Top 10 – Vitórias Menos Distribuídas (Parte 2/2)

21 10 2012

(continuação da Parte 1)

5 – Nova Zelândia

12 Vitórias. 2 Vencedores. Média: 6

Lewis Black, humorista americano, afirmou uma vez num dos seus stand-ups na Broadway: “Eu fui à Nova Zelândia este ano e, bem, sei que muitas pessoas querem visitá-la, mas deixem-me dizer-vos que são 22 horas de avião. Por isso se tiverem a oportunidade, não vão.”

O pequeno país da Oceânia, a par da Austrália, o único país desenvolvido do hemisfério Sul do planeta, é um dos meus favoritos no mundo. Não é difícil de gostar. Baixo desemprego, muita segurança, democracia e integração dos antigos povos (o hino chega a ser cantada tanto em inglês como maori), e um sotaque estranhíssimo.

Ah, e também responsável por uma das mais famosas parcerias entre os seus dois vencedores de GP: Denny Hulme (campeão mundial em 1967) e Bruce McLaren. Ou mais famosamente “The Bruce and Denny Show”.

“The Bruce and Denny Show” diz respeito à senda vitoriosa da McLaren na Can-Am, quando Denny e Bruce venceram dois títulos cada pela McLaren, que o segundo entretanto fundara.

Também na F1, e depois de ter vencido o 1º GP de um neo-zelandês em 1959 nos EUA pela Cooper e de ser vice-campeão mundial, McLaren conseguiu ainda a proeza de igualar Jack Brabham e vencer com uma equipa com o mesmo nome do piloto a sua vitória na Bélgica 1968, além de ver o compatriota Hulme vencer algumas antes da sua trágica morte num teste em 1970.

Na altura a recuperar de uma queimadura na mão na qualificação para as 500 milhas de Indianápolis, Hulme aguentara a dor, mas ao saber da morte do amigo não conseguiu aguentar as lágrimas. Recompondo-se o neo-zelandês procurou manter a equipa unida e contribuiu com mais vitórias que engrandeceram o mito McLaren, que perdura até hoje, graças aos feitos de pilotos como Lauda, Hunt, Senna, Prost, Fittipaldi, para além de Bruce e Denny.

A 4 de Outubro de 1992, Hulme faleceu nas famosas Mil Milhas de Barthurst, na pista, mas de uma maneira menos estrondosa: a meio da corrida o carro de Hulme parou na berma, e quando os comissários lá chegaram encontraram o piloto morto de um ataque cardíaco fulminante.

Desde estes dois grandes do desporto que a Nova Zelândia não conquista uma vitória na F1, caindo as esperanças no campeão da GP3 deste ano, Mitch Evans para fazer ouvir o “God Defend New Zealand” num pódio da categoria.

4 – Colômbia

7 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 7

Segundo piloto da história a representar a Colômbia no Mundial de F1, Juan-Pablo Montoya alterou significativamente o sucesso deste país.

Tendo como cartão de visita um título da CART em 1999 e uma vitória nas 500 milhas de Indianápolis em 2000, Montoya chegou à Formula 1 na Williams para acompanhar Ralf Schumacher com expetativas elevadas em relação à sua possível performance. Até porque o homem que substituiu, Jenson Button, tinha feito um trabalho bastante bom no ano anterior.

A temporada de estreia em 2001 foi marcada por abandonos múltiplos (11 em 17 corridas), mas quando terminou fê-lo de maneira magistral com 4 pódios e um deles foi a sua primeira vitória no GP de Itália. Mais vitórias (6 para ser preciso) vieram, assim como uma transferência para a McLaren, e um relacionamento pouco amistoso com Schumi Junior.

Acabou por não conseguir ser bem-sucedido, em grande parte pelo seu estilo extrovertido que não combinou muito bem com duas das mais sérias equipas da F1. Está agora na NASCAR, sem dúvida nenhuma mais feliz, onde o seu físico é a norma e não a exceção.

3 – Canadá

17 Vitórias. 2 Vencedores. Média: 8,5

Tal como o país que se encontra classificado imediatamente antes dele, o Canadá é um daqueles países que se encontra no topo dos indíces de felicidade, desenvolvimento e de sistemas sociais eficazes. Mais notável que isso é passar despercebido quando se tem como vizinho os EUA.

Mas existe outra estatística do agrado dos canadianos, como se comprova por este Top 10: com apenas 2 pilotos conseguiram 17 vitórias. Melhor ainda, esses dois são pai e filho. No Canadá só ganha Villeneuve.

Gilles foi o responsável pela primeira vitória do país da Maple Leaf na categoria, e sejamos honestos não ale a pena fazer grandes introduções. Desde pilotar helicópteros perto de janelas de hotel, de fazer as auto-estradas italianas a velocidades generosas e de dar tudo por tudo nas suas disputas por posição (como René Arnoux descobriu às suas custas).

Mas o local da sua primeira vitória sem dúvida foi especial. A vitória no circuito de Montreal em 1978, perante o seu público, num circuito que viria mais tarde a ter o seu nome. Gilles venceu com 13 segundos de vantagem sobre o companheiro de equipa do ano seguinte Jody Scheckter num Wolf.

Já o filho, Jacques (que por sua vez partilhava o nome do tio que competiu em 3 corridas de F1) conseguiu algo que o pai não conseguira, até pelo curto espaço de tempo que competiu, o título mundial em 1997. O canadiano já chegara à F1 sob grandes expetativas, até por vir de um ano em que venceu a Champ Car e as 500 milhas de Indianápolis.

E não decepcionou, pelo menos nas primeiras temporadas, dando muito trabalho ao companheiro de equipa Damon Hill, e conseguindo terminar o ano como vice-campeão, vencendo a sua primeira corrida de 11 em Nurburgring. No ano seguinte conseguiu vencer o campeonato contra Schumacher.

2 – África do Sul

10 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 10

O único país africano a ter dado um campeão mundial à categoria é também um dos líderes deste Top 10. Apesar das várias sanções aplicadas ao regime Apartheid a Fórmula 1 nunca fechou as portas à prova do país, contudo em 1985 a pressão fez-se sentir mais do que nunca, com os governos do Brasil, Suécia, Finlândia e França a tentarem pressionar os seus pilotos e equipas a boicotarem a prova. Jean-Marie Ballestre acabou por forçar a sua vontade e todos correram. Mas não houve F1 nos anos seguintes…

No entanto o país deu uma contribuição para a F1: um campeão mundial. Jody Scheckter estreou-se na categoria máxima do automobilismo em 1972, Watkins Glen, passando mesmo pela terceira posição antes de um despiste o enviar para o nono lugar. No ano seguinte quase venceu o GP de França antes de chocar com o campeão em título, Emerson Fittipaldi (“Este maluco é uma ameaça para si próprio e para os outros e não tem lugar na F1” terá o brasileiro dito…)

Acabou por obter o seu primeiro triunfo no GP da Suécia em 1974, e pilotou um dos F1 mais famosos de sempre o Tyrrell P34. Viria a vencer o título de 1979 na primeira temporada com a Ferrari, contra as expectativas de muitos. Infelizmente a sua defesa do título foi igualmente histórica: foi a pior de sempre, com apenas dois pontos marcados, e chegando mesmo a falhar a qualificação para o GP do Canadá. Abandonou no final de 1980.

1 – Espanha

30 Vitórias. 1 Vencedor. Média: 30

Um claro líder neste Top 10. Poderia ser outro exemplo. Antes de Fernando Alonso se estrear ao volante de um Minardi no GP da Austrália de 2001, o melhor resultado de um espanhol na F1 era um único pódio de Alfonso de Portago no GP do Reino Unido de 1956. 11 anos depois o país está a apenas 3 vitórias de igualar os EUA de Phill Hill, Mario Andretti e Dan Gurney. E o responsável único por isso é Fernando Alonso.

O espanhol que cresceu numa família humilde de Oviedo, que guiou com o dinheiro do pai enquanto o permitiu, e mais tarde com a ajuda de Adrian Campos. Depois da vitória no Euro Open espanhol de 1999 sobre o português Manuel Gião, Alonso conseguiu o seu primeiro teste de F1 pela Minardi em que famosamente ficou na frente por 1,5s (depois de lhe ser dito para ir devagar). A equipa pediu satisfações perante um surpreso Alonso que respondeu: “mas eu estava a ir devagar…”.

A estreia na equipa italiana em 2001 não trouxe grandes surpresas, mas Flavio Briatore foi buscá-lo para a Renault. O espanhol estreou-se para os franceses em 2003, fazendo 4 pódios, um deles em Espanha, e outro a ser a sua primeira vitória na Hungria. O resto já se sabe, 29 vitórias e 2 títulos mundiais depois.

PS: Dedico este post ao Sebastian Vettel, porque demorei tanto tempo a fazê-lo, que estava com medo que entretanto o Maldonado vencesse outra corrida ou algo do género. Assim com ele a ganhar sempre, poupa-se-me o trabalho. Obrigado.


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