Auto-destruição

3 12 2011

Aquilo que me atravessou a mente durante a época de 2009 foi como correria o ano seguinte caso a ameaça de um campeonato paralelo da FOTA se concretizasse. Para quem não se lembra a FOTA tinha sido criada no ano anterior, e rapidamente foi testada a sua união quando o presidente da FIA Max Mosley decidiu enlouquecer de vez com o ridículo tecto orçamental, que era excessivamente baixo para a maioria das equipas.

Quando pelos idos do GP da Hungria de 2008 foi anunciada a sua criação, a ideia principal era a de poder mais efectivamente lutar pelos interesses das equipas face às pressões da FIA ou da FOM. Contudo na altura de 2009 a FOTA viu-se com uma função algo diferente daquela para que havia sido concebida, a da criação e gestão da sua própria categoria. É certo que era triste a ausência da Williams, que se viu obrigada a seguir a FIA devido ao seu fornecimento à Fórmula 2…

No entanto era só olhar para as características do campeonato que estava a ser preparado para 2010, e tudo isto já não parecia importar tanto. As equipas que permaneciam era a maioria, juntamente com as candidatas a estreantes mais interessantes, que mandaram a FIA pastar; um acordo televisivo com a Sky; um dos melhores calendários dos últimos anos, ainda que sem Spa e Interlagos, contava com Portimão e Adelaide; mas mais importante que tudo isso, sem o Tio Bernie nem o “Mad Max”!

Cartoon do Mantovani de 2009.

Só que a FIA e a FOTA lá se entenderam, com a demissão de Mosley e o fim do tecto orçamental a levarem a que a Fórmula 1 se pudesse manter como sempre a conhecemos. Honestamente não fiquei lá muito contente, porque sempre seria uma oportunidade de transformarmos a Fórmula 1 em algo mais apreciado pelos fãs…

E isso traz-nos de volta a 2011. A notícia de que a Ferrari e Red Bull abandonaram a associação das equipas vem no fundo sem grande surpresa. Depois das discussões que ocorreram por conta do RRA, já era previsível que alguém saísse chateado ou a sentir-se prejudicado. E estas duas equipas não espantam. A Red Bull não tem qualquer interesse no mercado automóvel, e se as performances piorarem não duvido que Mateschitz deixe de achar a brincadeira engraçada; e a Ferrari pelo peso que tem, consegue sempre um acordo com a FIA. E assim se vê a FOTA em modo de auto-destruição…

O pior de toda a situação é que assim vemos uma vitória para Bernie Ecclestone, que conseguirá causar mais cisões entre as equipas a seu bel-prazer, beneficiando estas equipas que saíram. E no fundo é deprimente ver que o sonho que foi o campeonato da FOTA com os pedidos dos fãs respondidos, seja um sonho cada vez mais distante.

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