Mais não é melhor

5 01 2011

Enquanto a temporada de Fórmula 1 decorre é costume ocorrerem as polémicas habituais, que têm sempre a mesma característica: uma equipa descobriu um inovador engenho aerodinâmico que lhes concedeu uma vantagem gigantesca, e de imediato todos os dirigentes das restantes equipas reclamam, porque, como já disse anteriormente, na F1 de hoje, ser mais inteligente deve ser uma vantagem injusta.

Os motores V8 serão substituidos em 2013.

Aliás, há muito que as inovações tecnológicas que a F1 consegue produzir prendem-se (na maior parte dos casos) com a aerodinâmica. Tal como os pneus (que são mono-marca), os motores têm vindo a perder alguma importância devido ao “congelamento” a que têm sido sujeitos. Contudo agora estão de novo no centro das conversas.

Com o crescimento do apelo às tecnologias verdes, a F1 decidiu, que, a partir de 2013, os motores sofrerão uma mudança radical: em vez dos actuais V8 naturalmente aspirado de 2,4 litros a gasolina, passarão a existir motores de 4 cilindros em linha com turbos e com capacidades de 1,6 litros a biocombustível. Não só se trata de uma excelente medida para reduzir drasticamente os níveis de poluição, mas também de uma excelente acção de marketing, pois este género de motor é muito usado actualmente nos automóveis de estrada.

Portanto tudo isto deveria deixar os chefes das equipas felizes, certo? Um certo sujeito chefe de uma certa equipa italiana acredita que não… Luca di Montezemolo, chefe da Ferrari, afirma que “4 cilindros é pouco para a categoria mais importante do automobilismo”. Montezemolo afirma que a Ferrari não será ajudada por esta medida pois não possui veículos com 4 cilindros.Realmente nunca me ocorreu esta preocupação porque quando todos nós pegamos no nosso Ferrari e vamos para o trab… ah não, esperem…

O chefe da Ferrari parece ainda não ter compreendido que não se encontra na Fórmula Ferrari, e que só por que não gosta das mudanças do regulamento não poderá forçar a sua modificação. Além disso eu creio que se precipitou nos seus cálculos: quando os motores deixaram de ser turbo e passaram a V10 em 1988 (o caminho inverso do actual) as potências só subiram 25 cavalos do valor anterior (650 cv). Actualmente o número de cilindros será reduzido em 4, e terão turbos, pelo que mesmo descontando um pouco uma perde de à volta de 100 cv, os carros continuarão a produzir acima de 1000 cv por tonelada, mais do que um Ferrari Enzo ou um Bugatti Veyron SS (ou que qualquer outro carro…).

Esta “queixa” parecia isolada, com Tony Fernandes a elogiar os novos regulamentos poucos dias depois, e o assunto ficou menos falado. Até que Niki Lauda e Bernie Ecclestone arranjaram outra preocupação: o barulho.

“Estou um pouco preocupado com o som, que na Fórmula 1 tem sido único. Espero que seja mais do que um ligeiro zumbido” disse Lauda, e “Se perdermos o som da Fórmula 1, vamos perder bastante” disse Bernie. Dito isto tenho apenas uma pergunta para estes dois personagens: têm uma fonte inesgotável de petróleo? Não… Então oiçam: o petróleo vai acabar e, mais tarde ou mais cedo, os F1 terão que ser eléctricos que não produzirão ruído algum, pelo que terão que se habituar… ou então podem colocar uns altifalantes nos carros com barulhos dos V8!

Isto leva-me a algo que já abordei anteriormente: a F1 não deve ser tomada como o lugar onde os carros mais rápidos do mundo se defrontam (o Red Bull X1 já anulou por completo essa ideia), mas antes como um local de inovação ao serviço da indústria automóvel. E para aqueles que temem pelas performances, digo-vos o que me disse uma professora de natação: “se fizeres bem, acabas por andar rápido”… A mesma mensagem aplica-se na perfeição aos motores: à medida que se forem desenvolvendo ficaram melhores.

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5 01 2011
Julio Cezar Kronbauer

O problema do Red Bull X1 é que sua versão real é diferente da virtual: não possui turbina e não produz um terço da força G do modelo presente no Gran Turismo 5.

Acredito que o petróleo será substituível por algum combustível renovável, como o etanol. Torço para que os Fórmula 1 não se tornem carros “movidos à pilha”.

Eu não sei por que Luca di Montezemolo reclama tanto. Afinal de contas, na década de 1980, os carros da Ferrari vinham com motores em V, e os da Fórmula 1 tinham motores com os cilindros dispostos em linha, além de serem turboalimentados.

Na verdade, ele só quer aparecer…

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