Quantidade não será qualidade

29 06 2011

A temporada tinha-nos brindado com várias corridas excitantes. As novas regras em conjunto com o novo fornecedor de pneus seriam os responsáveis por esta situação, e quando o GP do Mónaco nos trouxe ultrapassagens, acreditou-se que qualquer que fosse o circuito que a F1 visitasse, a emoção estaria garantida. Os organizadores até afirmaram estar a repensar as suas alteração ao circuito de Yas Marina, porque se calhar as regras novas seriam o suficiente.

Foi por isso que estava com a grande expectativa de ver como correria este GP da Europa, porque é sabido que a pista de Valência é uma das pistas em que as ultrapassagens são quase impossíveis. Aquilo que observámos foi uma desilusão: o GP da Europa foi, sem dúvida, o pior GP da temporada sem grande emoção e poucas manobras de ultrapassagem.

Valência demonstrou que nem regras diferentes impedem o circuito de dar corridas chatas.

Isto não só coloca em causa a ideia de não alterar Yas Marina, mas também o calendário sugerido para 2012. Neste esboço estavam 21 corridas, com a estreia de Austin (EUA) e a reintrodução do Bahrain. A questão principal aqui é o número de provas, pois as equipas já afirmaram que não querem mais do que 20 num ano. Mas será que esse número não é excessivo?

A resposta para mim é não, mas apenas se estivermos perante 20 circuitos de bom nível. Até porque actualmente não é esse o caso! Valência, Yas Marina, Montmeló, Marina Bay, Hungaroring, tudo circuitos dispensáveis, mas que se mantêm no calendário devido aos caprichos de Bernie Ecclestone, e roubando o lugar a pistas como Magny-Cours, Red Bull Ring ou Portimão.

Talvez antes de investir na quantidade, a FOM deveria preocupar-se com a qualidade, porque a F1 não precisa de tardes de domingo sonolentas como a última…





Num campeonato diferente

27 06 2011

Após o GP do Canadá uma leve esperança caiu sobre os fãs da Fórmula 1: talvez o título não estivesse decidido. No entanto, a corrida de Valência apenas veio confirmar a triste realidade de que esta temporada não será nos moldes das últimos, seguindo mais o padrão dos anos de Schumacher e Ferrari.

Quem “culpar” por isto? Há quem diga que se trata do carro que Sebastian Vettel tem nas mãos. É certo que será a principal causa deste domínio, pois o RB7 é sem dúvida um monolugar que ficará na história dos mais bem-sucedidos de sempre da categoria. Adrian Newey mostrou sem dúvida que é o melhor projectista da actualidade, com (mais) um monolugar competitivo, e que nem as regras alteradas conseguiram contrariar.

Tão cedo não deixaremos de ver isto.

Mas não é o único factor. Primeiro, tem que se ter em conta que nenhum piloto se assumiu ainda como o principal perseguidor do alemão. Alonso, Button, Webber e Hamilton têm estado a roubar pontos uns aos outros, o que tem ajudado Vettel a fugir. Em segundo, o facto de que (e digo isto contrariado…) Vettel é neste momento o melhor piloto do grid.

Sebastian está num modo de perfeita cooperação com o seu monolugar, o que o leva a conseguir um ritmo espectacular. Por vezes acontece, como Mansell em 1992 e Schumacher no período 2000-2004 (com especial destaque para o último ano). Os pilotos conseguiram maximizar o potencial dos seus carros de um modo que mais ninguém, nem mesmo os seus companheiros de equipa, conseguiram.

Lamenta-se, mesmo assim, a decisão da FIA de alterar as regras dos escapes para o GP da Grã-Bretanha, porque já o tinha aprovado anteriormente, tratando-se de uma maneira de tentar diminuir a vantagem dos Red Bull.

Em 2011 temos que nos mentalizar que há dois campeonatos: um com uma disputa muito acirrada; e outro que apenas conta com um piloto…





Com muita $egurança

3 06 2011

Foi hoje anunciado pela FIA, o conjunto de alterações aos calendários dos mundiais de Fórmula 1 e de Ralis, bem como a decisão acerca do GP Bahrain.

E sobre este último ponto, tal como na decisão do ano passado acerca da punição à Ferrari, na sequência dos acontecimentos em Hockenheim, a FIA mostrou até que ponto se degradou em nome do dinheiro. O GP bahrenita vai ocupar o lugar no calendário que estava reservado ao GP da Índia, sendo que não foi definido quando se irá colocar a estreia do circuito de Jaypee na F1.

Motivos de $egurança ditaram o regresso do Bahrain...

Tenho que ser honesto quando digo que nunca tive tanta vergonha da Fórmula 1, nem mesmo aquando do Crashgate, ou de Hockenheim, ou do Stepneygate, senti tanto que a F1 se rebaixou por completo por mais um pouco de dinheiro. Ainda para mais tendo em conta os lucros que este desporto consegue, ficando a sensação de que a F1 a querer o Bahrain por 40 milhões de euros, é como ver um milionário à luta por uma moeda de um cêntimo…

O cúmulo disto é que foi dito que estavam reunidas as condições de segurança para a realização da corrida, no mesmo dia em que circulou a notícia de mais desacatos e repressão no país!

Sobre o calendário de 2012, há que notar a estreia do GP dos EUA, na pista de Austin. O total bastante falado de 21 corridas dificilmente se concretizará, visto que os GP’s da Europa e da Turquia ainda são incógnitas, pois o circuito de Valência não é do agrado dos pilotos ou fãs, e o circuito de Istambul, embora seja um grande circuito, não atraiu o público local, e não poderá comportar um aumento dos custos que Ecclestone quer.

Sobre o mundial de Ralis, há pouco a dizer: de ressaltar o regresso do Rali de Monte-Carlo, e a “prova longa” da Argentina, mas pouco mais.





Bestial ou besta: DRS

24 05 2011

Quando a FIA anunciou a implementação do DRS para a temporada de 2011, muitos foram os críticos do sistema que facilita as ultrapassagens, com Mark Webber a afirmar mesmo, que “isto não é a Play Station”. Confesso concordar com o australiano, já que o fascínio pela ultrapassagem advém não apenas desta, mas também na sua preparação.

Quer isto dizer que, não é totalmente verdadeira a ideia de que o que o público quer são ultrapassagens. É mais do que isso. Vem-me à mente o GP do Japão de 2005: começando de 17º, Kimi Raikkonen estava a fazer a corrida da sua vida. O finlandês tivera problemas com a chuva na qualificação, mas na corrida conseguiu passar adversário após adversário, até chegar ao segundo posto, a partir do qual, a 8 voltas do fim, iniciou a perseguição ao líder Fisichella (Renault). A perseguição do “Iceman” foi uma das mais incríveis exibições de sempre da F1, e na primeira curva da última volta, Kimi conseguiu suplantar “Fisico” para vencer uma das melhores corridas da sua carreira.

Perceberam o contexto? Sem tirar mérito à ultrapassagem, que foi simplesmente incrível, aquilo que começou a “colar” as pessoas ao ecrã foi o início da perseguição. A FIA parece não o ter percebido, recusando-se a retirar o DRS do GP do Mónaco, e colocando duas áreas para o dispositivo para Montreal e Valência.

Para começar, e ao contrário de muitos, creio que as melhores utilizações do DRS foram na Austrália e na Espanha. Certo, foram provas com o menor número de ultrapassagens, mas foram as de maior tensão. A perseguição de Button a Massa em Melbourne impediu-me de me mexer um milímetro no meu sofá. E a de Hamilton a Vettel teve o mesmo efeito, já que estava com a expectativa de ver se Lewis conseguiria fazer a manobra (mais por ser um McLaren, do que por ser o piloto, mas isso já é outro tema…).

A FIA parece não ter compreendido o que está por trás de uma ultrapassagem...

Porque aquilo que o DRS deve fazer não é fazer ultrapassagens acontecer imediatamente. O que deve verdadeiramente suceder é uma pequena ajuda ao piloto que persegue, o que foi visto em Melbourne e Montmeló. Já em Istambul, por exemplo, nada disso acontecia, e os pilotos passavam com toda a facilidade!

Creio que a FIA se esquece daquilo que realmente importa, com as sucessivas artificialidades que coloca nas provas.

Uma coisa é certa, como disse o Renan do Couto no Podium GP, na qualificação será interessante de ver qual o piloto que se arriscará a perder um pouco de aderência nas curvas rápidas, de modo a obter uma pequena margem de vantagem, que poderá ser fundamental no fim…