Problemas de identidade

3 11 2011

Estava eu hoje a ler a Autosport quando me deparei com um artigo sobre um automóvel prestes a ser lançado no mercado português. Era um carro de 4 portas, bem grande, com um interior bastante luxuoso, ainda que se reflectisse um pouco no preço. É um Lancia. E aquilo que devem ter em conta é de que não é um Lancia.

Esperem, ainda não perdi (por completo) o juízo. O que se passa é que a Fiat comprou no início deste ano uma participação maioritária na Chrysler. Isto significa não apenas a marca, mas também o grupo, o que deu aos italianos acesso a Chrysler, Dodge, RAM e Jeep. Com isto a Fiat tem-se andado a divertir a causar uma grande confusão nos mercados europeus e americanos.

Para começar pode-se referir o Fiat Freemont, que não passa de um Dodge Journey com um estilo diferente na frente. Mas o maior intercâmbio que a Fiat tem feito com os americanos é entre Lancia e Chrysler.

Um Lancia... excepto que não é.

Enquanto a Chrysler tem pouca força na maioria dos países europeus, mas muita no Reino Unido, a Lancia tem alguma força na Europa (em especial pela fama que os campeonatos do mundo de rallys lhe trouxe), mas não no mercado britânico, de onde saiu à uns anos devido a um desastre relativo ao modelo β.

Ou seja, enquanto os modelos de carros pequenos de que a Chrysler carece são enviados pela Lancia   (o Yipsilon, por exemplo), os veículos de maior porte que a Lancia não tem são recebidos através da Chrysler (Voyager e 300C). Portanto o Lancia Thema que vinha na Autosport é na realidade um Chrysler 300C.

O problema que aqui se levanta é o seguinte: será que este programa de “transplante” posto em prática pela Fiat não estará a prejudicar a identidade central de ambas as marcas? É que um carro como o Thema mostra mais ao mundo um carro à americana (entenda-se como bem “gordo”) quando a marca é mais famosa por máquinas ágeis como o Stratos ou o Delta Integrale…

A propósito hoje vai-se reunir uma comissão qualquer (desculpem, não me lembro do nome) que vai deliberar permitir ou não a alteração dos nomes de Renault, Lotus e Virgin para Lotus, Caterham e Marussia (respectivamente). Ou seja um quarto das equipas de F1 vão deixar de ser as mesmas. Olhem para o título do post e percebem onde quero chegar…


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3 11 2011
Julio Cezar Kronbauer

Com a concorrência maior entre as marcas, as “grandes” tiveram que diminuir seus custos de produção, e as “pequenas” acabaram quebrando, tendo que ser vendidas para não deixarem de existir.

Quem comprou, acabou por utilizar suas plataformas para os atuais carros das marcas compradas, reposicionando-as no mercado, e deixando os veículos semelhantes entre uma marca e outra.

Efeitos da crise: o pessoal deixou de comprar itens supérfluos para adquirir produtos de primeira necessidade, e o setor automotivo foi um dos primeiros a sofrer com isso.

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