De cara nova

10 12 2011

Quando Dany Bahar anunciou a parceria entre a Renault e Lotus na F1, de certo pensou que os conflitos com o Team Lotus de Tony Fernandes acabariam rapidamente, contudo a questão não foi assim tão simples. Os comentadores continuaram a chamar aos carros Renault e aos outros Lotus, enquanto a simpatia das pessoas pela situação de Fernandes aumentava. Foi mesmo necessário adquirir por completo a estrutura de Enstone, e chegar a acordo, com a actual Caterham.

A equipa no início do ano.

Outro dos problemas de Bahar foi a imprevista e extremamente penosa ausência de Robert Kubica, depois do seu acidente numa prova de Rally em Fevereiro. Contrataram Nick Heidfeld para o seu lugar, mas a meio do ano mudaram de ideias, e aproveitaram o dinheiro e publicidade que traria Senna para a equipa (ainda que Nick estivesse à frente do companheiro). Depois disso nunca mais conseguiram qualquer resultado de relevo, e estiveram mesmo em risco de ser ultrapassados pela Force India para o 5º lugar do campeonato.

Se a tudo isto se juntar ainda as numerosas saídas de técnicos de valor, pode-se considerar que foi um ano bem penoso. Aliás a ausência de resultados poderá ser explicada pela ausência de alterações ao carro, com Eric Boullier a afirmar que o desenvolvimento do carro foi parado. Só espero que tenha ocorrido isso, para desenvolver 2012 porque senão espera-os mais um ano complicado… E as mais recentes contratações merecem mais.

Honestamente não acreditei que, no caso de factores económicos não serem o principal factor, Bruno Senna e Vitaly Petrov fossem mantidos. O russo até impressionou no início do ano, e conseguiu aguentar bem a pressão de Heidfeld e Senna, mas estes não eram exactamente adversários de peso; e o brasileiro deixou muito a desejar, apenas mostrando as garras nas qualificações de Spa e Interlagos.

A juntar a isto a equipa necessitava de um piloto de ponta para que o carro se desenvolvesse como deve ser, e seria portanto apenas uma vaga para preencher.

Que volte este Kimi, e não aquele a que a Ferrari pagou para sair...

Como piloto de ponta, a equipa teria que optar por esperar por Robert Kubica ou então procurar alguém. Estava claro para todos: Kubica tinha uma relação cada vez mais deteriorizada com a equipa, com a possível gota de água a ser aquele episódio de à algumas semanas, quando Boullier e o manager do piloto trocaram comentários de que o polaco teria ou não dito que estaria pronto a tempo. Assim, cada vez mais se espera que Kubica não volte a sentar-se num carro da equipa, circulando rumores de que poderá estar a caminho do lugar ao lado de Alonso na Ferrari. Torço para que aconteça a ver se consegue tirar o espanhol do seu pedestal…

Assim a vaga de primeiro piloto foi para Kimi Raikkonen. O finalandês estava em negociações com a Renault depois das que tinha com a Williams terem falhado, e chegaram a um acordo rapidamente. Ao contrário de algumas pessoas acredito nele. Falam muito do que aconteceu com Schumacher, mas Kimi apenas esteve dois anos sem F1, e ao contrário do alemão é relativamente novo (1 ano mais velho que Button), e esteve a competir, e WRC embora necessite de menos força, é um excelente modo de manter os reflexos em forma. A ver vamos, mas acredito no Iceman.

Ao seu lado, como eu torcia, veio Romain Grosjean. Sei que os leitores brasileiros não vão gostar, mas teria sido muito injusto não o ver em acção. Venceu o campeonato da GP2 de uma maneira muito confortável, e recuperou a confiança perdida dos GP’s de 2009. Podem argumentar que tinha mais experiência que a concorrência, mas se isso fosse a única razão, Luca Filippi já teria vencido à muitos anos…

E é esta Lotus que nos espera para 2012. Com a confusão do nome resolvida, Boullier já afirmou que o objectivo é o título daqui a 2 ou 3 anos. Ambição não falta, vejamos o que conseguem.

Foto tirada à apenas 10 meses. As voltas que isto já deu...

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Quando chove…

1 08 2011

Lembro-me de, antes desta corrida ter começado, ter pensado que estava prestes a perder 1h30 da minha vida a olhar para uma autêntica procissão a 300 à hora. Felizmente não poderia estar mais errado. A verdade é que quando chove a pista de Hungaroring transforma-se numa das melhores do mundo, devido à sua configuração que quase se assemelha a uma pista de karting, com a sua largura mais pequena que o habitual.

E, novamente, o vencedor de uma corrida entre o molhado e o seco foi Jenson Button. O britânico acabou por vencer o seu 200º GP no local onde conquistara à 5 anos a sua primeira vitória, ainda que tenha beneficiado de um erro de estratégia (e drive-through) do seu companheiro de equipa. A luta entre Button e Hamilton foi um dos melhores momentos do fim-de-semana, pois foi possível vê-los a darem tudo por tudo, e a darem o mínimo de espaço possível um ao outro, sem, no entanto, alguma vez terem estado prestes a provocar 0 abandono do outro. O respeito entre ambos foi o suficiente para não passarem os limites da razão, e mostraram à Red Bull (a equipa supostamente mais “liberal” do grid) que nã0 há problema algum em lutas entre pilotos da mesma equipa, desde que se saibam comportar…

Button ganha novamente na Hungria... e na chuva.

Falando da Red Bull, Webber teve uma corrida bastante apagada, acabando por perder o duelo com Hamilton; enquanto Vettel, mais uma vez, ficou logo em segundo, ampliando a sua já extensa vantagem no mundial. A Ferrari fez a sua corrida habitual: Alonso no lugar mais baixo do pódio, e Massa a ficar o pior das três melhores equipas… Mesmo assim melhor que a Mercedes, que depois de uma excelente partida dos dois carros, acabou por conseguir apenas dois pontos! Schumacher, por parar mais tarde, acabou por liderar durante um curto (menos de uma volta completa) espaço de tempo, e acabou por abandonar, por uma razão que o Ron Groo descobriu

Contra todas as expectativas, a Toro Rosso parece estar a subir de forma cada vez mais, e na luta pela sobrevivência Buemi está novamente acima de Alguersuari. Force India confirmou a boa forma, com a melhor corrida de di Resta desde que está na F1. Sauber e Williams não conseguiram pontuar, enquanto a Renault também não, apesar do bom início de campeonato. Heidfeld sofreu um aparatoso abandono, com o R31 a pegar fogo novamente. Nas desculpas oficiais, a causa terá sido porque “o carro não está desenhado para estar tanto tempo em altas rotações”… Peço desculpa, mas é exactamente para isso que eles são desenhados! O que me parece é que o sistema de escapes da Renault não é dos mais seguros do grid.

No fundo, ambos os Lotus abandonaram com problemas mecânicos, Ricciardo impressionou a Hispania ao acabar uma volta à frente de Liuzzi, e na d’Ambrosio por pouco não fez um strike nos mecânicos ao perder o controlo no pitlane!

Veja os resultados completos.





Regresso à normalidade

22 05 2011

Com a pole de Mark Webber ainda havia alguma esperança de que, finalmente, Sebastian Vettel começasse a ser “caçado”, no entanto, não poderia estar mais longe da verdade. O alemão fez nova vitória, mesmo com a forte pressão de Lewis Hamilton na última parte da corrida. O seu companheiro, Webber não conseguiu fazer uma boa partida, e acabou por ser passado à partida por Vettel e Alonso, acabando a corrida no quarto lugar a pressionar Button.

Ambos os McLaren estiveram bem, com Hamilton a perseguir Vettel durante grande parte da corrida, enquanto Button passou a corrida em terceiro, depois de passar Webber e Alonso, demasiado longe dos da frente, e um pouco à frente dos de trás… Red Bull e McLaren foram os senhores da corrida, tendo sido os únicos a terminar na volta do vencedor, pois o resto do grid levou todo, pelo menos, uma volta de avanço!

À partida, Alonso fez uma excelente largada, mas não conseguiu manter-se à frente.

A Ferrari prometia muita para a corrida, com Alonso a partir muito bem, e a liderar a corrida no início, contudo acabou por começar a regredir, e acabou a uma volta do vencedor, depois de ter chegado estar à sua frente no início! Sempre fez melhor que Massa, que como resposta ao facto de o seu companheiro ter renovado contrato, fez uma fraca exibição, estando quase sempre nos últimos lugares pontuáveis até a um abandono.

Mercedes e Renault cumpriram o seu papel habitual, com destaque para o facto de Schumacher ter batido Rosberg, e de Heidfeld ter  conseguido chegar aos pontos depois de partir do último lugar… Outra equipa que conseguiu ficar bem foi a Sauber, que conseguiu pontuar com ambos os pilotos, com Pérez na frente de Kobayashi.

De resto, e num circuito que tende a mostrar o verdadeiro potencial dos carros, não deixa de ser decepcionante a performance de Force India, Toro Rosso e Williams, para além de que a Lotus não conseguiu ficar tão bem em corrida como o tinha feito em qualificação.

Ver resultados completos.





O regresso à boa forma

21 05 2011

A chegada ao circuito de Montmeló era aguardada para verificar qual o verdadeiro andamento dos monolugares. A pista espanhola privilegia mais o carro do que o piloto, logo era a situação ideal para se entender qual a rapidez verdadeira do carro. Apesar de se ter confirmado que a Red Bull é de facto a equipa dominante, com quase 1 segundo de vantagem sobre os rivais, foi Webber quem ficou à frente desta vez, retirando Vettel da pole pela primeira vez desde o GP de Abu Dhabi de 2010.

Foi possível observar que o australiano não festejou muito o seu feito, e até é compreensível: é na corrida que se ganham os pontos, e é aí que Mark ainda não venceu o seu companheiro de equipa este ano… Daí que nada esteja decidido, e ainda para mais Sebastian afirmou que não pôde usar o KERS… Nada está decidido, portanto!

Webber conseguiu retirar Vettel do meio desta imagem...

Para analisar o resto do grid, comecemos pela Q1, onde Heidfeld e Barrichello surpreenderam pela negativa, ao não conseguirem passar. O primeiro acabou por nem poder participar, pois o seu carro incendiou-se no 3º treino livre (por uma falha no sistema dos escapes, supostamente), enquanto o último teve um problema com a caixa de velocidades. Os seus companheiros saíram-se melhor, conseguindo chegar à Q3.

A surpresa acabou por ficar por conta da Lotus, que apresentou várias melhorias aerodinâmicas para o GP espanhol, e acabou por se distanciar fortemente de Virgin e HRT, com Kovalainen a passar à Q2, onde conseguiu bater os Force India(!), pese embora o facto de as duas “desistências” da Q1 terem ajudado.

Foi aqui que ficaram ambos os Sauber e Toro Rosso que deverão, tal como nas corridas anteriores, lutar pelos últimos lugares pontuáveis, caso uma das equipas de topo falhe.

Na Q3, apenas McLaren e Red Bull foram para a pista no início da sessão, e parecia que ia ficar por aí, devido às grandes diferenças entre os pneus duros e macios, bem como pela necessidade de poupar um jogo para a corrida. Maldonado não tinha nada a perder, e foi para a pista contando que os outros não fossem, elevando-o a quinto.

Na corrida, será interessante ver o que fará Schumacher.

Contudo, Michael Schumacher teve uma ideia ainda melhor: foi para pista, obrigando os adversários a também irem, de modo a não ficarem nas últimas posições. No entanto, Schumi não fez qualquer volta, voltando às boxes, podendo por isso obrigar os adversários a gastarem um jogo de macios, sem que ele o tivesse que fazer. Uma decisão inteligente, que lhe poderá render frutos na corrida…

De realçar ainda, o facto de Alonso ter conseguido dividir os McLaren, ficando em 4º. Contudo, talvez não tenha sido a decisão mais feliz, já que o obrigou a sacrificar um jogo de pneus de corrida, o que lhe poderá custar caro, até porque já se percebeu que agora a qualificação já não tão importante!

Pequenos destaques

DRS – a FIA anunciou que nos GP’s do Canadá e da Europa serão usadas duas zonas de DRS, somando-se a isto o facto de o GP de Espanha ter a maior zona do dispositivo desde que foi implementado, para a corrida de amanhã. Como se não bastasse existir, a FIA quer-nos forçar o DRS ainda mais…

Bandeiras nas asas – não sei se fui o único a reparar, mas a Sauber colocou “Mexico” escrito na sua asa traseira, tal como a Williams, que tem “Venezuela”. Pelos vistos os países acham que é o melhor modo de se promover. E pensar que a McLaren chegou a fazer negociações o ano passado para ter “Visit Lybia”… talvez não seja a melhor altura para o fazer agora!

Ver resultados completos.





Mais do mesmo

11 04 2011

Sem qualquer surpresa, Sebastian Vettel voltou a vencer com o seu Red Bull, na etapa malaia da Fórmula 1. Isto deixa antever possivelmente um domínio como os que foram vistos em 1992 ou 2004, certo? Não. Não se trata de uma situação tão simples…

Novamente, Vettel foi o vencedor.

Embora tenha vencido a sua quarta corrida consecutiva, Vettel não poderá respirar de alívio para já, visto que neste GP ficou patente o facto de que a concorrência não está longe. Comecemos pela McLaren, que depois de ter tido uma terrível pré-temporada, parece ter encontrado novamente o rumo certo, estando na posição mais próxima dos carros da Red Bull. Mesmo que tenha ficado a alguma distância, o segundo classificado Button nunca desapareceu completamente da traseira do líder.

Já a Ferrari, embora deixe muito a desejar na sua performance de qualificação, em corrida os italianos estão muito constantes, e não fosse um acidente de Alonso e Hamilton (culpa da falta de cuidado do espanhol), os 150º Italia teriam chegado ao pódio.

Pódio esse que acabou por ser completado por, novamente, a Renault. Os franceses conseguiram um bom resultado, estando claramente superiores à Mercedes, e muito próximas da Ferrari. Petrov e Heidfeld tiveram largadas incríveis, mas acabaram por começar a “recuar” à medida que a corrida evoluia. Heidfeld conseguiu algumas brilhantes ultrapassagens, e a sua defesa nas últimas voltas aos ataques de Webber apenas demonstram como ainda tem bastante para dar. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, tendo chegado a ser sugerido que o alemão poderia ser substituído por Senna.

Petrov acabou por "levantar voo" nas voltas finais.

Petrov acabou por fazer uma corrida bastante mais irregular em comparação com a de Melbourne, e no fim acabou por ter um acidente, levantando voo de maneira de tal forma violenta, que partiu a direcção.

Nos últimos lugares pontuáveis pode-se dar algum destaque a Schumacher e Kobayashi, que passaram grande parte da corrida a batalharem, e para di Resta, que tem vindo a demonstrar um andamento muito bom para um estreante, levando mais um ponto para a Force India.

Nas desilusões pode-se destacar Mercedes e Williams. Os alemães ainda não demonstraram boa performance este ano, o que os deixa a lutar no meio do pelotão; já os britânicos estão pior, pois o FW33 tem-se demonstrado extremamente infiável, e em Sepang também lentos. Triste ver uma equipa como a Williams cair, esperemos que não se esteja a preparar algo semelhante ao que sucedeu com a Lotus nos últimos anos de vida…

Nas equipas “novas”, a Lotus está começar a apanhar Toro Rosso e Force India, afastando-se cada vez mais de Virgin e Hispania. Na Virgin o método de CFD tem vindo a revelar-se um fracasso, colocando a equipa na mira da HRT, que conseguiu qualificar-se para esta corrida.

Daqui a alguns dias começarão os treinos para o GP da China.





Domínio absoluto de Vettel

27 03 2011

Depois da gigantesca pré-temporada, a temporada era aguardada com grande ansiedade: quem estaria no topo, e como influenciariam as novas regras as corridas? Aparentemente, nada se modificou. Ou pelo menos quase nada…

Vettel começou como tinha acabado: a ganhar.

Sebastian Vettel começou 2011 do mesmo modo que acabou 2010: a esmagar a concorrência. Embora Hamilton tenha conseguido aproximar-se brevemente do alemão, antes da primeira paragem nas boxes, Vettel deu o ar de ter tudo sobre controlo, mesmo sem a ajuda do KERS. O campeão do mundo esteve soberbo, levando mesmo a crer que só perderá o título se fizer grandes asneiras, o que não parece provável, a julgar pelo andamento demonstrado!

Já o seu companheiro Webber não demonstrou o ritmo que quase o levou à conquista do título do ano passado, estando sempre mais lento que o outro Red Bull, e não conseguiu aproveitar o ritmo alucinante do seu RB7 para, pelo menos, chegar em segundo. Acabou por cumprir a sua “tradição” de ser absolutamente mediano em Melbourne…

A segunda força

Embora a Red Bull se destaque como a equipa mais forte, a concorrência para segurar os postos imediatamente a seguir é forte. A Ferrari parece não ter ritmo de qualificação, embora seja quem esteja mais perto da frente na corrida. Alonso conseguiu levar o 150º Italia até ao 4º posto, pressionando Petrov. Decididamente o espanhol deve estar a preparar um boneco vudu do russo… Já Massa não conseguiu andar ao ritmo do companheiro de equipa.

Petrov brilhou levando o Renault ao pódio.

Falando de Petrov, o russo fez sem dúvida a melhor corrida da sua curta carreira, pulando para a frente na largada, onde se manteve graças a uma constância incrível, que lhe valeu o primeiro pódio da carreira (e de um russo na F1). Sem dúvida que não lhe podem ser retirados os louros, mas não nos deixamos de interrogar até onde Robert Kubica não levaria o R31 se não estivesse “fora de combate”… Sem dúvida melhor que o substituto, Heidfeld, que se limitou a bater Lotus e Virgin!

Também nesta luta se pode incluir a McLaren que conseguiu recuperar o tempo que o MP4-26 perdia durante os testes de Barcelona. Os ingleses conseguiram chegar até ao segundo e sexto lugares com Hamilton e Button, respectivamente. No entanto, Lewis acabou a corrida a tentar chegar ao fim pois o carro estava a começar a tocar no chão, e Jenson levou um “drive-through” à conta de uma ultrapassagem fora de pista a Massa, se bem que talvez não a tivesse merecido.

Surpresa da Sauber

Pérez surpreendeu, com uma condução soberba.

Quem acabou por surpreender pela positiva foi a Sauber, que conseguiu levar os seus carros até sétimo e oitavo lugares. É certo que foram desclassificados por uma questão acerca da asa traseira, mas tendo em conta que em 2010 os C30 se arrastavam no início da temporada, pode-se considerar uma melhoria enorme para esta temporada.

Ainda para mais, tendo em conta que possui uma dupla promissora. Kobayashi já se havia estabelecido como uma grande promessa pelas suas prestações de 2009 e 2010, mas Pérez vinha com algumas críticas, que afirmavam que só se encontrava com o lugar na equipa suíça devido ao patrocínio da Telmex. Na realidade o mexicano esteve soberbo, sendo constante, o único a fazer apenas uma paragem nas boxes (!), e com grande rapidez, que o levaram a terminar na frente do companheiro mais experiente.

As novidades

No geral é possível observar que todas as alterações tiveram um efeito muito… imperceptível. O DRS (Drag Reduction System, asa traseira móvel) não deu nenhuma chuva de ultrapassagens, o que por um lado é positivo, pois leva o piloto a continuar a assumir bastante importância (o sistema limita-se a aproximá-lo); mas por outro leva-nos a questionar-nos então, porquê sequer incluí-lo? Ainda para mais porque o F-Duct fazia a mesma função…

O KERS também não trouxe nenhuma melhoria ao espectáculo: antes pelo contrário, permitiu a alguns pilotos defenderem-se de outros que os atacavam com o DRS!

Enfim, esperemos até daqui a duas semanas, pelo GP da Malásia para se observar como fica a organização das corridas, perante uma corrida mais “normal”. Veja os resultados completos do GP da Austrália.





O erro da Renault

13 02 2011

Terminam hoje os treinos da Fórmula 1 em Jerez. Como todos sabemos, estes testes na pista espanhola servem para que os dirigentes da marca de Enstone possam decidir quem tomará o lugar de Robert Kubica durante (toda?) a temporada. Nick Heidfeld e Bruno Senna são os “candidatos”, sendo que o alemão testou ontem, e neste preciso momento o brasileiro tem o volante do R31 nas mãos.

Não que se trate mesmo de uma competição entre os dois… Na realidade Heidfeld tem o lugar, quase certamente garantido.

Heidfeld deverá ser o escolhido para o #9.

Para começar, quando a Renault apresentou o seu monolugar, apresentou igualmente um “exército” de pilotos de teste, mas afirmou que na realidade, quem assumiria a tarefa de terceiro piloto, ou seja, o papel de substituir um titular se fosse necessário, pertencia a Bruno Senna. E aqui a equipa não fazia a mínima ideia da precipitação das suas acções…

O que os franceses (na realidade são agora britânicos, mas enfim…) tinham em mente com isto, era agradar ao patrocinador, a Lotus, visto que deste modo teriam um Senna, a bordo de um carro com cores JPS, e motores Renault; que em teoria seria o substituto imediato de Petrov ou Kubica. A ideia principal seria colocar alguma pressão sobre Petrov, mas acabou por ser o segundo a “falhar”.

Isto colocou um problema à Renault, que não estava preparada para ser o polaco a ter que ser substituído: todo o trabalho no R31 necessitou da supervisão de um piloto experiente como Robert, bem como do seu enorme talento ao volante, para tentar chegar às vitórias. Heidfeld, portanto assenta que nem uma luva, nesta operação de minimizar os estragos.

A Renault talvez tenha posto "pata na poça" ao colocar Senna como 3º piloto...

Muitos já referem que a temporada já está perdida, pelo que poderiam colocar Bruno para o testar, contudo sou dos poucos que vêem o oposto: o R31 tem potencial, pelo que necessitam de alguém com experiência. Embora, não haja ninguém ao nível de Kubica no mercado, Heidfeld é que mais perto chega.

Visto por muitos como pouco veloz, na realidade o alemão tinha muitas vezes o problema de “estar no local errado, à hora errada”… Preterido por Raikkonen para o lugar ao lado de Coulthard na McLaren em 2002, quando voltou a ter um carro competitivo nas mãos em 2007 (o BMW-Sauber), teve a infelicidade de ter ao seu lado, justamente Kubica. Nick tem potencial, e tem uma grande oportunidade de mostrá-lo!

Quanto a Senna: o brasileiro está a testar para acumular alguns quilómetros (como o próprio disse), e deverá apenas estar a dar a noção de lutar com Heidfeld, sem no fundo estar. O mais provável é regressar aos GP’s apenas em 2012.

No seu discurso a seguir à sessão de testes de ontem, Heidfeld deu um discurso que deu a entender já estar a ajudar a desenvolver o carro:

“Tivemos um bom dia, sem muitos problemas, e todas as mudanças que fizemos no carro foram para a direcção correta e melhoram o rendimento, e então pude apertar mais e mais.”

A decisão já foi tomada, e o erro da Renault foi querer “ficar bem na fotografia” ao colocar Senna como substituto, quando na realidade não tinham intenção de o fazer…