6 anos depois

26 06 2012

14 de Maio de 2006. O GP de Espanha era a sexta etapa do campeonato do mundo. Campeão do Mundo no ano anterior, Fernando Alonso vinha lançado para reconquistar o título, com 2 vitórias e 3 segundos lugares nas corridas anteriores, que o deixavam confortavelmente a liderar, à chegada do seu grande prémio caseiro.

Atrás dele estava o seu grande rival do ano, com o qual disputaria o título até ao final do ano, Michael Schumacher. O hepta-campeão mundial ganhara as duas últimas corridas, e mostrava que o desastre de 2005 não fora mais que uma exceção no seu currículo.

A qualificação viu ambos os Renault na primeira linha da grelha de partida, no entanto estavam com o equivalente a menos 6 voltas em relação aos Ferrari, pois o perigo que os carros italianos representavam, aliado ao facto de a pista de Montmeló ser famosa pelas grandes dificuldades em ultrapassar, assim o exigia.

A corrida em si, correu sem qualquer sobressalto. Ou emoção. Ou ultrapassagens, dignas desse nome. A procissão apenas contou com um momento hilariante (ainda que a Toyota possivelmente discorde), quando Ralf Schumacher bateu no seu companheiro de equipa Jarno Trulli na primeira curva, depois de ter visto frustradas as suas intenções de uma ordem de equipa, quando era mais rápido que o italiano, mas não conseguia arranjar modo de passar.

De resto, nada de especial. Fernando Alonso conseguia dominar de princípio a fim, tornando-se o primeiro espanhol a vencer em casa, para grande alegria de “nuestros hermanos”. Esta vitória certamente teria sido ainda mais amplamente festeja, se soubessem que apenas 6 anos mais tarde voltariam a ter semelhante feito repetido.

Goste-se ou não (inclino-me para a segunda hipótese), Fernando Alonso é decididamente um dos grandes da F1, e depois de ter tido que aturar a incompetência da sua equipa durante 2011 e no início de 2012, parece finalmente ter conseguido ter nas suas mãos um carro à altura do seu talento.

Por muito que o domínio exercido por Vettel até à sua falha mecânica seja preocupante, creio que o principal candidato ao título deste ano é Alonso. E caso vença será um título muito merecido…

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O “regresso” da Williams

14 05 2012

Ainda me lembro do GP do Brasil de 2004. Foi a primeira corrida de Fórmula 1 que vi desde o início até ao fim. Foi bastante memorável, por acaso. Depois de um domínio gigantesco (com 13 vitórias), Michael Schumacher teve um fim-de-semana bastante fraquinho; Rubens Barrichello fez o seu melhor GP caseiro de sempre, terminando no pódio.

E o vencedor? Um colombiano que se vinha a assumir como um potencial campeão, e que se iria mudar para a McLaren em 2005 para formar uma dupla temível com Kimi Raikkonen. Era também a única vitória para a Williams nesse ano depois de uma temporada bastante fraca. Em 2005 melhores tempos viriam…

Mas não vieram. 2005 foi o início da Williams como equipa do pelotão do meio, que foi dolorosamente cimentada nessa posição com um 2006 péssimo. A troca dos Cosworth pelos mais potentes Toyota ajudou a equipa a subir um pouco, para lugares nos pontos habituais, com dois ou três pódios ocasionais. 2010 ainda foi decente, mas 2011 foi a pior temporada de sempre da equipa britânica.

2012, por acaso não prometia muito mais. A manutenção de Pastor Maldonado e a contratação de Bruno Senna pareciam indicar que a equipa se afundava cada vez mais, procurando desesperadamente fontes de dinheiro. A contratação de Coughlan, envolvido no escândalo Stepneygate em 2007 também não ajudaram a dar credibilidade ao projeto.

Mas ontem, contra todas as expetativas (as minhas inclusive), a Williams provou a todos que o FW34 é um ótimo carro, e que o pouco cotado Maldonado tem talento suficiente para aguentar a pressão do bi-campeão mundial Fernando Alonso durante várias voltas para garantir o primeiro triunfo da equipa em oito anos, ocasião daquele GP do Brasil de 2004.

O venezuelano esteve brilhante, não hajam dúvidas, fazendo a pole position, e fazendo um ritmo de corrida excelente, sem nunca largar Alonso no início da corrida, o que lhe valeu o merecido triunfo.

Embora tenha sido contra as minhas expetativas, não foi certamente contra a minha vontade. Torci imenso por Maldonado ao longo da corrida, e espero (tal como todos os fãs de F1, certamente) que este “regresso” da Williams seja definitivo e não só pontual. Tomara!

PS: E destaque ainda para a solidariedade entre as equipas na ocasião do fogo na garagem da Williams após a corrida. Felizmente ninguém se parece ter ferido com gravidade.





Regresso à normalidade

22 05 2011

Com a pole de Mark Webber ainda havia alguma esperança de que, finalmente, Sebastian Vettel começasse a ser “caçado”, no entanto, não poderia estar mais longe da verdade. O alemão fez nova vitória, mesmo com a forte pressão de Lewis Hamilton na última parte da corrida. O seu companheiro, Webber não conseguiu fazer uma boa partida, e acabou por ser passado à partida por Vettel e Alonso, acabando a corrida no quarto lugar a pressionar Button.

Ambos os McLaren estiveram bem, com Hamilton a perseguir Vettel durante grande parte da corrida, enquanto Button passou a corrida em terceiro, depois de passar Webber e Alonso, demasiado longe dos da frente, e um pouco à frente dos de trás… Red Bull e McLaren foram os senhores da corrida, tendo sido os únicos a terminar na volta do vencedor, pois o resto do grid levou todo, pelo menos, uma volta de avanço!

À partida, Alonso fez uma excelente largada, mas não conseguiu manter-se à frente.

A Ferrari prometia muita para a corrida, com Alonso a partir muito bem, e a liderar a corrida no início, contudo acabou por começar a regredir, e acabou a uma volta do vencedor, depois de ter chegado estar à sua frente no início! Sempre fez melhor que Massa, que como resposta ao facto de o seu companheiro ter renovado contrato, fez uma fraca exibição, estando quase sempre nos últimos lugares pontuáveis até a um abandono.

Mercedes e Renault cumpriram o seu papel habitual, com destaque para o facto de Schumacher ter batido Rosberg, e de Heidfeld ter  conseguido chegar aos pontos depois de partir do último lugar… Outra equipa que conseguiu ficar bem foi a Sauber, que conseguiu pontuar com ambos os pilotos, com Pérez na frente de Kobayashi.

De resto, e num circuito que tende a mostrar o verdadeiro potencial dos carros, não deixa de ser decepcionante a performance de Force India, Toro Rosso e Williams, para além de que a Lotus não conseguiu ficar tão bem em corrida como o tinha feito em qualificação.

Ver resultados completos.





O regresso à boa forma

21 05 2011

A chegada ao circuito de Montmeló era aguardada para verificar qual o verdadeiro andamento dos monolugares. A pista espanhola privilegia mais o carro do que o piloto, logo era a situação ideal para se entender qual a rapidez verdadeira do carro. Apesar de se ter confirmado que a Red Bull é de facto a equipa dominante, com quase 1 segundo de vantagem sobre os rivais, foi Webber quem ficou à frente desta vez, retirando Vettel da pole pela primeira vez desde o GP de Abu Dhabi de 2010.

Foi possível observar que o australiano não festejou muito o seu feito, e até é compreensível: é na corrida que se ganham os pontos, e é aí que Mark ainda não venceu o seu companheiro de equipa este ano… Daí que nada esteja decidido, e ainda para mais Sebastian afirmou que não pôde usar o KERS… Nada está decidido, portanto!

Webber conseguiu retirar Vettel do meio desta imagem...

Para analisar o resto do grid, comecemos pela Q1, onde Heidfeld e Barrichello surpreenderam pela negativa, ao não conseguirem passar. O primeiro acabou por nem poder participar, pois o seu carro incendiou-se no 3º treino livre (por uma falha no sistema dos escapes, supostamente), enquanto o último teve um problema com a caixa de velocidades. Os seus companheiros saíram-se melhor, conseguindo chegar à Q3.

A surpresa acabou por ficar por conta da Lotus, que apresentou várias melhorias aerodinâmicas para o GP espanhol, e acabou por se distanciar fortemente de Virgin e HRT, com Kovalainen a passar à Q2, onde conseguiu bater os Force India(!), pese embora o facto de as duas “desistências” da Q1 terem ajudado.

Foi aqui que ficaram ambos os Sauber e Toro Rosso que deverão, tal como nas corridas anteriores, lutar pelos últimos lugares pontuáveis, caso uma das equipas de topo falhe.

Na Q3, apenas McLaren e Red Bull foram para a pista no início da sessão, e parecia que ia ficar por aí, devido às grandes diferenças entre os pneus duros e macios, bem como pela necessidade de poupar um jogo para a corrida. Maldonado não tinha nada a perder, e foi para a pista contando que os outros não fossem, elevando-o a quinto.

Na corrida, será interessante ver o que fará Schumacher.

Contudo, Michael Schumacher teve uma ideia ainda melhor: foi para pista, obrigando os adversários a também irem, de modo a não ficarem nas últimas posições. No entanto, Schumi não fez qualquer volta, voltando às boxes, podendo por isso obrigar os adversários a gastarem um jogo de macios, sem que ele o tivesse que fazer. Uma decisão inteligente, que lhe poderá render frutos na corrida…

De realçar ainda, o facto de Alonso ter conseguido dividir os McLaren, ficando em 4º. Contudo, talvez não tenha sido a decisão mais feliz, já que o obrigou a sacrificar um jogo de pneus de corrida, o que lhe poderá custar caro, até porque já se percebeu que agora a qualificação já não tão importante!

Pequenos destaques

DRS – a FIA anunciou que nos GP’s do Canadá e da Europa serão usadas duas zonas de DRS, somando-se a isto o facto de o GP de Espanha ter a maior zona do dispositivo desde que foi implementado, para a corrida de amanhã. Como se não bastasse existir, a FIA quer-nos forçar o DRS ainda mais…

Bandeiras nas asas – não sei se fui o único a reparar, mas a Sauber colocou “Mexico” escrito na sua asa traseira, tal como a Williams, que tem “Venezuela”. Pelos vistos os países acham que é o melhor modo de se promover. E pensar que a McLaren chegou a fazer negociações o ano passado para ter “Visit Lybia”… talvez não seja a melhor altura para o fazer agora!

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