A “segunda” Toyota

14 04 2011

Não, não me refiro a um regresso da marca japonesa à F1, mas sim da situação que atravessa a Mercedes. No final de 2009 os alemães compraram a equipa campeã do mundo, a Brawn. Ao fazerem isto, acreditavam que compravam não apenas a honra de “carregar” o número 1, mas também a infraestrutura responsável pela criação do BGP001, que dominara por completo a primeira metade da temporada.

Colocavam-se, no entanto, alguns problemas bastante importantes. Começando pelo campeão Jenson Button, que tivera que reduzir o seu salário para metade, de modo a poder ajudar a conter os custos da Brawn, mas para 2010 o britânico queria ser pago de acordo com o seu estatuto de vencedor do Mundial. Após muitas negociações falhadas, Button visitou o centro da McLaren. Acreditava-se que seria apenas uma tentativa de pressionar os responsáveis alemães a aumentarem o valor. Estes também o acharam. Erradamente, visto que Jenson acabou por assinar pela equipa de Ron Dennis.

A Mercedes deixou escapar Button para a sua rival.

Logo, a Mercedes acabava de enviar o campeão do mundo para a sua maior rival, visto que os alemães forneciam a McLaren, tendo estado muitas vezes perto de a comprar, só que Dennis nunca aceitou, e havia muito que as relações entre ambos já não estavam perfeitas.

Depois havia ainda a questão de que Ross Brawn passar um ano inteiro (2008) a desenvolver o seu monolugar, e não de uma eficácia real do túnel de vento de Brackley. Além disso, o BGP001 fora desenvolvido durante 2009 até ao fim de modo a reter os títulos, o que levou a um grande atraso no carro que viria a ser o MGP W01.

A dupla de pilotos era incerta: Rosberg era desde o Verão uma escolha óbvia, e a Mercedes acabou por confirmá-lo. O ex-piloto da Williams tinha ainda o problema de não ter ainda vitórias ou poles, o que, na impossibilidade de ter Button, levava a que os alemães precisassem de um piloto de qualidades reconhecidas. Raikkonen chegou a ser referido, mas acabou por desistir e ir para os rallys. Rumores começaram a correr de que Michael Schumacher poderia sair da “reforma”, o que acabou por ser confirmar, gerando grande expectativa de como o alemão conseguiria aguentar-se com a nova geração de pilotos.

O MGP W01 acabou por revelar-se um fracasso.

A temporada começou com grandes expectativas, mas para o fim a história da temporada da Mercedes era um verdadeiro pesadelo: o melhor que a equipa conseguiu foram alguns pódios, todos com Rosberg. Schumacher foi uma das grandes desilusões da época, andando sempre com prestações fracas.

Muitas desculpas foram arranjadas para tentar justificar, desde o facto de Schumacher enjoar no simulador até à ideia de que o projecto base de 2010 era um falhanço desde o início. E aí veio 2011.

O novo ano trouxe novas esperanças, e com elas a ideia de que a Mercedes conseguiria voltar a imiscuir-se na luta pelo título. A pré-temporada mostrou um ritmo razoável, e nas duas últimas sessões de testes Schumi e Rosberg foram os mais rápidos. Após duas corridas, no entanto, é possível verificar que os alemães parecem estar até pior do que no ano passado, com apenas dois pontos conquistados (Schumacher na Malásia).

E isto coloca uma questão que as marcas automóveis parecem ainda não ter compreendido: o dinheiro não é tudo na F1. A Red Bull, embora só tenha o quarto maior orçamento tem actualmente o melhor monolugar, enquanto a Ferrari investe de uma maneira muito pesada, e não consegue atingir resultados devido à falta de criatividade.

De um modo geral, a situação da Mercedes é muito idêntica à da Toyota: ambas entraram com grandes expectativas e investimentos, mas não conseguem transformar estes dois factores em resultados. Só há uma questão: muito dificilmente estarão os alemães tão dispostos a “queimar” dinheiro como os japoneses…


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One response

14 04 2011
Speeder_76

Engraçado… estava a escrever a minha 5ª Coluna desta semana e um dos tópicos era a Mercedes e a sua incapacidade de fazer um chassis eficaz. Aparentemente, o W02 vai ser um chassi deitado fora, porque não consegue ser tão eficaz como o Red Bull RB7, por exemplo.

Acabei por acrescentar um parágrafo para colocar um link deste post no blog.

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