O caminho certo

4 07 2011

A Renault tem seguido o caminho típico de uma montadora na Fórmula 1: chegou cheia de expectativas, conheceu o sucesso (relativamente), e iniciou o seu declínio. Se analisarmos bem foi assim que sucedeu, começando pela compra da Benetton em 2002, com muita esperança no futuro. Os títulos de 2005 e 2006 acabaram por lhes cair no colo, não só por um bom carro, mas pelas excepcionais qualidades de Fernando Alonso.

Alonso e a Renault: glória atingida em 2005-06.

No entanto assim que o espanhol abandonou em 2007, a equipa iniciou o seu período descendente. Fisichella não conseguiu liderar a equipa, e Kovalainen era apenas um estreante. No fim, apenas um pódio como maior sucesso. Alonso pode ter voltado, depois de perceber que a McLaren não era aquilo que pensara, mas apenas duas vitórias vieram, e em 2009 atingiram o fundo do poço e foram assombrados pelo “Singaporegate”. Tudo isto culminou no (mais ou menos) fim da Renault como equipa.

Embora tenha retido o nome nos últimos dois anos, ela já não é propriedade dos franceses, pertencendo à Genni em 2010, e agora com uma participação do Group Lotus. Nestes dois anos tem conhecido relativo sucesso, com alguns pódios. Para além desta equipa supostamente oficial, a Renault também fornece Lotus e Red Bull (a última corre com os logos da Infiniti, uma parceira da Renault).

Por isso hoje, a Renault tomou uma decisão que pode ser muito frutuosa a médio prazo: o fornecimento de motores à Williams para as próximas duas temporadas, recriando uma ligação que já tinha durado entre 1989 e 1997. A esperança de todos (e em particular para o Marcos Antônio…) é de que possa recolocar a equipa no rumo das vitórias e títulos num futuro não tão distante, e que a Renault a use como equipa “oficial”.

A Williams poderá ser a principal equipa da Renault.

O que até é uma hipótese relativamente plausível, pois se analisarmos as outras equipas podemos chegar a essa conclusão. Dietrich Mateschitz não pretende um sócio na Red Bull, e esta tem sido usada para promover a Infiniti, ao invés da Renault; a Lotus ainda deverá ter que crescer durante mais dois ou três anos antes de ser uma prioridade; e a “Renault” tem vindo a sofrer com falta de pagamentos e um futuro incerto, tendo-se mesmo especulado que poderá cortar relações com os franceses, passando a utilizar Cosworth (o que não deixaria de ser irónico tendo em conta que ficaríamos com uma Renault a usar motores Cosworth… Enfim, também já tivémos uma BMW Sauber a usar motores Ferrari o ano passado).

Esta postura da Renault não deixa de ser louvável, já que foi uma decisão inteligente. Na minha opinião todas as montadoras deveriam limitar-se a fornecer motores, e não a formar equipas. Veja-se o exemplo de BMW, Honda, Toyota e a própria Renault, com a Mercedes a começar a traçar o mesmo caminho. É certo que a Ferrari é uma excepção, mas os italianos podem-se dar a esse luxo pois podem arcar com uma má temporada e continuar como se nada fosse (como na “seca” entre 1979 e 2000).

No fundo é este o caminho certo das montadoras na F1, e esperemos que possamos ver a Williams de novo a lutar pelos títulos dentro de poucos anos!

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One response

5 07 2011
Marcos Antonio Filho

é o que eu espero também. Sei que isso não é a garantia da volta das vitórias, mas já é uma esperança de que tenhamos uma temporada menos tenebrosa do que essa…go williams go!

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