Do contra

19 11 2011

Normalmente tenho uma definição muito diferente das dos comentadores televisivos. No que toca a desporto, confesso não prestar muita atenção ao que a grande maioria deles dizem. Simplesmente não concordo. Acho que a maioria opta pelo sistema em que se passa de “bestial a besta” em muito pouco tempo, e vice-versa; ou então vão por opiniões que não sigo.

Acho que se aplica muito a várias coisas. Posso dar o exemplo de pilotos: Felipe Massa e Jenson Button. No caso do primeiro, vou fazer uma confissão. Nunca gostei dele. Nem agora, nem quando lutou pelo título com Hamilton, nem nos tempos da Sauber. Acho que é um piloto mediano e só isso. Teve um excelente ano de 2008, em que merecia o título (isso eu admito), mas de resto não me deslumbrou.

Um ano depois já acreditavam nele desde o início...

Já o Button, sempre foi tratado como um piloto bom mas não excelente. Confesso que até mesmo quando circulavam os rumores de que teria que ir para a Toro Rosso em 2009 eu ainda acreditei, mesmo com duas terríveis temporadas na Honda, enquanto a imprensa se divertia a ver o quase fim de uma carreira. No final o inglês superou as expectativas e venceu categoricamente a temporada, e agora a imprensa já diz que ele é um dos melhores da actualidade. Pelo amor de Deus…

Outro exemplo que sempre me irrita, é a questão das ordens de equipa. Muitas vezes dão algum comentário de serem contra, mas rapidamente se esquecem. Quem não se lembra do GP da Alemanha de 2010, quando Eddie Jordan fez um grande discurso contra, mas depois a situação já não mereceu tanta importância. Aliás houve quem defendesse que mais tarde poderia ajudar, e que desporto automóvel era assim mesmo.

Não. Não é. Para todos aqueles que dizem isso leiam este post do F1 Corradi. A imagem refere-se à história do discussão do título de 1958 entre Hawthorn e Moss. Odiavam-se. Mas, mesmo que isso tenha significado a perda do título, Moss manifestou-se contra uma desclassificação injusta de Hawthorn no GP de Portugal. Aliás, Moss nunca conseguiu vencer um campeonato. Foi vice em quatro seguidos, e 3º nos três a seguir… A maior injustiça da F1!

Mesmo não gostando um do outro, Moss não quis vencer injustamente.

E, a imagem que eu tenho de Moss é de um dos melhores pilotos de todos os tempo, um gentleman. Já há outros com títulos em fartura, que nem sequer entrariam na minha lista de preferências. O nome de Alonso vem-me à cabeça… De que interessam os recordes se não são merecedores de respeito?

A verdade é que por mais perigosa que seja a F1 dos anos mais antigos seja mais perigosa, e a actual seja bastante segura, confesso que duvido seriamente que daqui a uns anos falemos dos pilotos de agora com a adoração destes. Prefiro os anos 50. Sou do contra, é verdade.

Mas deixo um último exemplo. GP França 1958. Hawthorn (o mesmo que venceu sobre Moss) liderava o GP e chega para dobrar Fangio (na sua última corrida). Mas em vez de o fazer fica para trás e acaba a corrida sem lhe dar uma volta de avanço. Porquê? “Não se põe uma volta de avanço sobre Fangio…”, esclarece o próprio Hawthorn.

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19 11 2011
Julio Cezar Kronbauer

Sobre Felipe Massa, ele nunca mais foi aquele que disputou a Eau Rouge lado a lado com Juan Montoya (e o venceu) desde que chegou à Ferrari. Some-se isso ao fato da quarta maior emissora do mundo, a mesma que detém os direitos de transmissão da F1 no Brasil, que tentou de todas as formas colocá-lo numa posição à qual ele nunca poderia estar, e nem estou falando de ser o “substituto” de Ayrton Senna, seria muita pretensão, apenas ser campeão, nada mais. Já tentaram isso com Rubens Barrichello, e ambos “foram na onda”, e como não são competentes o suficiente, “perderam-se” na carreira.

Já no caso de Jenson Button, ele apenas precisava de um carro bom. Adicione um ótimo momento, e deu tudo certo, foi campeão com apenas meia temporada de vitórias, depois, foi só administrar, o suficiente para ganhar com uma etapa de antecedência.

Eu já falei sobre isso uma vez (http://jckronbauer.blogspot.com/2011/10/momento-e-sorte.html), mas reitero. Adrian Newey errou muitas vezes até acertar um projeto. Em 1994, depois da morte de Ayrton Senna, Adrian modificou o carro, possibilitando que Damon Hill recuperasse o tempo perdido e disputasse o título com Michael Schumacher.

Em qualquer esporte, há duas coisas cruciais que qualquer campeão precisa ter: MOMENTO e SORTE. Se tudo em volta propicia que se possa disputar um título, e tudo acontecer conforme o esperado, o resultado vem.

Exemplos de falta de sorte para ser campeão na Fórmula 1 temos vários. Vou citar apenas dois: Stirling Moss e Chris Amon.

Não estou querendo desmerecer o trabalho de Adrian Newey, ou de Ross Brawn em 2009, por exemplo, mas espero que tenha captado a ideia. Tudo precisa “encaixar” para que qualquer projeto seja bem sucedido.

Com relação aos “gentlemen”, eu só digo uma coisa: isso era numa época na qual o dinheiro não exercia influência. Só para citar um exemplo: foi só Lewis Hamilton que errou nas duas últimas etapas da temporada de 2007? O “Stepneygate” não teve a ver com o caso? A Ferrari não ficaria “inconsolável” se perdesse aquele campeonato? Felipe Massa deixar Kimi Raikkonen ocupar o primeiro lugar com facilidade em pleno GP do Brasil não fazia parte do plano? Claro que sim, pois o finlandês ainda tinha chances, mas e na McLaren? A repentina má-fase foi só uma coincidência?

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