1 Ano

16 10 2012

Faz exatamente hoje um ano desde que a IndyCar registou a sua última fatalidade em Las Vegas. Dan Wheldon pode já não estar entre nós, mas a sua memória dificilmente será apagada, pois o inglês representou para a categoria de monopostos americana, o mesmo que Senna representou para F1 nos anos 90. Um despertar para os problemas de segurança.

Rubens Barrichello, por exemplo, que já experimentou ambas as categorias, afirmou este ano que a F1 muito dificilmente aceitaria algumas das pistas em que os americanos correm por questões de segurança. Na altura houve quem acreditasse ser mais uma das muitas provas de falta de empenho na Indy, e se é parcialmente verdade, também é verdade que ele tem razão, tanto para o bem (o asfalto esburacado da Indy) como para o mal (dificilmente Bernie aceitaria Sonoma).

Enfim, fica aqui a lembrança de Dan Wheldon, que tragicamente perdeu a vida à um ano. Rest In Peace, mate.

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Assim termina…

17 10 2011

Começo o dia bem cedo. 7 horas da manhã e começo a ver o GP de Fórmula 1 na Coreia. Foi uma corrida engraçada, mas não foi das que mais me entusiasmou. Vettel brilhou, já vi; luta forte pelo segundo lugar, já vi; Webber mostrou que os tinha e bem grandes, já vi… Estava mais entusiasmado com outra coisa. Há muito que vinha a ouvir dizer maravilhas da Indycar. Experimentos ver pela primeira vez.

Ainda para mais era a última corrida do ano, com a decisão do título: Dario Franchitti vs  Will Power. Já conhecia os dois lados: li há uns meses uma entrevista de Franchitti à Top Gear em que ele parecia simplesmente, um tipo porreiro que já venceu 3 títulos; e Power, um australiano que recebera a ajuda do compatriota Webber quando a carreira parecera estagnar, e estava com menos hipóteses. Estava a torcer por Power, era engraçado ver um novo campeão.

Wheldon, o ilustre desconhecido, festeja vitória em Indianápolis.

O resto do grid tinha alguns nomes que eu até conhecia: Danica Patrick, a “wonder woman” americana; Hélio Castro-Neves e Tony Kanaan, os braileiros bem-dispostos; Takuma Sato, que fora puxado para fora da F1; e Dan Wheldon. De Dan apenas sabia duas coisas: tinha vencido as 500 Milhas de Indianápolis na última volta, e concorria aos 5 milhões de dólares em Las Vegas. E foi nesta minha quase completa ignorância que comecei a ver a corrida.

Decididamente era diferente do que eu me habituava com a F1. As disputas eram incrivelmente acirradas, os pilotos iam colados uns aos outros, e tinha tudo que ser calculado ao limite. Enquanto me adaptava a este novo tipo de corridas, começa uma grande confusão. Carros por todos os lados, chamas, destroços, e nenhum tempo para evitar o acidente. “Grave acidente!” exclama o comentador. Está bem, mas isto é normal? Grave, como? Grave para os padrões de automobilismo ou para os da IndyCar? À medida que o tempo passa percebe-se que é a última alternativa…

Há quem se tenha safado: Patrick escapa a tudo, e já pensa no reinício; e o candidato ao título, Power envolveu-se bastante na confusão, mas está bem. Título para Franchitti.

Começa-se a perceber que um dos pilotos não está bem. Dan Wheldon é levado para o hospital, e começa uma agonizante espera. Perto das 23h30 é anunciado o que já se parecia adivinhar na cara dos pilotos, Wheldon sucumbiu aos ferimentos.

Não sabia muito bem como reagir. Aquilo que eu sempre observara como entretenimento, acabava de ceifar a vida de um dos seus membros. Parece que tenho um nó no estômago. Acabei de assistir pela primeira vez à morte de um piloto em directo. Não consigo olhar para os carros nas 5 voltas de homenagem, sem pensar neles como armadilhas mortais, em problemas graves de segurança, ou em Wheldon. Quem é Wheldon?

No fundo não sei bem. Apenas começo a juntar peças do puzzle. O choro descontrolado de Kanaan e Franchitti, os olhares tristes dos mecânicos nas 5 voltas, e, especialmente, o discurso de Franchitti no fim. Talvez eu não chore porque para mim Dan é um desconhecido, mas depois do discurso, no fim, de Dario quase que o faço.

Wheldon era muito querido pelo paddock. Aquilo a que se pode chamar um “nice bloke”. Com uma família que deixou para trás e muitos amigos que angustiam na sua ausência. Assim termina a minha primeira corrida de Indycar…

So long, Dan, rest in peace.