Título de Zero

8 06 2012

A Fórmula 1, como todos sabemos, é considerada por muitos como o principal expoente do automobilismo mundial. Quer isto dizer que todos os seus campeões mereceriam um grande respeito, como os melhores entre vários pilotos de elite que dão tudo para o conseguirem de vários cantos do mundo. Mereceriam, mas muitas vezes não o têm.

Talvez os leitores habituais deste blog já tenham reparado que não morro de amores por Fernando Alonso e Michael Schumacher. No entanto reconheço (com alguma resignação, eu admito) que são dois dos mais talentosos pilotos da história deste desporto, e como tal posso criticar as suas decisões, mas nunca disse nem direi que são maus pilotos só por não gostar deles.

Mas nem sempre é assim, muitas vezes já li várias opiniões de fãs de automobilismo que simplesmente decidem que um título mundial conquistado com muito suor e esforço não vale afinal nada, e que podem dar atestados de estupidez a pilotos que conquistam mais na sua vida do que muitos deles somados…

Um bom exemplo é Jenson Button, que mesmo hoje ainda tem vários cépticos no que toca ao seu talento, em especial nas comparações com Lewis Hamilton. Mas mesmo assim existe um piloto em especial na história da F1 que eu, pessoalmente, penso sofrer mais deste tratamento: Damon Hill.

O campeão do mundo de 1996 contou ao longo da sua carreira de F1 com companheiros de equipa muito talentosos (Ayrton Senna, Alain Prost e Jacques Villeneuve) e um título mundial, mas teve a infelicidade de ter tido Michael Schumacher como rival, e de ter conquistado o seu título num ano em que o alemão não estava ao seu melhor (primeira temporada na Ferrari).

Hill estreou-se na F1 em 1992 pela fraca Brabham, que desesperada por alguma fonte de receitas e atenção no seu final de vida, decidiu dar um carro ao filho do campeão britânico Graham Hill. Damon apenas conseguiu qualificar-se justamente no seu GP caseiro em Silverstone, em que apenas teve algum destaque quando Nigel Mansell (o vencedor) lhe deu quatro voltas de avanço…

No entanto o posto de piloto de testes da Williams, valer-lhe-ia um lugar como titular na equipa em 1993, ao lado de Alain Prost, conseguindo três vitórias. Em 1994, o britânico teria como companheiro de equipa Ayrton Senna, o que o relegaria para segundo plano, mas o infeliz e inesperado destino do brasileiro viria a promovê-lo à inesperada posição de líder da equipa. Hill fez o melhor que podia e graças à suspensão de Schumacher em duas corridas, chegou à última ronda a apenas 1 ponto do alemão.

No entanto, já sabemos o que aconteceu. Liderando a corrida, Schumacher sai de pista, colidindo com o muro. Vendo Hill aproximar-se, o alemão atira-se para cima do britânico, acabando com a corrida de ambos e vencendo o título.

A melhor descrição sobre o incidente que já ouvi foi dada, na brincadeira, por Jeremy Clarkson, ao descrever a mentalidade do alemão como: “Não te vou deixar vencer-me, porque sou simplesmente melhor que tu…”. E foi um pouco isso que aconteceu, Schumi simplesmente recusou-se a perder para Hill, por não o considerar um adversário verdadeiramente ao seu nível.

E mesmo após a conquista do seu título, raramente o inglês conseguiu qualquer reconhecimento dos seus adversários ou dos fãs de automobilismo, considerando-o como fruto de um carro dominador e um companheiro de equipa estreante (e mesmo assim Villeneuve ainda foi até à última corrida com hipóteses).

No entanto, sempre considerei Hill como um dos melhores pilotos da história, e sem dúvida como um dos mais subavaliados da história. Assim até ao fim do ano, irei publicar três das histórias sobre Hill que mais me convencem das suas capacidades.

Ah, e após o que aconteceu em Adelaide 94, Hill decidiu uns anos mais tarde dar um pouco de troco ao alemão, como se pode observar no vídeo. Em Suzuka 97, Hill não deixou Schumacher dobrá-lo, o que contribui para a aproximação de Frentzen, na disputa do 1º lugar.

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