Preparação…

11 06 2011

Depois da qualificação de hoje, pode-se afirmar que aquilo a que assistimos foi uma preparação daquilo que virá amanhã. É que se é certo que Sebastian Vettel voltou a conseguir a pole position, foram também notórios dois aspectos: a perda de eficácia do RB7 nesta pista, que levou os adversários a aproximarem-se; e as incertas condições meteorológicas da corrida de amanhã, pois algumas equipas arriscaram um set-up de chuva, com vista a colherem os frutos amanhã.

Analisando os dez primeiros, percebe-se que não existiram grandes surpresas. Red Bull continua à frente, com McLaren e Ferrari nos calcanhares, e mais atrás assistimos ao distanciamento da Mercedes em relação à Renault. De salientar a performance de Felipe Massa, que embora tenha sido batido mais uma vez pelo companheiro de equipa, conseguiu ficar a escassas milésimas de segundo, dando a sensação de estar ao nível de Alonso.

De la Rosa foi chamado 10 minutos antes do 2º treino livre.

Os rookies deram um ar da sua graça, com Maldonado e di Resta a levarem os seus carros para junto dos Renault, mostrando-se mais fortes que os colegas mais experientes. Pérez não se pôde colocar nesta lista, pois sentiu dores, acabando por ter que entregar o seu lugar a de la Rosa, que foi chamado por Peter Sauber para correr (quando o espanhol estava ainda na box da McLaren) apenas dez minutos antes da sessão de treinos… De la Rosa até conseguiu um bom resultando tendo em conta as circunstâncias, mas concordo com David Coulthard, que na BBC perguntou porque não teria a Sauber colocado Gutiérrez de prevenção.

No fundo da tabela, duas situações de desespero: Virgin e Alguersiari. Começando pela equipa inglesa (ou antes, russa…) é notório o fracasso do MVR-02, sendo que foram batidos pelos HRT, e d’Ambrosio nem conseguiu chegar aos 107%, não alinhando na corrida de amanhã! Já Alguersuari está a começar a ceder à pressão de perder o seu lugar, com duas performances fracas, que só vêem a aumentar as hipóteses de ser substituído por Ricciardo.

Veja os resultados completos.





Red Bull mantém superioridade

7 05 2011

Grandes eram as expectativas para este primeiro GP europeu da temporada, contudo tudo se manteve: Red Bull permanece dominante. Pronto, não estou a ser justo, ocorreram, de facto, várias mudanças, mas comecemos pela frente. Vettel e Webber colocaram os RB7 na frente (por esta ordem), e enquanto os outros tentavam mais uma volta para os bater na qualificação, eles decidirem poupar um jogo de pneus para a corrida. Uma inspiração na vitória de Hamilton na China…

Os dois McLaren acabaram por não conseguir evitar a superioridade dos austríacos, mas ao menos aproximaram-se um pouco mais. Uma das surpresas foi a Mercedes, que parece ter conseguido recuperar terreno após duas primeiras corridas bastante desanimadoras, e Rosberg, a partir de 3º, poderá tentar dar luta aos Red Bull na corrida. A Renault também esteve bem, embora a melhoria dos alemães a tenha impedido de se chegar mais à frente.

Vettel aproveitar para irritar Verstappen mais um pouco...

A Ferrari acabou por decepcionar, pois Massa e Alonso estiveram sempre muito longe do ritmo dos rivais, e o 5º lugar de Fernando poderá ser considerado um grande feito. Para a alegria dos seus fãs, mesmo em crise a Williams parece ter conseguido um aumento de performance, com Barrichello a quase passar à Q3. Os seus maiores rivais do momento são mesmo a Force India, e a Sauber, que não pôde contar com Kobayashi por problemas na Q1.

A Toro Rosso ficou atrás, parecendo ter perdido o “comboio” do meio, e com uma Lotus surpreendente a pouca distância. Kovalainen ficou bem perto, e se não fosse um problema com o DRS, Trulli poderia ter-se imiscuído na luta. Isto sem que tenham sido feitas as maiores alterações ao T128, que apenas virão em Barcelona… Bem se pode entender as expectativas de Mike Gascoygne para o GP de Espanha!

A surpresa da qualificação ficou, no entanto, no fim do grid. Após um Inverno cheio de dúvidas acerca do seu futuro, a Hispania tem progredido bastante desde que falhou a qualificação em Melbourne, tendo Liuzzi conseguido qualificar-se à frente de um Virgin (Glock, que parece cada vez mais desmotivado), o que é incrível tendo em conta a diferença de preparação de ambas as equipas…

Veja os resultados completos.





Fim da rotina

17 04 2011

E após um dos mais entusiasmantes Grande Prémios dos últimos anos, Hamilton venceu uma corrida cheia de acção, ultrapassagens e alguns incidentes. O inglês fez apenas uma volta na última qualificação de modo a poupar um jogo de pneus para a corrida, o que o ajudou muitíssimo. Na partida conseguiu passar Vettel, e ficou as primeiras voltas em segundo atrás do companheiro Button. Lewis fez uma estratégia idêntica à de Button, e passou-o de maneira impressionante na primeira curva, e no último terço da corrida passou Rosberg e Vettel, rumo a uma vitória incrível.

Finalmente, Vettel não está no centro...

O vencedor das últimas etapas, Vettel, viu a sua sequência imbatível interrompida, se bem que um segundo lugar lhe tenha minimizado as perdas. O seu companheiro de equipa, Webber, tinha muito que batalhar para chegar a posições elevadas, e foi o que fez, escolhendo começar com pneus duros, o que lhe permitiu subir imenso no final da corrida, com várias ultrapassagens, acabando muito perto de Sebastian, mesmo tendo começado 17 posições abaixo no grid.

O momento mais insólito da corrida ficou por conta de Button: o britânico liderava a corrida quando chegou a altura da sua paragem nas boxes, sendo seguido por Vettel. O inglês acabou por acidentalmente ir para a zona da Red Bull, mas apercebeu-se a tempo de seguir em frente para o local correcto. No fim da corrida, Vettel disse ironicamente “devem gostar das nossas boxes”, recordando-se do GP do Abu Dhabi de 2009, quando situação semelhante aconteceu com Alguersuari…

A Mercedes foi a equipa que mais subiu de rendimento, e Rosberg chegou a liderar durante algumas voltas a corrida. Acabou por lentamente regredir, sendo passado pelo dois McLaren e por Webber quando estava em segundo, mas resistiu na fase final a Massa, terminando em 5º. Massa fez uma corrida bastante boa, e pela primeira vez em bastante tempo deu a sensação de ser claramente mais rápido que Alonso, o que promete bastante. Fernando fez uma corrida muito apagada acabando a lutar com Schumacher.

O alemão também deu um ar da sua graça, fazendo uma partido espectacular, e mostrando um bom ritmo de corrida (ainda que ligeiramente inferior ao de Rosberg). Bem melhor que no ano passado, mas já não deverá atingir o nível dos tempos da Ferrari…

Uma das muitas disputas cerradas: Massa vs Button vs Rosberg

Os últimos pontos foram para Petrov e Kobayashi. Ainda que possam ficar satisfeitas com estes pontos, Renault e Sauber ficaram visivelmente abaixo do ritmo dos GP anteriores, principalmente devido à subida da Mercedes, e podem começar a ficar preocupados já que necessitarão de melhorar rapidamente. Ainda que não devam estar tão em pânico como a Williams, cujo FW33 não se mostrou minimamente veloz, nem confiável. Os ingleses começam a preocupar, sendo a única equipa “estabelecida” a não ter pontuado.

No fim do grid, HRT aproximou-se bastante da Virgin, e Lotus conseguiu uma das corridas mais sólidas desde que se estreou, distanciando-se claramente das outras “estreantes”, e aproximando-se das equipas do meio do pelotão.

Por último, a asa traseira móvel (DRS) foi, pela primeira vez desde que foi integrada no regulamento, um sucesso. Se deixou muito a desejar nas duas primeiras corridas, compensou de  forma ampla em Shangai, oferecendo-nos um dos melhores GP’s dos últimos anos. Mesmo assim Shangai tem uma das maiores rectas do campeonato, pelo que não é garantido que todas as provas do ano tenham este nível de emoção…

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Vettel… novamente!

16 04 2011

Começa a ficar cansativo, mas é esta a realidade: Sebastian Vettel voltou a conseguir colocar-se na pole position, sendo a sua 4ª pole position consecutiva, e a sua 3ª no circuito de Shangai. O alemão dominou por completo os acontecimentos, e o facto de não ter liderado as duas primeiras sessões (Q1 e Q2) deve-se ao facto de não se ter querido dar-se ao trabalho…

Atrás dele ficaram os dois McLaren, com Button à frente, ainda que a uma considerável distância de 0,7 segundos (!). No fim, quando os pilotos britânicos esperavam por Vettel para a conferência (que não pôde sair do carro por uma análise da FIA) e este finalmente chegou, Hamilton perguntou-lhe na brincadeira “foi fácil, hã?”.

Vettel esteve novamente imparável.

O exacto oposto de Vettel foi o companheiro Webber, que não pôde utilizar o KERS após este ter falhado no terceiro treino livre, e acabou na 18ª posição. O australiano só conseguiu uma volta que não lhe correu de feição, sem utilizar os pneus macios (grande erro de estratégia da Red Bull, pois sem o KERS estes seriam necessários…), e acabou a discutir com um comissário da FIA, pois teria sido uma demorada análise da distribuição de pesos do RB7 que lhe roubou o tempo para tentar novamente.

Nas posições seguintes os dois Ferrari foram batidos pelo Mercedes de Rosberg, que mostrou grandes melhorias, e ainda a surpresa da Toro Rosso que conseguiu colocar ambos os pilotos no Q3. A Renault teve um dia para esquecer, pois Petrov, embora tenha passado à Q3, ficou sem potência o que deixou muitos pilotos em apuros (entre eles o companheiro Heidfeld), o que deixou alguns pilotos furiosos, com Barrichello a ter pedido mesmo uma penalização para o russo.

Di Resta conseguiu bater o seu companheiro para entrar no Q3, os Williams deram sinais de alguma melhoria em relação a Sepang, embora ainda estejam um pouco atrasados, e Schumacher ficou novamente no Q2. De resto foi tudo normal, com destaque para o facto de Liuzzi ter ficado a apenas meio segundo de d’Ambrosio, o que mostra o desenvolvimento da HRT (e o atraso da Virgin), e também Kovalainen ter colocado o Lotus a uma distância mais curta que o habitual das equipas mais “antigas.

Veja os resultado completos.





Mais do mesmo

11 04 2011

Sem qualquer surpresa, Sebastian Vettel voltou a vencer com o seu Red Bull, na etapa malaia da Fórmula 1. Isto deixa antever possivelmente um domínio como os que foram vistos em 1992 ou 2004, certo? Não. Não se trata de uma situação tão simples…

Novamente, Vettel foi o vencedor.

Embora tenha vencido a sua quarta corrida consecutiva, Vettel não poderá respirar de alívio para já, visto que neste GP ficou patente o facto de que a concorrência não está longe. Comecemos pela McLaren, que depois de ter tido uma terrível pré-temporada, parece ter encontrado novamente o rumo certo, estando na posição mais próxima dos carros da Red Bull. Mesmo que tenha ficado a alguma distância, o segundo classificado Button nunca desapareceu completamente da traseira do líder.

Já a Ferrari, embora deixe muito a desejar na sua performance de qualificação, em corrida os italianos estão muito constantes, e não fosse um acidente de Alonso e Hamilton (culpa da falta de cuidado do espanhol), os 150º Italia teriam chegado ao pódio.

Pódio esse que acabou por ser completado por, novamente, a Renault. Os franceses conseguiram um bom resultado, estando claramente superiores à Mercedes, e muito próximas da Ferrari. Petrov e Heidfeld tiveram largadas incríveis, mas acabaram por começar a “recuar” à medida que a corrida evoluia. Heidfeld conseguiu algumas brilhantes ultrapassagens, e a sua defesa nas últimas voltas aos ataques de Webber apenas demonstram como ainda tem bastante para dar. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, tendo chegado a ser sugerido que o alemão poderia ser substituído por Senna.

Petrov acabou por "levantar voo" nas voltas finais.

Petrov acabou por fazer uma corrida bastante mais irregular em comparação com a de Melbourne, e no fim acabou por ter um acidente, levantando voo de maneira de tal forma violenta, que partiu a direcção.

Nos últimos lugares pontuáveis pode-se dar algum destaque a Schumacher e Kobayashi, que passaram grande parte da corrida a batalharem, e para di Resta, que tem vindo a demonstrar um andamento muito bom para um estreante, levando mais um ponto para a Force India.

Nas desilusões pode-se destacar Mercedes e Williams. Os alemães ainda não demonstraram boa performance este ano, o que os deixa a lutar no meio do pelotão; já os britânicos estão pior, pois o FW33 tem-se demonstrado extremamente infiável, e em Sepang também lentos. Triste ver uma equipa como a Williams cair, esperemos que não se esteja a preparar algo semelhante ao que sucedeu com a Lotus nos últimos anos de vida…

Nas equipas “novas”, a Lotus está começar a apanhar Toro Rosso e Force India, afastando-se cada vez mais de Virgin e Hispania. Na Virgin o método de CFD tem vindo a revelar-se um fracasso, colocando a equipa na mira da HRT, que conseguiu qualificar-se para esta corrida.

Daqui a alguns dias começarão os treinos para o GP da China.





Já não é “Virgin”

7 02 2011

Hoje foi apresentado em Londres, na sede da BBC, o novo Virgin, com o nome código de MVR-02. Este título dá-nos duas informações vitais acerca da equipa: em primeiro lugar, o facto de este ser o segundo ano dos britânicos; e em segundo lugar, o facto de na realidade esta já não ser propriedade de Sir Richard Branson.

O novo Virgin... ou será Marussia-Virgin?

A Marussia, fabricante de super-desportivos da Rússia, que já patrocinara a equipa em 2010, decidiu ocupar o papel de patrocinador principal, e aparentemente tratam-se dos donos do “negócio”, numa situação similar à da Renault. Digo isto devido ao destaque dado ao papel dos russos durante a apresentação do monolugar, e também pela ausência de Branson.

Enfim, concentrando as atenções no carro propriamente dito, é possível apontar o facto de a Virgin continuar a apostar no desenvolvimento por CFD ao invés do túnel de vento. Isto leva a que o “nariz” seja o mais baixo de 2011 até agora, um caminho completamente oposto às principais equipas. A ausência de KERS poderá também prejudicar, bem como o motor Cosworth.

Honestamente, creio que talvez daqui a uns anos, com o desenvolvimento da tecnologia, o desenvolvimento dos monolugares por computador seja uma opção viável, mas neste momento ainda não o é. No entanto há que admirar a iniciativa da Virgin, embora se trate de uma simples maneira do seu chefe conseguir publicitar a sua marca sem colocar um tostão, dando apenas o nome. Uma Virgin que já não o é, propriedade de russos…

Já para não falar que eles crêem que podem atingir a Toro Rosso. Talvez um pouco de esperança a mais.