Touros exigentes

15 12 2011

À algum tempo atrás escrevi um post em que tinha mostrado o meu desprazer para com a Red Bull. O principal problema, para mim, dos austríacos é o facto de não terem qualquer ligação ao mundo automóvel, ou seja, caso os resultados desapareçam não será muito provável que Dietrich Mateschitz continue a financiar a equipa. Simplesmente não existirão quaisquer impedimentos de tradição ou de necessidades de justificar o envolvimento.

O que dizer então da segunda equipa, a Toro Rosso?

2006, o primeiro ano da Toro Rosso.

Quando a Minardi foi comprada em 2005 pela Red Bull, foi decidido que a equipa se tornaria a equipa B deles, o que significaria que os pilotos da equipa eram os principais candidatos a vagas que pudessem abrir na equipa principal. Os escolhidos para os dois primeiros anos foram Liuzzi e Speed.

O primeiro não tinha tido a oportunidade prometida em 2005 (quando era suposto ir trocando com Klien), e por isso a primeira vaga foi sua. Tonio acabou por não corresponder às expectativas e no fim de 2007 não lhe renovaram o contrato. Sempre foi uma melhor experiência que a de Speed, que a meio do segundo ano foi despedido por não ser particularmente rápido, e muito….. americano.

Depois disso, mais 4 passaram pelo lugar de titular. O melhor de todos foi claramente Vettel. O mais novo bi-campeão mundial foi talvez o único caso de um piloto verdadeiramente excepcional na equipa. O alemão foi até agora o único promovido. Bem se queixou Alguersuari este ano que a renovação de Webber era mais um atraso na “ascensão” na F1.

É que a fé no programa de jovens da Red Bull tem que ser mesmo total. O que eu estou a tentar dizer é que não pode haver qualquer contacto entre os seus pilotos e outras equipas. Na maior parte das ocasiões fica complicado aos jovens “touros” de conseguirem safar-se caso fiquem sem o seu lugar.

Vettel, o único exemplo de sucesso.

Daí que se possa concluir que o que os italianos fizeram ontem a Buemi e Alguersuari foi simplesmente uma vergonha. Se não iam aproveitar nenhum deles, apenas estiveram a mostrar-lhes um osso ao longo do ano (permanência) para depois o darem a outros dois. E a juntar a isto ainda esperaram pela altura em que quase todos as vagas no mercado estão fechadas, e as poucas que sobram são concorridas por pilotos com apoios grandes.

Bem se pode compreender, por exemplo, como Felipe Nasr recusou a oferta de integrar a academia de jovens da equipa. É que embora dêem a hipótese de ingressar na F1, quando lá chegam são autênticos reféns de Helmut Marko, que apenas vê à sua frente os campeões e o resto (esteve mesmo para despedir Vettel, quando ele “só” chegou em 5º na sua primeira temporada de F3…). Para além do tratamento de lixo quando já não os querem (como o despedimento de Bourdais por SMS).

Os escolhidos para substituir os dois titulares de 2011 foram Daniel Ricciardo, que já estava em preparação na HRT; e Jean-Éric Vergne. Estou a torcer pelo australiano, que está sempre a sorrir, e ainda porque o Vergne já se tinha começado a armar em bom à uns meses, a dizer que era tão bom quanto Webber…

Ricciardo e Vergne, os novos recrutas.


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2 responses

15 12 2011
marcos

é, a Red Bull quer que a toro produza outro Vettel. vai ser difícil hein, vai rodar muita gente ainda até que surja outro com o mesmo talento…

15 12 2011
Julio Cezar Kronbauer

Essa história da demissão de Bourdais por SMS é mais uma prova de que a Red Bull é tão corporativista como qualquer outra empresa.

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