O touro do ano

28 11 2011

Até meio do ano confesso que mantive a convicção de que Sebastian Vettel estava a vencer por causa do carro. Lembro-me do GP do Canadá em que Seb simplesmente cedeu sob a pressão de Jenson Button nas condições difíceis provocadas pela chuva. A juntar a isto havia também algo que os comentadores também notavam, que o alemão parecia apenas conseguir vencer quando partia de pole (aliás, ele tem mais poles que vitórias). No entanto chegou a altura de pedir desculpas, e voltar atrás no que disse.

Quando venceu o título em 2010, tinha-o feito de uma maneira que ainda levantava dúvidas acerca de ser verdadeiramente o melhor do ano. Afinal poucos meses antes tinha sido apelidado por Martin Whitmarsh como o “Crash Kid”, pela maneira estranha como causou o acidente com Button. Mas o alemão, em vez de mandar bocas, decidiu que fosse a condução dele a responder à altura…

A vitória no Mónaco, talvez a mais difícil.

8 corridas com 6 vitórias e 2 segundos lugares. E não foram todas tão fáceis como a estatística faz parecer. As margens foram mínimas na maioria das corridas, em Montmeló teve que aguentar uma grande pressão de Lewis Hamilton no final, e no Mónaco arriscou uma estratégia em que tinha muito a perder para vencer, e embora tenha tido alguma sorte, esteve absolutamente brilhante a aguentar os forcings de Alonso e Button. E depois da derrota (acabou em segundo, mesmo assim…) de Montreal, cilindrou os adversários no GP da Europa.

Aí começou um período de relativamente menor sucesso em que mesmo assim só ficou fora do pódio uma vez no seu GP caseiro. Começaram de novo as vozes (algumas minhas…) de que ele não aguentava bem a pressão quando não partia da frente ou o carro fosse veloz.

“A era de domínio do Sebastian Vettel acabou”, disse Webber. Foi quando chegaram as provas de Spa e Monza, em que a Red Bull raramente se dava bem. Duas vitórias bem saborosos para ele. Uma delas em dobradinha com Mark Webber! Mas o melhor foi mesmo quando nas primeiras voltas de Monza o alemão ultrapassou Alonso. Não precisava de o fazer, podia ter-se poupado, ninguém o teria atacado por isso… Mas não. Na Curva Grande, Alonso dá um “chega pra lá”, Vettel vai com a faca nos dentes, duas rodas na relva a 320 km/h, devolve o “chega pra lá”, passa o Ferrari na frente dos tiffosi, e “ciao” Fernando. Simplesmente brilhante!

Nova vitória em Singapura… Acabou o domínio? Tá bem, tá! No Japão os festejos do título foram um pouco contidos por causa de “apenas” ter chegado em 3º, mas na Coreia festejou muito o título dele e da Red Bull nos construtores. E mais uma na Índia… E só não foi Abu Dhabi porque teve um furo nas primeiras curvas. Um piloto normal teria ido logo para casa, mas Vettel ficou e procurou arranjar uma explicação.

E agora na ronda brasileira, acabou por entregar a vitória a Webber devido a um problema da caixa de velocidades, em que soube gerir de forma inacreditável o problema para chegar em 2º, para espanto da equipa que esperava que o carro ficasse pelo caminho…

Não à volta a dar este foi o ano do touro Vettel, e se deixou dúvidas em 2010, em 2011 ninguém pode duvidar. Como acusá-lo de só saber ganhar da frente e de arriscar pouco, quando revemos a manobra de Monza? Como acusá-lo de ser um puto mimado, quando depois do abandono fica com a equipa a discutir o que ocorreu e como evitá-lo? Como dizer que é só carro, se Webber ficou para trás este ano (e não me venham dizer que foi Mark que piorou, Vettel é que melhorou de maneira incrível…)?

Japão.

Para mim um momento que explica bastante foi na conferência depois do GP do Reino Unido. Webber atacara Vettel até ao fim, ignorando as ordens da Red Bull para manter a distância… Se fosse que Alonso havia logo o discurso de que a equipa é que era importante e o companheiro devia ter obedecido, Hamilton teria reclamado (Turquia 2010), e Schumacher teria dado uma resposta aborrecida e conciliadora. E Vettel? “Se fosse comigo tinha feito o mesmo que o Mark”…

Mais palavras para quê? Parabéns, Sebastian Vettel, mereceste.

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Muito pouco razoável

23 11 2011

Dois acontecimentos bem recentes dão a entender bem que a Fórmula 1 está com uma organização cada vez mais estranha. Primeiro, o teste dos jovens em Abu Dhabi, fortemente criticado pois metade dos participantes tinham terminado as suas temporadas em categorias de promoção fora do top 10. Segundo, a mais recente contratação da HRT, o espanhol Pedro de la Rosa.

Antes de analisar um pouco estes dois exemplos, vou simplesmente expor uma questão. Existem, teoricamente, 24 vagas para disputar o campeonato de F1. Tudo bem, um número aceitável. Mas não é bem assim…

Primeiro, é preciso retirar 4. Estes são os pilotos da Red Bull e Toro Rosso. Aqui ninguém fora da esfera de influência da marca energética pode entrar, e mesmo para quem está lá dentro, a situação nunca é confortável (Bourdais, Liuzzi, Klien, Albuquerque e outros que o digam). A McLaren está absolutamente fechada, a Mercedes só aceita di Resta se Schumacher desistir, e na Ferrari só entra uma super estrela ou um jovem do programa deles.

De la Rosa vai receber uma chance a titular.

Equipas de ponto fechadas. A Williams tem uma vaga bem selada pela PDVSA, a Force India tem os dois lugares basicamente decididos, a Sauber também, a Lotus também, a Virgin tem Glock até 2014 e agora a HRT com menos uma vaga. E assim 24 passam a 5… E até fui simpático, porque as que ficam são dois Renault (Barrichello e Grosjean, a minha aposta), a Williams está a tentar apanhar Raikkonen, a Virgin com Pic, e a HRT acaba por ser a única vaga disponível.

A partir daqui percebe-se logo muito. Não admira que as vagas estejam complicadas: são tão poucas que são incrivelmente concorridas, e ainda obrigam a que os pilotos tenham que trazer o equivalente ao EuroMilhões para poderem disputar 19 corridas, isto quando o mundo atravessa uma das mais graves crises de que há memória, e existem vários outros que tentam fazer o mesmo. Daí o nível de pilotos que foram ao teste dos jovens…

Nasr com o título de F3 Inglesa, mas com futuro incerto...

Já a contratação de Pedro de la Rosa pela HRT chega a ser um insulto. Gosto do espanhol, mas honestamente depois da experiência na Sauber ficou claro que ele já não tem a performance para competir. Mas o pior não é isso. É que mais uma vaga se fechou quando nas categorias inferiores os jovens se matam por oportunidades e patrocínios, é dito que Pedro vai receber 1 milhão de euros!

Já ouvi a questão de que a geração actual não é tão talentosa… Tretas! Charles Pic, Jules Bianchi, Estebán Gutiérrez, Marcus Ericsson, Valtteri Bottas, James Calado, Alexander Sims, António Félix da Costa, Nigel Melker, Felipe Nasr, Roberto Mehri, Daniel Juncadella, Robert Wickens. Apenas o início de uma grande lista.

É que para Schumacher ter a sua reforma dourada, para Massa ser um coitadinho a pastelar no seu Ferrari, e para o Hugo Chávez ficar feliz de ver a Venezuela na F1, poderemos nunca ver o génio da lista dos que estão acima num F1 por isto…





Macau: prova boa; campeonatos maus

22 11 2011

Confesso que estava curioso de ver as provas do fim-de-semana de Macau. A pista tem grande fama a nível internacional, e duas categorias preparavam-se para a corrida mais importante do ano: o WTCC e a F3.

O WTCC ia receber a sua prova final de ano, sendo que Robert Huff e Yvan Muller, ambos da Chevrolet, se preparavam para lutar pelo título, com 20 pontos a separá-los (50 em jogo). Huff tinha começado melhor o ano com várias vitórias, mas ainda não tinha ganho mais nenhuma desde a segunda prova em Portugal (em Julho). Enquanto isso Muller fez o caminho quase oposto, tendo saído do circuito de Tianma com a vantagem para o companheiro Huff.

A F3 chegava à sua famosa prova, tal e qual ao estilo da Final de Abu Dhabi na GP2,  mas com a particularidade de ser muito mais prestigiante e menos patética… A lista de inscritos prometia muito: Felipe Nasr (campeão F3 Inglesa), Valtteri Bottas (campeão GP3), Alexander Sims, Roberto Mehri, entre muitos outros, como o português Félix da Costa, que tentaria acabar com o azar que o assola neste ano. A lista de antigos vencedoras também serve como uma boa referência: Ayrton Senna, Michael Schumacher, David Coulthard. Tudo bem, Sato, di Grassi, e Ralf Schumacher também, mas mesmo assim não é uma má lista!

Juncadella, vencedor do GP de Macau.

Sobre a F3 ão posso falar muito, confesso que perdi o interesse depois do Félix da Costa ter tido que abandonar muito cedo (com problemas mecânicos) depois de ter estado tão bem na qualificação (2º). Apenas sei que Daniel Juncadella venceu, e Valtteri Bottas liderava quando abandonou. Ainda tenho que ver a gravação…

Já o WTCC pude ver. Estava a torcer por Huff, porque por hábito gosto de quem está mais atrás a vencer, mas também porque Muller já tinha vencido o título duas vezes, e Rob nenhuma. Aliás o inglês esteve simplesmente brilhante em ambas as corridas, mantendo um hábito de vencer em Macau que já vem desde 2007 até hoje. Infelizmente não dependia só dele para chegar ao título, e o seu adversário conseguiu o terceiro título.

Embora tenha sido uma disputa bastante acirrada pelo título, este facto não disfarça que a temporada de 2011 ficou muito aquém para o WTCC. Quando uma equipa vence 21 das 24 provas fica claro que são necessárias alterações rápidas… As razões para esta performance dos americanos é bastante simples, pois Seat e BMW já não participam oficialmente, o que leva a actualizações muito lentas dos carros, e a Volvo ainda está a dar os primeiros passos, falando-se de um envolvimento mais sério para 2012.

No entanto a Sunred, preparadora dos Seat León, esteve muito aquém das expectativas. Os pilotos Gabriele Tarquini e Tiago Monteiro sofreram o ano inteiro, sendo que apenas o italiano conseguiu vencer uma corrida. Tarquini já percebeu bem a situação, tendo circulado rumores de estar em conversações com a Volvo, e Monteiro fazia bem em fazer o mesmo.

Huff e Muller ainda lutaram acirradamente na 1ª prova.

Ainda para mais a Chevrolet até teve um outsider nas suas fileiras. Ainda que tenha posto os 3 pilotos nos 3 primeiros lugares do campeonato, foi visível que Alain Menu simplesmente não teve rapidez para contrariar os seus companheiros de equipa. O contrato foi-lhe renovado, mas no final de 2012 não acredito que o seja, com muitos pilotos a ficarem atentos a este lugar certamente.

Por último, ainda se pode referir que a Ford e a Honda já expressaram grande interesse em dar um saltinho do BTCC, mas mesmo assim irão demorar um pouco até chegarem ao nível da Chevrolet, pelo que a não ser que a Volvo (aquela em que acredito mais) dê um salto de qualidade, creio que veremos mais um ano de domínio dos azuis.

E não me esqueci de outra coisa. Por mais que esta corrida tenha sido muito concorrida, a F3 teve muito poucos carros no grid no resto do ano, e corridas um pouco fraquinhas, pelo que não ficaria muito surpreendido se a GP3 assumisse o seu papel de formar pilotos para a GP2…





Do contra

19 11 2011

Normalmente tenho uma definição muito diferente das dos comentadores televisivos. No que toca a desporto, confesso não prestar muita atenção ao que a grande maioria deles dizem. Simplesmente não concordo. Acho que a maioria opta pelo sistema em que se passa de “bestial a besta” em muito pouco tempo, e vice-versa; ou então vão por opiniões que não sigo.

Acho que se aplica muito a várias coisas. Posso dar o exemplo de pilotos: Felipe Massa e Jenson Button. No caso do primeiro, vou fazer uma confissão. Nunca gostei dele. Nem agora, nem quando lutou pelo título com Hamilton, nem nos tempos da Sauber. Acho que é um piloto mediano e só isso. Teve um excelente ano de 2008, em que merecia o título (isso eu admito), mas de resto não me deslumbrou.

Um ano depois já acreditavam nele desde o início...

Já o Button, sempre foi tratado como um piloto bom mas não excelente. Confesso que até mesmo quando circulavam os rumores de que teria que ir para a Toro Rosso em 2009 eu ainda acreditei, mesmo com duas terríveis temporadas na Honda, enquanto a imprensa se divertia a ver o quase fim de uma carreira. No final o inglês superou as expectativas e venceu categoricamente a temporada, e agora a imprensa já diz que ele é um dos melhores da actualidade. Pelo amor de Deus…

Outro exemplo que sempre me irrita, é a questão das ordens de equipa. Muitas vezes dão algum comentário de serem contra, mas rapidamente se esquecem. Quem não se lembra do GP da Alemanha de 2010, quando Eddie Jordan fez um grande discurso contra, mas depois a situação já não mereceu tanta importância. Aliás houve quem defendesse que mais tarde poderia ajudar, e que desporto automóvel era assim mesmo.

Não. Não é. Para todos aqueles que dizem isso leiam este post do F1 Corradi. A imagem refere-se à história do discussão do título de 1958 entre Hawthorn e Moss. Odiavam-se. Mas, mesmo que isso tenha significado a perda do título, Moss manifestou-se contra uma desclassificação injusta de Hawthorn no GP de Portugal. Aliás, Moss nunca conseguiu vencer um campeonato. Foi vice em quatro seguidos, e 3º nos três a seguir… A maior injustiça da F1!

Mesmo não gostando um do outro, Moss não quis vencer injustamente.

E, a imagem que eu tenho de Moss é de um dos melhores pilotos de todos os tempo, um gentleman. Já há outros com títulos em fartura, que nem sequer entrariam na minha lista de preferências. O nome de Alonso vem-me à cabeça… De que interessam os recordes se não são merecedores de respeito?

A verdade é que por mais perigosa que seja a F1 dos anos mais antigos seja mais perigosa, e a actual seja bastante segura, confesso que duvido seriamente que daqui a uns anos falemos dos pilotos de agora com a adoração destes. Prefiro os anos 50. Sou do contra, é verdade.

Mas deixo um último exemplo. GP França 1958. Hawthorn (o mesmo que venceu sobre Moss) liderava o GP e chega para dobrar Fangio (na sua última corrida). Mas em vez de o fazer fica para trás e acaba a corrida sem lhe dar uma volta de avanço. Porquê? “Não se põe uma volta de avanço sobre Fangio…”, esclarece o próprio Hawthorn.





Killer instinct

16 11 2011

“Killer instinct”, para quem não sabe, é o que os ingleses chamam àquela chama que as pessoas têm para atacar, nunca desistir, sempre. E é aquilo que à uns meses Mark Webber disse que as mulheres não tinham para o automobilismo. Já é uma opinião comum entre alguns pilotos de que as mulheres simplesmente não conseguem ser competitivas no mundo dos automóveis. Discordo.

Honestamente não vou nessa conversa, nem da da questão da força. Há direcção assistida (o Trulli reclama quando não há), e agressividade é uma coisa que não é ditada pelo sexo. E há alguns exemplos de mulheres que têm conseguido afirmar-se, como a Danica Patrick, que é razoavelmente competitiva na IndyCar (ainda que vá mudar para a NASCAR), ou a Bia Figueiredo que tem subido nos escalões nos monolugares na América (e venceu uma das provas do Desafio das Estrelas, organizado por Felipe Massa).

Danica Patrick na sua vitória em Motegi.

Ainda que haja quem prefira ver as mulheres relegadas ao papel de “grid girls” no mundo automóvel, existem alguns que defendem o oposto como eu. Um deles é, curiosamente, Jeremy Clarkson, que embora seja bastante radical nas suas opiniões, consegue estar bastante certo nesta questão. Para além de uma crítica no programa Top Gear, escreveu à dois anos um artigo bastante interessante. Seguem-se as passagens mais interessantes:

“Em Agosto, eu e o chefe do Top Gear, Andy Wilman, fomos a Edimburgo dar uma conferência a membros dos media sobre porque o Top Gear continua a bater recordes na 14ª temporada (…). Decidimos fazer uma sessão de pergunta-resposta.

“E eis as perguntas: Porque não há uma mulher apresentadora? Porque é que só há mulheres bonitas na frente da audiência? Porque é que metade da audiência são mulheres? (…) Alguma vez a BBC vos pediu para colocarem uma apresentadora feminina?

“Haviam, na verdade, muitas perguntas sobre mulheres. Tantas que nem tiveram tempo de nos chatear com o aquecimento global.

“O problema é que os executivos de TV puseram na cabeça que se um apresentador é loiro de olhos azuis e heterrosexual, o outro tem que ser uma negra islâmica lésbica. Giz e queijo, dizem eles funciona. E nós temos ganho prémios com o Top Gear durante seis anos com queijo e queijo. Isto confunde-os. (…)

“Ao contrário de furiosas feministas eu não faço distinções entre homens e mulheres. Excepto na cama, onde convém mesmo ver as diferenças.

“O pior condutor do mundo é o director de estúdio do Top Gear. Ponham-no num aeródromo com um carro e ele vai-lhe bater. Eu sei. Já o vi fazê-lo. (…) E ele tem um escroto.

“Vicki Butler-Henderson, por outro lado, não tem um escroto. Vocês conhecem-na como apresentadora do Fifth Gear. (…) Eu estava num Aston Martin DBS e ela um Ferrari California. Tínhamos grande parte de Silverstone para brincar. Eu devia ter-lhe dado uma tareia. Tinha mais 4 cilindros, mais um milhão de cavalos, e mais dois testículos. Mas eu não consegui. Nem me consegui aproximar.

“Ela conseguia por o grande e branco Fezza para as curvas e aguentá-lo nos deslizes mais gloriosos, enquanto eu estava a gritar na relva, a apontar para o lado errado. (…)

“E graças a Vicki, nós sabemos que há mulheres que conduzem bem. Sabemos também que muitas se interessam por carros. E que milhões delas vêem a F1, por outras razões que não terem um fraquinho pelo Mark Webber.”

Clarkson refere-se a Vicki Butler-Henderson que ainda hoje apresenta o Fifth Gear com Tiff Needell e Jonny Smith (foi-se o Jason Plato). No último programa guiou o novo Ferrari 458 Italia Spider (descapotável). Vejam o vídeo e digam-me, honestamente, se acham que lhe falta algum killer instinct…





Alguns disparates

15 11 2011

Tem feito furor pelos vários blogs a notícia acerca das declarações de Bernie Ecclestone acerca da situação da construção da pista de Austin. Aparentemente o “anão tenebroso” andou a dizer que não conta muito que o GP dos EUA esteja pronto a tempo para a temporada de 2012. Escusado será dizer que os organizadores do circuito ficaram um pouco aborrecidos com isto…

Honestamente duvido seriamente das palavras de Ecclestone. Se a Índia e a Coreia foram prontas quando estavam claramente muito atrasadas, porque não haverão os EUA de fazer o mesmo?

Ainda não consegui compreender o porquê de dois GP’s no país, até porque a localização e o próprio layout da pista de New Jersey parece muito mais interessante do que a do Texas. Aliás, mesmo no que toca a automóveis os europeus estão mais avançados que os americanos, e isto não é eurocentrismo meu, é um facto verificado pela quase totalidade dos responsáveis pelos reviews.

Um deles é o controverso Jeremy Clarkson, que realiza pequenos filmes de 1h todos os anos, ainda que seja mais famoso pelo seu trabalho para o programa Top Gear. A totalidade deste filme pode ser vista no YouTube, esta é a primeira parte de um que se chama “The Good, the Bad and the Ugly” em que ele analisa se os EUA têm algum carro excelente pelos padrões europeus. Confesso que concordo com a conclusão dele…

PS: Sim, usei a notícia de Austin como desculpa para publicar isto… 😛





Nem assim…

14 11 2011

Foram feitos muitos esforços para que este GP de Abu Dhabi fosse tão bem-sucedido desportivamente quanto já o é para os bolsos de Bernie Ecclestone. Duas zonas de DRS em rectas bastante longas davam, em teoria, grandes oportunidades. E o maior contributo de todos foi dado pelo líder do campeonato, quando abandonou com um furo repentino do pneu Pirelli na segunda curva.

Mas nem assim… A corrida do circuito de Yas Marina foi, juntamente com a de Valência, a pior corrida da temporada. Foi simplesmente enfadonha, a luta dos pilotos da frente nem sequer valeu a pena ver. Ganhou Hamilton, que se mereceu amplamente as críticas até agora, também merece todos os louros por uma vitória autoritária, da qual até o Vettel se poderia orgulhar: sem erros, e poupando bem o material.

Alonso e Hamilton mostram que em 2012 virá mais.

Mais atrás o seu companheiro Button debateu-se com problemas durante grande parte do tempo, portanto um pódio foi um resultado muito satisfatório. Assim não deu para fazer uma dobradinha, porque Fernando Alonso esteve sempre muito melhor do que o carro. Honestamente com o que oiço falar sobre a Ferrari estar a preparar já o carro de 2012, não consigo deixar de pensar se não corremos o risco de o ver a ser campeão… E o Massa? Bem, passemos à frente.

Lá atrás vimos o habitual: os Mercedes logo atrás com os Force India a aproveitarem-se dos últimos lugares pontuáveis. Dou ainda algum destaque para a Williams, que apresentou o melhor ritmo de todo o ano, só foi pena a má qualificação que os deixou bem no fundo. Barrichello chegou em 12º, poderia ter chegado aos pontos, até porque os Sauber se andam a afundar.

Veja os resultados completos.