Grosser Preis

23 07 2012

Antes de mais, é preciso dizer que nesta temporada de autêntica imprevisibilidade, um traço comum se começa a desenhar: Fernando Alonso está absolutamente imparável. Pole position, manteve a liderança sempre (com exceção dos pit stops, claro), e ganhou. Dizendo parece fácil, e, para ser honesto, vendo também, mas isso deve-se mais à excelente exibição do espanhol do que a uma verdadeira facilidade.

Aliás o melhor momento foi quando Andrea Stella, o engenheiro de pista do espanhol, lhe falava num tom preocupado (e em italiano, já reparam que agora é sempre assim que comunicam? Só falta a Mercedes começar a falar em alemão com Schumacher e Rosberg…), Alonso simplesmente respondia “Calma…” e que tinha tudo sob controlo. A confiança do espanhol nas suas próprias capacidades veio mesmo ao de cima.

E o exato 0posto viu-se em Lewis Hamilton. Depois do furo nas primeiras voltas, o inglês disse à equipa que achava que era melhor abandonar, quando a telemetria dizia que o carro podia continuar perfeitamente. Lembrei-me logo do recente post do Humberto Corradi sobre a motivação depois dos títulos. Não admira que o inglês esteja a descer no campeonato.

Mesmo assim continuo, e protagonizou uma situação invulgar na F1: um retardatário a desdobrar-se dos líderes. O ritmo do britânico estava excelente e conseguiu tirar a volta de atraso a Vettel. Mas não depressa o suficiente para que Horner e Vettel reclamassem que se tratavam de ordens de equipa para atrasar o alemão e permitir a aproximação de Button.

É tão simples quanto isto: Hamilton estava mais rápido que Vettel e quis que ele não o atrasasse, e portanto tentou passar. Se Seb pensasse um pouco até perceberia que só tinha a ganhar em deixá-lo passar rapidamente de modo a não ter que fazer condução defensiva, mas enfim. O que me irrita cada vez mais nele é que ganhou a mania de achar que a culpa é sempre dos outros: em Valência foi o SC, e agora isto.

Mas quem foi mesmo penalizado foi o alemão, por ultrapassar Button fora dos limites da pista. A punição foi um pouco dura, mas entende-se. Tivesse sido a escapatória em gravilha e ele não o teria conseguido, portanto ganhou uma vantagem.

Aliás, quem foi o inteligente que achou que quilómetros de asfalto era boa ideia? Sim, já não há abandonos por ficar na gravilha quase nunca, mas permite atitudes deste género, ou como Raikkonen em Spa 2009.

Enfim, o campeonato parece ser de Alonso, mas continua a não ser certo, numa altura em que até Raikkonen, mesmo sem vitórias está no quarto lugar do campeonato a 56 pontos de Alonso. Com uma Lotus à luta com a McLaren nos construtores seria divertido de ver Raikkonen a manter-se na luta pelo título.

PS: E o pormenor da entrevista do Lauda ao Alonso? “É bom ver na Alemanha, um espanhol a ganhar com um carro italiano, projetado por um grego…” xD

Veja os resultados completos.

Anúncios




Uma ditadura a sério

24 04 2012

Por muito que a Fórmula 1 se tenha vendido ao longo dos últimos anos, com as idas para Abu Dhabi, Singapura, e outros sítios sem qualquer tradição no automobilismo, e que têm mais dinheiro que visão a longo prazo (dado não terem ainda percebido que as taxas que Ecclestone os obriga a pagar se tornarão rapidamente insustentáveis), nunca pensei assistir ao que se viu este fim-de-semana.

Fiquei sempre à espera que alguém tivesse a decência (ou em alternativa, um pouco de vergonha na cara) de cancelar a prova do Bahrain. Mas não. Aliás, aconteceu exatamente o oposto, num dos mais vergonhosos momentos deste (supostamente desporto).

Para começar, estão todos familiarizados com o primeiro artigo do Estatuto da FIA? “A FIA evitará manifestar qualquer discriminação política no decurso das suas atividades e de fazer qualquer ação nesse sentido”. Jean Todt também fez discursos na mesma linha, na sua defesa à F1 no Bahrain. Tudo isto, enquanto por todo o país a mensagem “UniF1ed” que não poderia estar mais em desrespeito desta mensagem.

Depois houve ainda o episódio da Force India, em que alguns membros da equipa por pouco não a apanharem com um cocktail molotov. Por esta razão, a equipa boicotou o 2º treino livre de modo a que os seus mecânicos pudessem ir para os hóteis antes de anoitecer.

Ora, quem não gostou foi o “anão tenebroso”. Ecclestone decidiu fazer uma pequena vingança, e levando a que os carros da equipa não fossem exibidos na qualificação, mesmo com a boa prestação de Paul di Resta. Para se justificar Bernie disse que a FOM se preocupava com quem estava em 1º, “e não quem está em 9º ou 11º”… Por curiosidade quem estava nessas posições eram Alonso e Raikkonen, dois campeões mundiais.

Depois, foram patéticas as declarações de Vettel, que tentou comparar a situação do país do Médio Oriente com o clima dos arredores de Interlagos… Por último, o pódio. Eu percebo que Grosjean festeje: afinal, é o seu primeiro pódio. Kimi foi contido, como é hábito. Mas e o Horner e o Vettel? Foi quase insultuoso festejar assim, quando se está a apertar a mão a um ditador responsável pelas mortes de manifestantes.

Quando, após a corrida, perguntaram a Mr. E se o Bahrain estaria no próximo calendário, ele respondeu: “Claro. Para sempre. Sem problemas”.

Fiquei com a impressão que, se calhar, a F1 foi realmente ao Bahrain por uma boa razão: foi mostrar aos bahrenitas o que é uma ditadura a sério.





Mania das grandezas

28 03 2012

Após o final da temporada de 2011, quando perguntaram a Fernando Alonso quem ele considerava o seu principal adversário para nova temporada, o espanhol disse que iria observar atentamente os tempos que Lewis Hamilton faria, porque já tinha visto o inglês a vencer sem ter o melhor carro.

A razão para ele ter excluído o bi-campeão Vettel devia-se, como Alonso disse, ao facto de ainda não ter visto o alemão a andar mais que o carro. E, aparentemente, nesta temporada Sebastian não tem um carro tão dominador quanto os dos últimos anos. E decididamente não tem impressionado…

O melhor exemplo disto foi a entrevista de Vettel após o GP da Malásia. Estando em quarto lugar, e prestes a dar uma volta de avanço a Narain Karthikeyan, o alemão curvou cedo demais a dobrá-lo, furando um dos seus pneus (um pouco como o que aconteceu no GP da Turquia de 2010). Na entrevista que se seguiu à BBC, no entanto, chamou ao indiano idiota, e Christian Horner foi por um discurso semelhante, defendendo que Karthikeyan tinha um carro muito mais lento e por isso era ele quem tinha que ter cuidado.

Não deixa de ser curiosa esta atitude dos dois. O RB8 não parece ter o nível de domínio que os seus mais recentes antecessores, e pelos vistos a Red Bull não tem conseguido lidar bem com isso. Para uma equipa que se habituou muito rapidamente a vitórias e poles constantemente ao longo das temporadas mais recentes e que conta com o génio da aerodinâmica que é Adrian Newey, ver os adversários a conseguirem andar a um ritmo mais forte, para além de desagradável, é completamente inesperado.

E para um piloto que venceu os dois últimos campeonatos do mundo, ver-se batido por Mark Webber, ao qual se tinha superiorizado com muita facilidade em 2011, é sempre motivo para frustração. Aliás, se nos lembrarmos bem, a última vez que o alemão se viu com concorrência a sério foi em 2010, ano em que fez alguns dos maiores erros da sua carreira (chegando a ser apelidado de “Crash Kid” por Martin Whitmarsh, após o acidente com Button). E, pelos vistos, não está a gostar nada da pressão…

A reacção de Horner, no entanto, chega a ser hipócrita. À apenas 4 anos, a sua equipa festejava a simples conquista de pontos, e levava constantemente voltas de avanço. Por isso, ficar a dizer mal sobre os retardatários assim já seria mau, mas dizer mal quando a culpa até foi bastante do seu piloto roça a estupidez.

Já tinha expresso anteriormente a minha opinião sobre a Red Bull, e acho que a cada dia que passa os austríacos estão cada vez mais com a mania das grandezas, agindo como se, tal como a McLaren ou Ferrari, tivessem uma grande lista de sucessos em que baseá-la, quando na verdade nem 10 anos têm. E a juntar a isto, é bom lembrar porque a Red Bull tinha popularidade no seu início: pelo pensamento descontraído e atitude de diversão…





A sério?

29 10 2011

Após a conquista da pole position de Vettel e do segundo lugar (já que Hamilton levou uma penalização) de Mark Webber, um repórter perguntou ao alemão se iria dar a vitória ao australiano para que Mark pudesse garantir o segundo lugar. Seb desconversou, mas a ideia mantém-se depois de Christian Horner já ter dado indicações de que tal pode acontecer, o que faz com que Webber tenha uma razão para sorrir neste mundial…

A sério?





Veio para ficar?

21 10 2011

Para quem não sabe, o Bernie Ecclestone anda muito feliz da vida. E como qualquer fã de Fórmula lhe pode dizer, sempre o Tio Bernie está contente convém tomar cautelas, porque coisa boa não pode ser…

E com razão, o problema atual é que as equipas estão em desacordo, de tal modo que a unidade da FOTA pode mesmo ser colocada em causa devido ao Acordo de Restrição dos Recursos (RRA no inglês). Resumidamente o que aconteceu foi que se iniciaram suspeitas sobre a Red Bull, que alegadamente teria quebrado esse acordo, o que ajudaria a explicar em parte o domínio que têm exercido nas corridas.

O RRA foi importante para uma equipa como a Red Bull poder competir com equipas como a Ferrari, McLaren ou Mercedes e somos totalmente favoráveis a que seja promulgado. Mas é evidente que, quando uma equipa tem o desempenho que a Red Bull tem tido, a paranoia intala-se entre algumas das suas rivais e é a isso que estamos a assistir“, disse Christian Horner.

Quanto tempo até Mateschitz não achar piada à F1?

Se é bastante provável que ele tenha razão, levanta-se aqui uma importante questão: será que se pode levar a Red Bull a sério? Os fãs dos austríacos podem não gostar da pergunta, mas vamos refletir um pouco. Imaginemos que, por uma sucessão de acontecimentos, Newey e Vettel tivessem decidido ir para a Sauber, e esta tivesse o domínio que hoje tem a Red Bull. Seria certo e garantido que Peter Sauber se poderia reformar feliz da vida, enquanto a sua equipa continuaria muitos e muitos anos no campeonato.

Mas poderemos dizer o mesmo da atual bi-campeã mundial?

No fundo o que é a Red Bull para além de uma marca que aproveita as performances em pista para publicitar uma bebida? Ainda por cima sem qualquer ligação com o automobilismo… A dúvida que acaba por ficar em toda a gente, é se realmente poderemos contar com uma equipa que possivelmente não estará cá daqui a 10 anos!

É certo que são bons os passos dados pelos de Milton Keynes, como a ampliação da colaboração com a Infiniti, mas quando os tempos de vitórias forem (e em todas as equipas, mesmo que volte, há sempre uma altura em que se vai embora) o mais certo é Dietrich Mateschitz se farte e venda a equipa.

Mateschitz tem investido fortemente nos desportos, com particular incidência no automobilismo, mas é mais para deixar a marca Red Bull na mente dos jovens (público-alvo), e não verdadeiramente por espírito desportivo… Enfim, pode ser que me engane, mas tenho impressão de que num futuro não tão distante vão vender tudo à Infiniti. Fica aqui o palpite, vejamos como acontece.





A situação de Webber

2 05 2011

Possuidora do melhor carro do grid, a Red Bull tem vindo a demonstrar uma eficácia enorme, já que este nem tem contado com problemas de fiabilidade, pois Adrian Newey tratou de os resolver durante o Inverno. Logo, uma das principais razões para o campeonato do ano passado ter sido renhido (bem vistas as coisas…), acabou de ser retirado.

Isto leva a que Sebastian Vettel tenha atingido o topo do campeonato do mundo de F1, com duas vitórias em três corridas. Contudo, Webber tem tido diversos problemas, o que tem colocado em causa, não só a sua rapidez, mas também a sua posição na equipa.

Webber tem sido alvo de alguns rumores de saída.

Mesmo tendo dado sinais de melhorias no GP da China, quando conseguiu subir do 18º posto até ao 3º, vários têm questionado se o australiano não poderá ser corrido da equipa no fim do ano. Talvez seja altura de rever a trajectória de Webber na equipa Red Bull. Tendo chegado à equipa austríaca em 2007, Mark teve dois anos relativamente calmos no meio do pelotão com Coulthard a seu lado, mas para 2009 tudo se alterou.

Com a mudança de regras e de companheiro (Vettel), a equipa conseguiu o seu melhor ano na categoria, se bem que Webber acabou por ficar atrás do alemão, mesmo tendo conquistado a sua primeira vitória. Em 2010 mais do mesmo era esperado mais do mesmo, mas Mark surpreendeu todos ao liderar o campeonato, vencendo (entre outros) o GP de Mónaco, e superando Vettel e várias corridas. Embora Sebastian tenha vencido o título, foi o australiano quem verdadeiramente surpreendeu.

Horner acredita que depois da Red Bull, Webber abandona.

Agora, com as prestações mais baixas os rumores da saída recomeçaram, pois ele já não é exactamente novo (34 anos). A juntar a isto, Christian Horner tinha dito numa entrevista que acreditava que se abandonasse a Red Bull, Webber também abandonaria o desporto. Contudo, Mark veio a público dizer que se a equipa não o quiser mais, ele poderá procurar uma nova “casa”. É certo que dificilmente conseguiria um lugar tão competitivo como o actual, mas Webber sempre mostrou o seu desprazer para com o favorecimento que a equipa tem por Vettel (“nada mal para o segundo piloto”, alguém se lembra?).

O mais provável é que se mantenha com os austríacos por mais um ano, pois a sua vaga (caso saísse) ficaria para Buemi ou Alguersuari, e nenhum dos dois parece ter andamento para acompanhar Vettel (embora Buemi não seja lento…), e a equipa parece muito interessada em ver como Daniel Ricciardo se comportará com o Toro Rosso (para o ano, possivelmente), o que deverá garantir o lugar a Mark, se ele estiver interessado em manter-se.