Afastado até 2012

28 12 2011

Bom, antes de mais este post vai ser bastante curto. É apenas para dizer que tenho andado bastante longe do blog, à conta das minhas prendas de Natal me terem mantido ocupado. Mas é perfeitamente razoável porque, para qualquer fã de automobilismo, ter à disposição F1 2011 e Gran Turismo 5 ocupa bastante o tempo… Enfim, aproveito este tempo de não fazer nada o melhor possível, antes que chegue Janeiro quando vou voltar a deixar de ter o tempo para isso, portanto não devo publicar mais nada até ao ano novo.

Antes de me despedir, aproveito para desafiar quem por aí tenha um destes jogos, é só pesquisar o ID de “Voaridase”. E, informo o Marcos Antônio que já quebrei o jejum de vitórias da Williams… xD

Bom ano 2012 a todos.





Compra-se: Automobilismo

17 12 2011

Bem que se tentou o ano passado convencer o mundo de que o Bahrain era lugar porreiro de visitar. Depois de se ter esperado até à última para que o GP marcado para o início do campeonato fosse cancelado, durante algum tempo ainda estava prevista a ronda no Médio Oriente para o lugar do GP da Índia, com a pista de Jaypee a terminar a época. Na altura, enquanto via a entrevista a Jean Todt sobre o assunto só conseguia pensar “Vendido! Fantoche…”. Felizmente que a ideia acabou e tivemos um mundial sem Barhain.

E se existisse um pingo de vergonha na cara o assunto ficava por aqui. Mas estamos a falar do nosso mundo, em que uns quantos milhões de petrodólares fazem milagres. A prova do Bahrain continua prevista para o campeonato de F1 deste ano, e como se tal não bastasse ainda foram anunciadas provas de Endurance em Sakhir, bem como dois (atenção que são duas jornadas duplas) eventos de GP2…

Automobilismo: vendido.

Ainda nos tentam convencer, claro, de que o Bahrain é um local pacato. É a região em que o mundo fica todo melhor, a vida é bela, a democracia reina, e toda a população adora o xeque. E que são muito simpáticas, pois segundo Ecclestone ele ia-lhes devolver o dinheiro da corrida de 2011, mas eles recusaram. Estão a ver, o governo do país é constituído por tipos porreiros… Pelo amor de Deus, acordem! Esse exemplo que Bernie deu era suposto fazer o quê? Uau, devolveram dinheiro (uma coisa que é tão abundante como areia para esses lados), e depois!? Todos os dias matam os seus próprios cidadãos, e é suposto irmos confraternizar!

É que a ideia da FIA é que devemos visitar o país, de modo a poder demonstrar ao mundo que o Bahrain já se recuperou da situação de quase revolução em que estava… Que se aproveite a corrida para mentir, por outras palavras.

Já transparece de uma maneira extremamente óbvia que os barhenitas querem utilizar o automobilismo de modo a poder demonstrar que tudo está bem. E têm os meios para o fazer. Tudo o que necessitam é de publicidade, e vamos ser nós escritos de blogs, e jornalistas ao redor do mundo a fazê-lo ao comentar sobre estas corridas. Pois bem eu sugiro que não se faça isso.

Quando ocorreram as provas no Barhain, não irei falar nem uma palavra sobre elas. Torço para que nem se realizem, mas quase ocorram não me pronunciarei sobre elas, de modo a que este governo que mata e tortura a sua população não conta com o meu apoio. Muito provavelmente não fará qualquer diferença, mas recuso-me a ajudá-los. Há limites para o que se pode fazer com o dinheiro…





Touros exigentes

15 12 2011

À algum tempo atrás escrevi um post em que tinha mostrado o meu desprazer para com a Red Bull. O principal problema, para mim, dos austríacos é o facto de não terem qualquer ligação ao mundo automóvel, ou seja, caso os resultados desapareçam não será muito provável que Dietrich Mateschitz continue a financiar a equipa. Simplesmente não existirão quaisquer impedimentos de tradição ou de necessidades de justificar o envolvimento.

O que dizer então da segunda equipa, a Toro Rosso?

2006, o primeiro ano da Toro Rosso.

Quando a Minardi foi comprada em 2005 pela Red Bull, foi decidido que a equipa se tornaria a equipa B deles, o que significaria que os pilotos da equipa eram os principais candidatos a vagas que pudessem abrir na equipa principal. Os escolhidos para os dois primeiros anos foram Liuzzi e Speed.

O primeiro não tinha tido a oportunidade prometida em 2005 (quando era suposto ir trocando com Klien), e por isso a primeira vaga foi sua. Tonio acabou por não corresponder às expectativas e no fim de 2007 não lhe renovaram o contrato. Sempre foi uma melhor experiência que a de Speed, que a meio do segundo ano foi despedido por não ser particularmente rápido, e muito….. americano.

Depois disso, mais 4 passaram pelo lugar de titular. O melhor de todos foi claramente Vettel. O mais novo bi-campeão mundial foi talvez o único caso de um piloto verdadeiramente excepcional na equipa. O alemão foi até agora o único promovido. Bem se queixou Alguersuari este ano que a renovação de Webber era mais um atraso na “ascensão” na F1.

É que a fé no programa de jovens da Red Bull tem que ser mesmo total. O que eu estou a tentar dizer é que não pode haver qualquer contacto entre os seus pilotos e outras equipas. Na maior parte das ocasiões fica complicado aos jovens “touros” de conseguirem safar-se caso fiquem sem o seu lugar.

Vettel, o único exemplo de sucesso.

Daí que se possa concluir que o que os italianos fizeram ontem a Buemi e Alguersuari foi simplesmente uma vergonha. Se não iam aproveitar nenhum deles, apenas estiveram a mostrar-lhes um osso ao longo do ano (permanência) para depois o darem a outros dois. E a juntar a isto ainda esperaram pela altura em que quase todos as vagas no mercado estão fechadas, e as poucas que sobram são concorridas por pilotos com apoios grandes.

Bem se pode compreender, por exemplo, como Felipe Nasr recusou a oferta de integrar a academia de jovens da equipa. É que embora dêem a hipótese de ingressar na F1, quando lá chegam são autênticos reféns de Helmut Marko, que apenas vê à sua frente os campeões e o resto (esteve mesmo para despedir Vettel, quando ele “só” chegou em 5º na sua primeira temporada de F3…). Para além do tratamento de lixo quando já não os querem (como o despedimento de Bourdais por SMS).

Os escolhidos para substituir os dois titulares de 2011 foram Daniel Ricciardo, que já estava em preparação na HRT; e Jean-Éric Vergne. Estou a torcer pelo australiano, que está sempre a sorrir, e ainda porque o Vergne já se tinha começado a armar em bom à uns meses, a dizer que era tão bom quanto Webber…

Ricciardo e Vergne, os novos recrutas.





Post 100 – 1 ano

14 12 2011

Este post era para ter sido elaborado ontem, mas confesso que simplesmente não tive tempo de o fazer. Portanto, façamos de conta que isto está a ser publicado no dia 13…

É verdade já passou um ano (e por coincidência 100 posts) desde que comecei a publicar aqui neste pequeno recanto, e após este tempo acho que posso-me dar por satisfeito com o que obtive. Além de ter uma média de 20 pessoas por dia a darem-se ao trabalho de ler as minhas opiniões sobre o automobilismo, tenho também a sorte de que entre estes estejam alguns dos melhores escritores de blogs que andam por aí.

Não me peçam para referir os nomes de todos, sob pena de deixar alguém de fora, mas decididamente tenho que agradecer aos que me colocaram nas suas listas, e um agradecimento especial ao Paulo do Continental Circus, que chego a publicar posts no blog dele sobre este pequeno espaço. Muito obrigado.

E, espero estar aqui para o ano, ainda a mandar as minhas ideias sobre este desporto que todos adoramos…





De cara nova

10 12 2011

Quando Dany Bahar anunciou a parceria entre a Renault e Lotus na F1, de certo pensou que os conflitos com o Team Lotus de Tony Fernandes acabariam rapidamente, contudo a questão não foi assim tão simples. Os comentadores continuaram a chamar aos carros Renault e aos outros Lotus, enquanto a simpatia das pessoas pela situação de Fernandes aumentava. Foi mesmo necessário adquirir por completo a estrutura de Enstone, e chegar a acordo, com a actual Caterham.

A equipa no início do ano.

Outro dos problemas de Bahar foi a imprevista e extremamente penosa ausência de Robert Kubica, depois do seu acidente numa prova de Rally em Fevereiro. Contrataram Nick Heidfeld para o seu lugar, mas a meio do ano mudaram de ideias, e aproveitaram o dinheiro e publicidade que traria Senna para a equipa (ainda que Nick estivesse à frente do companheiro). Depois disso nunca mais conseguiram qualquer resultado de relevo, e estiveram mesmo em risco de ser ultrapassados pela Force India para o 5º lugar do campeonato.

Se a tudo isto se juntar ainda as numerosas saídas de técnicos de valor, pode-se considerar que foi um ano bem penoso. Aliás a ausência de resultados poderá ser explicada pela ausência de alterações ao carro, com Eric Boullier a afirmar que o desenvolvimento do carro foi parado. Só espero que tenha ocorrido isso, para desenvolver 2012 porque senão espera-os mais um ano complicado… E as mais recentes contratações merecem mais.

Honestamente não acreditei que, no caso de factores económicos não serem o principal factor, Bruno Senna e Vitaly Petrov fossem mantidos. O russo até impressionou no início do ano, e conseguiu aguentar bem a pressão de Heidfeld e Senna, mas estes não eram exactamente adversários de peso; e o brasileiro deixou muito a desejar, apenas mostrando as garras nas qualificações de Spa e Interlagos.

A juntar a isto a equipa necessitava de um piloto de ponta para que o carro se desenvolvesse como deve ser, e seria portanto apenas uma vaga para preencher.

Que volte este Kimi, e não aquele a que a Ferrari pagou para sair...

Como piloto de ponta, a equipa teria que optar por esperar por Robert Kubica ou então procurar alguém. Estava claro para todos: Kubica tinha uma relação cada vez mais deteriorizada com a equipa, com a possível gota de água a ser aquele episódio de à algumas semanas, quando Boullier e o manager do piloto trocaram comentários de que o polaco teria ou não dito que estaria pronto a tempo. Assim, cada vez mais se espera que Kubica não volte a sentar-se num carro da equipa, circulando rumores de que poderá estar a caminho do lugar ao lado de Alonso na Ferrari. Torço para que aconteça a ver se consegue tirar o espanhol do seu pedestal…

Assim a vaga de primeiro piloto foi para Kimi Raikkonen. O finalandês estava em negociações com a Renault depois das que tinha com a Williams terem falhado, e chegaram a um acordo rapidamente. Ao contrário de algumas pessoas acredito nele. Falam muito do que aconteceu com Schumacher, mas Kimi apenas esteve dois anos sem F1, e ao contrário do alemão é relativamente novo (1 ano mais velho que Button), e esteve a competir, e WRC embora necessite de menos força, é um excelente modo de manter os reflexos em forma. A ver vamos, mas acredito no Iceman.

Ao seu lado, como eu torcia, veio Romain Grosjean. Sei que os leitores brasileiros não vão gostar, mas teria sido muito injusto não o ver em acção. Venceu o campeonato da GP2 de uma maneira muito confortável, e recuperou a confiança perdida dos GP’s de 2009. Podem argumentar que tinha mais experiência que a concorrência, mas se isso fosse a única razão, Luca Filippi já teria vencido à muitos anos…

E é esta Lotus que nos espera para 2012. Com a confusão do nome resolvida, Boullier já afirmou que o objectivo é o título daqui a 2 ou 3 anos. Ambição não falta, vejamos o que conseguem.

Foto tirada à apenas 10 meses. As voltas que isto já deu...





We will ROC you

5 12 2011

Após os finais de temporada, um dos melhores espectáculos de automobilismo que se pode ver após o final da grande maioria das competições é o ROC. A competição criada por Michèle Mouton em 1988 tem-se vindo a expandir rapidamente, atraindo as atenções do mundo. A ideia é simples: colocar pilotos de diferentes categorias nos mesmos carros em pistas de um estádio de futebol adaptado.

Depois da vitória completamente inesperada de Filipe Alburquerque na edição de 2010 (que o ajudou bastante a ingressar na Audi Rosberg no DTM), chegava a altura de ver quem lhe sucedia ou se revalidava o título. Não o conseguiu, mas vamos por partes. Primeiro, a grande transmissão do ROC, que foi fornecida grátis online no próprio site, e com excelente qualidade. A Fórmula 1 bem que podia aprender qualquer coisa com isto, a ver se as audiências não disparavam logo…

Os vencedores das Nações.

No primeiro dia foi a Taça das Nações, em que cada dupla de um país (ou mais ou menos, como por exemplo o Team Nordic de Hanninen e Kristensen) defrontava as restantes. Aqui a verdadeira emoção veio na meia-final entre a Alemanha e o Reino Unido. Vettel esmagou Prilaux, mas Button superiorizou-se a Schumacher. Decisão final entre o campeão e o vice-campeão de F1. Prometia, e a meio da disputa estavam bem próximas, mas uma perda de controlo de Button privou-nos do que seria uma grande disputa.

A Alemanha acabaria por se superiorizar ao Team Nordic, e deram uma grande alegria aos presentes em Dusseldorf, com a quinta vitória.

No domingo na disputa individual, assistiu-se a algumas surpresas. A primeira foi a eliminação de Vettel por Schumacher (para mim, pelo menos), a segunda foi a electrizante disputa entre Kristensen e Schumi, que apenas se decidiu por centésimos para o dinamarquês da Audi. A última foi o excelente ritmo de Sébastien Ogier, que conseguiu vencer e tornar-se o Campeão dos Campeões de 2011, batendo o campeão do DTM (Tomczyk) num carro de GT!

Foi no fundo um excelente ROC que deixou uma grande expectativa quanto ao desempenho de alguns pilotos, entre eles claro o novo recruta da Volkswagen para os Ralis.





Auto-destruição

3 12 2011

Aquilo que me atravessou a mente durante a época de 2009 foi como correria o ano seguinte caso a ameaça de um campeonato paralelo da FOTA se concretizasse. Para quem não se lembra a FOTA tinha sido criada no ano anterior, e rapidamente foi testada a sua união quando o presidente da FIA Max Mosley decidiu enlouquecer de vez com o ridículo tecto orçamental, que era excessivamente baixo para a maioria das equipas.

Quando pelos idos do GP da Hungria de 2008 foi anunciada a sua criação, a ideia principal era a de poder mais efectivamente lutar pelos interesses das equipas face às pressões da FIA ou da FOM. Contudo na altura de 2009 a FOTA viu-se com uma função algo diferente daquela para que havia sido concebida, a da criação e gestão da sua própria categoria. É certo que era triste a ausência da Williams, que se viu obrigada a seguir a FIA devido ao seu fornecimento à Fórmula 2…

No entanto era só olhar para as características do campeonato que estava a ser preparado para 2010, e tudo isto já não parecia importar tanto. As equipas que permaneciam era a maioria, juntamente com as candidatas a estreantes mais interessantes, que mandaram a FIA pastar; um acordo televisivo com a Sky; um dos melhores calendários dos últimos anos, ainda que sem Spa e Interlagos, contava com Portimão e Adelaide; mas mais importante que tudo isso, sem o Tio Bernie nem o “Mad Max”!

Cartoon do Mantovani de 2009.

Só que a FIA e a FOTA lá se entenderam, com a demissão de Mosley e o fim do tecto orçamental a levarem a que a Fórmula 1 se pudesse manter como sempre a conhecemos. Honestamente não fiquei lá muito contente, porque sempre seria uma oportunidade de transformarmos a Fórmula 1 em algo mais apreciado pelos fãs…

E isso traz-nos de volta a 2011. A notícia de que a Ferrari e Red Bull abandonaram a associação das equipas vem no fundo sem grande surpresa. Depois das discussões que ocorreram por conta do RRA, já era previsível que alguém saísse chateado ou a sentir-se prejudicado. E estas duas equipas não espantam. A Red Bull não tem qualquer interesse no mercado automóvel, e se as performances piorarem não duvido que Mateschitz deixe de achar a brincadeira engraçada; e a Ferrari pelo peso que tem, consegue sempre um acordo com a FIA. E assim se vê a FOTA em modo de auto-destruição…

O pior de toda a situação é que assim vemos uma vitória para Bernie Ecclestone, que conseguirá causar mais cisões entre as equipas a seu bel-prazer, beneficiando estas equipas que saíram. E no fundo é deprimente ver que o sonho que foi o campeonato da FOTA com os pedidos dos fãs respondidos, seja um sonho cada vez mais distante.