Como perder um título em 10 passos

14 10 2012

“Penso que em termos de vencer [o título], acho que acabou para nós”.

O desabafo de Lewis Hamilton no final do GP da Coreia traduz uma afirmação que já andava a pensar, mas que ainda não tinha completamente aceite. Se olharem para a barra lateral são capazes de reparar que a equipa fundada por Bruce McLaren é a minha favorita, para além de ter sido a equipa de Hakkinen e Raikkonen. Por isso mesmo, apesar de não ser o maior fã de Hamilton, ainda torci um pouco, mas agora não restam dúvidas de que não existe uma hipótese realista de isso acontecer.

E para mim, mais do que um título de Vettel, Alonso ou Raikkonen, 2012 será o ano do título perdido pela McLaren. Aliás, até no campeonato de construtores perdeu o segundo lugar para a Ferrari, que graças à subida de forma de Felipe Massa já ganhou 2 lugares desde a pausa de Verão. A equipa de Woking não vence mesmo o troféu desde 1998 com Hakkinen e Coulthard.

Isto quando começou o ano com o melhor carro do grid, e com o super-motivado Jenson Button a vencer na Austrália. Depois de 2007, mais uma derrota num campeonato em que tinha tudo para vencer.

Mas atenção, porque não é qualquer um que consegue transformar um campeonato tão certo numa derrota, não senhor! A Red Bull pode levar a fama de performances incríveis e de fins-de-semana vitoriosos, e a Ferrari pode ter conseguido transformar a carroça conhecida como o F2012 num potencial carro de campeão do mundo, mas nós conseguimos um feito muito mais trabalhoso, creio eu. Recordemos o grande plano de auto-destruição da McLaren em 2012:

Passo 1 – Quando todos os adversários seguem a moda do nariz de ornitorrinco, a McLaren opta antes pela solução convencional, que transforma o MP4-27 no mais bonito carro do grid, e como se descobriu também o mais rápido.

Passo 2 – Vencer a primeira ronda da temporada, com Jenson Button, de maneira clara e confiante, pela primeira vez desde 2008 (ano em que o título de pilotos foi conquistado). Agora é que é! A McLaren acertou o passo, e os resultados aparecem.

Passo 3 – Button, o grande estratega, capaz de pensar com três dias de antecedência como conduz revela-se absolutamente inconstante, e soma vários resultados pouco satisfatórios.

Passo 4 – Hamilton, agressivo e sem noção de quando desistir, vê-se como o piloto mais regular da temporada, pontuando todas as corridas, e finalmente vence no Canadá com muita confiança e uma condução irrepreensível (7º vencedor em 7 corridas), e assume-se como líder do campeonato e principal candidato. Voltava-se ao caminho certo.

Passo 5 – Resultados muito aquém das expetativas, com apenas 1 vitória de Hamilton na Hungria antes de chegar a pausa de Verão. Os primeiros indícios de uma quebra na harmonia aparecem, com os rumores de uma aproximação da Mercedes a Lewis, para além de o inglês ter pedido ao engenheiro para abandonar em Hockenheim após um acidente o enviar para o fim do pelotão, quando o carro ainda estava em bom estado.

Passo 6 – Regressar com uma vitória… do piloto mais atrasado no campeonato… enquanto o mais próximo é atirado para fora da corrida… e decide publicar no Twitter dados confidenciais de telemetria para tentar explicar que a equipa o prejudicou de propósito, enviando informações preciosas para os rivais… Bom fim-de-semana, o de Spa-Francorchamps.

Passo 7 – Vitória, finalmente, com Hamilton que passa a ser o seguidor mais direto de Alonso. Agora sim, isto vai ser uma luta privada entre McLaren e Ferrari!

Passo 8 – Ver Hamilton perder uma vitória confortável em Singapura por uma falha da caixa de velocidades. Não é assim tão mau, ainda se está perto e com um bom carro e um piloto com fome de título.

Passo 9 – Ver o piloto que está na estrutura desde os 9 anos decidir ingressar na rival Mercedes. E perceber que um título de pilotos significa enviar a um adversário o trabalho árduo de conquistar o #1.

Passo 10 – Ver os adversários eclipsarem a equipa, e o título a ir para cada vez mais longe… E os pilotos a terminarem a pouca harmonia que já havia antes. Rezar que 2013 chegue rápido mesmo!


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22 10 2012
Tiago

Falta acrescentar a borrada na classificação do GP de Barcelona, onde o Hamilton faz uma volta canhão, mas não tem combustível para voltar às boxes e parte de último, uma vitória garantida que foi ao ar.
E os erros nos pit stop nas primeiras corridas também ajudaram o carro mais rápido do pelotão a não vencer corridas…

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