Este desporto não é para velhos

19 02 2012

Recuando alguns anos (três, mais precisamente), podemos recordar a criação daquela que viria a ser a única equipa a vencer todos os campeonatos de F1 em que participou. Também ajuda que só tenha participado em 1 ano, em que o carro vinha projectado pelos investimentos milionários da Honda, mas não é essa a questão que tenciono focar neste post…

Nesse ano de 2009, Ross Brawn ainda não se decidira sobre quem colocaria ao lado de Jenson Button. De um lado o rookie Bruno Senna, que tinha impressionado nos testes de Jerez. Do outro, o experiente Rubens Barrichello que já estava na equipa desde 2006. No final a escolha recaiu sobre Rubens. Porquê? Porque com a proibição dos testes na temporada, fazia com que fosse mais seguro apostar em quem já estava bem estabelecido.

Três anos depois, e com o futuro do brasileiro a passar muito provavelmente pela IndyCar, depois de ter sido preterido por Sir Frank Williams, podemos concluir que muito mudou. O mesmo Bruno Senna que Rubens tinha superado em 2009 tomou-lhe o lugar. A vida às vezes dá umas voltas muito engraçadas…

A justificação desta diferença é bastante simples: o dinheiro aperta. Aliás, todas as equipas actuais possuem um piloto (não necessariamente titular) que dá uma ajudinha para os cofres da equipa, com excepção das quatro melhores (o que não creio ser coincidência).

Logo, os velhos veteranos têm estado a ser que habitavam o grid estão a ser corridos em 2012. Para além de Rubens, também Jarno Trulli foi o mais recente “reformado à força” deste desporto em detrimento dos rublos do talento de Vitaly Petrov. Por mais que o italiano fosse um tipo porreiro, era evidente a sua desmotivação a guiar o Lotus. Aliás a carreira de Trulli é melhor exemplificado pelo seu ano de 2005: começou o ano brilhante pela Toyota, e acabou-o dois pontos atrás do companheiro de equipa Ralf Schumacher…

Mas voltando ao tópico anterior, pode-se reparar que apenas dois representantes do grid têm estreia na F1 na década de 90. São eles Michael Schumacher e Pedro de la Rosa. O primeiro anda a divertir-se às custas da Mercedes, que está à espera para poder colocar o jovem di Resta no lugar dele. O segundo, tal como o companheiro de equipa Karthikeyan (que obteve o seu lugar por mo£ivo$ div€r$o$), foi chamado ao dever como que do nada. Não me levem a mal, gosto bastante do espanhol, mas depois do fracasso na Sauber já está na altura de ir brincar para o DTM ou WTCC, não?

E assim está o quadro dos mais velhos na F1. Decididamente, este desporto já não é para velhos!

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A “segunda” Toyota

14 04 2011

Não, não me refiro a um regresso da marca japonesa à F1, mas sim da situação que atravessa a Mercedes. No final de 2009 os alemães compraram a equipa campeã do mundo, a Brawn. Ao fazerem isto, acreditavam que compravam não apenas a honra de “carregar” o número 1, mas também a infraestrutura responsável pela criação do BGP001, que dominara por completo a primeira metade da temporada.

Colocavam-se, no entanto, alguns problemas bastante importantes. Começando pelo campeão Jenson Button, que tivera que reduzir o seu salário para metade, de modo a poder ajudar a conter os custos da Brawn, mas para 2010 o britânico queria ser pago de acordo com o seu estatuto de vencedor do Mundial. Após muitas negociações falhadas, Button visitou o centro da McLaren. Acreditava-se que seria apenas uma tentativa de pressionar os responsáveis alemães a aumentarem o valor. Estes também o acharam. Erradamente, visto que Jenson acabou por assinar pela equipa de Ron Dennis.

A Mercedes deixou escapar Button para a sua rival.

Logo, a Mercedes acabava de enviar o campeão do mundo para a sua maior rival, visto que os alemães forneciam a McLaren, tendo estado muitas vezes perto de a comprar, só que Dennis nunca aceitou, e havia muito que as relações entre ambos já não estavam perfeitas.

Depois havia ainda a questão de que Ross Brawn passar um ano inteiro (2008) a desenvolver o seu monolugar, e não de uma eficácia real do túnel de vento de Brackley. Além disso, o BGP001 fora desenvolvido durante 2009 até ao fim de modo a reter os títulos, o que levou a um grande atraso no carro que viria a ser o MGP W01.

A dupla de pilotos era incerta: Rosberg era desde o Verão uma escolha óbvia, e a Mercedes acabou por confirmá-lo. O ex-piloto da Williams tinha ainda o problema de não ter ainda vitórias ou poles, o que, na impossibilidade de ter Button, levava a que os alemães precisassem de um piloto de qualidades reconhecidas. Raikkonen chegou a ser referido, mas acabou por desistir e ir para os rallys. Rumores começaram a correr de que Michael Schumacher poderia sair da “reforma”, o que acabou por ser confirmar, gerando grande expectativa de como o alemão conseguiria aguentar-se com a nova geração de pilotos.

O MGP W01 acabou por revelar-se um fracasso.

A temporada começou com grandes expectativas, mas para o fim a história da temporada da Mercedes era um verdadeiro pesadelo: o melhor que a equipa conseguiu foram alguns pódios, todos com Rosberg. Schumacher foi uma das grandes desilusões da época, andando sempre com prestações fracas.

Muitas desculpas foram arranjadas para tentar justificar, desde o facto de Schumacher enjoar no simulador até à ideia de que o projecto base de 2010 era um falhanço desde o início. E aí veio 2011.

O novo ano trouxe novas esperanças, e com elas a ideia de que a Mercedes conseguiria voltar a imiscuir-se na luta pelo título. A pré-temporada mostrou um ritmo razoável, e nas duas últimas sessões de testes Schumi e Rosberg foram os mais rápidos. Após duas corridas, no entanto, é possível verificar que os alemães parecem estar até pior do que no ano passado, com apenas dois pontos conquistados (Schumacher na Malásia).

E isto coloca uma questão que as marcas automóveis parecem ainda não ter compreendido: o dinheiro não é tudo na F1. A Red Bull, embora só tenha o quarto maior orçamento tem actualmente o melhor monolugar, enquanto a Ferrari investe de uma maneira muito pesada, e não consegue atingir resultados devido à falta de criatividade.

De um modo geral, a situação da Mercedes é muito idêntica à da Toyota: ambas entraram com grandes expectativas e investimentos, mas não conseguem transformar estes dois factores em resultados. Só há uma questão: muito dificilmente estarão os alemães tão dispostos a “queimar” dinheiro como os japoneses…