Primeiras imagens de F1 2012

5 06 2012

Depois do lançamento do F1 2011 em Setembro do ano passado, confesso que fiquei bastante agradado com o produto final, que tive a sorte de poder jogar. Tinha um modo carreira divertido, e bastante bem conseguido (com entrevistas no paddock e objetivos a alcançar a cada corrida). Se bem que também há-que dizer que tinha algumas falhas bastante grandes, como alguns bugs, algumas penalizações online mal aplicadas (penalizavam quem não tinha batido), e uma Inteligência Artificial criticada por alguns (se bem que pessoalmente não tenha reclamações a apresentar a esse respeito).

Enfim, para quem não experimentava um jogo de F1 desde o já longínquo F1 06 para PS2, foi um jogo bastante divertido e que já joguei durante várias horas.

A Codemasters tem feito um trabalho tão bom que já viu o seu contrato (que acabava este ano) renovado durante mais alguns anos. E os jogos, tradicionalmente apresentados em Setembro, costumam ter por esta altura os primeiros vídeos de “Work in Progress” da edição que se aproxima. E assim foi, com as primeiras imagens do F1 2012 a saírem há aproximadamente 1 hora. O vídeo mostra uma volta no Circuit of the Americas, que este ano será palco do regresso do GP dos EUA.

Destas imagens vou tirar dois pequenos comentários.

Em primeiro lugar, o jogo em si apresenta-se sem grandes alterações visuais (o que é algo de positivo, porque o F1 2011 já tinha uns bastante bons), o que significa que devem ter estado a trabalhar em alterações no comportamento dos carros (que parece mais realista nas correções). As únicas alterações visuais que eu vejo é nos pneus, nomeadamente nas travagens queimadas e na relva que apanham.

Em segundo lugar, que o circuito do Texas vai ser bastante divertido para os pilotos, com muitas zonas a requererem a atenção e controlo, mas não vejo muitas oportunidades para ultrapassagens, o que, tendo em conta o fato de ser a penúltima corrida do ano e de este campeonato estar muito próximo, poderá dar um final anti-climático ao campeonato (antes desta é o GP de Abu Dhabi)…





Alguns disparates

15 11 2011

Tem feito furor pelos vários blogs a notícia acerca das declarações de Bernie Ecclestone acerca da situação da construção da pista de Austin. Aparentemente o “anão tenebroso” andou a dizer que não conta muito que o GP dos EUA esteja pronto a tempo para a temporada de 2012. Escusado será dizer que os organizadores do circuito ficaram um pouco aborrecidos com isto…

Honestamente duvido seriamente das palavras de Ecclestone. Se a Índia e a Coreia foram prontas quando estavam claramente muito atrasadas, porque não haverão os EUA de fazer o mesmo?

Ainda não consegui compreender o porquê de dois GP’s no país, até porque a localização e o próprio layout da pista de New Jersey parece muito mais interessante do que a do Texas. Aliás, mesmo no que toca a automóveis os europeus estão mais avançados que os americanos, e isto não é eurocentrismo meu, é um facto verificado pela quase totalidade dos responsáveis pelos reviews.

Um deles é o controverso Jeremy Clarkson, que realiza pequenos filmes de 1h todos os anos, ainda que seja mais famoso pelo seu trabalho para o programa Top Gear. A totalidade deste filme pode ser vista no YouTube, esta é a primeira parte de um que se chama “The Good, the Bad and the Ugly” em que ele analisa se os EUA têm algum carro excelente pelos padrões europeus. Confesso que concordo com a conclusão dele…

PS: Sim, usei a notícia de Austin como desculpa para publicar isto… 😛





O “Uncle Sam” tem melhor oferta…

27 10 2011

A notícia não passou exatamente despercebida, mas mesmo assim vale a pena falar um pouco sobre ela. Os EUA vão ter, a partir de 2013, um segundo GP, e logo em Nova Iorque (New Jersey se quisermos ser específicos…) que era  local que Bernie Ecclestone tentava fazer a F1 visitar desde à 20 anos atrás.

O discurso dos chefes de equipa foi o que se esperava: estavam todos felicíssimos, porque poderão satisfazer assim muitos patrocinadores com o cenário da “Big Apple” no fundo. Fala-se ainda sobre o facto de que a presença tão densa da F1 nos EUA é uma boa maneira de tentar convencer os americanos a ganharem o gosto, aproveitando a ligeira perda de popularidade da IndyCar.

Contudo, existem alguns problemas com este paraíso que as equipas acreditam que uma segunda corrida nos “States” representa.

A pista de New Jersey.

Em primeiro lugar, fica a questão de se isto não representará o fim do GP do Canadá. A proximidade das duas corridas (geograficamente e, pelo que se conta, no calendário) significará que os americanos sentir-se-ão menos tentados a visitar o país vizinho, podendo levar a que os organizadores de Montreal se ressintam. Outra questão é se os EUA continuam a ser o ambiente livre de crise que se acha que são. Os americanos têm-se ressentido com a crise tal como os europeus, e prevê-se mesmo que sejam ultrapassados daqui a uns anos pela China, como a mais importante economia mundial.

Por último, e tendo em conta que o nos interessa mais é o lado desportivo, o mais importante, a pista. O circuito em si não tem nada de muito mal, lembra-me (coincidência, ou não?) Montreal, mas ninguém me tira da cabeça que os melhores circuitos são os que são criados “normalmente”, e não por encomenda como faz Bernie com (sempre ele…) Tilke.

Aliás, os dois circuitos com que os EUA vai acolher a Fórmula 1 são ambos feitos por Tilke… “Ah, mas isso é porque os americanos gostam é de ovais, e não têm pistas a sério!”, podem alguns pensar. É aí que se enganam. Na melhor representação da frase “Dá Deus nozes a quem não tem dentes” os EUA são abundantes nas melhores pistas do mundo… Não acreditam? Aqui vai:

A descida impressionante da Corkscrew.

Laguna Seca – a pista da Califórnia pode não ser muito longa, mas compensa isso ao ter algumas das curvas mais bem conseguidas do mundo. No fundo a pista nem é muito rápida, não há nenhum reta digna desse nome, e as curvas se virmos bem nem são daquelas complicadas de fazer bem. Como à uns tempos o Verde disse, “O circuito é um verdadeiro arroz com feijão. Mas é o arroz com feijão mais bem executado que você já comeu na sua vida”.

Esta é uma boa metáfora, pois a pista tem mesmo um certo ar de neutralidade, mas é muito interessante nalgumas passagens, com destaque para a famosa Corkscrew (saca-rolhas), que é uma das melhores do mundo. A juntar a isto pode-se também referir que a American Le Mans Series e a Moto GP correm por lá, e que na altura em que Phoenix entrou no calendário lutava com a pista da Califórnia para o fazer.

Infineon Raceway – sempre que penso nesta pista, fico com alguma pena de a Fórmula 1 nunca ter corrido por lá. A pista é cheia de curvas desafiantes, a maioria das quais cegas, uma secção de curvas de alta ao estilo de Silverstone, e uma 1ª curva muito estranha e difícil de fazer bem. É também, infelizmente, um dos circuitos mais perigosos que existe, portanto muito dificilmente estará na F1 nos próximos tempos…

Road Atlanta – a pista do Petit Le Mans. Road Atlanta tem uma sequência muito bem feita no início da prova com vários S’ relativamente rápidos que vão dar a duas curvas de 90º para a direita, ao melhor estilo das Lesmos de Monza. A fase final lembra a do novo Nurburgring: reta ligeiramente em curva, que acaba numa chicane, que faz uma direita para a reta da meta. E a comparação não era um insulto… Das pistas que digo aqui, é a que teria mais probabilidade de ir para ao calendário.

Road America – Se bem que Road America também é uma pista não tão fora dos padrões da F1 como se poderia pensar. Tem várias retas e algumas curvas interessantes, que não são tão fáceis como inicialmente o piloto pensa ao entrar.

Deu para ver pelo tamanho das descrições que Laguna Seca é a minha favorita, mas coloquei mais três para demonstrar o disparate que é construir pistas novas num país que já as possui… Enfim, vejamos que surpresas nos esperam em Austin e New Jersey…

Atualização (29 Outubro) – Já está no YouTube uma versão da pista de New Jersey através do rFactor, que mostra os F1 na pista:





Construir e aproveitar

19 04 2011

Nos últimos dias têm chegado informações acerca da construção do novo circuito de Fórmula 1 que está a ser construído nos EUA, o Circuit of the Americas, de que o projecto poderá passar por dificuldades, já que o Senado do Texas terá recusado um fundo de 25 milhões de dólares.

As razões são simples: com a crise económica actualmente atravessada por nós, os membros do Senado acreditam que financiar uma corrida automóvel poderia dar a entender à população de que tinham as prioridades seriamente trocadas. Uma razão completamente legítima, tem que se concordar…

O "Circuit of the Americas".

E isto leva-nos a uma simples questão: com tantos autódromos disponíveis no mundo, porque não aproveitá-los, ao invés de construir mais? Para começar temos que nos lembrar que existem circuitos soberbos fora do calendário, como A1 Ring, Portimão, Imola, entre outros. Isto significa que não falta sítio por onde escolher para realizar GP’s, que ainda para mais apenas teriam que ser modernizados para estarem de acordo com as medidas de segurança, e alguns destes até já as possuem!

Então, porque está Ecclestone tão determinado com a construção de novos circuitos? Simples, os países para onde Bernie quer levar a F1 não possuem tradição quase nenhuma no automobilismo, o que leva a que seja necessária a elaboração de projectos em locais sem grande desenvolvimento ou, algumas vezes, população. Aqui pode-se contar a Coreia, que foi construída num local onde será (?) projectada uma cidade, ou a China, a partir de um pântano, ou o Bahrain no meio de um deserto, entre vários outros exemplos…

O principal problema com este tipo de situação, apenas coloco uma questão: e depois da F1? Inevitavelmente, estes países acabarão por perder o interesse do “anão tenebroso” (como o GP da Turquia e da Europa actualmente), e nessa altura o que sucederá a estes autódromos, construídos com o único propósito de abrigar a F1, é que ficarão sem actividades, e acabarão por enfrentar dificuldades económicas. Alguns dos actuais circuitos, como Sepang, têm-se prevenido, colocando o circuito à disposição de outras categorias.

O último circuito americano a receber a F1, Indianápolis.

O caso dos EUA é ligeiramente diferente. Os americanos possuem tradição no automobilismo, e vários autódromos, no entanto nunca se interessaram muito por este desporto. O desporto de eleição destes é sem dúvida a NASCAR. E talvez a IndyCar. Basta que seja realizado numa oval, e eles interessam-se… Por alguma razão, os americanos têm um fascínio por este tipo de pistas. Possivelmente acham muito complicado terem que curvar para mais do que um lado! Enfim…

A questão então é o facto de não existirem muitas pistas “a sério”. A última pista utilizada para sediar o GP dos EUA foi Indianápolis, não a versão oval, mas sim uma versão que utiliza parte da oval, e um circuito interno. A pista era minimamente interessante, mas Ecclestone retirou-a por dizer que os fãs não tinham o espírito certo… Tendo em conta que o circuito atingia níveis bastante próximos de lotação máxima, é difícil de perceber qual será o espírito certo!

Enfim, o “Circuito das Américas” vai ser construído mesmo, resta saber se conseguirá os fundos necessários para estar no calendário de 2012, tal como o GP da Índia deste ano…

Coloco apenas uma questão final: será que vale a pena criar novos circuitos, quando tantas pistas de classe mundial se encontram disponíveis para ser utilzadas? Dificilmente!