O Encantador de Cavalos (ou Burros…)

17 10 2012

Os rumores são uma parte fundamental de qualquer tipo de desporto. Da vida mesmo. Toda a gente gosta de abraçar o vidente interior quando se pede a opinião sobre possibilidades futuras. O Senna? Vai-se juntar ao Felix Baumgartner na próxima viagem que ele fizer… Por mais patético ou improvável que seja há sempre espaço para uma opinião, quanto mais não seja para que os jornais e os sites tenham alguma coisa que falar para render o peixe.

Os alvos desse tipo de rumores por outro lado não tendem a apreciar particularmente. Não só porque quando são falsos acabam por poder causar mal-estar na equipa de quem é envolvido, ou quando são verdadeiros podem causar alguns “divórcios” menos simpáticos entre piloto e equipa (ou fornecedor e equipa, entre outros).

Mas a grande maioria dos envolvidos já percebeu bastante bem como proceder. Caso sejam adversários os alvos dos rumores, pode-se sempre dar umas bicadas (não é Alonso?). Mas caso sejam contra eles próprios, o melhor a fazer é ignorar por completo e apenas dar um comentário do género “é a primeira vez que oiço essa” se algum repórter tentar obter uma reação. A não ser que esse alguém seja a Ferrari…

Não estou a falar das constantes opiniões e indiretas que o Luca di Montezemolo gosta de mandar. A defesa das equipas de 3 carros, dizer que Alonso é o melhor do mundo, os constantes comentários sobre como todos os pilotos sonham em tê-lo como patrão, etc, etc. Isso já é hábito, porque os italianos gostam sempre de relembrar todos que são a mais antiga equipa de F1.

Só que a equipa de Maranello arranjou uma maneira possivelmente mais infantil de lidar com as notícias que lhes desagradam. Enquanto a McLaren decidiu aproximar-se do pública através da série Tooned e a Lotus faz desde o ano passado a sua banda desenhada, a Ferrari optou pela criação de uma coluna intitulada “The Horse Whisperer”.

O que é o “Encantador de Cavalos”? Bem, o Encantador é um membro da Scuderia, cuja identidade não é do conhecimento do público em geral, que ocasionalmente lança algumas opiniões sobre o que se passa com os media. No entanto, o facto de estarmos perante aquilo que é um anónimo a desferir reações nunca poderá soar como boa ideia (muitos blogs tentam não permitir anónimos de comentar, por exemplo).

E, logo no primeiro post de todos, após os acontecimentos do GP da Alemanha de 2010 (surpresa, hein?), se comprovou quando depois de Niki Lauda ter criticado a decisão, o Encantador escreveu:

“Desta vez, o bom e velho Niki perdeu uma excelente oportunidade de manter a boca fechada, dado que, quando ele era piloto da Scuderia, esta suposta gestão de pilotos lhe assentava que nem uma luva…”

Ponham-se na pele do Lauda. Como defender-se? Se quiser responder não terá como o fazer, pois não sabe de quem se trata, nem que inconsistências em opiniões poderá ter tido no passado. Se acusar a Ferrari, podem sempre dizer que é apenas o artigo de um membro da equipa e que não reflecte a visão da estrutura. Se acusar Montezemolo de estar por detrás do artigo (já vou fundamentar esta hipótese), o italiano pode responder que se sente insultado pela acusação caluniosa do austríaco!

E no mais recente post dele também se continua a verificar o mesmo estilo. Depois de Montezemolo ter dito que a Ferrari era uma equipa em que não co-habitavam “dois galos”. Escusado será dizer que foi interpretado como uma crítica aberta a Felipe Massa, que mesmo já tendo o contrato renovado por mais um ano não terá certamente ficado feliz em ouvir o patrão a considerá-lo como um inferior…

Mas a reação do Encantador de Cavalos já se fez sentir, com uma defesa bastante acirrada  ao presidente da Scuderia e com uma das passagens mais engraçadas, e me convenceu da suspeita de ser Montezemolo: “Foi apenas necessário que um site inglês “disparasse” uma notícia de um suposto acordo entre Vettel e a Scuderia – mesmo que inexistente – para lançar as fantasias de fãs e escritores na net”. A necessidade de dizerem que o jornalista era inglês não deixa de ser risível, porque já depois de Hockenheim 2010 começaram a dizer que eram apenas ingleses os jornalistas que protestaram.

Mas não vou fazer a questão principal aqui ser se Montezemolo está ou não por detrás do Encantador de Cavalos, a questão principal é a de uma equipa com o historial da Ferrari sentir a necessidade de se esconder sob um pseudónimo para disparar comentários parciais e infantis ou mesmo recadinhos para a imprensa.

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Campeonato bem vivo

9 09 2012

Há 12 meses atrás, após a corrida de Monza, estávamos com dúvidas sobre se o campeão mundial Sebastian Vettel iria conseguir o título já em Singapura ou se teria de esperar até Suzuka. Este ano saímos com 5 pilotos de 4 equipas diferentes com hipóteses ainda muito realistas de lá chegar. Afinal entre primeiro e quinto estão apenas 47 pontos quando faltam 7 corridas para o fim.

A vitória nunca esteve muito em questão neste fim-de-semana, apesar da aproximação final de Sérgio Pérez a Lewis Hamilton. O piloto da McLaren tem estado com os holofotes da imprensa sobre após os rumores de que estaria de saída para a Mercedes, e não poderia ter respondido de maneira melhor, subindo para a vice-liderança do campeonato.

Dominou de início a fim, e viu os carros de Schumacher e Rosberg terminarem em 6º e 7º, respetivamente. Portanto parece óbvio que o inglês sabe que uma ida para a Mercedes é um gigante passo a trás em termos de resultados, ainda que possa ser compensado financeiramente. O mais provável é que esteja a usar esse argumento como pressão para um aumento salarial, porque com o aumento salarial a Button ficou a ganhar o mesmo que Jenson, que Hamilton muito certamente considera ser inferior a si mesmo. Compro mais facilmente esse argumento.

Atrás dele algumas surpresas. Em primeiro lugar a excelente exibição de Sérgio Pérez, que novamente mostrou o seu grande trunfo: a preservação dos pneus. Parando mais de 10 voltas depois da maioria, o mexicano conseguiu passar facilmente os adversários no final da pista, com destaque para a passagem sobre Alonso antes da Variante Ascari. Espero que não vá para a Ferrari tão cedo, porque decididamente não merece o tratamento de segundo piloto que lhe esperaria. E se a Sauber conseguir manter este nível, não se vêem para já razões para sair.

Os dois Ferrari estiveram bastante bem. Massa andou bem ao longo do fim-de-semana, conseguindo igualar o melhor resultado do ano em 4º. Teve que deixar passar Alonso, mas tendo em conta que está em 10º no campeonato é perfeitamente aceitável. Mas o espanhol não contou com facilidades foi de 10º até 3º, incluindo uma luta particularmente dura com Vettel, com direito a reedição do duelo do ano passado mas com os papéis invertidos.

Ainda que dura a penalização imposta ao alemão foi justa. Cada vez mais tem ficado moda forçar o adversário a escolher entre abrandar ou ir para fora quando já estão ao lado, o que é muito anti-desportista. A penalização de Vettel e a suspensão de Grosjean mostram que os comissários também concordam.

Quem está a fazer lembrar o conto da lebre e da tartaruga é Kimi Raikkonen, que conseguiu suster os ataques de Schumacher para chegar em 5º numa pista em que os Lotus não conseguiram dar-se bem (como d’Ambrosio em 13º demonstrou). Assim Raikkonen conseguiu passar a 3º no campeonato, a apenas 1 ponto de Hamilton. Já está a merecer uma vitória há muito tempo.

A Mercedes também mostrou sinais encorajadores, mas não nos podemos esquecer que os motores alemães se costumam dar bem em Monza.

Assim o campeonato vê-se relançado, com a crescente forma da McLaren que já vai em 3 vitórias seguidas. A Red Bull parece estar a perder alguma forma, mas não nos podemos esquecer que os austríacos há bem pouco tempo eram cotados como a maior ameaça a Alonso…

Veja os resultados completos.





Die Zukunft*

28 06 2012

* O Futuro

Depois de duas temporadas em que as 4 principais equipas não realizaram qualquer alteração no seu line-up de pilotos, a imprensa tem vindo a dar asas à sua imaginação, criando os mais rocambolescos cenários que se possam imaginar, na ausência de verdadeiras notícias dignas desse nome.

A mais recente criação diz respeito ao bi-campeão mundial Sebastian Vettel. Tem-se vindo a “noticiar” (entre aspas porque nem se podem classificar de notícias) que o alemão teria um acordo com a Ferrari para se tornar companheiro de equipa de Alonso a partir de 2014. O rumor começou por Stefano Domenicalli ter dito que os dois campeões poderiam coexistir, e com Alonso a dizer que não se importaria de o ter como companheiro.

Sinceramente? Não tem pés nem cabeça… Sebastian Vettel não é o tipo de piloto que gosta especialmente de desafios. A sua situação ideal é a de acumular vitórias, liderar corridas de princípio a fim, ter o melhor carro à sua disposição, e uma equipa inteira a apoiá-lo.

Analisemos agora a Ferrari. Começou o ano com um carro patético, e só à custa de muito suor de Alonso conseguiram amealhar duas vitórias, logo porquê sair de uma equipa que tem o hábito de acertar sempre com o carro? Depois há ainda a questão de Alonso. Não só o espanhol, mas também o alemão, não têm um historial muito bom quando os companheiros lhes começam a dar trabalho, pelo que não duraria muito uma “paz” entre dois pilotos que se consideram os melhores e que não têm o hábito de serem… graciosos nas derrotas.

Já para não falar do facto de ambos terem nas suas atuais equipas um tratamento de reis e senhores, sendo que nenhum deles estaria interessado em ter as atenções divididas no seio de uma equipa. Aliás quando Alonso se mostra interessado em dividir a equipa com Vettel, não deixo de ter a impressão de que ele quer mais dizer que gostaria de vencer Vettel com equipamento igual, para provar que é melhor…

E em todo o caso a alteração de que eles falam apenas teria algum efeito daqui a 2 anos, e muito provavelmente nem acontecerá. Pelo menos antes do final do contrato de Alonso terminar.

Todos parecem ignorar é outra vaga que tem grande potencial de ficar disponível, e que caso não fique poderá levar a alguns casos pendentes. Falo da atual vaga de Michael Schumacher.

O alemão tem vindo a expressar o seu desejo de permanecer em competição ao serviço da Mercedes, no entanto desde o seu regresso que não tinha vindo a apresentar resultados. Só que em 2012 o alemão tem vindo a mostrar um ritmo muito mais elevado que nos anteriores, e embora esteja com apenas 17 pontos (contra 75 de Rosberg) tem estado em boa forma, devendo-se a esmagadora maioria dos seus abandonos a problemas mecânicos.

Uma coisa parece certa: 2012 dificilmente será o ano da 8ª consagração de Schumacher, o que nos leva a ponderar se ele estará a pensar em prolongar a sua carreira (e por quanto tempo). É que ter Schumacher como relações públicas deve estar a dar um bom dinheiro à Mercedes, e com a sua subida de forma, fica mais fácil argumentar junto da casa-mãe a manutenção do hepta-campeão mundial.

O que não deixa de ter repercussões no mercado de pilotos. Já se falou várias vezes que os alemães estariam interessados nos serviços de Hamilton ou Vettel, aliciando-os com salários elevados, ou então do seu protegido Paul di Resta, que espera pacientemente na Force India, já para não falar do trio de jovens (Merhi, Vietoris e Wickens) que recentemente acolheram.

Assim temos uma das equipas de topo fechadas, olhemos agora para outras que já venceram este ano. A Red Bull manterá Vettel, e Webber já disse que só saía se deixasse de haver performance na equipa. A McLaren não deverá mexer. A Ferrari, na ânsia de dar um companheiro que não chateie Alonso e com os rumores de Vettel, poderá mesmo ter que optar por manter Massa. A Williams manterá um dos seus pilotos atuais, e dará lugar a Bottas.

Assim, a vaga que mais hipóteses tem de ficar livre ainda é a da Mercedes. O que não é também muito provável. O futuro mais próximo parece não trazer alterações nenhumas, mesmo…





Do contra

19 11 2011

Normalmente tenho uma definição muito diferente das dos comentadores televisivos. No que toca a desporto, confesso não prestar muita atenção ao que a grande maioria deles dizem. Simplesmente não concordo. Acho que a maioria opta pelo sistema em que se passa de “bestial a besta” em muito pouco tempo, e vice-versa; ou então vão por opiniões que não sigo.

Acho que se aplica muito a várias coisas. Posso dar o exemplo de pilotos: Felipe Massa e Jenson Button. No caso do primeiro, vou fazer uma confissão. Nunca gostei dele. Nem agora, nem quando lutou pelo título com Hamilton, nem nos tempos da Sauber. Acho que é um piloto mediano e só isso. Teve um excelente ano de 2008, em que merecia o título (isso eu admito), mas de resto não me deslumbrou.

Um ano depois já acreditavam nele desde o início...

Já o Button, sempre foi tratado como um piloto bom mas não excelente. Confesso que até mesmo quando circulavam os rumores de que teria que ir para a Toro Rosso em 2009 eu ainda acreditei, mesmo com duas terríveis temporadas na Honda, enquanto a imprensa se divertia a ver o quase fim de uma carreira. No final o inglês superou as expectativas e venceu categoricamente a temporada, e agora a imprensa já diz que ele é um dos melhores da actualidade. Pelo amor de Deus…

Outro exemplo que sempre me irrita, é a questão das ordens de equipa. Muitas vezes dão algum comentário de serem contra, mas rapidamente se esquecem. Quem não se lembra do GP da Alemanha de 2010, quando Eddie Jordan fez um grande discurso contra, mas depois a situação já não mereceu tanta importância. Aliás houve quem defendesse que mais tarde poderia ajudar, e que desporto automóvel era assim mesmo.

Não. Não é. Para todos aqueles que dizem isso leiam este post do F1 Corradi. A imagem refere-se à história do discussão do título de 1958 entre Hawthorn e Moss. Odiavam-se. Mas, mesmo que isso tenha significado a perda do título, Moss manifestou-se contra uma desclassificação injusta de Hawthorn no GP de Portugal. Aliás, Moss nunca conseguiu vencer um campeonato. Foi vice em quatro seguidos, e 3º nos três a seguir… A maior injustiça da F1!

Mesmo não gostando um do outro, Moss não quis vencer injustamente.

E, a imagem que eu tenho de Moss é de um dos melhores pilotos de todos os tempo, um gentleman. Já há outros com títulos em fartura, que nem sequer entrariam na minha lista de preferências. O nome de Alonso vem-me à cabeça… De que interessam os recordes se não são merecedores de respeito?

A verdade é que por mais perigosa que seja a F1 dos anos mais antigos seja mais perigosa, e a actual seja bastante segura, confesso que duvido seriamente que daqui a uns anos falemos dos pilotos de agora com a adoração destes. Prefiro os anos 50. Sou do contra, é verdade.

Mas deixo um último exemplo. GP França 1958. Hawthorn (o mesmo que venceu sobre Moss) liderava o GP e chega para dobrar Fangio (na sua última corrida). Mas em vez de o fazer fica para trás e acaba a corrida sem lhe dar uma volta de avanço. Porquê? “Não se põe uma volta de avanço sobre Fangio…”, esclarece o próprio Hawthorn.





Guess who…

31 10 2011

Adivinhem… Pois é, Sebastian Vettel voltou a triunfar pela 11ª vez. Isto significa que em 2011 o alemão ganhou mais corridas do que nas suas anteriores temporadas… juntas! Confesso que no início do ano ainda tinha a crença de que Vettel não estaria a ganhar se tivesse um carro ao mesmo nível do dos adversários, mas depois das mais recentes exibições (como a ultrapassagem a Alonso em Monza) confesso já não ter tanta certeza…

Outra ideia minha do início do ano que não se verificou foi sobre a pista de Jaypee. Na altura achei que a pista nos daria uma grande corrida, mas pelos vistos não deu. Ainda que seja, talvez, a melhor pista feita por Tilke, no que toca a ultrapassagens ficou bastante aquém das expectativas, e nem com duas zonas de DRS se conseguiu dar emoção… Já ouvi dizer que isto se deveu, principalmente, por causa da quantidade de poeira que estava fora da trajectória ideal, portanto vejamos se para 2012 se lembram de a limpar antes.

Os olhares de Button e Alonso dizem tudo...

Aliás, o melhor momento da corrida foi mesma a extraordinária reacção de Rowan Atkinson ao incidente entre Massa e Hamilton. Isso mesmo, estes dois decidiram trocar mais um pouco de tinta entre o Ferrari e o McLaren… Desta vez aconteceu quando o inglês estava a colocar-se em posição de ultrapassar, e o brasileiro cortou-lhe a trajectória, mas Lewis não teve tempo de reagir. Concordo com a penalização a Massa, porque desta vez Hamilton, embora tenha arriscado muito, tinha já o nariz a menos de meio carro do de Felipe, e o brasileiro não podia esperar que ele simplesmente desaparecesse…

Sobre o Hamilton já ouvi alguém dizer meio a brincar que ele anda armado em Senna desde que viu o documentário. Isso deixou-me a pensar em algo. O Top Gear há algum tempo fez um vídeo de tributo a Senna, no qual Martin Brundle explica a técnica de Senna para ultrapassar:

“Ele habitualmente punha-nos numa posição em que iríamos ter um acidente, e deixava-nos a nós decidir de ter esse acidente ou não (…), e se não tivéssemos o acidente, estavas psicologicamente acabado. Ele então saberia que sempre que fizesse aquilo tu o deixarias passar.”

E é aqui que se pode tirar duas conclusões. Primeiro, não se pode fazer a todos os pilotos. Webber fez isso na Eau Rouge a Alonso este ano, e mais tarde disse que o fez pois confiava em Alonso para que este fosse sensato. E não num Felipe Massa que pilota mais com o coração que com a cabeça, por assim dizer. Em segundo, que Hamilton ainda não goza do respeito que Senna tinha nos adversários. Ninguém teme a sua aproximação. É simplesmente um adversário a ser combatido, o que Lewis não consegue aceitar…

Enfim, desviei-me um pouco do assunto. Mas também a única coisa importante depois disto foi a boa forma dos Mercedes, e a luta cada vez mais próxima pelo sexto lugar entre Sauber, Force India e Toro Rosso.

Actualização: Já me esquecia, feliz dia das bruxas! Fiquem com a mais assustadora história de Halloween de 2008 no vídeo abaixo.

Veja os resultados completos.





1 – o número favorito de Vettel

26 09 2011

E quem diria… mais uma vitória para Sebastian Vettel. O alemão dominou por completo o GP da Singapura ontem, ao imprimir um ritmo imbatível na parte inicial da corrida, e mesmo que tomemos em consideração o fato de ter acabado a corrida sob pressão de Jenson Button, temos que admitir que ele esteve intocável…

Já Button esteve a um excelente nível, e deixa no ar a impressão de que, se a McLaren acertar com o carro de 2012, Jenson é o maior rival de Vettel na luta pelo título. Para já, no de este ano, assumiu a vice-liderança.

Os Ferrari estiveram bastante abaixo do esperado, sendo que Massa deu mais nas vistas depois da corrida, do que durante. Hamilton (mais uma vez) envolveu-se num acidente com o brasileiro, e no fim da corrida Felipe foi ter com Lewis para lhe dizer “Bom trabalho, pá!” no tom mais sarcástico possível, enquanto batia palmas…

O número favorito de Vettel esta temporada.

Mais atrás, grande destaque para a Force India que colocou ambos os pilotos nos pontos, com o estreante di Resta na frente, em sexto. O resultado elevou bastante a equipa, que não só está a mostrar-se superior a Sauber e Toro Rosso, como também se aproxima cada vez mais da Renault. Querem ver que a equipa que tem a mania que é Lotus ainda vai ser passada pelos indianos?

Justamente os Renault tiveram um péssimo GP, e Petrov acabou mesmo atrás de Kovalainen, o que de certeza deu bastante gozo a Tony Fernandes. Mercedes também não esteve muito bem: Rosberg ficou apenas em 7º, e Schumacher espetou-se contra Kobayashi. Um ligeiro destaque para o fato de a Williams estar bem mais perto dos lugares pontuáveis, mas apenas dizer isto mostra como o ano deles tem sido extremamente mau…

Por último, o vencedor Vettel fez a 9ª vitória da época (primeira vez desde Schumacher 2004), e pareceu que gosta bastante do número 1, a julgar pelas vitórias e poles, mas também por ser esse o número de pontos que precisa para ser bi-campeão…

Veja os resultados completos (se repararem bem, o GP Update agora também chama à Renault, Lotus-Renault; e à Lotus, Team Lotus… Já o novo jogo da F1, o F1 2011, também faz o mesmo. Isto irrita-me bastante: que eu saiba não chamam à McLaren, a Vodafone McLaren; nem à Mercedes, a Mercedes Petronas!





O que significa ser Ferrari

2 09 2011

É provável que fique um pouco como bater no ceguinho, mas este post vai falar sobre Felipe Massa e a Ferrari. Desde que voltou a competir depois do acidente pavoroso do GP da Hungria de 2009, o brasileiro tem sido muito criticado pelas suas performances. Como de costume, os fãs têm uma memória curta no que toca a questão da competitividade: se num ano consegue vencer corridas é brilhante e com um excelente futuro pela frente; se tem o azar de ter um carro fraco ou um ano menos conseguido é uma besta que deveria desistir e ir-se embora.

Massa no GP do Brasil de 2008. A última vitória na F1...

Normalmente é no meio que se resolvem as questões. Felipe Massa veio para a Ferrari numa altura em que Michael Schumacher se preparava para abandonar, pelo que se deram lindamente: era só aturar durante um ano, e acabava. Mas, em 2007 com o companheiro a ser Raikkonen acabou por não se conseguir impôr, sendo tratado como um segundo piloto. De tal forma, que quando chegou no fim do ano a renovação até 2010, se achou que era um modo de Jean Todt teve de ajudá-lo a ter uma boa indemnização quando rescindissem…

Mas em 2008 tudo mudou. Kimi teve um ano mauzinho, e Felipe lutou um dos mais renhidos campeonatos da história, perdendo de forma cruel na último ronda (no seu GP caseiro) na última curva da última volta. Aí esteve exemplar, deu os parabéns ao adversário e avisou que no ano seguinte ia dar. Não deu. Como sempre a Ferrari fica para trás com as mudanças de regulamento, mas Massa conseguiu um pódio no GP da Alemanha, e acreditava que a sorte iria de novo sorrir a Maranello. E aí veio a Hungria e o acidente.

Quando regressou o brasileiro tinha agora o bi-campeão Alonso como companheiro. E até o desafiou bem, qualificando-se à frente dele na primeira corrida. Mas foi um começo enganador, com Massa a estar um pouco embaixo de forma, e quando a pareceu recuperar em Hockenheim, veio o famoso “Fernando is faster than you…” e a sua moral foi por água abaixo, o que se vê já que nunca mais mostrou combatividade em corrida.

Mas porque é que a Ferrari beneficiou Alonso? O espanhol chegou em 2010, enquanto o brasileiro já lá estava desde 2006. Até é bastante simples de entender porquê. Raikkonen tinha contrato até 2010, mas Luca di Montezemolo tinha um capricho por Alonso, e rescindiu com o finlandês para ter o espanhol. Ora já imaginaram se Massa viesse e batesse o Alonso? Seria a suprema humilhação de Montezemolo, ainda para mais porque dos quatro salários mais altos de 2010, três eram da Ferrari: os dois titulares, e Raikkonen que estava a receber 17 milhões de euros da Scuderia para se divertir nos ralis com a Citroen…

Hockenheim 2010. Os olhares dizem tudo...

Massa caminhou directamente para uma armadilha. Tivesse ele renovado só no fim de 2008 (quando foi vice-campeão) e renovado por um ano, e poderia ter evitado a questão de Alonso e Montezemolo. Ficaria sem carro para ganhar é certo, mas com a Ferrari o brasileiro ainda não voltou a vencer desde o regresso, portanto ao menos da outra forma teria o respeito de ser um líder de equipa. Como optou pela Ferrari provavelmente ninguém o contratará no fim de 2012…

Mas a Scuderia tem isto na história dela. Vamos a exercício simples: como ficaram os pilotos que abandonaram a Ferrari? Raikkonen disse “vão-se lixar” e foi para os ralis. Schumacher foi puxado para o abandono e agora voltou sem grande sucesso. Barrichello ainda se safou bem, conseguiu lutar pelo título em 2009, mas foi só isso. Irvine foi para a Jaguar onde ficou mais conhecido pelas festas do que pelo andamento… O último que me consigo lembrar que tenha tido sucesso pós-Scuderia foi Mansell em 92.

Portanto, se há lema que melhor define a F1 é que se passa de bestial a besta, e de besta a bestial num instante; mas é também uma descrição adequada para uma das equipas mais hipócritas da F1.