Se é para perder para alguém…

28 01 2012

Por muitas voltas que a Fórmula 1 dê, alguns aspectos tenho eu sempre a certeza que jamais se alterarão. O GP do Mónaco vai-se realizar sempre. O Bernie Ecclestone continuará a ser o velho ganancioso que dirige tudo (sim, que tenho a impressão que só para nos irritar a todos ficará entre nós durante mais alguns… séculos), e Ferrari, McLaren e Williams dificilmente abandonarão.

A Ferrari baseia-se na sua tradição para permanecer. Por outras palavras,significa que sempre que sua alteza Montezemolo se chateia com as regras ameaça a abandonar… A McLaren, por mais difíceis que sejam os tempos, sempre se manteve e mantendo vivo o espírito de Bruce. Não se nota nada que é a minha equipa favorita, nem nada… E por último a Williams.

Este é um caso especial do automobilismo. Criada em 1978 por Sir Frank Williams, a equipa conseguiu ser bem sucedida rapidamente, vencendo com Alan Jones o título de 1980. Aliás, o grande sucesso que a Williams teve ao longo da sua história pode ser facilmente explicado pelas excelentes decisões estratégicas em relação às suas parcerias. Aqui pode-se contar o apoio da Fly Saudia, ou as ligações a Honda e Renault.

O último título, 1997.

Actualmente, no entanto, a equipa atravessa a sua mais grave crise de sempre, que infelizmente ainda não tem o seu fim muito visível. Pode-se dizer que começou em 2005, ou mesmo em 2000, com a ligação à BMW. A ideia por detrás do fornecimento de motores dos alemães era o de se imiscuírem lentamente nos negócios da equipa. É que na década passada (acabei de me aperceber que já passaram 10 anos, bolas…) muitos construtores automóveis acreditaram no sucesso rápido na F1. Uma ilusão, claro! A BMW não se lembrou que estava a lidar com Sir Frank, um homem que apenas aceitaria vender o seu legado a uma montadora sobre o seu cadáver (e mesmo assim, não sei não). A BMW, irritada com as negas da Williams virou-se para a Sauber e criou a sua própria equipa, cortando relações com os ingleses.

Aqui pode-se efectuar uma pequena comparação com os “vizinhos” da McLaren. Quando a Mercedes se fartou dos ingleses e comprou a Brawn, Martin Whitmarsh e companhia perceberam as grandes desvantagens de perder o fornecimento da Mercedes (uma das melhores do grid) e mantiveram um mínimo de relações com os alemães. A Williams, no entanto, não fez isso. Sir Frank sempre foi muito orgulhoso e virou-se para a Cosworth. Não por acaso, 2006 foi um péssimo ano.

A ligação dos anos seguintes com a Toyota foi bastante mediana. Em primeiro lugar o motor japonês era pouco potente, e em segundo lugar a Toyota estava mais virada para a sua equipa oficial, e usava a Williams apenas para dar rodagem a Kazuki Nakajima. A segunda ligação com a Cosworth… bem, passemos à frente!

O início do fim?

Para 2012, até que a situação parece bastante boa. A Renault não parece muito tentada em continuar a ser a principal parceira da  sua antiga estrutura de Enstone, desconfiando do destino da Lotus de Bahar. Ora, visto que a Red Bull está a ajudar a Renault a divulgar a Infiniti, e a Caterham é apenas um “bebé”, assinaram para este ano um acordo com a Williams, que promete ser bastante mais do que fornecimento de motores. Excelentes notícias, portanto.

No entanto, 6 anos de maus resultados (ou pelo menos não condizentes com a sua história) têm intensificado os efeitos económicos dos anos mais recentes. A perda RBS em 2011, e a da AT&T este ano fizeram grande mossa a uma equipa que, mesmo com os 35 milhões de euros da Venezuela pelo lugar de Pastor Maldonado, continua seriamente debilitada. O companheiro de equipa do venezuelano mostrou bem isto.

Não me venham dizer que Bruno Senna demonstrou grande potencial, porque ainda não vimos nenhuma corrida brilhante dele. Em 2012 vai ter a sua última oportunidade. Os números que levam para a equipa são um bónus bom, a juntar a um bom talento (admito que sim, só não lhe vejo o que muitos vêem do tio nele). Mas fica a triste realidade que a Williams anda a colocar à venda tudo o que pode para sobreviver. E mesmo sendo fã da McLaren, fico triste pela decadência da Williams. Como disse o “nosso” Ron Dennis: “Se é para perder para alguém, que seja para os nossos amigos da Williams”… Recupera depressa!

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Mais despercebido

2 01 2012

Todos se lembram do discurso de Sebastian Vettel na altura em que foi receber o seu prémio da Autosport, aquele em que fez a imitação hilariante de Kimi Raikkonen, entre outras coisas. E tal como no campeonato de F1, Seb acabou por eclipsar os restantes. Mas alguns também fizeram discursos engraçados, como o do vice-campeão Button, que aproveitou para dar umas bicadas à Sky, e disse que Vettel se dedicou muito, mas não trouxe gravata (“…mas tenho uma extra, se quiseres vir ter comigo…”). Assistam!