Quase…

8 09 2012

Foi uma corrida completamente maluca a que acabou de ocorrer há instantes na GP3. Quando uma corrida de 16 voltas se inicia com os dois primeiros do campeonato na primeira fila e os outros dois candidatos em 8º e 13º, espera-se que fique um assunto particular entre primeiro e segundo. Mas não.

Na partida, Evans e Félix da Costa não partiram bem, e com uma pequena confusão na primeira curva, e tiveram que cortar a primeira curva. O líder do campeonato acabou por sair de pista na segunda Lesmo, causando danos terminais ao seu carro, e teve que abandonar. O piloto da Nova Zelândia simplesmente sentou-se cabisbaixo, sem acreditar que após a pole position se via como espectador.

E Félix da Costa via-se a si mesmo na frente da corrida, depois de passar um dos carros da MW Arden. De seguida começámos a ver os contornos de uma luta épica na frente entre o português e os outros dois candidatos ao título Vainio e Abt. Mas após algumas voltas de luta intensa da Costa ficou preso em 6ª durante 1 volta inteira, até conseguir fazer reeboot. Terminou aí o seu fim-de-semana, mesmo se ficou em 15º o que lhe permitirá partir algumas posições acima do que se tivesse abandonado.

Na frente a dupla da Lotus esteve sempre em luta, enquanto o resto do pelotão também reservava algumas surpresas, como a Alex Brundle a decidir ignorar bandeiras laranja e pretas, sendo desclassificado. O destaque no entanto vai para Tio Ellinas, que começou a fazer voltas mais rápidas de seguida, e conseguiu intrometer-se entre os Lotus.

Mas a vitória ficou com Daniel Abt que tinha começado a corrida como o menos cotado, mas que é neste momento o único que pode impedir o título de Mitch Evans. E é bem possível. Precisa de vencer e esperar que Evans não pontue. E o neo-zelandês vai partir de último, por isso… A única arma do líder do campeonato é a volta rápida. Se a conseguir garante o título, independentemente da posição de Abt. O alemão, portanto, não só terá que ganhar como também fazer a volta rápida para evitar que Evans a consiga. Corrida interessante amanhã!

Infelizmente para Félix da Costa a sorte não quis nada com ele, e já não conseguirá o título. Mas o vice-campeonato ainda é uma hipótese muito forte, estando a 1,5 pontos de Abt, que começa 7 lugares à frente dele. É complicado, mas não impossível.

Mas uma coisa é certa: desde que foi anunciado como piloto da Red Bull, Félix da Costa tem impressionado muitíssimo, tornando-se o primeiro piloto a vencer duas corridas num fim-de-semana de GP3, e mesmo tendo chegado a meio da temporada já deu à Arden Caterham o melhor resultado na World Series e está bem perto do Top 10, quando ainda faltam 3 rondas duplas para o final.

Este ano já não vai, mas para o próximo o título da categoria será uma possibilidade muito realista. Força Félix da Costa! O sonho de um português na F1 já parece cada vez mais real.

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De cara nova

10 12 2011

Quando Dany Bahar anunciou a parceria entre a Renault e Lotus na F1, de certo pensou que os conflitos com o Team Lotus de Tony Fernandes acabariam rapidamente, contudo a questão não foi assim tão simples. Os comentadores continuaram a chamar aos carros Renault e aos outros Lotus, enquanto a simpatia das pessoas pela situação de Fernandes aumentava. Foi mesmo necessário adquirir por completo a estrutura de Enstone, e chegar a acordo, com a actual Caterham.

A equipa no início do ano.

Outro dos problemas de Bahar foi a imprevista e extremamente penosa ausência de Robert Kubica, depois do seu acidente numa prova de Rally em Fevereiro. Contrataram Nick Heidfeld para o seu lugar, mas a meio do ano mudaram de ideias, e aproveitaram o dinheiro e publicidade que traria Senna para a equipa (ainda que Nick estivesse à frente do companheiro). Depois disso nunca mais conseguiram qualquer resultado de relevo, e estiveram mesmo em risco de ser ultrapassados pela Force India para o 5º lugar do campeonato.

Se a tudo isto se juntar ainda as numerosas saídas de técnicos de valor, pode-se considerar que foi um ano bem penoso. Aliás a ausência de resultados poderá ser explicada pela ausência de alterações ao carro, com Eric Boullier a afirmar que o desenvolvimento do carro foi parado. Só espero que tenha ocorrido isso, para desenvolver 2012 porque senão espera-os mais um ano complicado… E as mais recentes contratações merecem mais.

Honestamente não acreditei que, no caso de factores económicos não serem o principal factor, Bruno Senna e Vitaly Petrov fossem mantidos. O russo até impressionou no início do ano, e conseguiu aguentar bem a pressão de Heidfeld e Senna, mas estes não eram exactamente adversários de peso; e o brasileiro deixou muito a desejar, apenas mostrando as garras nas qualificações de Spa e Interlagos.

A juntar a isto a equipa necessitava de um piloto de ponta para que o carro se desenvolvesse como deve ser, e seria portanto apenas uma vaga para preencher.

Que volte este Kimi, e não aquele a que a Ferrari pagou para sair...

Como piloto de ponta, a equipa teria que optar por esperar por Robert Kubica ou então procurar alguém. Estava claro para todos: Kubica tinha uma relação cada vez mais deteriorizada com a equipa, com a possível gota de água a ser aquele episódio de à algumas semanas, quando Boullier e o manager do piloto trocaram comentários de que o polaco teria ou não dito que estaria pronto a tempo. Assim, cada vez mais se espera que Kubica não volte a sentar-se num carro da equipa, circulando rumores de que poderá estar a caminho do lugar ao lado de Alonso na Ferrari. Torço para que aconteça a ver se consegue tirar o espanhol do seu pedestal…

Assim a vaga de primeiro piloto foi para Kimi Raikkonen. O finalandês estava em negociações com a Renault depois das que tinha com a Williams terem falhado, e chegaram a um acordo rapidamente. Ao contrário de algumas pessoas acredito nele. Falam muito do que aconteceu com Schumacher, mas Kimi apenas esteve dois anos sem F1, e ao contrário do alemão é relativamente novo (1 ano mais velho que Button), e esteve a competir, e WRC embora necessite de menos força, é um excelente modo de manter os reflexos em forma. A ver vamos, mas acredito no Iceman.

Ao seu lado, como eu torcia, veio Romain Grosjean. Sei que os leitores brasileiros não vão gostar, mas teria sido muito injusto não o ver em acção. Venceu o campeonato da GP2 de uma maneira muito confortável, e recuperou a confiança perdida dos GP’s de 2009. Podem argumentar que tinha mais experiência que a concorrência, mas se isso fosse a única razão, Luca Filippi já teria vencido à muitos anos…

E é esta Lotus que nos espera para 2012. Com a confusão do nome resolvida, Boullier já afirmou que o objectivo é o título daqui a 2 ou 3 anos. Ambição não falta, vejamos o que conseguem.

Foto tirada à apenas 10 meses. As voltas que isto já deu...





Menos uma?

12 10 2011

Lembro-me de que quando foi anunciado em 2009 que a equipa Lotus regressaria ao grid de Fórmula 1 no ano seguinte, assumindo a estrutura da candidatura da Litespeed, fiquei céptico, para dizer o mínimo.

Ainda para mais vindo da Malásia, bem longe das raízes de Norfolk, e das terras de Sua Majestade onde Colin Chapman criou alguns dos mais brilhantes carros de F1 de todos os tempos. Mas foi aí que Tony Fernandes nos surpreendeu a todos.

O malaio colocou a estrutura da equipa de volta a Norfolk, e desde o início procurou mostrar que não era apenas mais um empresário que se limitaria a explorar o nome de uma marca, Fernandes queria estar à altura do que o nome Lotus representava para os fãs da equipa. E conseguiu, na minha opinião. Tudo bem, afirmar que a equipa estava a fazer o 500º GP, quando se ia apenas na 9ª corrida de 2010 foi um pouco abusivo, mas não consigo apontar outro defeito à empreitada, que se assumiu séria desde o início.

A Lotus na IndyCar... mais uma distracção!

Os problemas que este ano estão a ocorrer relativamente ao nome Lotus estarão a prejudicar as coisas, no entanto. Não me vou repetir novamente sobre como começou (procurem aqui, no Continental Circus, e noutros que tais, que explicam sem parcialidade), portanto vou saltar até ao momento atual.

A estrutura da equipa Renault está em granes problemas. A Genni não tem conseguido equilibrar as contas este ano, o que a obrigou a associar-se ao Group Lotus para conseguir sobreviver. Tão afundados em problemas financeiros, já está quase ultimado o processo de venda da equipa, com o nome de Lotus a mudar da atual proprietária para a equipa francesa (com um acordo de bastidores).

Contudo o líder do Group Lotus é cada vez mais olhado de lado. Dany Bahar tem vindo a roçar a loucura no seu plano de reerguer a marca (5 novos modelos de estrada, envolvimento em Le Mans, GP2, GP3, IndyCar e F1), e a tentativa de mudar o nome falho, com recusa da Ferrari, Sauber, Red Bull e Toro Rosso. Para relembrar, sem este acordo, a equipa não terá direito aos prémios de quase 50 milhões de euros a que tem direito pela participação este ano, causando ainda maiores problemas em Enstone.

A juntar a este problema, a Renault tem vindo a voltar a interessar-se pela F1, podendo retomar o controlo da equipa caso a Genni continue a falhar os pagamentos (o que deverá repetir-se).

A mudança de nome para Caterham não deverá levantar problemas.

Como se pode ver o castelo de cartas de Bahar está cada vez mais perto de cair. O líder da Lotus só cria inimizades, e tem-se falado no desinteresse da Proton, que poderá vender… a Gérard López, atual membro da equipa Renault! O que faria com que as mudanças pudessem ir avante, quem sabe, de um modo mais bem sucedido. Esperemos que sim, senão poderemos ver menos uma equipa no calendário de 2012…

Por último, a equipa de Tony Fernandes mudará o seu nome para Caterham, e ficará com o novo nome. Fernandes surpreendeu-me pela positiva, já que, obviamente desgastado pela polémica, decidiu ser sensato e colocar fim ao problema. Isto porque a equipa cresce a olhos vistos, tendo terminado pela primeira vez na volta do vencedor em Suzuka, sendo uma candidata ao meio do grid de 2012. Força, Caterham!





Futuro risonho para a Lotus

28 04 2011

Quando Tony Fernandes anunciou que tinha conseguido a 13ª vaga da temporada de 2010, fazendo regressar o nome Lotus à F1, confesso que não fiquei completamente contente com a decisão. Na altura pensei que o empresário malaio era mais um aventureiro, com mais dinheiro que juízo, a tentar a sua sorte num dos mais caros desportos do mundo. E o pior é que se estava a preparar para “queimar” o nome Lotus enquanto o fazia…

À medida que o ano se desenrolou pudemos, no entanto, constatar que Fernandes vinha realmente com o propósito de se manter na F1, com um projecto sólido, e com o objectivo de honrar, e não simplesmente usar, a tradição da Lotus. O acordo com David Hunt fazia parte desse propósito, mas a Proton não gostou e decidiu aproveitar a oportunidade para reivindicar os direitos do Team Lotus recém adquiridos por Fernandes.

Tony Fernandes recusou-se à infantilidade de pintar o carro como o Group Lotus, mesmo com um projecto apresentado por um fã.

O resto da história já conhecemos: o Group Lotus está neste momento a patrocinar a Renault, assumindo-se como a verdadeira Lotus, e lutando em tribunal com a equipa que possui neste momento o nome de Team Lotus. O caso está a correr francamente mal para Dany Bahar e o Group Lotus, sendo que quase todos acreditam que será Tony Fernandes a vencer o caso. Logo, todos acharam estranho quando chegou a notícia de que estes haviam comprado a Caterham.

Algumas pessoas começaram a dizer que seria para o caso de perderem o caso “Lotus vs Lotus”, mas na realidade tratou-se de uma excelente estratégia de Fernandes, pois a Caterham produz o seu modelo baseado no Lotus 7, que quando deixou de ser produzido pela marca, foi aproveitado pela Caterham, que ao longo dos anos o tem vendido como um carro desportivo relativamente barato (metade de alguns carros de marcas estabelecidas, como a Porsche, de performances idênticas).

A compra da Caterham foi um modo eficaz de homenagear Chapman.

Esta operação leva a que Tony Fernandes consiga fazer um melhor trabalho de homenagear o legado de Colin Chapman, já que enquanto Bahar tenta elevar a Lotus ao patamar de Ferrari (e McLaren, com o novo MP4-12C), Fernandes mantém-se simples com o lema de “menos é mais” que deu vários fãs aos britânicos.

Ainda de destacar o futuro patrocínio da Sonangol, com o angolano Ricardo Teixeira a ser já piloto de testes do Team Lotus, que levará a que a equipa viva um pouco mais confortavelmente.

Se a isto juntarmos o facto de a Lotus se ter colocado no meio do pelotão no GP da China, e de que Mike Gascoyne espera que as alterações a ser aplicadas ao T128, levem a que a equipa possa, se calhar, acumular os seus primeiros pontos no GP de Espanha, e podemos verificar que o futuro é de facto risonho para os lados de Norfolk…