4×4 = Revolução Automóvel

24 05 2012

Quando a Porsche anunciou a produção do Cayenne em 2002, o mundo automóvel preparava-se para um dos acontecimentos que mais influência teria para o futuro de muitas marcas.

O contexto de recepção com que o primeiro jipe da história da marca alemã foi recebido não foi exatamente favorável. Foram muitos os jornalistas e os fãs que acreditaram que se tratava de uma ação com potencial para destruir por completo a reputação de uma marca tão prestigiosa como a Porsche.

Embora tivesse um estilo algo discutível, o Cayenne vendeu muito bem, com os jornalistas a dizerem maravilhas da condução e dos motores potentes, que davam ao SUV um caráter desportivo. Se bem que a maior parte das pessoas não se interessou tanto neste aspeto, mas mais pelo ideia de puder exibir um Porsche em que olhavam os restantes condutores de cima…

A marca alemã aproveitou mesmo este sucesso para puder financiar alguns dos seus mais recentes devaneios, como o último Porsche “997”, o GT3 RS 4.0, que era um dos mais radicais construídos nos últimos anos (ok, a forma é exatamente a mesma há mais de 30 anos, mas deu para perceber onde eu queria chegar).

E foi por esta razão que os fãs que defendem que a Porsche devia tratar apenas dos desportivos os desculparam: os lucros que o Cayenne deu à marca, permitiram o aperfeiçoamento para o restante line-up.

Ora, visto que estamos em plena crise económica, todas as marcas automóveis começaram em tempos mais recentes a perceber a inteligência de uma manobra deste género para as finanças. E os concepts têm vindo a multiplicar-se ao longo dos últimos meses.

Para além das marcas mais óbvias (como a BMW ou a Audi), as marcas de luxo ou as mais desportivas (que nalguns casos, coincidem) interessaram-se muitíssimo por esta opção, em especial para não ficarem dependentes de apenas um tipo de veículo.

E assim tem sido. Começando pela Maserati (talvez a marca mais distante do SUV que se possa imaginar), que lançou o Kubang. Embora tenham sido bem sucedidos no estilo, ao contrário dos três alemães anteriormente referidos, o nome era algo estranho (como Jeremy Clarkson ironizou brilhantemente, “sendo um Maserati é provavelmente o som que vai fazer quando avariar”…).

Depois veio outra obra de arte, mas que ao menos desta vez de uma marca que já tinha algum historial em jipes, o monstruoso LM002. No entanto, este novo Lamborghini chamado Urus pouco tem a ver com o seu antecessor, seguindo o exemplo da Maserati.

Por último, foi a Bentley que decidiu entrar neste ramo, mostrando o EXP 9. Que possui um nome tão bonito quanto o seu estilo. Horroroso, por outras palavras. Mas o que me chamou verdadeiramente atenção, foi a recente notícia que circulou sobre ele. Aparentemente, a Bentley pretende inscrever um dos modelos no próximo Dakar…

O raciocínio não é tão estranho quanto as palavras Bentley e Dakar na mesma frase levam a crer. Não é uma das mais habituais queixas sobre estes novos SUV o facto de não terem qualquer utilidade nas tarefas tradicionais de um jipe? Pois nós vamos enviar o nosso para a mais dura prova de rali do mundo.

Ironicamente não sei qual das opções se afasta mais da tradição da Bentley: o facto de a Bentley enviar um jipe “a sério” capaz de competir em ralis, ou fazerem um jipe de luxo…





O “regresso” da Williams

14 05 2012

Ainda me lembro do GP do Brasil de 2004. Foi a primeira corrida de Fórmula 1 que vi desde o início até ao fim. Foi bastante memorável, por acaso. Depois de um domínio gigantesco (com 13 vitórias), Michael Schumacher teve um fim-de-semana bastante fraquinho; Rubens Barrichello fez o seu melhor GP caseiro de sempre, terminando no pódio.

E o vencedor? Um colombiano que se vinha a assumir como um potencial campeão, e que se iria mudar para a McLaren em 2005 para formar uma dupla temível com Kimi Raikkonen. Era também a única vitória para a Williams nesse ano depois de uma temporada bastante fraca. Em 2005 melhores tempos viriam…

Mas não vieram. 2005 foi o início da Williams como equipa do pelotão do meio, que foi dolorosamente cimentada nessa posição com um 2006 péssimo. A troca dos Cosworth pelos mais potentes Toyota ajudou a equipa a subir um pouco, para lugares nos pontos habituais, com dois ou três pódios ocasionais. 2010 ainda foi decente, mas 2011 foi a pior temporada de sempre da equipa britânica.

2012, por acaso não prometia muito mais. A manutenção de Pastor Maldonado e a contratação de Bruno Senna pareciam indicar que a equipa se afundava cada vez mais, procurando desesperadamente fontes de dinheiro. A contratação de Coughlan, envolvido no escândalo Stepneygate em 2007 também não ajudaram a dar credibilidade ao projeto.

Mas ontem, contra todas as expetativas (as minhas inclusive), a Williams provou a todos que o FW34 é um ótimo carro, e que o pouco cotado Maldonado tem talento suficiente para aguentar a pressão do bi-campeão mundial Fernando Alonso durante várias voltas para garantir o primeiro triunfo da equipa em oito anos, ocasião daquele GP do Brasil de 2004.

O venezuelano esteve brilhante, não hajam dúvidas, fazendo a pole position, e fazendo um ritmo de corrida excelente, sem nunca largar Alonso no início da corrida, o que lhe valeu o merecido triunfo.

Embora tenha sido contra as minhas expetativas, não foi certamente contra a minha vontade. Torci imenso por Maldonado ao longo da corrida, e espero (tal como todos os fãs de F1, certamente) que este “regresso” da Williams seja definitivo e não só pontual. Tomara!

PS: E destaque ainda para a solidariedade entre as equipas na ocasião do fogo na garagem da Williams após a corrida. Felizmente ninguém se parece ter ferido com gravidade.





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1 05 2012

É incrivelmente pouco original falar sobre isto hoje? É…

Mas continua a ser necessário.