Título de Zero: Parte 1 – Hungria 97

10 08 2012

Há alguns meses atrás fiz um dos posts que mais gosto tive em fazer. O Título de Zero. Sempre admirei muitíssimo Damon Hill, no entanto tenho noção de que muito dificilmente alguém o consideraria durante muito tempo na elaboração da sua lista de Melhor Piloto de F1. Não posso censurar completamente essas pessoas. Também não é o meu favorito. Mas o piloto que está no topo da minha lista não é ninguém óbvio como Senna ou Schumacher. Fica para um post de outro dia.

O que interessa aqui é que embora não seja o líder da minha lista, é ainda assim um dos meus pilotos favoritos. É, na minha opinião, o campeão de F1 mais subvalorizado de sempre. Assim inauguro hoje o primeiro dos três momentos que mo permitem justificar. Recuemos até ao final do ano de 1996.

Parecia estar tudo a correr maravilhosamente bem para Damon. Apesar de ter tido mais pressão do que estaria à espera da parte do companheiro de equipa, venceu no Japão, conquistando o título. No entanto, imediatamente a seguir a Williams demitiu-o, para colocar Heinz-Harald Frentzen no seu lugar. Com um título mundial no bolso e a hipótese de dar o #1 a quem o contratasse, Hill podia calmamente analisar as suas ofertas, bem numerosas, de McLaren, Benetton e Ferrari. Depois de analisar cuidadosamente o britânico optou pela Arrows. Eu também não…

Habitual frequentadora do meio do grid, Hill acabou por ter uma temporada bastante fraca. O retrato da temporada foi estabelecido logo na primeira corrida do ano. No GP da Austrália, Damon teve que se servir de todo o seu talento para conseguir colocar o carro dentro do limite dos 107%, algo que o seu companheiro de equipa (Pedro Paulo Diniz) não conseguiu, mas ainda contou com a benevolência dos comissários para participar. No dia seguinte, o campeão do mundo em título tinha uma tarefa bem complicada la frente. Não a chegou a disputar. O carro disse basta na volta de aquecimento. E já ia o campeonato quase a meio quando finalmente conseguiu um mísero ponto.´

E foi neste contexto que o britânico chegou à 11ª ronda do ano de 1997, no Hungaroring.

Sexta-feira. Damon Hill passou 55 minutos na box da sua equipa à espera da resolução de um problema no sensor eletrónica da caixa de velocidades do Arrows. Depois desse tempo o problema pareceu estar resolvido e enviaram-no para a pista. Na sua primeira volta lançado, Hill estabelece o quinto tempo. Oi? Para quem achou que tivesse sido um simples flop, no sábado chegou a confirmação, Hill consegue o terceiro melhor tempo nos minutos finais da qualificação.

A mistura das caraterísticas do Hungaroring (travado e que dá pouca importância à potência dos motores, beneficiando mais o chassis), com as boas prestações dos pneus da Bridgestone face aos Goodyear com o calor, e o talento do filho de Graham, provou ser um conjunto altamente competitivo.

“Nós achámos que podíamos entrar no top 10, talvez o top 6,” disse Hill “mas entrar no top 3 foi muito bom. A Bridgestone chegou aqui pela primeira vez e conseguiu acertar na perfeição. Estou surpreendido, mas estávamos todos muito juntos com pouco tempo a separar-nos, por isso sabia que se conseguisse um pouco mais de tempo faria uma grande diferença, portanto pus prego a fundo e arrisquei”.

Na corrida foi ainda mais impressionante o ritmo do inglês. Na partida superou de imediato o antigo companheiro de equipa Jacques Villeneuve, e depois de uma perseguição de 10 voltas ultrapassou na reta da meta o líder Michael Schumacher. Uma Arrows liderava, e Hill fazia-o pela primeira vez desde a corrida que lhe dera o título mundial. Pouco tempo depois Frentzen roubou-a, mas bastaram quatro voltas para que o homem que substituíra Hill na Williams abandonasse com problemas mecânicos.

Novamente na frente Hill dominava com autoridade para surpresa de todos. Volta 36, 12 segundos de vantagem. Volta 40, 17 segundos de vantagem. Volta 48, 25 segundos de vantagem. A 3 voltas do fim da corrida, Hill liderava por uma gigantesca margem de 35 segundos. A vitória era certa.

“Eu comecei a pensar que ia ganhar,” disse Damon após a corrida “e quando se faz uma coisa dessas alguma coisa corre mal sempre. Eu estava a sair da chicane e o acelerador não estava a fechar quando eu levantei o pé. Eu pensei “estranho, se calhar é o meu pé” e depois houve três ou quatro curvas em que não mudava de mudança como deve ser.”

Problema hidráulico. Volta 75, e Villeneuve recuperou 9 segundos. Volta 76, e Villeneuve recuperou 20 segundos. Último volta, Villeneuve estava mesmo em cima do antigo colega de equipa e passou (com um pouco de relva à mistura). Hill teve que se contentar com o segundo lugar.

“Não é possível controlar estas coisas. Eu fiquei simplesmente surpreendido de chegar ao fim e muito feliz de chegar em segundo mas estou com emoções contraditórias. Adorava ter ganho esta corrida, mas o segundo lugar é um bom resultado.”

No entanto, a Arrows apenas permitiu a Hill chegar a mais uns pontos, e o britânico acabou mesmo por abandonar a equipa pela Jordan. No entanto deixou-nos com uma das derrotas mais duras do automobilismo, e uma verdadeira prova do seu talento. Há exatamente 15 anos.


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2 responses

11 08 2012
Paulo Alexandre Teixeira

Verdade. Foi uma corrida onde torci pelo Hill. Aliás, acho que todos nós torcíamos pela “zebra” ou o “underdog”. Foi duro e penoso vê-lo perder a favor do Jacques Villeneuve. Ele tinha razão: também tive sentimentos contraditórios, pois torcia pelo Jacques.

10 08 2012
Julio Cezar Kronbauer

Eu me lembro dessa corrida até hoje.

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