O possível regresso da A1GP

12 08 2012

Confesso que nunca gostei muito de futebol. Sim, faço parte daquele 1% de europeus que não conseguem entender a necessidade de saber que um tipo uruguaio, que até há cinco minutos atrás não conseguia identificar a Itália no mapa, acaba de afirmar que sempre sonhou em juntar-se ao Cagliari. Mas como os 99% restantes sente essa necessidade, vejo-me forçado a ver em todos os noticiários do dia essa notícia, bem como nos jornais “desportivos”. Digo “desportivos” porque nunca vi nenhum deles a não ter uma capa relacionada com o futebol.

Não detesto, mas com exceção dos jogos do Sporting não consigo interessar-me muito. Com uma excessão. Os jogos entre as seleções. Lembro-me distintamente do Euro 2004 cá em Portugal, quando os gregos nos eliminaram na “nossa” final, de pegar num Atlas e começar atentamente a descobrir os países e as bandeiras. É, só um autêntico nerd por geografia. E assim consigo ver com muito mais interesse e diversão um Honduras-Equador, do que um Real Madrid-Barcelona… Além de que se tem os nacionalismos todos em pleno funcionamento. Por exemplo, torço sempre por quem está contra a Alemanha ou a Grécia, a não ser que um deles jogue com os EUA ou entre si. Podem ver o problema que tive nos 4º de final do último Euro…

Sinto que me estou a desviar demasiado do que queria dizer quando isto começou, por isso vou rapidamente passar de volta ao automobilismo. Tem-se falado recentemente na possibilidade de um regresso da A1 GP, aquela categoria que em vez de colocar o Filipe Albuquerque contra o António Pizzónia, decidiu que seria muito mais interessante fazer dessa luta um Portugal-Brasil. Assim nasceu a categoria em que eram os países e não os pilotos que se defrontavam. Com a condição de que os pilotos de cada país terem que ser naturais (ou naturalizados) dele.

Espero que seja possível um regresso da categoria, mas que desta vez seja gerida por alguém com mais competência que Tony Fernandes como gestor. Afinal estamos a falar de um homem que falhou por quatro vezes a compra de uma equipa de F1, não cumpriu a promessa de doar 50 000 dólares a caridade (por falhar a participação dos carros na primeira ronda da temporada 2009-2010 em Surfers Paradise, e tem 12 476 processos em cima (e isto é uma estimativa conservadora).

Mas os princípios básicos da categoria eram bastante interessantes, com cada equipa a ter direito a um carro (que nas duas últimas temporadas era um Ferrari F2004 modificado) que correria num sistema de corridas parecido com o da GP2 (sprint e feature), e com a vantagem de não seguir o calendário de F1. Vantagem porque se dava ao luxo de ir a sítios nos quais Bernie Ecclestone dificilmente deixaria a categoria máxima ir. Falo de sítios como Brno, Estoril, Kyalami ou Brands Hatch. Já para não falar de não funcionar por anos, mas sim por um regime parecido ao dos anos escolares, o que significava a possibilidade de ver automobilismo no período morto de muitas das categorias.

Por estas razões, seria interessante ver um regresso da categoria, desde que seja fito com mais seriedade que no seu anterior período, ou que com a Superleague Formula (que usava um formato similar, mas com clubes).


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