A testar a coesão da FOTA

12 05 2011

Recordo-me que em 2009, quando as equipas anunciaram que iriam formar o seu próprio campeonato, pensou-se que seria uma era nova do automobilismo, quando as equipas fossem as donas e senhoras absolutas dos destinos do campeonato novo. É certo que, pouco mais de um mês depois, Mosley finalmente cedeu às exigências das equipas acerca do tecto orçamental, mas colocou-se a questão: quão coesa era a FOTA?

Embora, no geral, se tenha assistido a uma união entre as equipas pelos seus interesses comuns, a FIA tentou por todos os meios fragmentar a federação das equipas, de modo a fazê-la perder força, tendo puxado pela Force India e Williams. Na altura foram as únicas a submeter entradas incondicionais para o campeonato mundial, contudo isto deveu-se ao facto de terem sido pressionadas, sobretudo por questões monetárias pendentes.

Mosley esticou a corda longe demais.

As equipas mantiveram-se unidas face à ameaça, e na época pensou-se que seria o teste definitivo à aliança entre as equipas contra Ecclestone e os interesses da CVC (visto que Todt ao assumir a presidência da FIA assumiu uma posição mais aliada às equipas), mas enganámo-nos.

Em curso está um possível processo de compra das direitos da Fórmula 1 por parte de Rupert Murdoch, que juntamente com a questão da repartição dos rendimentos e do regulamento dos motores para 2013. Ecclestone não tem gostado do interesse do milionário, tendo afirmado que colocar a F1 nas suas mãos, e das transmissões “pay per view” é um suicídio à popularidade desta, e que o interesse das equipas em gerir o desporto não é lógico (“… eles já recebem imenso dinheiro em prémios (…), esqueçam isso e pensem em ganhar corridas…”).

Para começar é preciso entender que Bernie ainda não colocou na sua cabeça que quem participa no espectáculo que vende, são as equipas, logo é lógico que estas exijam mais direitos na sua organização. Segundo, que o presidente da FOM estava a dar uma indirecta à Ferrari, que se tem vindo a aliar a Murdoch, de modo a poder pressionar o britânico com a questão dos motores 1.6 turbo de 2013…

O maior risco da FOTA: o egocentrismo da Ferrari e Montezemolo.

O principal risco à unidade da FOTA vem mesmo dos lados de Maranello, pois os italianos têm desde sempre o hábito de se considerar como os personagens principais do “circo”, tentando assumir o controlo da categoria sempre que têm a oportunidade. E esta questão dos motores é um bom exemplo disto: porque irá a incrivelmente importante Scuderia sujeitar-se a usar motores que não merecem estar nos seus carros de estrada? Uma postura que já começa a assumir contornos de patético, tendo em conta a evolução do mercado mundial para a consciencialização ambiental…

Bernie também tem tentado pressionar a união da FOTA acenando com a possibilidade de alguns cheques chorudos a equipas como a Williams, que enfrenta grandes dificuldades financeiras (mas o Maldonado agradece…). Já para não falar que o domínio da Red Bull tem vindo a causar alguns conflitos com as equipas mais fortes, que a acusam de quebrar os regulamentos.

Em conclusão, a FOTA tem tentado pressionar as instituições que gerem a F1, mas a principal ameaça ao seu objectivo virá de dentro, nomeadamente com os interesses de cada equipa a tentarem ser sobre-postos aos da colectividade…


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