Sem espanto

27 02 2011

Detentor de dois títulos mundiais de Fórmula 1, Fernando Alonso é considerado por muitos como um dos mais talentosos pilotos do actual grid, e também de todos os 60 anos deste desporto. Até aqui, todos conseguimos concordar: o espanhol consegue voltas brilhantes, puxando o carro ao limite, mas também se sabe controlar quando é necessário, adaptando o seu estilo de condução consoante a corrida se desenvolve, o que é marca dos melhores dos melhores.

Se o piloto é brilhante, já o homem não segue o mesmo caminho.

Após os seus dois títulos (2005 e 2006), o piloto mudou-se para a McLaren, e desde então tem iniciado uma rede de tramas e escândalos. A trama de espionagem na McLaren, o “vitória” em Singapura, e mais recentemente as ordens de equipa em Hockenheim, têm-no sempre como interveniente, nalguns casos o principal.

O piloto que Alonso mais me recorda é mesmo Michael Schumacher. E isto não é um elogio…

Os tempos de Alonso na McLaren voltaram a merecer destaque.

Logo, nada me espantou as notícias que hoje circularam acerca do seu envolvimento na McLaren em 2007, descrito na nova biografia de Bernie Ecclestone. Contextualizando, o chefe da FOM tem uma biografia à vende (não-oficial) com título “No Angel” (Nenhum Anjo), na qual é descrita a sua vida, bem como as tramas em que se envolveu ao longo dos anos. Nesta encontra-se um pormenor acerda da dupla da McLaren de 2007, com Alonso a ter, alegadamente, pedido a Ron Dennis para que não colocasse todo o combustível no carro de Lewis Hamilton no GP da Hungria.

Voltemos a 2007: vindo da equipa campeã, a Renault, Alonso chega à sua equipa favorita com o objectivo de se tornar tri-campeão. A seu lado tinha um estreante, Lewis Hamilton. O britânico era um protegido da equipa desde os tempos do kart, e ia estrear na F1 pelo topo. Esta opção fora vista como estranha na altura: Pedro de la Rosa, o piloto de testes, impressionara nas corridas disputadas em 2006, e ainda para mais Lewis tinha-se despistado no primeiro teste após ser confirmado. Esperava-se que o espanhol simplesmente esmagasse o britânico.

Surpreendentemente nada disso aconteceu. Na realidade o inglês espantou tudo e todos (incluo-me aqui) ao ficar pertíssimo de Alonso na sua estreia no GP da Austrália, ficando em terceiro logo atrás do espanhol. Nas corridas seguintes acumulou uma enorme sequência de pódios, e vencendo a sua primeira corrida no Canadá, e uma semana depois nos EUA (batendo Alonso)!

Quem não gostou muito foi Fernando, que começou a reclamar por direitos de ser o primeiro piloto, que levou Ron Dennis a alterar a estratégia de Hamilton para o GP do Mónaco, que ele teria vencido facilmente, dando o triunfo a Alonso. Obviamente, Lewis não ficou nada feliz, acusando a equipa de o tratar como segundo piloto. Os “confrontos” começaram com o bi-campeão a recusar-se a fornecer os seus acertos de monolugar ao companheiro de equipa.

Isto leva-nos ao GP da Hungria, em que Alonso faz a volta mais rápida da qualificação, mas para o conseguir parou nas boxes à frente de Hamilton, mas ficou lá de modo a queimar o tempo de Lewis. Isto valeu-lhe uma penalização, e na corrida o britânico venceu. O ambiente ficou estragado de vez, e quando a FIA investigou uma espionagem da McLaren à Ferrari, Alonso serviu de testemunha, levando a equipa a levar uma multa de 100 milhões de dólares. E no meio destas lutas deixaram o título fugir para Kimi Raikkonen e a Ferrari!

E isto levou à sua tentativa de pressionar Ron Dennis a sabotar o carro de Lewis. O espanhol decididamente não gosta que os seus companheiros o batam, e na sua primeira luta a sério com um piloto capaz (Fisichella e Trulli nunca lhe deram trabalho) Fernando começou a fazer jogo sujo, hábito que se mantém até hoje…

Honestamente não entendo como os seus fãs torcem por ele, já que representa tudo aquilo que não deve ser feito no desporto. Enfim, há maluquinhos para tudo!

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3 responses

28 02 2011
Speeder_76

Gostei da última frase… de fato, vê-se um pouco o que é como pessoa: ou nºao sabe lidar com a pressão, ou então tem de se comportar como se fosse o “rei Sol”. E ainda por cima sendo espanhol, as coisas são um pouco piores, porque mais um bocado e vão dizer que “Dios habla castellano…”

3 03 2011
formulapt

Realmente para mim, o pior nem é ele fazer o que faz, é o facto de haver quem defenda que o que ele faz está correcto…

27 02 2011
marcos

cara eu já fico em duvida se isso foi mesmo dito, pq senão ele seria até mais vigarista que o Schumacher…

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