Ano 0+1

10 01 2011

Ao longo dos anos temos sido confrontados com a chegada de equipas novas à Fórmula 1, a maior parte das quais com “bugets” minúsculos quando comparados com os das equipas do pelotão da frente. Scuderia Italia, Forti, EuroBrun, e, mais recentemente, a Virgin são exemplos disso.

Aproveitando os “restos” deixados pelas restantes equipas, estas pequenas equipas possuem normalmente dois destinos: ou conseguiam subir de forma progressivamente até ao sucesso (creio que se pode considerar a Red Bull como a prova viva disso), ou acabam por se debater com problemas monetários durante toda a sua vida (curta, na maior parte dos casos) até chegarem a um fim forçado.

Nesta última categoria encontra-se, na minha opinião, o maior exemplo de paixão pelo desporto que existe no mundo: a Minardi. Inscrita pela primeira vez no campeonato de F1 de 1985, e criado por Giancarlo Minardi, a equipa caracterizou-se por escassos resultados de volume, e sobrevivência à justa. Contudo o desportivismo com que sempre tomaram parte nas corridas, nunca deixaram que a ausência de resultados os afastasse da competição, numa metáfora perfeita de “o importante não é ganhar, é participar”.

A Hispania não arrecadou muitos fãs no seu primeiro ano.

No extremo oposto encontra-se a HRT. Começou imediatamente errada: originalmente uma candidatura de Adrian Campos, a equipa acabaria por enfrentar problemas e mesmo antes do início da temporada foi necessário ser vendida à Hispania de José Ramon Carabante. Com muitos pagamentos em atraso, tratou-se de uma verdadeira corrida para, simplesmente, ter ambos os carros no grid do Barhain.

Para fazer esta tarefa Carabante encarregou Colin Kolles (ex-Jordan, Midland, Spyker e Force India) de dirigir a equipa. O alemão tentava garantir o máximo de apoios possíveis e uma boa maneira de os conseguir era através de pilotos endinheirados, contudo Campos já contratara Bruno Senna que não trouxera um tostão. A solução fora contratar Karun Chandhok, um indiano apoiado por Bernie Ecclestone.

Confesso que no primeiro GP temi o pior, pois a equipa não tinha corrida um km com o novo carro, e Chandhok não mostrara grande potencial na GP2.

A equipa acabou por conseguir sobreviver ao ano, com uma rescisão com a Dallara e com a Toyota pelo meio… Na primeira metade do ano foi possível notar que Senna estava bastante mal, começando a perder para Chandhok, que impressionou com performances bastante boas tendo em conta que conduzia um carro que fora mais lento que um GP2 em Monte-Carlo. Contudo, isto não lhe serviu de muito, pois com a falta de dinheiro que a equipa enfrentava, o endinheirado Yamamoto apanhou o seu lugar.

O certo é que após um ano de incógnitas, que a equipa tratou como “ano 0”, parece que este ano não deverá ser muito diferente. Com a assinatura de um contrato com a antiga estrutura da Toyota, parecia que tudo estava resolvido, contudo foi rescindido por falta de pagamento. De volta à situação do ano anterior, a equipa parece ter retornado à ideia dos pilotos pagantes, com o primeiro a ter sido anunciado a semana passado: Narain Karthikeyan.

Não pilota um F1 desde 2005, e o seu retorno é explicado por um gigante patrocínio da Tata e pelo facto de o GP da Índia estrear este ano no calendário. Mas acima de tudo Narain é o novo piloto, porque Karun recusou assinar pela mesma equipa que o mandara embora quando precisaram de dinheiro rápido. Confesso que foi uma agradável surpresa constatar que o indiano se recusou a submeter a essa humilhação, mesmo retirando-se de um lugar no grid de Jaypee, um sonho pessoal.

Parece-me óbvio que a segunda vaga ficara para quem der o maior número de euros à equipa, que a cada dia tem menos simpatia dos fãs pelos modos como a gere. Tudo isto leva a que equipa vá viver em 2011 mais um ano 0. Vamos ver como corre este ano 0+1…

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2 responses

16 01 2011
Speeder_76

A Formula 1 sempre foi assim: os amadores loucos que sonham em fazer numero na categoria máxima do automobilismo. Durante muito tempo, a Formula 1 sempre atraiu uma boa quantidade de pessoas que queriam lucrar à custa disto, desde meados dos anos 70 e inicio dos anos 90. Uns foram bem sucedidos (Wolf, Arrows, Osella, Minardi, Lola-Haas, Rial, Onyx, Jordan) outros foram uma comédia (Coloni, Andrea Moda, Eurobrun, Life, Forti…)

Mais do que a Hispania ser uma comédia de feições trágicas, o problema que temos hoje é que com a globalização da Formula 1 e a sua atração pelo mundo da finança e dos negócios, da transformação de um desporto com oficinas pequenas com mecânicos desarranjados e sujos para paddocks enormes com modelos a circular, famosos e “sheiks” ultra-milionários, os “falhados” tendem a ser enxotados do paddock. A Hispania está sempre a ser “desfeita” a cada semana que passa. Poderá ser, eventualmente, mas a “má publicidade” está a ajudar a que eles sejam “simpáticamente” puxados para fora… embora eles contribuam muito para isso.

Acho que eles poderão começar a temporada. Acabá-la é outra coisa completamente diferente…

13 01 2011
Claudemir Freire

É uma equipe claudicante realmente, mas como ela já apareceram várias na F1, porém com o nível de exposição que existe hoje, a pobre equipe é colocada nas manchetes de jornais a todo instante.

Não seria o mesmo se a Lolla, Osela ou Forti Corsi estivessem hoje no grid?

É sempre salutar ter equipes menores, que atrapalhem um pouco o andamento das corridas, é só lembrar que a Toro Rosso a 3 anos atrás andava a menos de 1 segundo de Ferraris e Mclarens, e era uma das mais lentas da temporada.

Dessa maneira quase não se ouvia falar dos tão famosos retardatários de anos anteriores, então nessa F1 de procissão que temos hoje, elas, as lentas e pobres equipes fazem até o bem de atrapalhar as grandes.

Quem não lembra do Alonso pocesso atrás do di Grassi em Mônaco?

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