Meio Termo – Lotus

3 08 2012

Com o GP da Hungria realizado no último fim-de-semana, a temporada de 2012 de Fórmula 1 chegou ao meio, e inicia-se assim a altura de começar a tirar algumas conclusões sobre o que já vimos e o que nos poderá esperar na segunda metade do ano. Até porque durante as próximas 5 semanas não teremos a oportunidade de ver Hamilton, Raikkonen e companhia.

Em primeiro lugar observemos a Lotus.

Depois da grande confusão que se gerou em 2011 no caso Lotus vs Lotus, o acordo entre Tony Fernandes e Dany Bahar veio finalmente terminar com a patética situação que nada contribuía para a imagem da marca inglesa. No entanto, o fim dos problemas estaria ainda distante.

Embora a Lotus tivesse teoricamente reunido a equipa de F1 com a marca de automóveis, as estruturas mantiveram-se separadas. O que se revelou como algo bastante positivo. O Grupo Lotus viria a não adquirir a equipa, acusando os problemas financeiras que a operação megalómana de Bahar estava a causar. Conseguiu no entanto assegurar que manteriam o patrocínio e a designação da equipa… pelo menos até 2017.

E se em Enstone soubessem o que se avizinhava em Hethel, teriam ficado bastante felizes. Depois do site Sniff Petrol ter usado uma imagem de Bahar no contexto de um general iraquiano a afirmar que estava tudo bem quando os tanques inimigos estavam literalmente ao virar da esquina. Ao invés de receber bem-humoradamente a piada, a Lotus Cars escreveu um comunicado oficial em que atacava violentamente tudo e todos.

O seu recente despedimento não espantou ninguém. Estamos a falar de um homem que Peter Sauber não suporta. E contam-se pelos dedos da mão as pessoas que Sauber detesta.

Enfim, voltem-se as atenções para a equipa de F1.

Depois de ter ficado sem Robert Kubica no início do ano passado, a equipa teve um ano mediano em que Senna e Petrov tinham esperanças de conseguir de se manter, mas a equipa claramente precisava de um líder. E conseguiu-o. Mas não foi talvez a figura mais consensual. O Iceman regressou dos ralis.

O anúncio da volta de Raikkonen veio com expetativas mistas. Havia quem esperasse que ele viesse para vencer o título à primeira, e aqueles que esperavam uma experiência similar à de Schumacher. O finlandês acabou por se aproximar mais da primeira hipótese. Nas primeiras corridas pontuou, e na sua quarta corrida lutou com o campeão em título pela vitória. Confesso que esperava que ele conseguisse. Ao contrário de Schumi, Kimi tinha-se mantido no automobilismo, estivera parado menos tempo e era mais novo.

A sua caraterística mais curiosa tem sido o facto de nunca parecer satisfeito apesar de no seu primeiro ano de regresso à F1 estar em 5º lugar a apenas 48 pontos do líder do campeonato e com expetativas bastante elevadas para conseguir chegar ao título, mesmo sem uma vitória (que sem dúvida já não deverá estar distante).

O seu companheiro de equipa deixou ainda algumas dúvidas sobre a sua capacidade. Apesar de muitos terem preferido que fosse Bruno Senna o escolhido, Romain Grosjean conseguiu o lugar vago na Lotus. Confesso que sempre tive esperanças que o conseguisse. Não sou grande fã do brasileiro, e depois do autêntico suicídio para o qual Briatore o enviou em 2009, que por pouco não lhe arruinou a carreira. Uma segunda oportunidade era quase justiça.

E o francês tem-se safado bastante bem. Naquela que é, na prática, a sua primeira temporada “a sério” de F1, Grosjean já passou por duas vezes muito próximo da vitória (como no Canadá e no Hungaroring) e conseguiu o seu primeiro pódio na quarta corrida do ano. Nada mal. Passou de pouco cotado até (alegadamente) alguém com que Alonso não se importaria de ter como companheiro de equipa (novamente… só que desta vez a sério).

O único problema que vejo com a dupla da Lotus são as cada vez mais notórias dificuldades que Grosjean tem vindo a colocar a Raikkonen. Kimi esperava liderar confortavelmente a equipa, mas dificilmente esperava que o companheiro de equipa lhe desse tanto trabalho. E o francês também não terá ficado contente com o recente chega-pra-lá que o finlandês lhe deu no último fim-de-semana. Para ter um companheiro de equipa armado em chefe, já bem bastou o tempo com o Alonso, obrigado.

Talvez não este ano, mas no próximo será engraçado de ver como será a relação da dupla. Da parte de Grosjean, pelo menos. Raikkonen não tem o espírito de alguém que faz guerra política. Quanto muito seria mais agressivo em pista.

Mas a Lotus não deixa de ter uma das melhores duplas do grid atual, e este ano tem o carro a ajudá-los, e está neste momento em terceiro lugar, superando a Mercedes e a Ferrari.

E não descartaria que Kimi conseguisse manter-se na luta pelo título de pilotos até às corridas finais. Aliás, a próxima corrida é em Spa, onde Kimi venceu em 2004, 2005, 2007 e 2009. Acho que sei em quem apostar para o GP da Bélgica…

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