Construir e aproveitar

19 04 2011

Nos últimos dias têm chegado informações acerca da construção do novo circuito de Fórmula 1 que está a ser construído nos EUA, o Circuit of the Americas, de que o projecto poderá passar por dificuldades, já que o Senado do Texas terá recusado um fundo de 25 milhões de dólares.

As razões são simples: com a crise económica actualmente atravessada por nós, os membros do Senado acreditam que financiar uma corrida automóvel poderia dar a entender à população de que tinham as prioridades seriamente trocadas. Uma razão completamente legítima, tem que se concordar…

O "Circuit of the Americas".

E isto leva-nos a uma simples questão: com tantos autódromos disponíveis no mundo, porque não aproveitá-los, ao invés de construir mais? Para começar temos que nos lembrar que existem circuitos soberbos fora do calendário, como A1 Ring, Portimão, Imola, entre outros. Isto significa que não falta sítio por onde escolher para realizar GP’s, que ainda para mais apenas teriam que ser modernizados para estarem de acordo com as medidas de segurança, e alguns destes até já as possuem!

Então, porque está Ecclestone tão determinado com a construção de novos circuitos? Simples, os países para onde Bernie quer levar a F1 não possuem tradição quase nenhuma no automobilismo, o que leva a que seja necessária a elaboração de projectos em locais sem grande desenvolvimento ou, algumas vezes, população. Aqui pode-se contar a Coreia, que foi construída num local onde será (?) projectada uma cidade, ou a China, a partir de um pântano, ou o Bahrain no meio de um deserto, entre vários outros exemplos…

O principal problema com este tipo de situação, apenas coloco uma questão: e depois da F1? Inevitavelmente, estes países acabarão por perder o interesse do “anão tenebroso” (como o GP da Turquia e da Europa actualmente), e nessa altura o que sucederá a estes autódromos, construídos com o único propósito de abrigar a F1, é que ficarão sem actividades, e acabarão por enfrentar dificuldades económicas. Alguns dos actuais circuitos, como Sepang, têm-se prevenido, colocando o circuito à disposição de outras categorias.

O último circuito americano a receber a F1, Indianápolis.

O caso dos EUA é ligeiramente diferente. Os americanos possuem tradição no automobilismo, e vários autódromos, no entanto nunca se interessaram muito por este desporto. O desporto de eleição destes é sem dúvida a NASCAR. E talvez a IndyCar. Basta que seja realizado numa oval, e eles interessam-se… Por alguma razão, os americanos têm um fascínio por este tipo de pistas. Possivelmente acham muito complicado terem que curvar para mais do que um lado! Enfim…

A questão então é o facto de não existirem muitas pistas “a sério”. A última pista utilizada para sediar o GP dos EUA foi Indianápolis, não a versão oval, mas sim uma versão que utiliza parte da oval, e um circuito interno. A pista era minimamente interessante, mas Ecclestone retirou-a por dizer que os fãs não tinham o espírito certo… Tendo em conta que o circuito atingia níveis bastante próximos de lotação máxima, é difícil de perceber qual será o espírito certo!

Enfim, o “Circuito das Américas” vai ser construído mesmo, resta saber se conseguirá os fundos necessários para estar no calendário de 2012, tal como o GP da Índia deste ano…

Coloco apenas uma questão final: será que vale a pena criar novos circuitos, quando tantas pistas de classe mundial se encontram disponíveis para ser utilzadas? Dificilmente!

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