil argumentar junto da casa-mãe a manutenção do hepta-campeão mundial.

O que não deixa de ter repercussões no mercado de pilotos. Já se falou várias vezes que os alemães estariam interessados nos serviços de Hamilton ou Vettel, aliciando-os com salários elevados, ou então do seu protegido Paul di Resta, que espera pacientemente na Force India, já para não falar do trio de jovens (Merhi, Vietoris e Wickens) que recentemente acolheram.

Assim temos uma das equipas de topo fechadas, olhemos agora para outras que já venceram este ano. A Red Bull manterá Vettel, e Webber já disse que só saía se deixasse de haver performance na equipa. A McLaren não deverá mexer. A Ferrari, na ânsia de dar um companheiro que não chateie Alonso e com os rumores de Vettel, poderá mesmo ter que optar por manter Massa. A Williams manterá um dos seus pilotos atuais, e dará lugar a Bottas.

Assim, a vaga que mais hipóteses tem de ficar livre ainda é a da Mercedes. O que não é também muito provável. O futuro mais próximo parece não trazer alterações nenhumas, mesmo…





Título de Zero

8 06 2012

A Fórmula 1, como todos sabemos, é considerada por muitos como o principal expoente do automobilismo mundial. Quer isto dizer que todos os seus campeões mereceriam um grande respeito, como os melhores entre vários pilotos de elite que dão tudo para o conseguirem de vários cantos do mundo. Mereceriam, mas muitas vezes não o têm.

Talvez os leitores habituais deste blog já tenham reparado que não morro de amores por Fernando Alonso e Michael Schumacher. No entanto reconheço (com alguma resignação, eu admito) que são dois dos mais talentosos pilotos da história deste desporto, e como tal posso criticar as suas decisões, mas nunca disse nem direi que são maus pilotos só por não gostar deles.

Mas nem sempre é assim, muitas vezes já li várias opiniões de fãs de automobilismo que simplesmente decidem que um título mundial conquistado com muito suor e esforço não vale afinal nada, e que podem dar atestados de estupidez a pilotos que conquistam mais na sua vida do que muitos deles somados…

Um bom exemplo é Jenson Button, que mesmo hoje ainda tem vários cépticos no que toca ao seu talento, em especial nas comparações com Lewis Hamilton. Mas mesmo assim existe um piloto em especial na história da F1 que eu, pessoalmente, penso sofrer mais deste tratamento: Damon Hill.

O campeão do mundo de 1996 contou ao longo da sua carreira de F1 com companheiros de equipa muito talentosos (Ayrton Senna, Alain Prost e Jacques Villeneuve) e um título mundial, mas teve a infelicidade de ter tido Michael Schumacher como rival, e de ter conquistado o seu título num ano em que o alemão não estava ao seu melhor (primeira temporada na Ferrari).

Hill estreou-se na F1 em 1992 pela fraca Brabham, que desesperada por alguma fonte de receitas e atenção no seu final de vida, decidiu dar um carro ao filho do campeão britânico Graham Hill. Damon apenas conseguiu qualificar-se justamente no seu GP caseiro em Silverstone, em que apenas teve algum destaque quando Nigel Mansell (o vencedor) lhe deu quatro voltas de avanço…

No entanto o posto de piloto de testes da Williams, valer-lhe-ia um lugar como titular na equipa em 1993, ao lado de Alain Prost, conseguindo três vitórias. Em 1994, o britânico teria como companheiro de equipa Ayrton Senna, o que o relegaria para segundo plano, mas o infeliz e inesperado destino do brasileiro viria a promovê-lo à inesperada posição de líder da equipa. Hill fez o melhor que podia e graças à suspensão de Schumacher em duas corridas, chegou à última ronda a apenas 1 ponto do alemão.

No entanto, já sabemos o que aconteceu. Liderando a corrida, Schumacher sai de pista, colidindo com o muro. Vendo Hill aproximar-se, o alemão atira-se para cima do britânico, acabando com a corrida de ambos e vencendo o título.

A melhor descrição sobre o incidente que já ouvi foi dada, na brincadeira, por Jeremy Clarkson, ao descrever a mentalidade do alemão como: “Não te vou deixar vencer-me, porque sou simplesmente melhor que tu…”. E foi um pouco isso que aconteceu, Schumi simplesmente recusou-se a perder para Hill, por não o considerar um adversário verdadeiramente ao seu nível.

E mesmo após a conquista do seu título, raramente o inglês conseguiu qualquer reconhecimento dos seus adversários ou dos fãs de automobilismo, considerando-o como fruto de um carro dominador e um companheiro de equipa estreante (e mesmo assim Villeneuve ainda foi até à última corrida com hipóteses).

No entanto, sempre considerei Hill como um dos melhores pilotos da história, e sem dúvida como um dos mais subavaliados da história. Assim até ao fim do ano, irei publicar três das histórias sobre Hill que mais me convencem das suas capacidades.

Ah, e após o que aconteceu em Adelaide 94, Hill decidiu uns anos mais tarde dar um pouco de troco ao alemão, como se pode observar no vídeo. Em Suzuka 97, Hill não deixou Schumacher dobrá-lo, o que contribui para a aproximação de Frentzen, na disputa do 1º lugar.





O “regresso” da Williams

14 05 2012

Ainda me lembro do GP do Brasil de 2004. Foi a primeira corrida de Fórmula 1 que vi desde o início até ao fim. Foi bastante memorável, por acaso. Depois de um domínio gigantesco (com 13 vitórias), Michael Schumacher teve um fim-de-semana bastante fraquinho; Rubens Barrichello fez o seu melhor GP caseiro de sempre, terminando no pódio.

E o vencedor? Um colombiano que se vinha a assumir como um potencial campeão, e que se iria mudar para a McLaren em 2005 para formar uma dupla temível com Kimi Raikkonen. Era também a única vitória para a Williams nesse ano depois de uma temporada bastante fraca. Em 2005 melhores tempos viriam…

Mas não vieram. 2005 foi o início da Williams como equipa do pelotão do meio, que foi dolorosamente cimentada nessa posição com um 2006 péssimo. A troca dos Cosworth pelos mais potentes Toyota ajudou a equipa a subir um pouco, para lugares nos pontos habituais, com dois ou três pódios ocasionais. 2010 ainda foi decente, mas 2011 foi a pior temporada de sempre da equipa britânica.

2012, por acaso não prometia muito mais. A manutenção de Pastor Maldonado e a contratação de Bruno Senna pareciam indicar que a equipa se afundava cada vez mais, procurando desesperadamente fontes de dinheiro. A contratação de Coughlan, envolvido no escândalo Stepneygate em 2007 também não ajudaram a dar credibilidade ao projeto.

Mas ontem, contra todas as expetativas (as minhas inclusive), a Williams provou a todos que o FW34 é um ótimo carro, e que o pouco cotado Maldonado tem talento suficiente para aguentar a pressão do bi-campeão mundial Fernando Alonso durante várias voltas para garantir o primeiro triunfo da equipa em oito anos, ocasião daquele GP do Brasil de 2004.

O venezuelano esteve brilhante, não hajam dúvidas, fazendo a pole position, e fazendo um ritmo de corrida excelente, sem nunca largar Alonso no início da corrida, o que lhe valeu o merecido triunfo.

Embora tenha sido contra as minhas expetativas, não foi certamente contra a minha vontade. Torci imenso por Maldonado ao longo da corrida, e espero (tal como todos os fãs de F1, certamente) que este “regresso” da Williams seja definitivo e não só pontual. Tomara!

PS: E destaque ainda para a solidariedade entre as equipas na ocasião do fogo na garagem da Williams após a corrida. Felizmente ninguém se parece ter ferido com gravidade.