Top 10 – Vitórias Menos Distribuídas (Parte 2/2)

21 10 2012

(continuação da Parte 1)

5 – Nova Zelândia

12 Vitórias. 2 Vencedores. Média: 6

Lewis Black, humorista americano, afirmou uma vez num dos seus stand-ups na Broadway: “Eu fui à Nova Zelândia este ano e, bem, sei que muitas pessoas querem visitá-la, mas deixem-me dizer-vos que são 22 horas de avião. Por isso se tiverem a oportunidade, não vão.”

O pequeno país da Oceânia, a par da Austrália, o único país desenvolvido do hemisfério Sul do planeta, é um dos meus favoritos no mundo. Não é difícil de gostar. Baixo desemprego, muita segurança, democracia e integração dos antigos povos (o hino chega a ser cantada tanto em inglês como maori), e um sotaque estranhíssimo.

Ah, e também responsável por uma das mais famosas parcerias entre os seus dois vencedores de GP: Denny Hulme (campeão mundial em 1967) e Bruce McLaren. Ou mais famosamente “The Bruce and Denny Show”.

“The Bruce and Denny Show” diz respeito à senda vitoriosa da McLaren na Can-Am, quando Denny e Bruce venceram dois títulos cada pela McLaren, que o segundo entretanto fundara.

Também na F1, e depois de ter vencido o 1º GP de um neo-zelandês em 1959 nos EUA pela Cooper e de ser vice-campeão mundial, McLaren conseguiu ainda a proeza de igualar Jack Brabham e vencer com uma equipa com o mesmo nome do piloto a sua vitória na Bélgica 1968, além de ver o compatriota Hulme vencer algumas antes da sua trágica morte num teste em 1970.

Na altura a recuperar de uma queimadura na mão na qualificação para as 500 milhas de Indianápolis, Hulme aguentara a dor, mas ao saber da morte do amigo não conseguiu aguentar as lágrimas. Recompondo-se o neo-zelandês procurou manter a equipa unida e contribuiu com mais vitórias que engrandeceram o mito McLaren, que perdura até hoje, graças aos feitos de pilotos como Lauda, Hunt, Senna, Prost, Fittipaldi, para além de Bruce e Denny.

A 4 de Outubro de 1992, Hulme faleceu nas famosas Mil Milhas de Barthurst, na pista, mas de uma maneira menos estrondosa: a meio da corrida o carro de Hulme parou na berma, e quando os comissários lá chegaram encontraram o piloto morto de um ataque cardíaco fulminante.

Desde estes dois grandes do desporto que a Nova Zelândia não conquista uma vitória na F1, caindo as esperanças no campeão da GP3 deste ano, Mitch Evans para fazer ouvir o “God Defend New Zealand” num pódio da categoria.

4 – Colômbia

7 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 7

Segundo piloto da história a representar a Colômbia no Mundial de F1, Juan-Pablo Montoya alterou significativamente o sucesso deste país.

Tendo como cartão de visita um título da CART em 1999 e uma vitória nas 500 milhas de Indianápolis em 2000, Montoya chegou à Formula 1 na Williams para acompanhar Ralf Schumacher com expetativas elevadas em relação à sua possível performance. Até porque o homem que substituiu, Jenson Button, tinha feito um trabalho bastante bom no ano anterior.

A temporada de estreia em 2001 foi marcada por abandonos múltiplos (11 em 17 corridas), mas quando terminou fê-lo de maneira magistral com 4 pódios e um deles foi a sua primeira vitória no GP de Itália. Mais vitórias (6 para ser preciso) vieram, assim como uma transferência para a McLaren, e um relacionamento pouco amistoso com Schumi Junior.

Acabou por não conseguir ser bem-sucedido, em grande parte pelo seu estilo extrovertido que não combinou muito bem com duas das mais sérias equipas da F1. Está agora na NASCAR, sem dúvida nenhuma mais feliz, onde o seu físico é a norma e não a exceção.

3 – Canadá

17 Vitórias. 2 Vencedores. Média: 8,5

Tal como o país que se encontra classificado imediatamente antes dele, o Canadá é um daqueles países que se encontra no topo dos indíces de felicidade, desenvolvimento e de sistemas sociais eficazes. Mais notável que isso é passar despercebido quando se tem como vizinho os EUA.

Mas existe outra estatística do agrado dos canadianos, como se comprova por este Top 10: com apenas 2 pilotos conseguiram 17 vitórias. Melhor ainda, esses dois são pai e filho. No Canadá só ganha Villeneuve.

Gilles foi o responsável pela primeira vitória do país da Maple Leaf na categoria, e sejamos honestos não ale a pena fazer grandes introduções. Desde pilotar helicópteros perto de janelas de hotel, de fazer as auto-estradas italianas a velocidades generosas e de dar tudo por tudo nas suas disputas por posição (como René Arnoux descobriu às suas custas).

Mas o local da sua primeira vitória sem dúvida foi especial. A vitória no circuito de Montreal em 1978, perante o seu público, num circuito que viria mais tarde a ter o seu nome. Gilles venceu com 13 segundos de vantagem sobre o companheiro de equipa do ano seguinte Jody Scheckter num Wolf.

Já o filho, Jacques (que por sua vez partilhava o nome do tio que competiu em 3 corridas de F1) conseguiu algo que o pai não conseguira, até pelo curto espaço de tempo que competiu, o título mundial em 1997. O canadiano já chegara à F1 sob grandes expetativas, até por vir de um ano em que venceu a Champ Car e as 500 milhas de Indianápolis.

E não decepcionou, pelo menos nas primeiras temporadas, dando muito trabalho ao companheiro de equipa Damon Hill, e conseguindo terminar o ano como vice-campeão, vencendo a sua primeira corrida de 11 em Nurburgring. No ano seguinte conseguiu vencer o campeonato contra Schumacher.

2 – África do Sul

10 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 10

O único país africano a ter dado um campeão mundial à categoria é também um dos líderes deste Top 10. Apesar das várias sanções aplicadas ao regime Apartheid a Fórmula 1 nunca fechou as portas à prova do país, contudo em 1985 a pressão fez-se sentir mais do que nunca, com os governos do Brasil, Suécia, Finlândia e França a tentarem pressionar os seus pilotos e equipas a boicotarem a prova. Jean-Marie Ballestre acabou por forçar a sua vontade e todos correram. Mas não houve F1 nos anos seguintes…

No entanto o país deu uma contribuição para a F1: um campeão mundial. Jody Scheckter estreou-se na categoria máxima do automobilismo em 1972, Watkins Glen, passando mesmo pela terceira posição antes de um despiste o enviar para o nono lugar. No ano seguinte quase venceu o GP de França antes de chocar com o campeão em título, Emerson Fittipaldi (“Este maluco é uma ameaça para si próprio e para os outros e não tem lugar na F1” terá o brasileiro dito…)

Acabou por obter o seu primeiro triunfo no GP da Suécia em 1974, e pilotou um dos F1 mais famosos de sempre o Tyrrell P34. Viria a vencer o título de 1979 na primeira temporada com a Ferrari, contra as expectativas de muitos. Infelizmente a sua defesa do título foi igualmente histórica: foi a pior de sempre, com apenas dois pontos marcados, e chegando mesmo a falhar a qualificação para o GP do Canadá. Abandonou no final de 1980.

1 – Espanha

30 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 30

Um claro líder neste Top 10. Poderia ser outro exemplo. Antes de Fernando Alonso se estrear ao volante de um Minardi no GP da Austrália de 2001, o melhor resultado de um espanhol na F1 era um único pódio de Alfonso de Portago no GP do Reino Unido de 1956. 11 anos depois o país está a apenas 3 vitórias de igualar os EUA de Phill Hill, Mario Andretti e Dan Gurney. E o responsável único por isso é Fernando Alonso.

O espanhol que cresceu numa família humilde de Oviedo, que guiou com o dinheiro do pai enquanto o permitiu, e mais tarde com a ajuda de Adrian Campos. Depois da vitória no Euro Open espanhol de 1999 sobre o português Manuel Gião, Alonso conseguiu o seu primeiro teste de F1 pela Minardi em que famosamente ficou na frente por 1,5s (depois de lhe ser dito para ir devagar). A equipa pediu satisfações perante um surpreso Alonso que respondeu: “mas eu estava a ir devagar…”.

A estreia na equipa italiana em 2001 não trouxe grandes surpresas, mas Flavio Briatore foi buscá-lo para a Renault. O espanhol estreou-se para os franceses em 2003, fazendo 4 pódios, um deles em Espanha, e outro a ser a sua primeira vitória na Hungria. O resto já se sabe, 29 vitórias e 2 títulos mundiais depois.

PS: Dedico este post ao Sebastian Vettel, porque demorei tanto tempo a fazê-lo, que estava com medo que entretanto o Maldonado vencesse outra corrida ou algo do género. Assim com ele a ganhar sempre, poupa-se-me o trabalho. Obrigado.





O touro do ano

28 11 2011

Até meio do ano confesso que mantive a convicção de que Sebastian Vettel estava a vencer por causa do carro. Lembro-me do GP do Canadá em que Seb simplesmente cedeu sob a pressão de Jenson Button nas condições difíceis provocadas pela chuva. A juntar a isto havia também algo que os comentadores também notavam, que o alemão parecia apenas conseguir vencer quando partia de pole (aliás, ele tem mais poles que vitórias). No entanto chegou a altura de pedir desculpas, e voltar atrás no que disse.

Quando venceu o título em 2010, tinha-o feito de uma maneira que ainda levantava dúvidas acerca de ser verdadeiramente o melhor do ano. Afinal poucos meses antes tinha sido apelidado por Martin Whitmarsh como o “Crash Kid”, pela maneira estranha como causou o acidente com Button. Mas o alemão, em vez de mandar bocas, decidiu que fosse a condução dele a responder à altura…

A vitória no Mónaco, talvez a mais difícil.

8 corridas com 6 vitórias e 2 segundos lugares. E não foram todas tão fáceis como a estatística faz parecer. As margens foram mínimas na maioria das corridas, em Montmeló teve que aguentar uma grande pressão de Lewis Hamilton no final, e no Mónaco arriscou uma estratégia em que tinha muito a perder para vencer, e embora tenha tido alguma sorte, esteve absolutamente brilhante a aguentar os forcings de Alonso e Button. E depois da derrota (acabou em segundo, mesmo assim…) de Montreal, cilindrou os adversários no GP da Europa.

Aí começou um período de relativamente menor sucesso em que mesmo assim só ficou fora do pódio uma vez no seu GP caseiro. Começaram de novo as vozes (algumas minhas…) de que ele não aguentava bem a pressão quando não partia da frente ou o carro fosse veloz.

“A era de domínio do Sebastian Vettel acabou”, disse Webber. Foi quando chegaram as provas de Spa e Monza, em que a Red Bull raramente se dava bem. Duas vitórias bem saborosos para ele. Uma delas em dobradinha com Mark Webber! Mas o melhor foi mesmo quando nas primeiras voltas de Monza o alemão ultrapassou Alonso. Não precisava de o fazer, podia ter-se poupado, ninguém o teria atacado por isso… Mas não. Na Curva Grande, Alonso dá um “chega pra lá”, Vettel vai com a faca nos dentes, duas rodas na relva a 320 km/h, devolve o “chega pra lá”, passa o Ferrari na frente dos tiffosi, e “ciao” Fernando. Simplesmente brilhante!

Nova vitória em Singapura… Acabou o domínio? Tá bem, tá! No Japão os festejos do título foram um pouco contidos por causa de “apenas” ter chegado em 3º, mas na Coreia festejou muito o título dele e da Red Bull nos construtores. E mais uma na Índia… E só não foi Abu Dhabi porque teve um furo nas primeiras curvas. Um piloto normal teria ido logo para casa, mas Vettel ficou e procurou arranjar uma explicação.

E agora na ronda brasileira, acabou por entregar a vitória a Webber devido a um problema da caixa de velocidades, em que soube gerir de forma inacreditável o problema para chegar em 2º, para espanto da equipa que esperava que o carro ficasse pelo caminho…

Não à volta a dar este foi o ano do touro Vettel, e se deixou dúvidas em 2010, em 2011 ninguém pode duvidar. Como acusá-lo de só saber ganhar da frente e de arriscar pouco, quando revemos a manobra de Monza? Como acusá-lo de ser um puto mimado, quando depois do abandono fica com a equipa a discutir o que ocorreu e como evitá-lo? Como dizer que é só carro, se Webber ficou para trás este ano (e não me venham dizer que foi Mark que piorou, Vettel é que melhorou de maneira incrível…)?

Japão.

Para mim um momento que explica bastante foi na conferência depois do GP do Reino Unido. Webber atacara Vettel até ao fim, ignorando as ordens da Red Bull para manter a distância… Se fosse que Alonso havia logo o discurso de que a equipa é que era importante e o companheiro devia ter obedecido, Hamilton teria reclamado (Turquia 2010), e Schumacher teria dado uma resposta aborrecida e conciliadora. E Vettel? “Se fosse comigo tinha feito o mesmo que o Mark”…

Mais palavras para quê? Parabéns, Sebastian Vettel, mereceste.





O “Uncle Sam” tem melhor oferta…

27 10 2011

A notícia não passou exatamente despercebida, mas mesmo assim vale a pena falar um pouco sobre ela. Os EUA vão ter, a partir de 2013, um segundo GP, e logo em Nova Iorque (New Jersey se quisermos ser específicos…) que era  local que Bernie Ecclestone tentava fazer a F1 visitar desde à 20 anos atrás.

O discurso dos chefes de equipa foi o que se esperava: estavam todos felicíssimos, porque poderão satisfazer assim muitos patrocinadores com o cenário da “Big Apple” no fundo. Fala-se ainda sobre o facto de que a presença tão densa da F1 nos EUA é uma boa maneira de tentar convencer os americanos a ganharem o gosto, aproveitando a ligeira perda de popularidade da IndyCar.

Contudo, existem alguns problemas com este paraíso que as equipas acreditam que uma segunda corrida nos “States” representa.

A pista de New Jersey.

Em primeiro lugar, fica a questão de se isto não representará o fim do GP do Canadá. A proximidade das duas corridas (geograficamente e, pelo que se conta, no calendário) significará que os americanos sentir-se-ão menos tentados a visitar o país vizinho, podendo levar a que os organizadores de Montreal se ressintam. Outra questão é se os EUA continuam a ser o ambiente livre de crise que se acha que são. Os americanos têm-se ressentido com a crise tal como os europeus, e prevê-se mesmo que sejam ultrapassados daqui a uns anos pela China, como a mais importante economia mundial.

Por último, e tendo em conta que o nos interessa mais é o lado desportivo, o mais importante, a pista. O circuito em si não tem nada de muito mal, lembra-me (coincidência, ou não?) Montreal, mas ninguém me tira da cabeça que os melhores circuitos são os que são criados “normalmente”, e não por encomenda como faz Bernie com (sempre ele…) Tilke.

Aliás, os dois circuitos com que os EUA vai acolher a Fórmula 1 são ambos feitos por Tilke… “Ah, mas isso é porque os americanos gostam é de ovais, e não têm pistas a sério!”, podem alguns pensar. É aí que se enganam. Na melhor representação da frase “Dá Deus nozes a quem não tem dentes” os EUA são abundantes nas melhores pistas do mundo… Não acreditam? Aqui vai:

A descida impressionante da Corkscrew.

Laguna Seca – a pista da Califórnia pode não ser muito longa, mas compensa isso ao ter algumas das curvas mais bem conseguidas do mundo. No fundo a pista nem é muito rápida, não há nenhum reta digna desse nome, e as curvas se virmos bem nem são daquelas complicadas de fazer bem. Como à uns tempos o Verde disse, “O circuito é um verdadeiro arroz com feijão. Mas é o arroz com feijão mais bem executado que você já comeu na sua vida”.

Esta é uma boa metáfora, pois a pista tem mesmo um certo ar de neutralidade, mas é muito interessante nalgumas passagens, com destaque para a famosa Corkscrew (saca-rolhas), que é uma das melhores do mundo. A juntar a isto pode-se também referir que a American Le Mans Series e a Moto GP correm por lá, e que na altura em que Phoenix entrou no calendário lutava com a pista da Califórnia para o fazer.

Infineon Raceway – sempre que penso nesta pista, fico com alguma pena de a Fórmula 1 nunca ter corrido por lá. A pista é cheia de curvas desafiantes, a maioria das quais cegas, uma secção de curvas de alta ao estilo de Silverstone, e uma 1ª curva muito estranha e difícil de fazer bem. É também, infelizmente, um dos circuitos mais perigosos que existe, portanto muito dificilmente estará na F1 nos próximos tempos…

Road Atlanta – a pista do Petit Le Mans. Road Atlanta tem uma sequência muito bem feita no início da prova com vários S’ relativamente rápidos que vão dar a duas curvas de 90º para a direita, ao melhor estilo das Lesmos de Monza. A fase final lembra a do novo Nurburgring: reta ligeiramente em curva, que acaba numa chicane, que faz uma direita para a reta da meta. E a comparação não era um insulto… Das pistas que digo aqui, é a que teria mais probabilidade de ir para ao calendário.

Road America – Se bem que Road America também é uma pista não tão fora dos padrões da F1 como se poderia pensar. Tem várias retas e algumas curvas interessantes, que não são tão fáceis como inicialmente o piloto pensa ao entrar.

Deu para ver pelo tamanho das descrições que Laguna Seca é a minha favorita, mas coloquei mais três para demonstrar o disparate que é construir pistas novas num país que já as possui… Enfim, vejamos que surpresas nos esperam em Austin e New Jersey…

Atualização (29 Outubro) – Já está no YouTube uma versão da pista de New Jersey através do rFactor, que mostra os F1 na pista:





O fim do reinado de Vettel

13 06 2011

No que toca aos Grande Prémios que falho, estou sempre com azar. Tal como no passado GP do Mónaco não pude assistir à corrida, e novamente perdi a possibilidade de ver em directo um dos mais épicos momentos de Fórmula 1… Mesmo assim ainda consegui, novamente, ficar sem saber a classificação até ver a gravação da prova.

Prova que, na minha opinião, figura entre as melhores corridas de sempre da história da Fórmula 1. E digo isto sem precisar de pensar muito sobre o assunto, pois o GP do Canadá foi uma grandiosa mistura de chuva, acidentes, ultrapassagens, duelos, e Safety-Cars, que culminou na decisão da vitória a apenas ficar resolvida poucas curvas antes do fim da última volta.

"Espero que se tenham lembrado de reabastecer o SC, depois destas voltas todas..." Martin Brundle

A corrida começou atrás do SC, devido à chuva, e deu-nos bastante entretenimento durante as primeiras voltas, com os toques de Hamilton com Button e Webber, bem como as disputas e mudanças de pneus, mas quando a chuva começou a apertar foi necessário parar a corrida. A bandeira vermelha foi justificada, pois a água realmente tornou a pista num rio, como era visível pelas imagens de televisão. Infelizmente foi necessário esperar quase 1h30 para que se pudesse finalmente recomeçar.

E foi nessa altura que se deu um dos mais patéticos exemplos do modo de operar dos Comissários Desportivos. Ao reiniciar atrás do SC, esperava-se que fosse uma situação temporária de 2 ou 3 voltas, mas não. Quase o triplo dessa distância foi percorrida em fila indiana, pois a FIA acreditava, se calhar, que os melhores pilotos do mundo não aguentavam uma pista molhada! Ou tinham medo que eles encolhessem com a chuva… Para se dar uma ideia da idiotice, quando o SC saiu quase todos os pilotos foram pôr intermédios, porque a pista já estava a secar!

Quando recomeçou foi possível observar muitos duelos interessantes. Depois de tocar-se com o companheiro de equipa, levar um drive-through penalty, e chocar com Alonso, Button conseguiu mudar para os pneus secos (também, já parara mais 5 vezes antes disso…), e começando a ganhar terreno aos adversários. Os seus adversários? Mark Webber, que teve que se recuperar do despiste inicial; Sebastian Vettel, que liderava; e Schumacher, que fez a sua melhor corrida desde que regressou.

Button, o homem da corrida.

Webber, Button e Schumacher fizeram uma luta incrível entre si, com Button a vencer o duelo. Logo, que fez isto o britânico começou a ganhar terreno a Vettel, e nas últimas duas voltas estiveram colados, até que na última volta (a poucas curvas do fim) Vettel finalmente errou e Button conseguiu vencer depois de ter estado no último lugar trinta voltas antes!

Atrás, Petrov fez um excelente resultado, seguido de Massa e Kobayashi, que fizeram um foto-finnish (vantagem para o brasileiro), Barrichello deu mais alguns pontos à Williams, e ambos os Toro Rosso chegaram aos pontos.

De ressaltar ainda, o estranho momento, quando (sob SC), um comissário tropeçou a recolher os danos de Heidfeld quando Kobayashi estava a passar. Ambos tentavam desviar-se um do outro, mas estavam a fazê-lo para o mesmo lado… Felizmente nenhum deles se magoou.

Veja os resultados completos.





Preparação…

11 06 2011

Depois da qualificação de hoje, pode-se afirmar que aquilo a que assistimos foi uma preparação daquilo que virá amanhã. É que se é certo que Sebastian Vettel voltou a conseguir a pole position, foram também notórios dois aspectos: a perda de eficácia do RB7 nesta pista, que levou os adversários a aproximarem-se; e as incertas condições meteorológicas da corrida de amanhã, pois algumas equipas arriscaram um set-up de chuva, com vista a colherem os frutos amanhã.

Analisando os dez primeiros, percebe-se que não existiram grandes surpresas. Red Bull continua à frente, com McLaren e Ferrari nos calcanhares, e mais atrás assistimos ao distanciamento da Mercedes em relação à Renault. De salientar a performance de Felipe Massa, que embora tenha sido batido mais uma vez pelo companheiro de equipa, conseguiu ficar a escassas milésimas de segundo, dando a sensação de estar ao nível de Alonso.

De la Rosa foi chamado 10 minutos antes do 2º treino livre.

Os rookies deram um ar da sua graça, com Maldonado e di Resta a levarem os seus carros para junto dos Renault, mostrando-se mais fortes que os colegas mais experientes. Pérez não se pôde colocar nesta lista, pois sentiu dores, acabando por ter que entregar o seu lugar a de la Rosa, que foi chamado por Peter Sauber para correr (quando o espanhol estava ainda na box da McLaren) apenas dez minutos antes da sessão de treinos… De la Rosa até conseguiu um bom resultando tendo em conta as circunstâncias, mas concordo com David Coulthard, que na BBC perguntou porque não teria a Sauber colocado Gutiérrez de prevenção.

No fundo da tabela, duas situações de desespero: Virgin e Alguersiari. Começando pela equipa inglesa (ou antes, russa…) é notório o fracasso do MVR-02, sendo que foram batidos pelos HRT, e d’Ambrosio nem conseguiu chegar aos 107%, não alinhando na corrida de amanhã! Já Alguersuari está a começar a ceder à pressão de perder o seu lugar, com duas performances fracas, que só vêem a aumentar as hipóteses de ser substituído por Ricciardo.

Veja os resultados completos.





Bestial ou besta: DRS

24 05 2011

Quando a FIA anunciou a implementação do DRS para a temporada de 2011, muitos foram os críticos do sistema que facilita as ultrapassagens, com Mark Webber a afirmar mesmo, que “isto não é a Play Station”. Confesso concordar com o australiano, já que o fascínio pela ultrapassagem advém não apenas desta, mas também na sua preparação.

Quer isto dizer que, não é totalmente verdadeira a ideia de que o que o público quer são ultrapassagens. É mais do que isso. Vem-me à mente o GP do Japão de 2005: começando de 17º, Kimi Raikkonen estava a fazer a corrida da sua vida. O finlandês tivera problemas com a chuva na qualificação, mas na corrida conseguiu passar adversário após adversário, até chegar ao segundo posto, a partir do qual, a 8 voltas do fim, iniciou a perseguição ao líder Fisichella (Renault). A perseguição do “Iceman” foi uma das mais incríveis exibições de sempre da F1, e na primeira curva da última volta, Kimi conseguiu suplantar “Fisico” para vencer uma das melhores corridas da sua carreira.

Perceberam o contexto? Sem tirar mérito à ultrapassagem, que foi simplesmente incrível, aquilo que começou a “colar” as pessoas ao ecrã foi o início da perseguição. A FIA parece não o ter percebido, recusando-se a retirar o DRS do GP do Mónaco, e colocando duas áreas para o dispositivo para Montreal e Valência.

Para começar, e ao contrário de muitos, creio que as melhores utilizações do DRS foram na Austrália e na Espanha. Certo, foram provas com o menor número de ultrapassagens, mas foram as de maior tensão. A perseguição de Button a Massa em Melbourne impediu-me de me mexer um milímetro no meu sofá. E a de Hamilton a Vettel teve o mesmo efeito, já que estava com a expectativa de ver se Lewis conseguiria fazer a manobra (mais por ser um McLaren, do que por ser o piloto, mas isso já é outro tema…).

A FIA parece não ter compreendido o que está por trás de uma ultrapassagem...

Porque aquilo que o DRS deve fazer não é fazer ultrapassagens acontecer imediatamente. O que deve verdadeiramente suceder é uma pequena ajuda ao piloto que persegue, o que foi visto em Melbourne e Montmeló. Já em Istambul, por exemplo, nada disso acontecia, e os pilotos passavam com toda a facilidade!

Creio que a FIA se esquece daquilo que realmente importa, com as sucessivas artificialidades que coloca nas provas.

Uma coisa é certa, como disse o Renan do Couto no Podium GP, na qualificação será interessante de ver qual o piloto que se arriscará a perder um pouco de aderência nas curvas rápidas, de modo a obter uma pequena margem de vantagem, que poderá ser fundamental no fim…