Sob o domínio de Todt

8 03 2011

Durante os tempos de Max Mosley, a FIA caracterizou-se por um comportamento irregular e muito poucas vezes bem ponderado. Para além dos ocasionais favorecimentos à Ferrari e da milionária multa à McLaren, a maior polémica acabou por que levou à saída do britânico: a guerra com a FOTA. A luta com a organização das equipas foi de tal modo grande, que durante uns dias chegou a ser oficial a separação e criação de uma nova categoria.

Isto acabou por ser evitado com a “rendição” de Mosley, no entanto nas eleições para a presidência da federação, o inglês deu o seu apoio a Jean Todt, que se encontrava nas eleições contra o ex-piloto de ralis, Ari Vatanen. Na altura em que o francês venceu, confesso que cheguei a acreditar que seria uma continuação do que até aí tinha ocorrida, com “Mad Max” a controlar tudo à distância. Mas não foi…

O ex-dirigente da Ferrari acabou por surpreender positivamente, dirigindo com clareza e bom senso a FIA. Mesmo o modo fraco como tratou a questão das ordens de equipa na Alemanha, acabou por tomar medidas sensatas, como a recusa de garantir acesso a uma 13ª equipa (já que nenhuma delas possuía condições mínimas). Isto acabou por conferir às equipas um inesperado aliado na sua luta por maior percentagem das receitas.

Jean Todt acabou por se revelar uma surpresa pela positiva.

Na realidade quem está bastante prejudicado com todas estas andanças foi Bernie Ecclestone. O britânico já não conta com apoio da FIA, o que lhe retira a posição de força que sempre teve sobre as equipas na discussão de alterações ao regulamento ou ao calendário. Como no caso do Bahrain.

Bernie pretendia colocar o Bahrain ainda este ano, algures entre Brasil e Abu Dhabi, de modo a não perder o dinheiro. Contudo Jean Todt “travou” a iniciativa, afirmando que apenas se colocará a corrida no calendário, se até Maio os problemas no país estiverem resolvidos. O que é quase o mesmo que dizer que não irá ocorrer… O francês também já retirou Marrocos do calendário do WTCC, de modo a evitar a problemática área do Norte de África.

A FIA também já avisou que os circuitos necessitam de alterações de modo a proporcionar mais ultrapassagens, já que os actuais circuitos da era Tilke (o preferido de Ecclestone) nunca as tornam possíveis. Além de que o projectista alemão está a ficar sem imaginação, pois o projecto de um circuito para o GP da Croácia, é quase igual ao de Austin para o GP dos EUA!

Enfim, sob o domínio de Todt, a FIA luta por mais sensatez nas decisões dos seus campeonatos.


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