Assim termina…

17 10 2011

Começo o dia bem cedo. 7 horas da manhã e começo a ver o GP de Fórmula 1 na Coreia. Foi uma corrida engraçada, mas não foi das que mais me entusiasmou. Vettel brilhou, já vi; luta forte pelo segundo lugar, já vi; Webber mostrou que os tinha e bem grandes, já vi… Estava mais entusiasmado com outra coisa. Há muito que vinha a ouvir dizer maravilhas da Indycar. Experimentos ver pela primeira vez.

Ainda para mais era a última corrida do ano, com a decisão do título: Dario Franchitti vs  Will Power. Já conhecia os dois lados: li há uns meses uma entrevista de Franchitti à Top Gear em que ele parecia simplesmente, um tipo porreiro que já venceu 3 títulos; e Power, um australiano que recebera a ajuda do compatriota Webber quando a carreira parecera estagnar, e estava com menos hipóteses. Estava a torcer por Power, era engraçado ver um novo campeão.

Wheldon, o ilustre desconhecido, festeja vitória em Indianápolis.

O resto do grid tinha alguns nomes que eu até conhecia: Danica Patrick, a “wonder woman” americana; Hélio Castro-Neves e Tony Kanaan, os braileiros bem-dispostos; Takuma Sato, que fora puxado para fora da F1; e Dan Wheldon. De Dan apenas sabia duas coisas: tinha vencido as 500 Milhas de Indianápolis na última volta, e concorria aos 5 milhões de dólares em Las Vegas. E foi nesta minha quase completa ignorância que comecei a ver a corrida.

Decididamente era diferente do que eu me habituava com a F1. As disputas eram incrivelmente acirradas, os pilotos iam colados uns aos outros, e tinha tudo que ser calculado ao limite. Enquanto me adaptava a este novo tipo de corridas, começa uma grande confusão. Carros por todos os lados, chamas, destroços, e nenhum tempo para evitar o acidente. “Grave acidente!” exclama o comentador. Está bem, mas isto é normal? Grave, como? Grave para os padrões de automobilismo ou para os da IndyCar? À medida que o tempo passa percebe-se que é a última alternativa…

Há quem se tenha safado: Patrick escapa a tudo, e já pensa no reinício; e o candidato ao título, Power envolveu-se bastante na confusão, mas está bem. Título para Franchitti.

Começa-se a perceber que um dos pilotos não está bem. Dan Wheldon é levado para o hospital, e começa uma agonizante espera. Perto das 23h30 é anunciado o que já se parecia adivinhar na cara dos pilotos, Wheldon sucumbiu aos ferimentos.

Não sabia muito bem como reagir. Aquilo que eu sempre observara como entretenimento, acabava de ceifar a vida de um dos seus membros. Parece que tenho um nó no estômago. Acabei de assistir pela primeira vez à morte de um piloto em directo. Não consigo olhar para os carros nas 5 voltas de homenagem, sem pensar neles como armadilhas mortais, em problemas graves de segurança, ou em Wheldon. Quem é Wheldon?

No fundo não sei bem. Apenas começo a juntar peças do puzzle. O choro descontrolado de Kanaan e Franchitti, os olhares tristes dos mecânicos nas 5 voltas, e, especialmente, o discurso de Franchitti no fim. Talvez eu não chore porque para mim Dan é um desconhecido, mas depois do discurso, no fim, de Dario quase que o faço.

Wheldon era muito querido pelo paddock. Aquilo a que se pode chamar um “nice bloke”. Com uma família que deixou para trás e muitos amigos que angustiam na sua ausência. Assim termina a minha primeira corrida de Indycar…

So long, Dan, rest in peace.


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