1 Ano

16 10 2012

Faz exatamente hoje um ano desde que a IndyCar registou a sua última fatalidade em Las Vegas. Dan Wheldon pode já não estar entre nós, mas a sua memória dificilmente será apagada, pois o inglês representou para a categoria de monopostos americana, o mesmo que Senna representou para F1 nos anos 90. Um despertar para os problemas de segurança.

Rubens Barrichello, por exemplo, que já experimentou ambas as categorias, afirmou este ano que a F1 muito dificilmente aceitaria algumas das pistas em que os americanos correm por questões de segurança. Na altura houve quem acreditasse ser mais uma das muitas provas de falta de empenho na Indy, e se é parcialmente verdade, também é verdade que ele tem razão, tanto para o bem (o asfalto esburacado da Indy) como para o mal (dificilmente Bernie aceitaria Sonoma).

Enfim, fica aqui a lembrança de Dan Wheldon, que tragicamente perdeu a vida à um ano. Rest In Peace, mate.





Top 10 – Vitórias Menos Distribuídas (Parte 1/2)

13 10 2012

Uma das caraterísticas mais notórias quando se observam quando se vasculham os recordes da Fórmula 1 é a presença constante de um certo alemão. Pois é, 5 títulos em 10 anos de Ferrari também ajudam, mas Michael Schumacher não chegou à liderança das tabelas de quase todos os recordes da F1 sem talento.

Mas como me apetece fazer um Top 10, e não me apetece fazer a desfeita aos meus leitores de colocar o Schumacher na liderança de algo neste blog, decidi manter-me no tópico dos países no automobilismo como no post sobre a China. Lembrei-me de fazer dos países com mais vitórias, e daria Reino Unido no topo. Mas para o fazerem precisaram de 19 vencedores, enquanto o segundo classificado a Alemanha apenas “usou” 7, logo tem maior aproveitamento, por assim dizer. E foi aí que tive a ideia para o post.

Basicamente a ideia é a seguinte. Países que tenham tido 2 ou menos representantes com vitórias na F1. Como os malucos costumam ter sorte, depois de consultar um pouco o Stats F1 descobri que existem exatamente 10 países nessa condição… A ordem para os classificar é a média de vitórias por piloto.

10 – Venezuela

1 Vitória. 1 Vencedor. Média: 1

No último lugar da lista aparece a mais recente adesão ao grupo dos países vencedores. O país da América do Sul nunca foi exatamente rico em talento, e antes da entrada de Pastor Maldonado tinha o mesmo número de pilotos que a Índia. O seu melhor resultado anteriormente era um sexto lugar de Johnny Cecotto.

Mas os apoios de Hugo Chávez sob a forma da petrolífera PDVSA aos pilotos do seu país têm estado a fazer aparecer venezuelanos no automobilismo mundial como EJ Viso na IndyCar, Cecotto Jr. na GP2, e o responsável por colocar o país nesta lista, Pastor Maldonado.

O piloto da Williams conseguiu este ano acabar com o jejum de oito anos da equipa inglesa, e colocar a bandeira venezuelano no topo do pódio de Montmeló, depois de uma acirrada disputa com o bi-campeão Fernando Alonso, em que se comportou de maneira brilhante.

Claro que desde então só voltou a terminar nos pontos mais uma vez, mas se conseguir comportar-se nas restantes corridas como fez em Monza, acredito que terá mais potencial que Bruno Senna. O que tendo em conta a presença de Valtteri Bottas dava jeito, convenhamos…

9 – Polónia

1 Vitória. 1 Vencedor. Média: 1

É certo que o país da Europa Central tem as mesmas estatísticas que o 10º colocado desta lista, mas enquanto os venezuelanos podiam-se gabar de já ter tido alguém a representá-los, os polacos apenas tiveram um representante, portanto ainda bem que lhes calhou alguém como Robert Kubica.

Depois do fracasso de Jacques Villeneuve na BMW em 2006, coube ao jovem Kubica tomar o seu lugar para o GP da Hungria, onde impressionou bastante com o seu 7º lugar (que mais tarde seria retirado por motivos técnicos), e acabou o ano com um pódio no GP de Itália.

Depois de dar luta nos anos seguintes ao companheiro de equipa Nick Heidfeld, o polaco conquistaria o seu primeiro triunfo no GP do Canadá de 2008, aproveitando o falhanço cerebral de Hamilton, que levou pelo caminho Kimi Raikkonen. E poderia ter sido o início de algo ainda maior, não fosse a casmurrice de Mario Theissen em concentrar os esforços para 2009, ano desastrado para os alemães e que ditou o final da equipa.

O resto já se sabe. Desejamos todos um regresso rápido a Robert, que recentemente regressou ao volante, vencendo o Rali Ronde Gomitolo di Lana, e afirmou que o objetivo é regressar à F1 em 2014. Todos os fãs assim o esperam porque se há piloto que tem muito mais do que as estatísticas o aparentam é Kubica…

8 – México

2 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 2

O GP do México teve ao longo da história da F1 16 edições (uma delas extra-campeonato) e todas foram realizadas num circuito originalmente chamado Magdalena Mixhuca, perto da capital. No entanto, apenas um ano após a sua abertura mudou a sua nomenclatura para Autódromo Hermanos Rodríguez. Os Schumacher podem ter sido os primeiros irmãos a fazerem dobradinha na F1, mas os irmãos mais famosos no automobilismo são os Rodríguez.

Entre ambos, o merecedor de maior destaque nesta lista é Pedro Rodríguez, o vencedor em questão. Ambos chegaram à notoriedade como motociclistas, com Pedro a vencer em 1953 e 1954. Fez a estreia em Le Mans com apenas 20 anos partilhando um Ferrari 250 Testa Rossa com o irmão Ricardo. Viria a vencer em 1968 ao volante de um Ford GT40 com Lucien Bianchi (tio-avô do atual líder das World Series).

Após a trágica morte do irmão nos treinos para o GP do México de 1962 chegou a considerar abandonar a competição, mas no ano seguinte fez a sua estreia na F1 na etapa dos EUA ao serviço da Lotus. Apesar das suas duas vitórias (África do Sul 1967 e Bélgica 1970) o mexicano tornou-se mais conhecido pelas suas prestações com a Porsche em Endurance.

Morreu a 11 de Julho de 1971 numa corrida Interserie em Norisring, e para além do autódromo em Novo México tem ainda o seu nome numa curva do autódromo de Daytona.

7 – Suíça

7 Vitórias. 2 Vencedores. Média: 4,5

Localizada na Europa Central, e estando rodeada de países como a Alemanha, a Itália, a Áustria e a França não deixa de ser curioso como a Suíça conseguiu a proeza de não se ver envolvida em nenhuma guerra desde 1815, quando foi restabelecida como estado independente. Mas existe uma guerra que os suíços têm feito ao longo dos tempos. A guerra contra o automobilismo…

Após o tragicamente famoso acidente nas 24 horas de Le Mans, em que o piloto Pierre Levegh e 83 espetadores morreram (para além de mais de uma centena de feridos), vários países, como a Suíça, a banirem o automobilismo no seu território. Só que ao contrário dos restantes, o país da Europa Central decidiu manter esta medida até aos nossos dias, levando a que o GP da Suíça se realizasse posteriormente em Dijon (França).

Mas num dos melhores exemplos práticos de “dá Deus nozes a quem não tem dentes”, os suíços deram a F1 dois vencedores de corridas, e um total de 7 vitórias, possuindo a honra de ser apenas um dos 21 países que já chegaram ao lugar mais alto do pódio, para além de terem uma das equipas mais tradicionais da categoria, a Sauber.

O primeiro a ter a honra foi Jo Siffert, mais conhecido por Seppi, quando venceu o GP do Reino Unido em 1968, aguentando Chris Amon durante uma boa parte da corrida em Brands Hatch. O segundo, e mais famoso, foi Clay Regazzoni, que pilotou por Ferrari e Williams, e se tornou mesmo vice-campeão mundial em 1974, perdendo para Emerson Fittipaldi.

6 – Bélgica

11 Vitórias. 2 Vencedores. Média: 5,5

O pequeno país não tem exatamente pouca tradição no automobilismo, sejamos honestos. O exemplo mais sonante, claro, é o atual piloto da Lotus, Jérôme d’Ambrosio. Não, mas se você pensava que eu estava a falar a sério, então aconselho-o a mudar de hobby…

O autódromo de Spa-Francorchamps pode até ser uma pista que muitos pilotos (nomeadamente Rubens Barrichello e Kimi Raikkonen) têm em conta como a melhor do mundo, mas a tradição belga vai mais além do que o circuito… e d’Ambrosio. Nomeadamente com dois vencedores de grandes prémios.

Em primeiro lugar, um homem que dispensa grandes introduções, Jacky Ickx. O belga é extremamente conhecido pela sua carreira de Endurance, onde conta com 6 vitórias nas míticas 24 horas de Le Mans, mas obteve resultados igualmente impressionantes na F1. Fez a estreia em Nurburgring 1967 num carro de F2 em que chegou a rodar em 5º, depois de na qualificação apenas ter sido batido por dois pilotos de F1 (Hulme e Clark). No mesmo ano conseguiu um ponto em Monza, e no ano seguinte aos comandos da Ferrari venceu o GP da França sob chuva intensa.

O resto da carreira foi impressionante, apesar da injustiça de nenhum título conquistado. Vice-campeão em 1969 e 1970, com 8 vitórias e 25 pódios.

Em segundo veio Thierry Boutsen, que depois de pagar 500 000 dólares por uma vaga na Arrows em 1983 (talvez não o melhor modo  de impressionar nesta lista), conseguiu uma vitória durante alguns momentos até de Angelis ter conseguido reverter a sua penalização. Depois de uma breve passagem pela Benetton, conseguiu a confiança de Sir Frank Williams em 1989 e 3 vitórias. No entanto acabaria por ser substituído por Nigel Mansell, e desde então nunca mais houve uma vitória belga.

Poderia quase dizer que sentia pena de um país cuja esperança é Jérôme d’Ambrosio, mas depois lembro-me que sou de um país cujo melhor resultado foi um terceiro lugar numa corrida de seis carros…