O calendário de Bernie, e como devia ser

1 09 2011

O calendário de 2012 está oficialmente confirmado. Quase nenhuma novidade no geral: a grande quantidade de dinhei… digo, simpatia do governo do Bahrain recolocou-os no calendário (ainda que, felizmente, não a começar a temporada); a chegada do GP dos EUA em Austin; e, a saída do GP da Turquia.

Um cenário que não veremos em 2012: Istambul Park.

Este último ponto é talvez aquele que mais importância para mim tem. Ao longo dos anos temos assistido à multiplicação dos circuitos Tilke do calendário. O projectista favorito de Bernie Ecclestone tem sido o único a ter permissão para colocar os carros de F1 nas suas pistas, como a pista de Austin, e vários circuitos tradicionais ou mais interessantes têm vindo a cair, de modo a que possam ser construídos novos em locais exóticos ou comercialmente interessantes como Abu Dhabi, Índia ou China. Mas, quando se começam a ver “Tilkódromos” a cair é sinal de que estamos mesmo mal.

É certo que haviam mais moscas que pessoas nas corridas disputadas em Istambul, mas o circuito era o mais interessante de Tilke, com a famosa curva 8, e agora desapareceu. E corridas mais tradicionais como os GP’s da Bélgica e França, planeiam alternar de modo a conseguirem suportar os gigantescos custos de Ecclestone.

O que nos leva a uma questão: se este desporto se quer verdadeiramente considerar como o mais prestigioso, não deveria correr nas melhores pistas do mundo? Aqueles que verdadeiramente desafiam os pilotos e as equipas, e possam contribuir para o espectáculo? Decidi, por isso, partilhar aqui o calendário de 2011 na versão Fórmula Portugal, vejamos:

Como deveria ser o calendário.

Como podem ver o campeonato começa em Melbourne, uma das minhas pistas favoritas, e (a maioria concordará) o melhor sítio para começar a temporada. Mas, se olharem para a minha segunda corrida, tenho a certeza que vão pensar que perdi o juízo… Ruapuna Park. Ligeiramente estranha de pronunciar, esta é a sede que escolhi para o GP da Nova Zelândia. É um circuito de curvas de média-alta velocidade, e consigo ver dois pontos de ultrapassagem “visíveis”. É o meu género de circuito: é técnico, e é um desafio de ver até onde se pode puxar a corda (ou o acelerador…) nas secções rápidas.

De seguida, viajamos para a Malásia, uma das quatro pistas de Tilke no calendário (para mostrar que quando quer, o alemão sabe criar boas pistas), e Brasil, em Interlagos, uma pista excelente e que, na minha opinião, fica melhor no início do ano. Aproveitando estar na América, o calendário visita os EUA e Canadá. Montreal para o Canadá, obviamente, mas os EUA não vão para Austin ou Indianápolis, mas sim Laguna Seca. Não deixa de ser curioso que os americanos, fãs de ovais e NASCAR, tenham criado uma pista como Laguna Seca. Criada no local de uma (adivinharam) lagoa seca, a pista tem algumas  sucessões rápidas, ainda que sem longas rectas, e uma das mais complicadas curvas do mundo, a Corkscrew (saca-rolhas). É uma volta curta, mas isso quer dizer que têm que se dar mais voltas que o habitual à pista (o que não é má notícia).

Uma das rectas de Hockenheim... se calhar era melhor colar alcatrão. Se calhar.

Começando a temporada europeia, lamento informar que nenhuma pista espanhola me agrada pelo que coloquei o GP de Portugal no lugar de Montmeló. Um pouco parcial, eu sei, mas a pista de Portimão tem sido muito elogiada pelos pilotos e era uma escolha óbvia para mim. Mónaco a seguir, com o regresso de Imola e A-1 Ring (Red Bull Ring), que nunca deveriam ter saído. Dois GP’s da Alemanha, mas só para esclarecer: o Hockenheim (GP Alemanha) é o antigo, com as gigantescas rectas, e não a versão encomendada por Ecclestone; e o Nurburgring (GP Europa), a versão actual, e não o monstro que é o Nordeschleife (até eu consigo ver que seria seguro em F1’s). Os suspeitos habituais (Silverstone, Monza, Spa), a serem acompanhados pelo regresso do GP de França e a manutenção do da Turquia.

A recta final da temporada a começar em Singapura. Nunca tinha gostado da pista, mas agora, depois de exprimentar num jogo, consigo perceber porque os pilotos gostam dela. Outro trabalho conseguido de Tilke, Shangai vem a seguir. As duas corridas finais a serem a exemplo dos anos 80: Suzuka e Adelaide. O GP do Japão sediou várias corridas lendárias, e o antigo GP da Austrália tinha uma pista muitíssimo divertida, a sediar aqui o GP do Pacífico (melhor que nos anos 90, em Aida…).

E ei-lo. 21 corridas. Um pouco extenso, mas sempre melhor que o que temos actualmente. Se bem que isso não seja muito complicado…


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