Rever a opinião

20 03 2012

E começou finalmente a temporada. Confesso que odeio profundamente a pré-temporada, ver carros a testar sem se fazer a mínima ideia de onde estão em relação aos outros. Mas gosto bastante de ver a primeira corrida do ano. Folha em branco. Os primeiros indícios de como a temporada se irá traçar. E pelo que se viu de 2012 dá para perceber que temos uma grande temporada a desenhar-se…

Pela primeira vez em anos mais recentes acho que não alteraria nem um pouco as diferenças de andamento das equipas. Quer dizer, tenho a minha equipa favorita (e piloto favorito) a vencer, o “Iceman” não perdeu nenhuma das suas capacidades, a Lotus tem um carro melhor que a Ferrari, a Ferrari anda com tantas capacidades quanto um Toro Rosso, e a Williams parece ter voltado a níveis de 2010.

Aliás, no meio de tudo, acho que foi essa a melhor novidade de 2012. A Williams, mesmo longe de pensar em pódios, mostrou que está a sair da queda livre em que se encontrava. Por pior que esteja a Ferrari, continua a ser a Ferrari, por isso passar uma corrida inteira a pressionar Fernando Alonso é um grande feito para uma equipa que só bateu as “estreantes” no ano passado.

O problema é que numa equipa pequena e desesperada por resultados, quando alguma oportunidade é desperdiçada rapidamente se cai em desespero. Pastor Maldonado seguia atrás de Alonso quando na última volta perdeu o controlo do carro e perdeu a hipótese de conquistar mais pontos em Melbourne que na temporada de 2011 inteira.

Eu não sou nada fã do venezuelano. O título de GP2 pode até ser impressionante, mas ao fim de 4 temporadas na categoria alguma coisa tinha que ter aprendido. Mas, também tenho a perfeita noção de que é um piloto com talento. Não é qualquer idiota que consegue andar ao mesmo ritmo de um bi-campeão mundial… E para aqueles que criticam o facto de ter arriscado demais quando tinha 8 ponto garantidos, eu lembro que estão proibidos de voltarem a reclamar de que os pilotos atuais não têm garra.

É aqui que Alex Wurz vai entrar em ação, como consultor dos pilotos da Williams. Dando-lhes confiança para atacarem, mas relembrando-os a pensar bem antes de o fazerem. Porque rebaixar um piloto que erra, apenas o vai tornar num cauteloso que se arrasta pelo pelotão… Revejam a vossa opinião.

E a propósito disso, há outra revisão de opinião (desta vez minha) para fazer. Como já disse anteriormente tenho um ódio de estimação ao Fernando Alonso. Mas, como pedir revisões de opinião e ser inflexível na minha é (no mínimo) patético, vou admitir que o espanhol me convence cada vez mais que é imbatível se ficar com o melhor carro. Não vou torcer para que isso aconteça, mas a ficar em 5º com um Ferrari que mal consegue entrar nos pontos é simplesmente brilhante.

E pronto, aproveitem, porque tão cedo não voltarei a dizer palavras simpáticas sobre o Alonso: tenho medo que me faça mal…

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O calendário de Bernie, e como devia ser

1 09 2011

O calendário de 2012 está oficialmente confirmado. Quase nenhuma novidade no geral: a grande quantidade de dinhei… digo, simpatia do governo do Bahrain recolocou-os no calendário (ainda que, felizmente, não a começar a temporada); a chegada do GP dos EUA em Austin; e, a saída do GP da Turquia.

Um cenário que não veremos em 2012: Istambul Park.

Este último ponto é talvez aquele que mais importância para mim tem. Ao longo dos anos temos assistido à multiplicação dos circuitos Tilke do calendário. O projectista favorito de Bernie Ecclestone tem sido o único a ter permissão para colocar os carros de F1 nas suas pistas, como a pista de Austin, e vários circuitos tradicionais ou mais interessantes têm vindo a cair, de modo a que possam ser construídos novos em locais exóticos ou comercialmente interessantes como Abu Dhabi, Índia ou China. Mas, quando se começam a ver “Tilkódromos” a cair é sinal de que estamos mesmo mal.

É certo que haviam mais moscas que pessoas nas corridas disputadas em Istambul, mas o circuito era o mais interessante de Tilke, com a famosa curva 8, e agora desapareceu. E corridas mais tradicionais como os GP’s da Bélgica e França, planeiam alternar de modo a conseguirem suportar os gigantescos custos de Ecclestone.

O que nos leva a uma questão: se este desporto se quer verdadeiramente considerar como o mais prestigioso, não deveria correr nas melhores pistas do mundo? Aqueles que verdadeiramente desafiam os pilotos e as equipas, e possam contribuir para o espectáculo? Decidi, por isso, partilhar aqui o calendário de 2011 na versão Fórmula Portugal, vejamos:

Como deveria ser o calendário.

Como podem ver o campeonato começa em Melbourne, uma das minhas pistas favoritas, e (a maioria concordará) o melhor sítio para começar a temporada. Mas, se olharem para a minha segunda corrida, tenho a certeza que vão pensar que perdi o juízo… Ruapuna Park. Ligeiramente estranha de pronunciar, esta é a sede que escolhi para o GP da Nova Zelândia. É um circuito de curvas de média-alta velocidade, e consigo ver dois pontos de ultrapassagem “visíveis”. É o meu género de circuito: é técnico, e é um desafio de ver até onde se pode puxar a corda (ou o acelerador…) nas secções rápidas.

De seguida, viajamos para a Malásia, uma das quatro pistas de Tilke no calendário (para mostrar que quando quer, o alemão sabe criar boas pistas), e Brasil, em Interlagos, uma pista excelente e que, na minha opinião, fica melhor no início do ano. Aproveitando estar na América, o calendário visita os EUA e Canadá. Montreal para o Canadá, obviamente, mas os EUA não vão para Austin ou Indianápolis, mas sim Laguna Seca. Não deixa de ser curioso que os americanos, fãs de ovais e NASCAR, tenham criado uma pista como Laguna Seca. Criada no local de uma (adivinharam) lagoa seca, a pista tem algumas  sucessões rápidas, ainda que sem longas rectas, e uma das mais complicadas curvas do mundo, a Corkscrew (saca-rolhas). É uma volta curta, mas isso quer dizer que têm que se dar mais voltas que o habitual à pista (o que não é má notícia).

Uma das rectas de Hockenheim... se calhar era melhor colar alcatrão. Se calhar.

Começando a temporada europeia, lamento informar que nenhuma pista espanhola me agrada pelo que coloquei o GP de Portugal no lugar de Montmeló. Um pouco parcial, eu sei, mas a pista de Portimão tem sido muito elogiada pelos pilotos e era uma escolha óbvia para mim. Mónaco a seguir, com o regresso de Imola e A-1 Ring (Red Bull Ring), que nunca deveriam ter saído. Dois GP’s da Alemanha, mas só para esclarecer: o Hockenheim (GP Alemanha) é o antigo, com as gigantescas rectas, e não a versão encomendada por Ecclestone; e o Nurburgring (GP Europa), a versão actual, e não o monstro que é o Nordeschleife (até eu consigo ver que seria seguro em F1’s). Os suspeitos habituais (Silverstone, Monza, Spa), a serem acompanhados pelo regresso do GP de França e a manutenção do da Turquia.

A recta final da temporada a começar em Singapura. Nunca tinha gostado da pista, mas agora, depois de exprimentar num jogo, consigo perceber porque os pilotos gostam dela. Outro trabalho conseguido de Tilke, Shangai vem a seguir. As duas corridas finais a serem a exemplo dos anos 80: Suzuka e Adelaide. O GP do Japão sediou várias corridas lendárias, e o antigo GP da Austrália tinha uma pista muitíssimo divertida, a sediar aqui o GP do Pacífico (melhor que nos anos 90, em Aida…).

E ei-lo. 21 corridas. Um pouco extenso, mas sempre melhor que o que temos actualmente. Se bem que isso não seja muito complicado…





Domínio absoluto de Vettel

27 03 2011

Depois da gigantesca pré-temporada, a temporada era aguardada com grande ansiedade: quem estaria no topo, e como influenciariam as novas regras as corridas? Aparentemente, nada se modificou. Ou pelo menos quase nada…

Vettel começou como tinha acabado: a ganhar.

Sebastian Vettel começou 2011 do mesmo modo que acabou 2010: a esmagar a concorrência. Embora Hamilton tenha conseguido aproximar-se brevemente do alemão, antes da primeira paragem nas boxes, Vettel deu o ar de ter tudo sobre controlo, mesmo sem a ajuda do KERS. O campeão do mundo esteve soberbo, levando mesmo a crer que só perderá o título se fizer grandes asneiras, o que não parece provável, a julgar pelo andamento demonstrado!

Já o seu companheiro Webber não demonstrou o ritmo que quase o levou à conquista do título do ano passado, estando sempre mais lento que o outro Red Bull, e não conseguiu aproveitar o ritmo alucinante do seu RB7 para, pelo menos, chegar em segundo. Acabou por cumprir a sua “tradição” de ser absolutamente mediano em Melbourne…

A segunda força

Embora a Red Bull se destaque como a equipa mais forte, a concorrência para segurar os postos imediatamente a seguir é forte. A Ferrari parece não ter ritmo de qualificação, embora seja quem esteja mais perto da frente na corrida. Alonso conseguiu levar o 150º Italia até ao 4º posto, pressionando Petrov. Decididamente o espanhol deve estar a preparar um boneco vudu do russo… Já Massa não conseguiu andar ao ritmo do companheiro de equipa.

Petrov brilhou levando o Renault ao pódio.

Falando de Petrov, o russo fez sem dúvida a melhor corrida da sua curta carreira, pulando para a frente na largada, onde se manteve graças a uma constância incrível, que lhe valeu o primeiro pódio da carreira (e de um russo na F1). Sem dúvida que não lhe podem ser retirados os louros, mas não nos deixamos de interrogar até onde Robert Kubica não levaria o R31 se não estivesse “fora de combate”… Sem dúvida melhor que o substituto, Heidfeld, que se limitou a bater Lotus e Virgin!

Também nesta luta se pode incluir a McLaren que conseguiu recuperar o tempo que o MP4-26 perdia durante os testes de Barcelona. Os ingleses conseguiram chegar até ao segundo e sexto lugares com Hamilton e Button, respectivamente. No entanto, Lewis acabou a corrida a tentar chegar ao fim pois o carro estava a começar a tocar no chão, e Jenson levou um “drive-through” à conta de uma ultrapassagem fora de pista a Massa, se bem que talvez não a tivesse merecido.

Surpresa da Sauber

Pérez surpreendeu, com uma condução soberba.

Quem acabou por surpreender pela positiva foi a Sauber, que conseguiu levar os seus carros até sétimo e oitavo lugares. É certo que foram desclassificados por uma questão acerca da asa traseira, mas tendo em conta que em 2010 os C30 se arrastavam no início da temporada, pode-se considerar uma melhoria enorme para esta temporada.

Ainda para mais, tendo em conta que possui uma dupla promissora. Kobayashi já se havia estabelecido como uma grande promessa pelas suas prestações de 2009 e 2010, mas Pérez vinha com algumas críticas, que afirmavam que só se encontrava com o lugar na equipa suíça devido ao patrocínio da Telmex. Na realidade o mexicano esteve soberbo, sendo constante, o único a fazer apenas uma paragem nas boxes (!), e com grande rapidez, que o levaram a terminar na frente do companheiro mais experiente.

As novidades

No geral é possível observar que todas as alterações tiveram um efeito muito… imperceptível. O DRS (Drag Reduction System, asa traseira móvel) não deu nenhuma chuva de ultrapassagens, o que por um lado é positivo, pois leva o piloto a continuar a assumir bastante importância (o sistema limita-se a aproximá-lo); mas por outro leva-nos a questionar-nos então, porquê sequer incluí-lo? Ainda para mais porque o F-Duct fazia a mesma função…

O KERS também não trouxe nenhuma melhoria ao espectáculo: antes pelo contrário, permitiu a alguns pilotos defenderem-se de outros que os atacavam com o DRS!

Enfim, esperemos até daqui a duas semanas, pelo GP da Malásia para se observar como fica a organização das corridas, perante uma corrida mais “normal”. Veja os resultados completos do GP da Austrália.