Mania das grandezas

28 03 2012

Após o final da temporada de 2011, quando perguntaram a Fernando Alonso quem ele considerava o seu principal adversário para nova temporada, o espanhol disse que iria observar atentamente os tempos que Lewis Hamilton faria, porque já tinha visto o inglês a vencer sem ter o melhor carro.

A razão para ele ter excluído o bi-campeão Vettel devia-se, como Alonso disse, ao facto de ainda não ter visto o alemão a andar mais que o carro. E, aparentemente, nesta temporada Sebastian não tem um carro tão dominador quanto os dos últimos anos. E decididamente não tem impressionado…

O melhor exemplo disto foi a entrevista de Vettel após o GP da Malásia. Estando em quarto lugar, e prestes a dar uma volta de avanço a Narain Karthikeyan, o alemão curvou cedo demais a dobrá-lo, furando um dos seus pneus (um pouco como o que aconteceu no GP da Turquia de 2010). Na entrevista que se seguiu à BBC, no entanto, chamou ao indiano idiota, e Christian Horner foi por um discurso semelhante, defendendo que Karthikeyan tinha um carro muito mais lento e por isso era ele quem tinha que ter cuidado.

Não deixa de ser curiosa esta atitude dos dois. O RB8 não parece ter o nível de domínio que os seus mais recentes antecessores, e pelos vistos a Red Bull não tem conseguido lidar bem com isso. Para uma equipa que se habituou muito rapidamente a vitórias e poles constantemente ao longo das temporadas mais recentes e que conta com o génio da aerodinâmica que é Adrian Newey, ver os adversários a conseguirem andar a um ritmo mais forte, para além de desagradável, é completamente inesperado.

E para um piloto que venceu os dois últimos campeonatos do mundo, ver-se batido por Mark Webber, ao qual se tinha superiorizado com muita facilidade em 2011, é sempre motivo para frustração. Aliás, se nos lembrarmos bem, a última vez que o alemão se viu com concorrência a sério foi em 2010, ano em que fez alguns dos maiores erros da sua carreira (chegando a ser apelidado de “Crash Kid” por Martin Whitmarsh, após o acidente com Button). E, pelos vistos, não está a gostar nada da pressão…

A reacção de Horner, no entanto, chega a ser hipócrita. À apenas 4 anos, a sua equipa festejava a simples conquista de pontos, e levava constantemente voltas de avanço. Por isso, ficar a dizer mal sobre os retardatários assim já seria mau, mas dizer mal quando a culpa até foi bastante do seu piloto roça a estupidez.

Já tinha expresso anteriormente a minha opinião sobre a Red Bull, e acho que a cada dia que passa os austríacos estão cada vez mais com a mania das grandezas, agindo como se, tal como a McLaren ou Ferrari, tivessem uma grande lista de sucessos em que baseá-la, quando na verdade nem 10 anos têm. E a juntar a isto, é bom lembrar porque a Red Bull tinha popularidade no seu início: pelo pensamento descontraído e atitude de diversão…

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Deves ser novo aqui…

20 03 2012

Decididamente a HRT está cada vez mais patética. Pelo terceiro ano consecutivo a equipa só testou o carro pela primeira vez já nos treinos livres da primeira corrida do ano… E desta vez conta com o experiente Pedro de la Rosa aos comandos, que mesmo assim não conseguiu evitar a não-qualificação da equipa para a prova australiana. Para quem está habituado ao ambiente da McLaren, deve ser uma diferença bastante grande!

 





Rever a opinião

20 03 2012

E começou finalmente a temporada. Confesso que odeio profundamente a pré-temporada, ver carros a testar sem se fazer a mínima ideia de onde estão em relação aos outros. Mas gosto bastante de ver a primeira corrida do ano. Folha em branco. Os primeiros indícios de como a temporada se irá traçar. E pelo que se viu de 2012 dá para perceber que temos uma grande temporada a desenhar-se…

Pela primeira vez em anos mais recentes acho que não alteraria nem um pouco as diferenças de andamento das equipas. Quer dizer, tenho a minha equipa favorita (e piloto favorito) a vencer, o “Iceman” não perdeu nenhuma das suas capacidades, a Lotus tem um carro melhor que a Ferrari, a Ferrari anda com tantas capacidades quanto um Toro Rosso, e a Williams parece ter voltado a níveis de 2010.

Aliás, no meio de tudo, acho que foi essa a melhor novidade de 2012. A Williams, mesmo longe de pensar em pódios, mostrou que está a sair da queda livre em que se encontrava. Por pior que esteja a Ferrari, continua a ser a Ferrari, por isso passar uma corrida inteira a pressionar Fernando Alonso é um grande feito para uma equipa que só bateu as “estreantes” no ano passado.

O problema é que numa equipa pequena e desesperada por resultados, quando alguma oportunidade é desperdiçada rapidamente se cai em desespero. Pastor Maldonado seguia atrás de Alonso quando na última volta perdeu o controlo do carro e perdeu a hipótese de conquistar mais pontos em Melbourne que na temporada de 2011 inteira.

Eu não sou nada fã do venezuelano. O título de GP2 pode até ser impressionante, mas ao fim de 4 temporadas na categoria alguma coisa tinha que ter aprendido. Mas, também tenho a perfeita noção de que é um piloto com talento. Não é qualquer idiota que consegue andar ao mesmo ritmo de um bi-campeão mundial… E para aqueles que criticam o facto de ter arriscado demais quando tinha 8 ponto garantidos, eu lembro que estão proibidos de voltarem a reclamar de que os pilotos atuais não têm garra.

É aqui que Alex Wurz vai entrar em ação, como consultor dos pilotos da Williams. Dando-lhes confiança para atacarem, mas relembrando-os a pensar bem antes de o fazerem. Porque rebaixar um piloto que erra, apenas o vai tornar num cauteloso que se arrasta pelo pelotão… Revejam a vossa opinião.

E a propósito disso, há outra revisão de opinião (desta vez minha) para fazer. Como já disse anteriormente tenho um ódio de estimação ao Fernando Alonso. Mas, como pedir revisões de opinião e ser inflexível na minha é (no mínimo) patético, vou admitir que o espanhol me convence cada vez mais que é imbatível se ficar com o melhor carro. Não vou torcer para que isso aconteça, mas a ficar em 5º com um Ferrari que mal consegue entrar nos pontos é simplesmente brilhante.

E pronto, aproveitem, porque tão cedo não voltarei a dizer palavras simpáticas sobre o Alonso: tenho medo que me faça mal…





O fim do europocêntrismo

1 03 2012

Nós os Europeus temos uma característica muito engraçada. Temos o grande hábito de sermos muitíssimo orgulhosos no que toca ao papel que este pequeno continente teve no desenrolar da história, ao mesmo tempo que, no entanto, nos julgamos superiores uns aos outros entre nós.

O melhor exemplo desta situação é a União Europeia. A ideia de formarmos uma união capaz de vincar a nossa posição contra as duas principais super-potências, embora faça um grande sentido no papel, não resultam. Pergunte a qualquer americano de onde vem, e ele dirá sempre EUA, independentemente do Estado. Pergunte a um Europeu de onde vem, e ele jamais dirá que é europeu… Porque antes de se considerar europeu, ele dirá orgulhosamente ser britânico, francês ou alemão. Vejam o que acontece à Grécia. “Problema vosso, não temos nada a ver com isso”!

Os europeus já não têm tanto peso no Mundo quanto tiveram. Mas existem algumas áreas em que ainda conseguimos manter a nossa importância. No desporto, por exemplo. Mas nem isso nos tem valido em tempos mais recentes. O mundial da FIFA vai para o Qatar que é tão apropriado para a competição quanto o parque da minha rua, e a F1 está continuamente a afastar-se do continente europeu, em busca do mercado americano, e das novas economias emergentes asiáticas.

Confesso que me incluo no grupo de pessoas que pensa assim. Os carros europeus são em 99% das ocasiões melhores que os americanos, e a NASCAR, por muito que seja exigente e desafiadora do ponto de vista de um piloto, é-me completamente desinteressante de assistir. Mas é preciso admitir quando os yanks acertam com as coisas.

É aqui que entra a IndyCar. Para os americanos (continente e não o país), este desporto tem bastante seguimento, mas para nós os europeus tem um tratamento bastante diferente. É aquela categoria, que os pobres americanos, como não conseguem no mundo a sério da F1, praticam e andam aos círculos… Já tive esta opinião, mas em retrospectiva admito estar redondamente enganado.

Enquanto a Fórmula 1 fica cada vez mais um clube privado de piranhas, é bastante curioso ver como a IndyCar se tem desenvolvido. Os pilotos são um bando de indivíduos que se dão bem no geral, e com uma abertura da parte do desporto que simplesmente não se vê na categoria de Ecclestone. E para mais este ano até já tenho por quem torcer com a entrada de Rubens Barrichello, recentemente confirmado pela KV Racing.

Por muito que os europeus gostem de se afirmar como os verdadeiros mentores do mundo, é preciso admitir que até no desporto temos muito que aprender com a categoria rainha dos monolugares nos States.