Quando chove…

1 08 2011

Lembro-me de, antes desta corrida ter começado, ter pensado que estava prestes a perder 1h30 da minha vida a olhar para uma autêntica procissão a 300 à hora. Felizmente não poderia estar mais errado. A verdade é que quando chove a pista de Hungaroring transforma-se numa das melhores do mundo, devido à sua configuração que quase se assemelha a uma pista de karting, com a sua largura mais pequena que o habitual.

E, novamente, o vencedor de uma corrida entre o molhado e o seco foi Jenson Button. O britânico acabou por vencer o seu 200º GP no local onde conquistara à 5 anos a sua primeira vitória, ainda que tenha beneficiado de um erro de estratégia (e drive-through) do seu companheiro de equipa. A luta entre Button e Hamilton foi um dos melhores momentos do fim-de-semana, pois foi possível vê-los a darem tudo por tudo, e a darem o mínimo de espaço possível um ao outro, sem, no entanto, alguma vez terem estado prestes a provocar 0 abandono do outro. O respeito entre ambos foi o suficiente para não passarem os limites da razão, e mostraram à Red Bull (a equipa supostamente mais “liberal” do grid) que nã0 há problema algum em lutas entre pilotos da mesma equipa, desde que se saibam comportar…

Button ganha novamente na Hungria... e na chuva.

Falando da Red Bull, Webber teve uma corrida bastante apagada, acabando por perder o duelo com Hamilton; enquanto Vettel, mais uma vez, ficou logo em segundo, ampliando a sua já extensa vantagem no mundial. A Ferrari fez a sua corrida habitual: Alonso no lugar mais baixo do pódio, e Massa a ficar o pior das três melhores equipas… Mesmo assim melhor que a Mercedes, que depois de uma excelente partida dos dois carros, acabou por conseguir apenas dois pontos! Schumacher, por parar mais tarde, acabou por liderar durante um curto (menos de uma volta completa) espaço de tempo, e acabou por abandonar, por uma razão que o Ron Groo descobriu

Contra todas as expectativas, a Toro Rosso parece estar a subir de forma cada vez mais, e na luta pela sobrevivência Buemi está novamente acima de Alguersuari. Force India confirmou a boa forma, com a melhor corrida de di Resta desde que está na F1. Sauber e Williams não conseguiram pontuar, enquanto a Renault também não, apesar do bom início de campeonato. Heidfeld sofreu um aparatoso abandono, com o R31 a pegar fogo novamente. Nas desculpas oficiais, a causa terá sido porque “o carro não está desenhado para estar tanto tempo em altas rotações”… Peço desculpa, mas é exactamente para isso que eles são desenhados! O que me parece é que o sistema de escapes da Renault não é dos mais seguros do grid.

No fundo, ambos os Lotus abandonaram com problemas mecânicos, Ricciardo impressionou a Hispania ao acabar uma volta à frente de Liuzzi, e na d’Ambrosio por pouco não fez um strike nos mecânicos ao perder o controlo no pitlane!

Veja os resultados completos.

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Red Bull mantém superioridade

7 05 2011

Grandes eram as expectativas para este primeiro GP europeu da temporada, contudo tudo se manteve: Red Bull permanece dominante. Pronto, não estou a ser justo, ocorreram, de facto, várias mudanças, mas comecemos pela frente. Vettel e Webber colocaram os RB7 na frente (por esta ordem), e enquanto os outros tentavam mais uma volta para os bater na qualificação, eles decidirem poupar um jogo de pneus para a corrida. Uma inspiração na vitória de Hamilton na China…

Os dois McLaren acabaram por não conseguir evitar a superioridade dos austríacos, mas ao menos aproximaram-se um pouco mais. Uma das surpresas foi a Mercedes, que parece ter conseguido recuperar terreno após duas primeiras corridas bastante desanimadoras, e Rosberg, a partir de 3º, poderá tentar dar luta aos Red Bull na corrida. A Renault também esteve bem, embora a melhoria dos alemães a tenha impedido de se chegar mais à frente.

Vettel aproveitar para irritar Verstappen mais um pouco...

A Ferrari acabou por decepcionar, pois Massa e Alonso estiveram sempre muito longe do ritmo dos rivais, e o 5º lugar de Fernando poderá ser considerado um grande feito. Para a alegria dos seus fãs, mesmo em crise a Williams parece ter conseguido um aumento de performance, com Barrichello a quase passar à Q3. Os seus maiores rivais do momento são mesmo a Force India, e a Sauber, que não pôde contar com Kobayashi por problemas na Q1.

A Toro Rosso ficou atrás, parecendo ter perdido o “comboio” do meio, e com uma Lotus surpreendente a pouca distância. Kovalainen ficou bem perto, e se não fosse um problema com o DRS, Trulli poderia ter-se imiscuído na luta. Isto sem que tenham sido feitas as maiores alterações ao T128, que apenas virão em Barcelona… Bem se pode entender as expectativas de Mike Gascoygne para o GP de Espanha!

A surpresa da qualificação ficou, no entanto, no fim do grid. Após um Inverno cheio de dúvidas acerca do seu futuro, a Hispania tem progredido bastante desde que falhou a qualificação em Melbourne, tendo Liuzzi conseguido qualificar-se à frente de um Virgin (Glock, que parece cada vez mais desmotivado), o que é incrível tendo em conta a diferença de preparação de ambas as equipas…

Veja os resultados completos.





Fim da rotina

17 04 2011

E após um dos mais entusiasmantes Grande Prémios dos últimos anos, Hamilton venceu uma corrida cheia de acção, ultrapassagens e alguns incidentes. O inglês fez apenas uma volta na última qualificação de modo a poupar um jogo de pneus para a corrida, o que o ajudou muitíssimo. Na partida conseguiu passar Vettel, e ficou as primeiras voltas em segundo atrás do companheiro Button. Lewis fez uma estratégia idêntica à de Button, e passou-o de maneira impressionante na primeira curva, e no último terço da corrida passou Rosberg e Vettel, rumo a uma vitória incrível.

Finalmente, Vettel não está no centro...

O vencedor das últimas etapas, Vettel, viu a sua sequência imbatível interrompida, se bem que um segundo lugar lhe tenha minimizado as perdas. O seu companheiro de equipa, Webber, tinha muito que batalhar para chegar a posições elevadas, e foi o que fez, escolhendo começar com pneus duros, o que lhe permitiu subir imenso no final da corrida, com várias ultrapassagens, acabando muito perto de Sebastian, mesmo tendo começado 17 posições abaixo no grid.

O momento mais insólito da corrida ficou por conta de Button: o britânico liderava a corrida quando chegou a altura da sua paragem nas boxes, sendo seguido por Vettel. O inglês acabou por acidentalmente ir para a zona da Red Bull, mas apercebeu-se a tempo de seguir em frente para o local correcto. No fim da corrida, Vettel disse ironicamente “devem gostar das nossas boxes”, recordando-se do GP do Abu Dhabi de 2009, quando situação semelhante aconteceu com Alguersuari…

A Mercedes foi a equipa que mais subiu de rendimento, e Rosberg chegou a liderar durante algumas voltas a corrida. Acabou por lentamente regredir, sendo passado pelo dois McLaren e por Webber quando estava em segundo, mas resistiu na fase final a Massa, terminando em 5º. Massa fez uma corrida bastante boa, e pela primeira vez em bastante tempo deu a sensação de ser claramente mais rápido que Alonso, o que promete bastante. Fernando fez uma corrida muito apagada acabando a lutar com Schumacher.

O alemão também deu um ar da sua graça, fazendo uma partido espectacular, e mostrando um bom ritmo de corrida (ainda que ligeiramente inferior ao de Rosberg). Bem melhor que no ano passado, mas já não deverá atingir o nível dos tempos da Ferrari…

Uma das muitas disputas cerradas: Massa vs Button vs Rosberg

Os últimos pontos foram para Petrov e Kobayashi. Ainda que possam ficar satisfeitas com estes pontos, Renault e Sauber ficaram visivelmente abaixo do ritmo dos GP anteriores, principalmente devido à subida da Mercedes, e podem começar a ficar preocupados já que necessitarão de melhorar rapidamente. Ainda que não devam estar tão em pânico como a Williams, cujo FW33 não se mostrou minimamente veloz, nem confiável. Os ingleses começam a preocupar, sendo a única equipa “estabelecida” a não ter pontuado.

No fim do grid, HRT aproximou-se bastante da Virgin, e Lotus conseguiu uma das corridas mais sólidas desde que se estreou, distanciando-se claramente das outras “estreantes”, e aproximando-se das equipas do meio do pelotão.

Por último, a asa traseira móvel (DRS) foi, pela primeira vez desde que foi integrada no regulamento, um sucesso. Se deixou muito a desejar nas duas primeiras corridas, compensou de  forma ampla em Shangai, oferecendo-nos um dos melhores GP’s dos últimos anos. Mesmo assim Shangai tem uma das maiores rectas do campeonato, pelo que não é garantido que todas as provas do ano tenham este nível de emoção…

Veja os resultados completos.





Mais do mesmo

11 04 2011

Sem qualquer surpresa, Sebastian Vettel voltou a vencer com o seu Red Bull, na etapa malaia da Fórmula 1. Isto deixa antever possivelmente um domínio como os que foram vistos em 1992 ou 2004, certo? Não. Não se trata de uma situação tão simples…

Novamente, Vettel foi o vencedor.

Embora tenha vencido a sua quarta corrida consecutiva, Vettel não poderá respirar de alívio para já, visto que neste GP ficou patente o facto de que a concorrência não está longe. Comecemos pela McLaren, que depois de ter tido uma terrível pré-temporada, parece ter encontrado novamente o rumo certo, estando na posição mais próxima dos carros da Red Bull. Mesmo que tenha ficado a alguma distância, o segundo classificado Button nunca desapareceu completamente da traseira do líder.

Já a Ferrari, embora deixe muito a desejar na sua performance de qualificação, em corrida os italianos estão muito constantes, e não fosse um acidente de Alonso e Hamilton (culpa da falta de cuidado do espanhol), os 150º Italia teriam chegado ao pódio.

Pódio esse que acabou por ser completado por, novamente, a Renault. Os franceses conseguiram um bom resultado, estando claramente superiores à Mercedes, e muito próximas da Ferrari. Petrov e Heidfeld tiveram largadas incríveis, mas acabaram por começar a “recuar” à medida que a corrida evoluia. Heidfeld conseguiu algumas brilhantes ultrapassagens, e a sua defesa nas últimas voltas aos ataques de Webber apenas demonstram como ainda tem bastante para dar. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, tendo chegado a ser sugerido que o alemão poderia ser substituído por Senna.

Petrov acabou por "levantar voo" nas voltas finais.

Petrov acabou por fazer uma corrida bastante mais irregular em comparação com a de Melbourne, e no fim acabou por ter um acidente, levantando voo de maneira de tal forma violenta, que partiu a direcção.

Nos últimos lugares pontuáveis pode-se dar algum destaque a Schumacher e Kobayashi, que passaram grande parte da corrida a batalharem, e para di Resta, que tem vindo a demonstrar um andamento muito bom para um estreante, levando mais um ponto para a Force India.

Nas desilusões pode-se destacar Mercedes e Williams. Os alemães ainda não demonstraram boa performance este ano, o que os deixa a lutar no meio do pelotão; já os britânicos estão pior, pois o FW33 tem-se demonstrado extremamente infiável, e em Sepang também lentos. Triste ver uma equipa como a Williams cair, esperemos que não se esteja a preparar algo semelhante ao que sucedeu com a Lotus nos últimos anos de vida…

Nas equipas “novas”, a Lotus está começar a apanhar Toro Rosso e Force India, afastando-se cada vez mais de Virgin e Hispania. Na Virgin o método de CFD tem vindo a revelar-se um fracasso, colocando a equipa na mira da HRT, que conseguiu qualificar-se para esta corrida.

Daqui a alguns dias começarão os treinos para o GP da China.





O fim das apresentações

8 02 2011

Depois do acidente de Kubica, as nossas atenções não estavam “para aí viradas”, mas hoje concluíram-se as apresentações dos chassis que competirão no campeonato de 2011. Force India e HRT mostraram as suas armas, e foi no mínimo curioso reparar quem realmente espantou.

Force India

O novo VJM-04: nada de radical.

Depois de uma demorada complicação na escolha dos seus pilotos, os indianos ainda foram dos últimos a mostrar o seu carro novo. Não é necessariamente uma má estratégia, já que a McLaren também fez o mesmo e conseguiu um dos mais radicais carros de 2011, no entanto este tempo pode não ter sido muito bem empregue no VJM-04.

Ao olhar para o carro é possível observar que as principais alterações são as tomadas de ar em cima do piloto e nas laterais. No topo optaram pela solução apresentada pela Mercedes em 2010, tal como a Lotus; já as laterais aparentam uma forma mais triangular. O resto parece apenas uma evolução do antecessor, que era apenas um carro mediano, não sendo uma base recomendável…

Hispania

Novo look e linhas muito diferente no F111.

Hoje, a HRT surpreendeu todos. Ao invés de esperar pelos testes do Barhain, a equipa apresentou no seu site o seu novo carro (graficamente). Para começar teremos obviamente que reparar que tem umas linhas interessantes, com uma semi-barbatana de tubarão (que a Red Bull também fez), entre outros. Isto pode indicar que Lotus e Virgin não poderão estar tão descansadas como em 2010 perante a equipa espanhola.

Há também que referir que a equipa pediu à Cosmic Motors para tratar do visual do carro, o que já rendeu frutos (muitos sob a forma de piadas). Esta empresa criou algumas linhas brilhantes, mas o mais curioso foi a forma como preencheram a falta de patrocínios com mensagens do género: “o seu nome aqui”, “o seu logo aqui” ou “este espaço é fixe”…





Ano 0+1

10 01 2011

Ao longo dos anos temos sido confrontados com a chegada de equipas novas à Fórmula 1, a maior parte das quais com “bugets” minúsculos quando comparados com os das equipas do pelotão da frente. Scuderia Italia, Forti, EuroBrun, e, mais recentemente, a Virgin são exemplos disso.

Aproveitando os “restos” deixados pelas restantes equipas, estas pequenas equipas possuem normalmente dois destinos: ou conseguiam subir de forma progressivamente até ao sucesso (creio que se pode considerar a Red Bull como a prova viva disso), ou acabam por se debater com problemas monetários durante toda a sua vida (curta, na maior parte dos casos) até chegarem a um fim forçado.

Nesta última categoria encontra-se, na minha opinião, o maior exemplo de paixão pelo desporto que existe no mundo: a Minardi. Inscrita pela primeira vez no campeonato de F1 de 1985, e criado por Giancarlo Minardi, a equipa caracterizou-se por escassos resultados de volume, e sobrevivência à justa. Contudo o desportivismo com que sempre tomaram parte nas corridas, nunca deixaram que a ausência de resultados os afastasse da competição, numa metáfora perfeita de “o importante não é ganhar, é participar”.

A Hispania não arrecadou muitos fãs no seu primeiro ano.

No extremo oposto encontra-se a HRT. Começou imediatamente errada: originalmente uma candidatura de Adrian Campos, a equipa acabaria por enfrentar problemas e mesmo antes do início da temporada foi necessário ser vendida à Hispania de José Ramon Carabante. Com muitos pagamentos em atraso, tratou-se de uma verdadeira corrida para, simplesmente, ter ambos os carros no grid do Barhain.

Para fazer esta tarefa Carabante encarregou Colin Kolles (ex-Jordan, Midland, Spyker e Force India) de dirigir a equipa. O alemão tentava garantir o máximo de apoios possíveis e uma boa maneira de os conseguir era através de pilotos endinheirados, contudo Campos já contratara Bruno Senna que não trouxera um tostão. A solução fora contratar Karun Chandhok, um indiano apoiado por Bernie Ecclestone.

Confesso que no primeiro GP temi o pior, pois a equipa não tinha corrida um km com o novo carro, e Chandhok não mostrara grande potencial na GP2.

A equipa acabou por conseguir sobreviver ao ano, com uma rescisão com a Dallara e com a Toyota pelo meio… Na primeira metade do ano foi possível notar que Senna estava bastante mal, começando a perder para Chandhok, que impressionou com performances bastante boas tendo em conta que conduzia um carro que fora mais lento que um GP2 em Monte-Carlo. Contudo, isto não lhe serviu de muito, pois com a falta de dinheiro que a equipa enfrentava, o endinheirado Yamamoto apanhou o seu lugar.

O certo é que após um ano de incógnitas, que a equipa tratou como “ano 0”, parece que este ano não deverá ser muito diferente. Com a assinatura de um contrato com a antiga estrutura da Toyota, parecia que tudo estava resolvido, contudo foi rescindido por falta de pagamento. De volta à situação do ano anterior, a equipa parece ter retornado à ideia dos pilotos pagantes, com o primeiro a ter sido anunciado a semana passado: Narain Karthikeyan.

Não pilota um F1 desde 2005, e o seu retorno é explicado por um gigante patrocínio da Tata e pelo facto de o GP da Índia estrear este ano no calendário. Mas acima de tudo Narain é o novo piloto, porque Karun recusou assinar pela mesma equipa que o mandara embora quando precisaram de dinheiro rápido. Confesso que foi uma agradável surpresa constatar que o indiano se recusou a submeter a essa humilhação, mesmo retirando-se de um lugar no grid de Jaypee, um sonho pessoal.

Parece-me óbvio que a segunda vaga ficara para quem der o maior número de euros à equipa, que a cada dia tem menos simpatia dos fãs pelos modos como a gere. Tudo isto leva a que equipa vá viver em 2011 mais um ano 0. Vamos ver como corre este ano 0+1…