McLaren: marca favorita

15 01 2011

Para quem segue o mundo automóvel com alguma regularidade é fácil de notar que ao fim de algum tempo todos têm uma marca favorita. Aquela marca da que se anseiam os novos modelos mais do que nas restantes. A melhor construtora automóvel de todas… mas qual?

A resposta óbvia para muitos será Ferrari. O próprio nome é quase um sinónimo de velocidade ao redor do mundo. Os tiffosi são os fãs mais fanáticos do mundo: para eles a marca italiana é um exemplo de perfeição, e o seu fundador, Enzo Ferrari, uma reencarnação de Jesus Cristo…

A marca mais famosa e cobiçada ao redor do mundo.

Confesso não fazer parte desse grupo de pessoas, antes pelo contrário. A ideia de que todos os Ferrari são lindos e rapidíssimos nem sempre condiz com a realidade: muitos são os que têm um design demasiado vulgar, e em termos de velocidade nem sempre são os mais rápidos ou melhores de conduzir. Honestamente, o único modelo de Maranello de que gosto é o 458 Italia.

Mas, o que de facto me desagrada na marca italiana é o seu fundador. Até hoje não compreendo o fascínio por Enzo Ferrari. De tudo o que encontrei sobre si (como o facto de ter afirmado que a aerodinâmica era uma desculpa de quem não sabia fazer bons motores…) apenas encontrei um homem convencido e arrogante, que se julgava superior a tudo e todos.

Outros crêem que a marca mais icónica se trata da Lamborghini, autores dos carros mais lunáticos e extravagantes; ou Porsche, pelo famoso 911 e sucessos desportivos. Mas não. A marca que mais admiro, aquela que produz os melhores carros e que se distinguiu com os seus modelos é a McLaren.

Bruce McLaren a guiar um carro da sua equipa.

Criada em 1963 pelo piloto de Fórmula 1, Bruce McLaren (vice-campeão em 1960 e com 4 vitórias), a equipa britânica obteve até hoje 8 títulos de construtores, 12 títulos de pilotos, 169 vitórias, 146 pole positiones e 143 voltas rápidas. Actualmente a equipa é uma das candidatas ao título, com os pilotos Jenson Button e Lewis Hamilton.

Em 1992 foi iniciada a produção do McLaren F1, o primeiro automóvel de estrada produzido pela marca britânica. O F1 foi construído sem qualquer noção de custo, com o objectivo de ser o carro mais veloz do mundo, capaz de conferir a mais pura sensação de condução. Criado pelo projectista Gordon Murray, o McLaren foi o primeiro carro em fibra de carbono, tinha a famosa disposição de três lugares, com o condutor ligeiramente adiantado e no meio do carro, para conferir a sensação mais realista de piloto de competição como nos monolugares.

O McLaren F1 de Gordon Murray, um dos melhores de sempre.

Com o objectivo de colocar a sua criação o mais perto da perfeição possível, Murray “exigiu” um motor naturalmente aspirado para melhor a fiabilidade e controlabilidade. Com a recusa da Honda em fazê-lo (na altura fornecedora de motores da equipa de F1), acabou por ser a BMW a produzir um dos motores não-turbo mais potentes do mundo (apenas batido pelo Aston Martin One-77): um V12 com 627 cavalos e 6,1 litros. Para não sobreaquecer o compartimento do motor, este foi coberto de ouro (literalmente) pois este trata-se do melhor reflector de calor, num exemplo da pouca preocupação com os custos.

Embora tenha sido produzido nos anos 90, o F1 é o quarto carro com maior velocidade máxima do mundo: 391 km/h!

Em 2003, seria produzido outro carro em Woking: o Mercedes SLR McLaren. Embora não se tratasse a 100% de um McLaren, era um “casamento” entre os britânicos e os alemães (fornecedores de motores da e quipa de F1), que, embora impressionante, não deixava de ter algumas falhas: os travões eram muito bruscos (ligados ou desligados, quase sem meio termo) e o interior deixava a desejar. Nas palavras de Richard Hammond: “é um casamento entre Mercedes e McLaren… eu só queria que fosse um pouco mais McLaren, e um pouco menos Mercedes”.

O novo McLaren MP4-12C... Promete!

Agora, em 2011, Mercedes e McLaren têm equipas separadas na Fórmula 1, e por essa razão já não estão em cooperação pelo que os britânicos decidiram lançar, de novo, um automóvel de estrada: o MP4-12C.

O novo modelo é o primeiro McLaren com um motor próprio: um V8 bi-turbo com perto de 600 cavalos. Aqui há de notar a cilindrada baixa do motor, que consegue mesmo assim muita potência, acreditando-se que poderão vir a fabricar os seus próprios motores na equipa de F1 também. Prevê-se velocidade máxima acima de 320 km/h e 0-100 km/h em 3 segundos!

As imagens revelam uma silhueta brilhante: elegante, sem ser excessivamente cheia de acessórios. Ron Dennis afirma que o automóvel foi fabricado com o propósito de ser o automóvel mais rápido do mundo (em pista, e não em km/h), pelo que, nas palavras de Frank Stephenson (designer): “não foram usados acessórios que não precisam de estar lá”, numa referência à obsessão de estilo sobre utilidade que actualmente ocorre na indústria automóvel.

Uma coisa posso garantir: trata-se de um automóvel que tem tudo para ser brilhante, e, melhor ainda, é um McLaren!

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2 responses

18 01 2011
Mike Vlcek

Fala, meu bom. Valeu pelo comentário lá no blog.

Gostei muito desse artigo, e tb concordo com o q falou sobre a McLata. Aguardo ansiosamente pelos primeiros testes do MP4-12C, em especial o do Top Gear, eheh

16 01 2011
Mário Pedro

Gordon Murray, grande génio, porque não volta a projectar na F1?…
Os de agora parecem todos iguais.

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